Giordano Bruno

Giordano Bruno Nascido em Nola, perto de Nápoles, em 1548, Giordano Bruno foi frade dominicano, mas, acusado de heresia, abandonou o hábito ainda jovem e iniciou uma vida errante que o levou por Genebra, Paris, Londres, a Alemanha e Praga, ensinando cosmologia, a arte da memória e suas próprias e ousadas ideias. De volta à Itália, foi preso pela Inquisição, mantido em cárcere por oito anos e, recusando-se a retratar-se, queimado vivo em Roma, no Campo de’ Fiori, em 17 de fevereiro de 1600. Tornou-se, desde então, um símbolo da liberdade de pensamento diante do dogma. ...

Giorgio Agamben

Giorgio Agamben Giorgio Agamben é um filósofo italiano nascido em Roma em 1942, professor nas universidades de Verona e Veneza (IUAV), bem como em diversas instituições europeias e americanas. Seu trabalho articula análise histórico-filológica, filosofia política, ontologia e teoria da linguagem em torno de um projeto genealógico sobre o paradigma biopolítico do Ocidente. É um dos pensadores contemporâneos mais traduzidos e debatidos. Conceitos-chave Homo Sacer (Homo sacer: il potere sovrano e la nuda vita, 1995): Retomando uma figura do direito romano arcaico, Agamben descreve o homo sacer como aquele que pode ser morto por qualquer um sem que isso constitua homicídio (occidi), mas que não pode ser sacrificado (immolari). Esta figura articula a vida nua (nuda vita / zōē) — o mero fato biológico de viver — excluída da vida politicamente qualificada (bíos). Vida Nua (Zōē / Bíos): Agamben retoma e estende a distinção aristotélica entre zōē (a vida comum a todos os viventes) e bíos (a forma ou modo de vida de um indivíduo ou grupo). O poder soberano moderno opera capturando a vida nua — excluindo-a da polis mas incluindo-a como objeto de gestão biopolítica. Desenvolve e critica Foucault neste ponto. Estado de Exceção (Stato di eccezione, 2003): Retomando Carl Schmitt e Walter Benjamin, Agamben argumenta que o estado de exceção — a suspensão do ordenamento jurídico pelo soberano em situação de emergência — não é exceção mas tornou-se a regra normal de governo nas democracias contemporâneas. O campo de concentração é o nomos do espaço político moderno — onde a exceção se tornou permanente. Potencialidade e Impotencialidade: Desenvolvendo Aristóteles (Metafísica IX), Agamben propõe que toda potencialidade é também potencialidade de não-ser (impotencialidade). A soberania opera subtraindo a impotencialidade; a emancipação passa por recuperá-la. Explorado em Bartleby, or On Contingency (1993) a propósito do personagem de Melville. Tempo Messiânico (Il tempo che resta, 2000): Leitura filosófica das Cartas de Paulo de Tarso. O tempo messiânico não é o futuro nem o instante da parousia, mas o tempo que “resta” — o presente contraído sobre si mesmo. Agamben dialoga com Benjamin (o Jetztzeit) e com Heidegger. Aparato (Che cos’è un dispositivo?, 2006): Desenvolve o conceito foucaultiano de dispositif: qualquer coisa que tenha capacidade de capturar, orientar, determinar, interceptar, modelar, controlar e assegurar os gestos, condutas, opiniões e discursos dos viventes. ...

Górgias

Górgias Natural de Leontinos, na Sicília, Górgias viveu, segundo a tradição, mais de cem anos (c. 483–375 a.C.). Chegou a Atenas em 427 a.C. como embaixador de sua cidade e deslumbrou os atenienses com um estilo oratório novo, repleto de figuras e ritmos — tornando-se o mais célebre e bem pago mestre de retórica da Antiguidade. Ao lado de Protágoras, é a grande figura da primeira geração dos sofistas. Seu lado filosófico aparece no provocador tratado Sobre o Não-Ser, em que defende, por encadeamento de argumentos, três teses radicais: primeiro, que nada existe; segundo, que, mesmo que algo existisse, não poderíamos conhecê-lo; e terceiro, que, mesmo que pudéssemos conhecê-lo, não poderíamos comunicá-lo a outrem. Trata-se em parte de uma paródia da metafísica de Parmênides e dos eleatas, levando ao extremo o poder da argumentação. ...

