Lewis Mumford

Lewis Mumford Lewis Mumford nasceu em Flushing, no bairro do Queens, em Nova York, em 19 de outubro de 1895, e morreu em Amenia, Nova York, em 26 de janeiro de 1990. Estudou no City College of New York e na New School for Social Research, mas nunca concluiu um diploma formal — a tuberculose contraída na juventude interrompeu seus estudos, e mais tarde ele serviu como eletricista de rádio na Marinha dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial. Autodidata de formação eclética, Mumford construiu uma das obras mais influentes do século XX sobre a história da técnica, da cidade e da arquitetura, atuando também como editor associado da revista The Dial e, por mais de três décadas, como crítico de arquitetura da The New Yorker. Sua formação intelectual deve mais a Patrick Geddes — o urbanista e biólogo escocês que Mumford chamava de seu “mestre declarado” — do que a qualquer instituição acadêmica; de Geddes herdou a distinção entre fases técnicas da história e uma abordagem holística que integra biologia, sociologia e tecnologia. Absorveu também de Thorstein Veblen a crítica da propriedade absenteísta e da produção perdulária, e de Peter Kropotkin e Ebenezer Howard o ideal de um urbanismo regionalista e cooperativo. ...

Liev Chestov

Liev Chestov Liev Chestov — nome literário de Yeguda Lev Shvartsman (Kiev, 5 de fevereiro de 1866 — Paris, 19 de novembro de 1938) — foi filósofo russo que se tornou uma das vozes mais radicais da crítica ao racionalismo filosófico europeu. Nascido numa família judaica de Kiev, estudou Direito e Matemática em Moscou antes de se dedicar inteiramente à filosofia. Após a Revolução Bolchevique, emigrou; em 1922 passou a lecionar filosofia russa na Universidade de Paris, onde permaneceu até a morte. Nesse exílio frutífero, amadureceu suas ideias mais originais e escreveu sua obra principal. ...

Louis Althusser

Louis Althusser Louis Althusser (16 de outubro de 1918, Birmendreïs, Argélia francesa — 22 de outubro de 1990, La Verrière) foi um filósofo marxista francês, principal nome do marxismo estrutural. Professor na École Normale Supérieure da rua d’Ulm por décadas, formou e influenciou uma geração inteira (Foucault, Derrida, Jacques Rancière, Étienne Balibar, Alain Badiou). Membro do Partido Comunista Francês desde 1948, empenhou-se em uma releitura rigorosa e “científica” de Marx, contra as leituras humanistas e historicistas então dominantes. Sua biografia foi marcada por grave doença mental: em 1980, num episódio psicótico, matou sua esposa, Hélène Rytmann, e foi declarado inimputável. ...

Luce Irigaray

Luce Irigaray (nascida em 3 de maio de 1930, na Bélgica) é uma filósofa, linguista e psicanalista belga-francesa, uma das principais vozes do chamado feminismo da diferença. Com doutorados em linguística e em filosofia, integrou o círculo lacaniano até a publicação de sua tese, Espéculo da Outra Mulher (1974), cuja crítica radical à psicanálise lhe custou a expulsão da École freudienne de Paris, de Jacques Lacan, e o posto de docente na Universidade de Vincennes. ...

Ludwig Feuerbach

Ludwig Feuerbach Filósofo alemão; discípulo dissidente de Hegel. Sua crítica materialista e antropológica da religião foi o elo fundamental entre o idealismo hegeliano e o materialismo histórico de Marx. Inverteu Hegel ao dissolver a teologia em antropologia: o sujeito real da filosofia não é o Espírito, mas o homem sensível. Feuerbach estudou inicialmente teologia antes de migrar para a filosofia e tornar-se ouvinte de Hegel em Berlim. Aos poucos rompeu com o mestre: sua carreira acadêmica foi inviabilizada por escritos de teor heterodoxo sobre a imortalidade, e ele acabou por viver afastado das universidades, escrevendo a partir da vida privada. Foi nesse contexto que publicou sua obra mais célebre, dedicada à essência do cristianismo, que teve impacto imediato sobre toda uma geração de jovens intelectuais alemães e fez dele a figura central do chamado hegelianismo de esquerda. O ponto de partida de seu pensamento é uma operação metódica que ele próprio descreve como uma inversão: onde a especulação idealista faz do pensamento, do Espírito ou de Deus o sujeito e do homem concreto o mero predicado, Feuerbach propõe trocar os papéis e reconhecer no homem sensível, corpóreo e finito o verdadeiro sujeito do qual aqueles conceitos são predicados projetados. ...

Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein Nascido em Viena em 1889, no seio de uma das famílias mais ricas e cultas do Império Austro-Húngaro, Ludwig Wittgenstein começou estudando engenharia aeronáutica, mas a reflexão sobre os fundamentos da matemática o levou à lógica e, daí, a Cambridge, para estudar com Bertrand Russell. Sua biografia é tão singular quanto seu pensamento: combateu na Primeira Guerra, doou a fortuna herdada, foi professor primário numa aldeia, jardineiro e até arquiteto, antes de retornar à filosofia acadêmica. É a figura mais influente da filosofia analítica do século XX — e, raríssimo, autor de duas filosofias distintas e igualmente decisivas, ambas centradas na linguagem. ...

Maimônides

Maimônides Mošé ben Maimon — conhecido pelo acrônimo Rambam e, no Ocidente latino, como Maimônides — nasceu em Córdoba, na Al-Andalus, por volta de 1138, e é o maior filósofo judeu da Idade Média. Fugindo da perseguição almóada, sua família peregrinou pelo norte da África até se fixar no Egito, onde Maimônides se tornou médico de corte e líder espiritual da comunidade judaica do Cairo. Foi, ao mesmo tempo, jurista, talmudista, médico e filósofo, e morreu em 1204. ...

Maquiavel

Maquiavel Nascido em Florença em 1469, Nicolau Maquiavel viveu o auge e a crise das repúblicas italianas do Renascimento. Por catorze anos serviu como secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença, em missões diplomáticas que o puseram diante de reis, papas e do temível Cesare Bórgia — experiência direta do poder que marcaria todo o seu pensamento. Com o retorno dos Médici em 1512, foi afastado, preso e torturado sob suspeita de conspiração. Foi no exílio rural, então, que escreveu O Príncipe (1513). É considerado o fundador da ciência política moderna. ...

Marco Aurélio

Marco Aurélio Marco Aurélio Antonino governou Roma de 161 a 180 d.C. e é lembrado como o último dos “cinco bons imperadores” e como o exemplo mais célebre da antiga ideia do rei-filósofo. Adotado na linha de sucessão por Antonino Pio, recebeu educação esmerada e converteu-se cedo ao estoicismo, sobretudo pela leitura de Epiteto, a quem foi apresentado por seu mestre Júnio Rústico. Seu reinado, longe de tranquilo, foi atravessado por guerras nas fronteiras do Danúbio, por revoltas e pela devastadora peste antonina — circunstâncias em que sua filosofia se mostrou menos doutrina e mais disciplina de sobrevivência interior. ...

María Lugones

María Lugones María Lugones (Buenos Aires, Argentina, 26 de janeiro de 1944 — 14 de julho de 2020, Syracuse, Nova York) foi uma filósofa e ativista argentino-estadunidense, professora de Literatura Comparada e Estudos de Mulheres da Universidade de Binghamton. Sua trajetória intelectual entrelaça filosofia política, teoria feminista e pensamento decolonial latino-americano de maneira singular: em vez de aplicar categorias eurocêntricas à experiência das mulheres do Sul Global, Lugones propôs refundá-las a partir daquilo que a colonização destruiu e daquilo que a resistência das colonizadas preservou. Seu trabalho articula o feminismo de cor norte-americano — especialmente o de Gloria Anzaldúa — com a crítica decolonial de Aníbal Quijano, produzindo uma teoria em que raça e gênero não são variáveis separadas que se somam, mas dimensões fundidas numa única estrutura de poder. ...

