Leibniz: Mônadas, Teodiceia e o Melhor dos Mundos Possíveis

Imagine um universo composto por uma infinidade de pontos de vista, cada um deles uma alma minúscula que, sem nunca olhar pela janela, reflete dentro de si o cosmos inteiro — e que, no entanto, está em acordo perfeito com todos os outros, como se cada relógio de um vasto salão tivesse sido ajustado de uma vez para marcar a mesma hora pela eternidade. Esse é o mundo de Gottfried Wilhelm Leibniz (1646–1716): o último grande sábio universal da modernidade, matemático, lógico, jurista, diplomata, historiador e teólogo, que tentou a mais ambiciosa das sínteses — reconciliar a ciência mecânica de seu tempo com a metafísica das substâncias e com a teologia cristã. Sua filosofia é, ao mesmo tempo, um dos sistemas mais coerentes já construídos e uma das pontes que ligam Aristóteles à lógica matemática do século XX. ...

29 maio 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Spinoza e o Panteísmo Racional: Deus sive Natura, Monismo e Conatus

Existe um filósofo que, escrevendo em latim em uma pequena casa em Haia no século XVII, formulou uma das visões de mundo mais radicais que a filosofia ocidental jamais produziu — e o fez sob a forma improvável de um tratado de geometria. Esse filósofo é Baruch (Bento) de Spinoza (1632–1677), e o tratado é a Ética demonstrada segundo a ordem geométrica, publicada postumamente no ano de sua morte. Em pouco mais de duzentas páginas, organizadas em definições, axiomas, proposições e demonstrações, Spinoza propõe simultaneamente uma metafísica do absoluto, uma teoria dos afetos humanos, uma psicologia do conhecimento e uma ética da liberdade. Sua influência atravessa três séculos — Lessing, Goethe, Hegel, Marx, Nietzsche, Deleuze, Antonio Damasio — e seu nome ainda funciona, na história da filosofia, como cifra de uma decisão intelectual: pensar Deus, a natureza e o ser humano como expressões de uma única realidade. ...

21 maio 2026 · 10 minutos · Resumidor de Filosofia

Cogito ergo sum: O Fundamento Cartesiano e a Certeza do Eu Pensante

Há poucos momentos na história da filosofia que possam ser comparados, em radicalidade e consequência, àquele em que René Descartes, isolado em sua estufa holandesa, descobre que a própria atividade de duvidar contém em si uma certeza inabalável: aquele que duvida, pensa — e aquele que pensa, existe. O cogito — formulado de maneiras ligeiramente distintas em três obras capitais — tornou-se não apenas o ponto de partida da filosofia cartesiana, mas o ato fundador de toda a filosofia moderna. A partir dele, a subjetividade humana se instalou no centro da investigação filosófica e ali permaneceu, sob formas diversas, durante quatro séculos. ...

8 maio 2026 · 17 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno II: Racionalismo e Empirismo antes de Kant

Este é o segundo de cinco artigos dedicados à obra Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal (1878–1944). No artigo anterior, acompanhamos o Caderno I, em que Maréchal inventariou as conquistas e os limites da tradição clássica — dos pré-socráticos a Tomás de Aquino — no que diz respeito ao problema da validade objetiva do conhecimento. A tradição escolástica havia articulado um realismo epistemológico robusto, mas sem oferecer a justificação reflexiva que o interlocutor moderno viria a exigir. O Caderno II entra agora nesse mundo moderno: analisa o grande conflito entre Racionalismo e Empirismo como a tentativa da filosofia dos séculos XVII e XVIII de resolver, cada uma à sua maneira, o problema do fundamento do conhecimento humano. Veremos que ambas as tradições fracassam, e que é o cético David Hume quem, ao radicalizar o empirismo, abre o abismo que Kant se sentirá obrigado a atravessar. ...

27 abril 2026 · 10 minutos · Resumidor de Filosofia

Baruch de Spinoza (Bento de Espinosa)

Baruch de Spinoza (Bento de Espinosa) Nascido em Amsterdã em 1632, numa família de judeus sefarditas de origem portuguesa que fugira da Inquisição, Baruch de Spinoza recebeu formação rabínica, mas suas ideias logo o puseram em rota de colisão com a comunidade: em 1656 foi alvo de um herem (excomunhão) em termos de rara severidade. Recusou cátedras e honrarias para preservar a independência de pensamento e sustentou-se humildemente polindo lentes ópticas. Morreu cedo, em 1677, e suas obras principais — entre elas a Ética — só foram publicadas após sua morte. É considerado o mais radical dos racionalistas do século XVII. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Gottfried Wilhelm Leibniz

Gottfried Wilhelm Leibniz Nascido em Leipzig em 1646, Gottfried Wilhelm Leibniz foi o último grande sábio universal: ao mesmo tempo filósofo, matemático, lógico, físico, jurista, historiador e diplomata. Inventou — independentemente de Newton — o cálculo infinitesimal, cuja notação ainda usamos, concebeu a aritmética binária que está na base da computação e projetou máquinas de calcular. Passou boa parte da vida a serviço da casa de Hanôver e morreu em 1716, deixando uma obra dispersa em milhares de cartas e poucos livros publicados. Filosoficamente, buscou a grande conciliação entre a ciência moderna, a tradição metafísica e a fé. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

René Descartes

René Descartes Frequentemente chamado de “pai da filosofia moderna”, René Descartes nasceu em 1596 em La Haye, na Touraine francesa, e formou-se no rigoroso colégio jesuíta de La Flèche. Insatisfeito com o saber livresco, alistou-se como voluntário nos exércitos da Guerra dos Trinta Anos; foi nesse período, segundo seu relato, que teve em 1619 a intuição de um método universal capaz de dar à filosofia a mesma certeza da matemática. Viveu a maior parte da vida produtiva na Holanda e morreu em 1650 em Estocolmo, para onde fora convidado a instruir a rainha Cristina da Suécia. Foi também grande matemático: a geometria analítica e o sistema de coordenadas que leva seu nome são criações suas. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
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