Gottfried Wilhelm Leibniz

Gottfried Wilhelm Leibniz Nascido em Leipzig em 1646, Gottfried Wilhelm Leibniz foi o último grande sábio universal: ao mesmo tempo filósofo, matemático, lógico, físico, jurista, historiador e diplomata. Inventou — independentemente de Newton — o cálculo infinitesimal, cuja notação ainda usamos, concebeu a aritmética binária que está na base da computação e projetou máquinas de calcular. Passou boa parte da vida a serviço da casa de Hanôver e morreu em 1716, deixando uma obra dispersa em milhares de cartas e poucos livros publicados. Filosoficamente, buscou a grande conciliação entre a ciência moderna, a tradição metafísica e a fé. ...

Gottlob Frege

Gottlob Frege Matemático alemão nascido em 1848, Gottlob Frege passou quase toda a carreira como professor em Jena, em relativa obscuridade — seu gênio só seria plenamente reconhecido após a morte, em 1925, sobretudo graças a Russell, Wittgenstein e ao Círculo de Viena. Hoje é considerado o fundador da lógica moderna e um dos pais da filosofia analítica. Sua primeira grande realização foi a criação, no Begriffsschrift (1879), de uma lógica de predicados que aposentou a velha silogística aristotélica: com quantificadores (“para todo”, “existe”), variáveis e funções, Frege deu à lógica a precisão e o poder expressivo de que ela precisava para analisar a matemática. Seu objetivo maior era o logicismo — demonstrar que a aritmética se reduz à lógica pura. O projeto, exposto nas Leis Básicas da Aritmética, foi atingido em cheio por uma carta de Russell (1902), que revelou uma contradição no sistema; Frege jamais se recuperou inteiramente do golpe. ...

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham Nascido por volta de 1287 na aldeia inglesa de Ockham, na região de Surrey, Guilherme entrou na ordem franciscana e estudou em Oxford. Acusado de heresia, foi convocado à corte papal de Avinhão; envolvido na disputa entre os franciscanos e o papa João XXII sobre a pobreza evangélica, acabou fugindo para a corte do imperador Luís da Baviera, sob cuja proteção viveu até a morte, por volta de 1347. Sua obra marca o fim da Escolástica clássica e abre caminho para a Modernidade. ...

Günther Anders

Günther Anders Günther Anders nasceu Günther Siegmund Stern em Breslau (então Alemanha, hoje Wrocław, na Polônia), em 12 de julho de 1902, filho dos psicólogos William Stern e Clara Stern, pioneiros da psicologia do desenvolvimento infantil, e primo do filósofo e crítico Walter Benjamin. Doutorou-se em filosofia sob orientação de Edmund Husserl, em Freiburg, em 1923, tendo também estudado com Heidegger — de quem, décadas depois, se tornaria um crítico contundente, publicando em 1948 o ensaio “On the Pseudo-Concreteness of Heidegger’s Philosophy” (na revista Philosophy and Phenomenological Research), no qual acusava a analítica existencial de Ser e Tempo de ignorar a materialidade concreta das necessidades humanas — a dor de dente, a fome, o desejo sexual. Trabalhando como jornalista no Berliner Börsen-Courier, adotou o pseudônimo “Anders” (“diferente”, em alemão), que se tornaria seu nome definitivo. Em 1929, casou-se com Hannah Arendt, que conhecera no seminário de Heidegger; o casamento terminou em divórcio amigável em 1937. Com a ascensão do nazismo, fugiu da Alemanha em 1933, passando por Paris e, a partir de 1936, pelos Estados Unidos, onde viveu até 1950, quando retornou à Europa e se estabeleceu em Viena, cidade em que viveria até sua morte, em 17 de dezembro de 1992. ...