Marilena Chaui

Marilena Chaui Marilena de Souza Chaui (nascida em 1941, em São Paulo) é uma das mais influentes filósofas brasileiras vivas e professora emérita da Universidade de São Paulo, onde se formou e construiu toda a sua carreira docente. Sua obra articula um conhecimento profundo da filosofia de Espinosa e da fenomenologia de Merleau-Ponty com uma reflexão crítica e engajada sobre a sociedade brasileira. Defensora da universidade pública e intelectual de esquerda, Chaui tornou-se também figura pública de grande projeção, sem abrir mão do rigor acadêmico. Seu manual Convite à Filosofia (1994) é um dos textos introdutórios mais lidos no Brasil, e sua leitura de Espinosa, consolidada na obra A Nervura do Real, é referência internacional sobre o filósofo holandês. ...

Mário Ferreira dos Santos

Mário Ferreira dos Santos Mário Ferreira dos Santos foi o filósofo brasileiro mais prolífico do século XX, autor de mais de cinquenta obras que buscam construir um sistema filosófico compreensivo — a chamada Filosofia Concreta — sintetizando a tradição clássica ocidental (especialmente o pitagorismo, Aristóteles e a escolástica) com contribuições originais em ontologia, matemática, simbólica e teoria do conhecimento. Conceitos-chave Filosofia Concreta: Denominação dada por Ferreira dos Santos ao seu projeto sistemático. Opõe-se tanto ao abstrato logicismo dos analíticos quanto ao subjetivismo existencialista. O concreto é o real considerado na plenitude de suas determinações — não o dado empírico bruto, nem a abstração pura, mas a síntese dialética de ambos. ...

Marsílio Ficino

Marsílio Ficino Filósofo italiano e sacerdote católico. Líder da Academia Platônica de Florença sob o patrocínio de Cosme de Médici. Traduziu toda a obra de Platão para o latim pela primeira vez, além do Corpus Hermeticum e de Plotino. Ficino nasceu em Figline Valdarno, na Toscana, em 1433, e cresceu num ambiente de intenso intercâmbio cultural proporcionado pelo mecenato dos Médici. Quando Cosme de Médici decidiu fundar uma academia platônica inspirada no modelo da Antiguidade, escolheu Ficino para dirigi-la e incumbiu-o da monumental tarefa de traduzir para o latim os diálogos de Platão — corpus praticamente inacessível ao Ocidente medieval —, bem como os textos neoplatônicos de Plotino, Jâmblico e Proclo, além do recém-descoberto Corpus Hermeticum. Esse trabalho de tradução, concluído entre as décadas de 1460 e 1490, foi decisivo para que a filosofia platônica voltasse a circular no debate intelectual europeu após séculos de predominância aristotélica. ...

