Gilles Deleuze

Gilles Deleuze Filósofo francês; criou uma filosofia da diferença e da multiplicidade que subverte a tradição metafísica centrada na identidade. Produziu obras solitárias e em colaboração com Félix Guattari. Conceitos-chave Diferença em si mesma (Diferença e Repetição, 1968): a diferença não é derivada da identidade — ela é originária; a identidade é secundária em relação à diferença. Crítica à tradição que sempre subordinou a diferença ao Mesmo Rizoma (com Guattari): contra o modelo arborescente (raiz única, hierarquia, centro), o rizoma é multiplicidade horizontal sem ponto de origem ou destino — conecta qualquer ponto com qualquer outro. Metáfora para o pensamento, a política e a cultura Linhas de fuga (lignes de fuite): todo sistema social e subjetivo contém forças de desterritorialização que escapam às estruturas dominantes — criação do novo, resistência ao controle Plano de imanência: a realidade não tem transcendência; tudo é imanente a um plano único de forças e intensidades — contra o dualismo platônico e a transcendência teológica Desejo como produção (Guattari): contra Freud (desejo como falta) — o desejo é força produtiva, afirmativa; o capitalismo captura a produção desejante mas esta sempre transborda Corpo sem órgãos: superfície de intensidades sem organização prévia — contra o organismo como modelo normativo do corpo Conceito de conceito: a filosofia cria conceitos — não representa, não contempla, não comunica; criar conceitos é a tarefa específica do filósofo Influenciado por Bergson — duração, multiplicidade, criação (Bergsonismo, 1966) Nietzsche — vontade de potência, eterno retorno, afirmação (Nietzsche e a Filosofia, 1962) Spinoza — imanência e potência (Spinoza: Filosofia Prática, 1970) Hume — empirismo radical e associacionismo Influenciou Estudos culturais e teoria queer Ciências cognitivas e biologia (auto-organização) Arquitetura, arte contemporânea Teoria política pós-marxista Obras Nietzsche e a Filosofia (1962); Bergsonismo (1966); Diferença e Repetição (1968); A Lógica do Sentido (1969); O Anti-Édipo (1972, com Guattari); Mil Platôs (1980, com Guattari); O que é a Filosofia? (1991, com Guattari). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jacques Derrida

Jacques Derrida Filósofo argelino-francês; fundador da desconstrução. Subverteu a tradição metafísica ocidental mostrando que ela é estruturada por oposições binárias hierárquicas e pela metafísica da presença. Conceitos-chave Desconstrução: não é destruição, mas leitura atenta que revela as tensões internas de um texto — como os conceitos que ele exclui ou suprime retornam para desestabilizá-lo Metafísica da presença: a filosofia ocidental privilegia presença, fala, origem, identidade — Derrida mostra que toda presença é mediada por diferença e ausência Différance (neologismo): jogo de diferir (distinção espacial) e deferência (adiamento temporal); o significado nunca está plenamente presente — é sempre postergado Suplemento: o elemento considerado “externo” ou “secundário” (escrita em relação à fala, em Rousseau) revela-se constitutivo do “original” Texto: “Não há nada fora do texto” — não quer dizer que só existem livros, mas que toda experiência é mediada por estruturas de significação Pharmakon (análise de Platão): a escrita é ao mesmo tempo remédio e veneno — ambivalência irredutível que a filosofia tenta, sem sucesso, resolver Influenciado por Husserl — fenomenologia (primeiro livro: A Voz e o Fenômeno) Heidegger — destruição da metafísica (radicaliza a Destruktion) Nietzsche — crítica da metafísica e jogo de interpretação Ferdinand de Saussure — linguística estrutural (crítica) Sigmund Freud — rastro, inconsciente, diferença Influenciou Teoria literária (desconstrução nos EUA: Paul de Man) Estudos pós-coloniais (Spivak, tradutora de Da Gramatologia) Teoria queer Filosofia do direito (Força de Lei) Obras Da Gramatologia (1967); A Escritura e a Diferença (1967); A Voz e o Fenômeno (1967); Margens da Filosofia (1972); Força de Lei (1994); Espectros de Marx (1993). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Judith Butler

Judith Butler Filósofa americana; figura central da teoria queer e dos estudos de gênero. Problemas de Gênero (1990) transformou as humanidades ao propor que o gênero não é identidade fixa, mas performance. Conceitos-chave Performatividade do gênero: o gênero não é o que somos (substância), mas o que fazemos — conjunto de atos repetidos, citações de normas, gestos e discursos que produzem o efeito de uma essência natural. Não há identidade de gênero por trás dos atos de gênero Citacionalidade: performatividade não é performance teatral consciente — é citação compulsória de normas que preexistem ao sujeito; o sujeito não escolhe livremente seu gênero (contra a leitura vulgar) Matriz heterossexual: sistema de normas que prescreve sexo-gênero-desejo como coerentes e alinhados; o queer e o trans são os corpos que a norma exclui para se constituir — os “abjetos” Precariedade (Quadros de Guerra, 2009): as vidas não são igualmente enlutáveis — a política determina quais vidas contam como vidas; as vidas precárias (racializadas, queer, migrantes) são aquelas cujo luto é negado Crítica ao feminismo essencialista: não há “mulher” como sujeito político estável antes da política — a identidade “mulher” é produzida pela própria política feminista; isso não invalida o feminismo, mas o complexifica Influenciado por Simone de Beauvoir — “não se nasce mulher, torna-se” (ponto de partida) Foucault — poder, discurso, produção do sujeito Derrida — performatividade e citacionalidade J.L. Austin — teoria dos atos de fala (speech acts) Hegel — reconhecimento e desejo intersubjetivo Influenciou Teoria queer (Eve Sedgwick, Lee Edelman) Estudos trans e não-binaridade Filosofia política da precariedade Feminismos contemporâneos (interseccional, queer, decolonial) Obras Problemas de Gênero (1990); Corpos que Importam (1993); A Vida Psíquica do Poder (1997); Excitable Speech (1997); Quadros de Guerra (2009); Notas para uma Teoria Performativa da Assembleia (2015). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Michel Foucault

Michel Foucault Michel Foucault nasceu em Poitiers em 1926 e formou-se na École Normale Supérieure, onde teve entre seus mestres Jean Hyppolite e Louis Althusser. Psicólogo de formação além de filósofo, ocupou a partir de 1970 a cátedra de “História dos Sistemas de Pensamento” no Collège de France e foi um intelectual politicamente engajado — sobretudo na luta pela reforma das prisões. Tornou-se uma das figuras mais citadas das ciências humanas em todo o mundo. Morreu em Paris, em 1984, de doença relacionada à aids. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
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