H.L.A. Hart

H.L.A. Hart Filósofo do direito britânico, professor de Jurisprudência em Oxford (1952–1968); The Concept of Law (1961) é a obra mais influente do positivismo jurídico do século XX e redefiniu os termos do debate sobre a natureza, a validade e a obrigatoriedade do direito. Conceitos-chave Regras primárias e secundárias: distinção central de The Concept of Law. Regras primárias impõem deveres de conduta (não matar, cumprir contratos). Regras secundárias são meta-regras sobre as regras primárias, subdivididas em: (a) regra de reconhecimento — critério que identifica quais normas pertencem ao sistema jurídico; (b) regras de mudança — procedimentos para criar, alterar e revogar regras primárias; (c) regras de adjudicação — conferem competência a autoridades para decidir litígios Regra de reconhecimento (rule of recognition): a norma que define os critérios de validade jurídica num dado sistema — ela própria não é válida ou inválida, apenas existe como fato social, aceita pelos funcionários do sistema a partir do “ponto de vista interno”. Responde à questão “o que é direito?” sem recorrer à moral Ponto de vista interno (internal point of view): quem aceita uma regra como padrão de conduta e de crítica — e não apenas a obedece por temor de sanção — adota o ponto de vista interno. A análise do direito exige compreender este ponto de vista, não apenas descrever comportamentos externos (como fazia o behaviorismo austiniano) Textura aberta (open texture): toda linguagem geral possui casos claros de aplicação e uma zona de penumbra inevitável onde a norma não determina a solução. Nos casos difíceis, os juízes exercem discricionariedade — escolhem, dentro de limites, qual interpretação adotar. Hart recusa a ideia de que o direito sempre tem uma resposta pronta (a crítica que Dworkin lhe dirigirá) Separação conceitual entre direito e moral: ao contrário do jusnaturalismo, a validade jurídica de uma norma depende de critérios formais (pertença ao sistema), não de seu conteúdo moral. Uma norma injusta pode ser válida; uma norma moralmente correta pode não ser direito. Isso não implica que o direito não deva ser criticado moralmente — apenas que tal crítica pertence a um plano distinto Conteúdo mínimo de direito natural: apesar da separação, Hart admite que qualquer sistema jurídico que aspire à subsistência deve incorporar um núcleo de normas (proteção da vida, propriedade, cumprimento de promessas) impostas pelas contingências da natureza humana — o “conteúdo mínimo de direito natural” Debate Hart-Fuller (1958): no Harvard Law Review, Hart e Lon Fuller travaram o debate mais célebre da filosofia do direito anglofônica do séc. XX. Contra a tese de Fuller de que o direito possui uma “moralidade interna”, Hart insiste que validade e moralidade são conceitualmente distintas Influenciado por Jeremy Bentham — precursor do positivismo jurídico, crítico do direito natural John Austin — command theory e a ideia de que o direito é o comando do soberano (Hart critica e supera Austin) Ludwig Wittgenstein — filosofia da linguagem, significado como uso, textura aberta J.L. Austin — filosofia da linguagem ordinária de Oxford Hans Kelsen — positivismo normativista (Hart dialoga criticamente com a Grundnorm) Influenciou Ronald Dworkin — Taking Rights Seriously (1977) e Law’s Empire (1986) são a principal resposta filosófica a Hart Joseph Raz — The Concept of a Legal System (1970) e a tese da autoridade do direito Neil MacCormick — positivismo institucional Toda a tradição da jurisprudência analítica anglofônica Obras Causation in the Law (1959, com Tony Honoré); The Concept of Law (1961; 2.ª ed. póstumo 1994, com “Postscript”); Law, Liberty, and Morality (1963); The Morality of the Criminal Law (1964); Punishment and Responsibility (1968); Essays on Bentham (1982); Essays in Jurisprudence and Philosophy (1983). ...

Hannah Arendt

Hannah Arendt Filósofa política alemã-americana, judia, discípula de Heidegger e Jaspers. Pensadora do totalitarismo, da liberdade política e da ação humana. Uma das vozes mais originais do séc. XX. Formada na tradição fenomenológica e existencial alemã, Arendt escreveu sua tese de doutorado sobre o conceito de amor em Santo Agostinho, sob a orientação de Jaspers. A ascensão do nazismo interrompeu radicalmente sua trajetória: judia, viu-se forçada a fugir da Alemanha em 1933 e, depois de anos como apátrida na França, emigrou para os Estados Unidos, onde se naturalizou cidadã norte-americana. A experiência do desenraizamento, da perseguição e da perda do mundo comum tornou-se o solo vivido a partir do qual sua obra interroga o que significa, no século dos campos de concentração e do refúgio em massa, conservar um lugar para a dignidade e a pluralidade humanas. ...

Hans Jonas

Hans Jonas Hans Jonas nasceu em Mönchengladbach, na Alemanha, em 10 de maio de 1903, e morreu em New Rochelle, estado de Nova York, em 5 de fevereiro de 1993. Estudou filosofia, teologia e história da arte em Freiburg, Berlim e Marburg, onde foi aluno de Martin Heidegger e de Rudolf Bultmann e doutorou-se em 1928 com uma tese sobre o conceito de gnose. Em Marburg iniciou uma longa amizade com Hannah Arendt. Judeu, deixou a Alemanha em 1933 após a ascensão do nazismo, passou pela Inglaterra e instalou-se na Palestina em 1934; durante a Segunda Guerra Mundial serviu na Brigada Judaica do exército britânico, e sua mãe foi assassinada em Auschwitz. Após a guerra lecionou em Israel, no Canadá e, a partir de 1955, na New School for Social Research, em Nova York, onde permaneceu até a aposentadoria, em 1976. ...