Martha Nussbaum

Martha Nussbaum Filósofa americana, professora na Universidade de Chicago. Uma das mais influentes pensadoras contemporâneas, trabalha na interseção entre ética, filosofia política, direito e literatura. Formada na tradição aristotélica, desenvolveu com Amartya Sen a abordagem das capacidades (capabilities approach) como alternativa ao utilitarismo e ao contratualismo na teoria da justiça. Defende que as emoções têm conteúdo cognitivo e são essenciais para o julgamento ético. Conceitos-chave Abordagem das capacidades (capabilities approach): a justiça não se mede pelo PIB ou pela utilidade agregada, mas pelas capacidades reais que cada pessoa tem de ser e fazer — viver, ter saúde, pensar, participar politicamente, etc.; lista de 10 capacidades centrais como limiar mínimo de dignidade humana Fragilidade do bem (The Fragility of Goodness): a vida boa depende de condições externas (sorte, relações, corpo) que escapam ao controle — contra a autossuficiência estoica e platônica; a vulnerabilidade é constitutiva da excelência moral Emoções e razão: as emoções não são impulsos irracionais, mas juízos avaliativos (appraisals) — medo, compaixão, indignação contêm avaliações cognitivas sobre o que importa; uma ética sem emoções é cega Justiça cosmopolita: obrigações de justiça não param nas fronteiras nacionais — deveres para com a humanidade inteira, inspirada nos estoicos e em Kant Educação humanística: as humanidades (filosofia, literatura, artes) são indispensáveis para formar cidadãos democráticos capazes de imaginação empática e pensamento crítico Capacidades animais: estende a abordagem das capacidades para incluir os direitos dos animais não humanos Influenciado por Aristóteles — ética das virtudes, phronesis, a boa vida humana John Rawls — justiça como equidade (mas critica os limites do contratualismo) Amartya Sen — desenvolvimento como liberdade; abordagem das capacidades Kant — cosmopolitismo e dignidade Estoicos — cosmopolitismo antigo Influenciou Teoria do desenvolvimento humano (Índice de Desenvolvimento Humano da ONU) Filosofia do direito e direitos humanos Ética animal contemporânea Filosofia da educação Obras The Fragility of Goodness (1986); The Therapy of Desire (1994); Cultivating Humanity (1997); Women and Human Development (2000); Upheavals of Thought: The Intelligence of Emotions (2001); Frontiers of Justice (2006); Creating Capabilities (2011); The Monarchy of Fear (2018). ...

Martin Heidegger

Martin Heidegger Martin Heidegger nasceu em Meßkirch, no sul da Alemanha, em 1889, em família católica modesta, e chegou à filosofia pela teologia. Assistente e depois sucessor de Husserl em Freiburg, publicou em 1927 Ser e Tempo, obra que o consagrou como um dos filósofos mais influentes — e mais controversos — do século XX. A controvérsia é inseparável de sua biografia: em 1933 assumiu a reitoria de Freiburg e filiou-se ao partido nazista, comprometimento que nunca renegou publicamente e que os Cadernos Negros, publicados décadas depois, revelaram atravessado por antissemitismo. O peso moral e filosófico desse engajamento permanece um debate em aberto. ...

Martinho Lutero

Martinho Lutero Teólogo agostiniano alemão; iniciador da Reforma Protestante. As 95 Teses (1517) contra as indulgências papais desencadearam uma ruptura que transformou a Europa religiosa, política e intelectualmente. Conceitos-chave Justificação pela fé somente (sola fide): o homem não é salvo por obras, méritos ou sacramentos — somente pela fé em Cristo; contra a soteriologia do mérito da Igreja Católica Sola Scriptura: a Bíblia é a única autoridade religiosa; a tradição e os decretos papais não têm autoridade equivalente. Traduziu a Bíblia para o alemão — funda a língua literária alemã moderna Sacerdócio universal dos crentes: todos os cristãos batizados são sacerdotes — dissolve a hierarquia clerical como mediação necessária entre Deus e o fiel Dois reinos (Zwei-Reiche-Lehre): o reino espiritual (governado pelo Evangelho) e o reino temporal (governado pela lei e pela espada) — clara separação que influenciou a secularização política Liberdade cristã (De Liberdade do Cristão, 1520): “O cristão é senhor livre de todas as coisas e não está submetido a ninguém. O cristão é servo obediente em todas as coisas e está submetido a todos” — paradoxo da liberdade interior com serviço ao próximo Contra o livre-arbítrio (De Servo Arbítrio, 1525): contra Erasmo — a vontade humana é escravizada pelo pecado; só a graça divina irresistível pode liberar; predestinação Influenciado por Santo Agostinho — graça, pecado original, predestinação São Paulo — justificação pela fé (Romanos, Gálatas) Guilherme de Ockham — nominalismo e crítica da metafísica escolástica Erasmo — humanismo textual (mas rompe com ele) Influenciou Calvino — reforma reformada e predestinação absoluta Kant — autonomia moral (secularização da consciência individual luterana) Kierkegaard — fé radical e individual contra a instituição Secularização e modernidade política europeia Hegel — Reforma como momento do Espírito na história Obras 95 Teses (1517); Da Liberdade do Cristão (1520); Da Babel Babilônica da Igreja (1520); Do Servo Arbítrio (1525); Catecismo Maior e Menor (1529); Bíblia em Alemão (NT: 1522; completa: 1534). ...

Mary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft Mary Wollstonecraft foi uma escritora, filósofa e defensora dos direitos das mulheres britânica, cujo A Vindication of the Rights of Woman (1792) é considerado um dos textos fundadores do feminismo filosófico moderno. Contemporânea das revoluções americana e francesa, Wollstonecraft aplicou os princípios iluministas de razão e igualdade às relações entre os sexos, desafiando a divisão entre esferas pública e privada que excluía as mulheres da cidadania plena. Conceitos-chave Igualdade Racional (A Vindication of the Rights of Woman, 1792): Argumento central — mulheres e homens compartilham a mesma natureza racional. Se a razão é o fundamento da dignidade e dos direitos, como sustentam os iluministas, então as mulheres têm os mesmos títulos aos direitos políticos e educativos que os homens. A exclusão das mulheres da esfera racional é inconsistente com os próprios princípios do Iluminismo. ...

Maurice Merleau-Ponty

Maurice Merleau-Ponty Nascido em 1908, na França, Maurice Merleau-Ponty formou-se na École Normale Supérieure ao lado de Sartre e Simone de Beauvoir, com quem fundaria a revista Les Temps Modernes antes de uma ruptura política. Em 1952 tornou-se o mais jovem catedrático de filosofia do Collège de France. Morreu subitamente em 1961, deixando inacabada sua última obra. É o grande fenomenólogo do corpo. Sua originalidade está em deslocar o centro da fenomenologia. Onde Husserl e o primeiro Sartre situavam a subjetividade na consciência, Merleau-Ponty a situa no corpo próprio (corps propre). O corpo não é um objeto que a mente habita, nem uma máquina movida pela alma: eu sou meu corpo. É por ele, e não por uma consciência desencarnada, que tenho um mundo — donde o primado da percepção, anterior a toda reflexão e a toda separação entre sujeito e objeto. ...

Max Horkheimer

Max Horkheimer Nascido em Stuttgart em 1895, Max Horkheimer foi a alma organizadora da Escola de Frankfurt: em 1930 assumiu a direção do Instituto de Pesquisa Social e reuniu em torno de si pensadores como Adorno, Marcuse e Walter Benjamin. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo e, no pós-guerra, retornou a Frankfurt, onde foi reitor. Morreu em 1973. Foi Horkheimer quem definiu o programa da Teoria Crítica, em um ensaio de 1937. Ele distingue a teoria tradicional — descritiva, especializada, que aceita o mundo como dado — da teoria crítica, que se sabe parte da sociedade que estuda, recusa-se a separar fato e valor e se orienta para a emancipação humana. A teoria, aqui, não é contemplação neutra, mas instrumento de transformação. ...

McTaggart

McTaggart John McTaggart Ellis McTaggart nasceu em Londres em 3 de setembro de 1866 e passou quase toda a sua carreira como fellow e lecturer de filosofia no Trinity College, Cambridge; aposentou-se em 1923 e morreu em Londres em 18 de janeiro de 1925. Formado no idealismo britânico da virada do século — ao lado de Francis Herbert Bradley e influenciado decisivamente por Hegel —, McTaggart desenvolveu uma metafísica de alcance sistemático e original que destoa tanto do monismo absoluto de Bradley quanto do naturalismo emergente que marcaria o século XX. Sua obra maior, The Nature of Existence (2 vols., 1921–1927), constitui um dos últimos grandes sistemas metafísicos da filosofia de língua inglesa, construído com rigor lógico comparável ao das Ciências da Lógica hegeliana. No campo da filosofia do tempo, sua distinção entre Série A e Série B, publicada no artigo “The Unreality of Time” (Mind, 1908), tornou-se o ponto de partida obrigatório de todo debate posterior sobre a ontologia temporal. ...

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