Hans Kelsen

Hans Kelsen Hans Kelsen nasceu em Praga, em 11 de outubro de 1881, e morreu em Orinda, Califórnia, em 19 de abril de 1973. Criado em Viena, tornou-se professor de direito público na Universidade de Viena, onde fundou a chamada Escola de Viena do positivismo jurídico. Foi o principal redator da Constituição austríaca de 1920 e integrou o Tribunal Constitucional da Áustria (1920–1930), modelo da jurisdição constitucional concentrada. Afastado do tribunal em 1930, lecionou em Colônia até ser demitido pelo regime nazista em 1933; passou por Genebra e Praga e emigrou para os Estados Unidos em 1940, onde foi professor em Berkeley (a partir de 1945). ...

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer Filósofo alemão; principal representante da hermenêutica filosófica do séc. XX. Discípulo de Heidegger; sua obra Verdade e Método (1960) reformulou o problema da compreensão como questão filosófica fundamental. Formado em Marburgo no clima do neokantismo, Gadamer encontrou em Heidegger a virada decisiva de sua trajetória: a analítica da existência mostrava que compreender não é uma operação intelectual entre outras, mas o próprio modo de ser do homem no mundo. Seus primeiros trabalhos voltaram-se sobretudo ao diálogo platônico e à ética dialética de Platão, e foi apenas na maturidade — quando já ocupava a cátedra de Heidelberg — que publicou a obra que o consagraria, escrita já aos sessenta anos. Atravessando os anos do nazismo sem se filiar ao Partido — ainda que, como muitos acadêmicos, tenha assinado em 1933 o juramento de fidelidade dos professores ao novo regime — e sobrevivendo a duas guerras, Gadamer só alcançaria reconhecimento internacional na segunda metade do século, tornando-se uma das vozes filosóficas mais longevas e respeitadas da Europa. ...

Harry Frankfurt

Harry Frankfurt Harry Gordon Frankfurt (29 de maio de 1929, Langhorne, Pensilvânia — 16 de julho de 2023, Santa Mônica, Califórnia) foi um filósofo norte-americano, professor emérito da Universidade de Princeton, um dos nomes mais influentes da filosofia da ação e do livre-arbítrio no século XX. Começou como estudioso de Descartes (Demons, Dreamers, and Madmen, 1970) e construiu, a seguir, uma obra concisa e incisiva sobre a vontade, a pessoa e o amor — além de um pequeno ensaio que o tornaria, tardiamente, um autor de best-seller. ...

Henri Bergson

Henri Bergson Filósofo francês; Nobel de Literatura (1927). Criticou o mecanicismo científico e o intelectualismo, propondo a intuição como método filosófico superior e a duração como o tempo real da consciência. Influência enorme no início do séc. XX. Conceitos-chave Duração (durée): o tempo vivido pela consciência é radicalmente diferente do tempo mensurável da ciência — é fluxo contínuo e heterogêneo, não sucessão de instantes discretos. O relógio espacializa o tempo, falsificando-o Intuição: o método filosófico por excelência — simpatia intelectual que se insere no interior do objeto, apreendendo-o em seu devir; superior à inteligência analítica, que fragmenta e espacializa Inteligência vs. intuição: a inteligência evoluiu para agir sobre a matéria (recortar, medir, fabricar); só a intuição capta o vivente em sua duração. A filosofia deve superar a inteligência por si mesma Élan vital (A Evolução Criadora, 1907): força vital imanente que impulsiona a evolução — não teleológica nem mecanicista, mas criativa e imprevisível; a vida é invenção contínua de formas novas Memória (Matéria e Memória, 1896): distinção entre memória-hábito (motora, corporal) e memória-pura (imagem do passado tal como foi); o presente é ponta do passado — não existe presente puro Riso (O Riso, 1900): rimos do que é mecânico superposto ao vivo — rigidez onde esperamos flexibilidade. A comédia é diagnóstico social Influenciado por Kant — criticismo e limites do conhecimento (mas supera o idealismo) Herbert Spencer — evolução (ponto de partida para crítica) William James — pragmatismo e experiência do tempo Influenciou Merleau Ponty — corpo e percepção Deleuze — Bergsonismo (1966): o conceito de duração e multiplicidade como base de sua ontologia da diferença William James — troca mútua Modernismo literário (Proust, o tempo da memória) Husserl — paralelismos na crítica ao tempo objetivo Obras Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência (1889); Matéria e Memória (1896); O Riso (1900); A Evolução Criadora (1907); Introdução à Metafísica (1903); As Duas Fontes da Moral e da Religião (1932). ...

Henrique de Lima Vaz

Henrique Cláudio de Lima Vaz, S.J., nasceu em Ouro Preto (MG) em 24 de agosto de 1921 e morreu em Belo Horizonte em 23 de maio de 2002. Ingressou na Companhia de Jesus em 1938, estudou filosofia no escolasticado jesuíta de Nova Friburgo e, a partir de 1945, em Roma, onde obteve a licenciatura na Pontifícia Universidade Gregoriana; foi ordenado padre em 1948 e doutorou-se em filosofia na mesma instituição em 1953, com uma tese sobre dialética e contemplação em Platão. É considerado um dos mais importantes filósofos brasileiros do século XX pelo alcance sistemático de sua obra. ...

Henry David Thoreau

Henry David Thoreau Henry David Thoreau nasceu em Concord, Massachusetts, em 12 de julho de 1817, e morreu na mesma cidade em 6 de maio de 1862, de tuberculose. Batizado David Henry, passou a usar a ordem inversa do nome depois de formado. Estudou em Harvard (1837), lecionou por algum tempo e trabalhou com o pai, na fabricação de lápis, e como agrimensor, ao mesmo tempo que escrevia. Foi amigo próximo de Ralph Waldo Emerson, que o apoiou e em cujo círculo de Concord ele se formou. Seu Journal, mantido por décadas, é uma parte essencial de sua obra. ...

Heráclito

Heráclito Natural de Éfeso, na Jônia, e ativo por volta de 500 a.C., Heráclito pertencia a uma antiga família aristocrática. De temperamento altivo e solitário, escreveu em um estilo de sentenças enigmáticas que lhe valeu já na Antiguidade o epíteto de “o Obscuro”. Restam dele cerca de 126 fragmentos — densos, paradoxais e de extraordinária força poética. Sua intuição central é a do devir universal: nada permanece, tudo se transforma sem cessar — “panta rhei”, “tudo flui”. Daí a imagem mais célebre: não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois novas águas correm sobre quem nele entra. Como símbolo desse fluxo perpétuo, Heráclito escolheu o fogo como princípio (arché): a realidade é como uma chama que se mantém justamente porque está sempre se consumindo e se renovando. ...

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse Nascido em Berlim em 1898, Herbert Marcuse combateu na Primeira Guerra, estudou filosofia com Heidegger e Husserl em Freiburg e integrou o Instituto de Pesquisa Social. Exilado nos Estados Unidos durante o nazismo — onde nunca mais deixaria de viver —, tornou-se professor universitário e, nos anos 1960, o “guru da Nova Esquerda”: suas ideias inspiraram diretamente os movimentos estudantis de 1968, e Angela Davis foi sua aluna. ...

Hilary Putnam

Hilary Putnam Hilary Whitehall Putnam foi um dos filósofos mais versáteis e intelectualmente honestos do século XX. Ao longo de uma carreira de seis décadas, na maior parte em Harvard, Putnam percorreu um itinerário filosófico incomum: defendeu posições que depois criticou com a mesma energia com que as havia estabelecido. Foi funcionalista e depois rejeitou o funcionalismo; foi realista científico e depois propôs o “realismo interno”; foi simpatizante do positivismo lógico e depois seu crítico. Esta disposição para a autocrítica é uma das marcas de seu estilo filosófico. ...

Homi Bhabha

Homi Bhabha Homi Kharshedji Bhabha (n. 1949, Bombaim — hoje Mumbai) é um teórico indiano da cultura e da literatura, formado no seio da comunidade parse de sua cidade natal e educado em Bombaim e em Oxford. Ocupa em Harvard a cátedra Anne F. Rothenberg de Literatura Inglesa e Americana e é, ao lado de Edward Said e Gayatri Spivak, um dos nomes que consolidaram a teoria pós-colonial como campo acadêmico. Sua obra de referência, The Location of Culture (O Local da Cultura, 1994), reúne ensaios que deslocaram o foco da crítica colonial: da denúncia da dominação para a análise da ambivalência que atravessa toda relação entre colonizador e colonizado. Escrevendo no cruzamento entre a desconstrução de Derrida, a psicanálise de Lacan e Freud e a clínica colonial de Fanon, Bhabha procura mostrar que o poder colonial nunca é tão coerente nem tão seguro quanto se imagina. ...

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