Homi Bhabha

Homi Bhabha Homi Kharshedji Bhabha (n. 1949, Bombaim — hoje Mumbai) é um teórico indiano da cultura e da literatura, formado no seio da comunidade parse de sua cidade natal e educado em Bombaim e em Oxford. Ocupa em Harvard a cátedra Anne F. Rothenberg de Literatura Inglesa e Americana e é, ao lado de Edward Said e Gayatri Spivak, um dos nomes que consolidaram a teoria pós-colonial como campo acadêmico. Sua obra de referência, The Location of Culture (O Local da Cultura, 1994), reúne ensaios que deslocaram o foco da crítica colonial: da denúncia da dominação para a análise da ambivalência que atravessa toda relação entre colonizador e colonizado. Escrevendo no cruzamento entre a desconstrução de Derrida, a psicanálise de Lacan e Freud e a clínica colonial de Fanon, Bhabha procura mostrar que o poder colonial nunca é tão coerente nem tão seguro quanto se imagina. ...

Immanuel Kant

Immanuel Kant Nascido em Königsberg, na Prússia Oriental, em 1724, e jamais tendo se afastado de sua cidade natal, Immanuel Kant levou a vida metódica de um professor universitário — tão regular, diz a tradição, que os vizinhos acertavam o relógio por seu passeio diário. Foi, segundo sua própria expressão, a leitura de Hume que o “despertou do sono dogmático” e o levou a uma longa década de silêncio, ao fim da qual publicou, já com 57 anos, a monumental Crítica da Razão Pura (1781). Sua obra encerra e ao mesmo tempo refunda a Modernidade, mediando a disputa entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume. ...

Imre Lakatos

Imre Lakatos Imre Lakatos foi um filósofo da ciência e da matemática húngaro-britânico, professor na London School of Economics e uma das figuras centrais do debate sobre racionalidade científica nas décadas de 1960 e 1970. Sua obra busca uma posição intermediária entre o falsificacionismo de Popper e a visão histórica de Kuhn: contra a ideia de que uma única refutação derruba uma teoria, mas também contra a ideia de que mudanças científicas seriam meras “conversões” irracionais. Lakatos propôs que a unidade de avaliação científica não é a teoria isolada, mas o programa de pesquisa, julgado ao longo do tempo por sua capacidade de antecipar fatos novos. Foi também um filósofo da matemática original, mostrando em Provas e Refutações que o conhecimento matemático cresce por um processo dinâmico de conjecturas, demonstrações e contraexemplos, e não por dedução pura e acabada. ...

Iris Marion Young

Iris Marion Young Iris Marion Young (2 de janeiro de 1949, Nova York — 1º de agosto de 2006, Chicago) foi uma filósofa política e teórica feminista norte-americana, professora de Ciência Política na Universidade de Chicago. Uma das vozes mais influentes da filosofia política de sua geração, dedicou-se a repensar as categorias herdadas da tradição liberal — justiça, igualdade, cidadania — a partir da experiência concreta dos grupos sociais marginalizados. Combinando teoria crítica, fenomenologia e feminismo, Young argumentou que uma teoria da justiça centrada apenas na distribuição de bens é cega às estruturas de poder, de trabalho e de cultura que produzem a dominação. Morreu de câncer aos 57 anos; sua última obra, Responsibility for Justice, foi publicada postumamente em 2011. ...

Isaac Newton

Isaac Newton Nascido na Inglaterra em 1643, Isaac Newton é considerado o autor da maior síntese da Revolução Científica e um dos maiores gênios da história. Durante os “anos miraculosos” de 1665-66, quando a peste o afastou de Cambridge para o campo, lançou as bases de três revoluções simultâneas: o cálculo infinitesimal, a teoria das cores e a lei da gravitação. Homem complexo, dedicou-se também, em segredo, à alquimia e a estudos teológicos heterodoxos. Foi diretor da Casa da Moeda e presidente da Royal Society, e está sepultado na Abadia de Westminster. ...

Isaiah Berlin

Isaiah Berlin Filósofo político e historiador das ideias britânico-letão, um dos maiores pensadores liberais do século XX. Famoso pela distinção entre liberdade negativa e positiva, e pela defesa do pluralismo de valores contra toda forma de utopismo político. Nascido em Riga em 1909, no que então era o Império Russo, Berlin testemunhou as revoluções de 1917 em Petrogrado — para onde a família se mudara em 1916 — antes de a família regressar a Riga e emigrar para a Inglaterra em 1921, experiência que marcou de modo duradouro sua desconfiança diante das promessas de redenção coletiva. Educado e mais tarde professor em Oxford — onde ocupou a cátedra Chichele de teoria social e política —, dedicou-se menos à construção de um sistema do que à história das ideias, recuperando vozes esquecidas e contracorrentes do pensamento moderno. Foi nessa chave que proferiu, em 1958, a célebre conferência inaugural “Dois conceitos de liberdade”, texto que organizou o debate político do pós-guerra ao mostrar que a liberdade como autodomínio (positiva) podia, levada ao extremo, autorizar a coerção em nome do “verdadeiro eu” do cidadão. ...

J.L. Austin

J.L. Austin John Langshaw Austin (26 de março de 1911, Lancaster — 8 de fevereiro de 1960, Oxford) foi um filósofo britânico, figura central da filosofia da linguagem ordinária de Oxford. Catedrático de filosofia moral (White’s Professor), exerceu durante a Segunda Guerra um papel destacado na inteligência militar britânica. Publicou pouco em vida; suas obras decisivas são póstumas, reconstruídas a partir de conferências e papéis. Seu estilo era paciente, antissistemático e atento às minúcias: para Austin, “nosso estoque comum de palavras incorpora todas as distinções que os homens acharam dignas de traçar” ao longo de muitas gerações — e a filosofia deve começar por examiná-las. ...

Jacques Derrida

Jacques Derrida Filósofo argelino-francês; fundador da desconstrução. Subverteu a tradição metafísica ocidental mostrando que ela é estruturada por oposições binárias hierárquicas e pela metafísica da presença. Nascido em El-Biar, nos arredores de Argel, numa família judaica, Derrida formou-se na École normale supérieure de Paris e iniciou seu percurso a partir de uma leitura minuciosa da fenomenologia de Husserl. Sua entrada explosiva no debate intelectual deu-se em 1966, com a conferência apresentada na Universidade Johns Hopkins, na qual questionava a noção de estrutura como algo organizado em torno de um centro estável — gesto que o afastou do estruturalismo então dominante e abriu o que se chamaria de pós-estruturalismo. No ano seguinte publicou simultaneamente três obras que fixaram seu vocabulário e seu método, consolidando a desconstrução não como uma doutrina, mas como uma prática de leitura atenta às tensões que cada texto não consegue dominar. ...

Jacques Ellul

Jacques Ellul Jacques Ellul nasceu em Bordeaux, na França, em 6 de janeiro de 1912, e morreu em Pessac, na região metropolitana de Bordeaux, em 19 de maio de 1994. Formado em direito, história e sociologia, foi durante décadas professor de História e Sociologia das Instituições na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Bordeaux. Em 1932, viveu o que descreveu como uma conversão religiosa “brutal e súbita”, episódio que o levou a se filiar à Igreja Reformada da França e a manter, ao longo de toda a vida, uma obra dividida entre dois eixos que ele insistia deverem ser lidos dialeticamente, um à luz do outro: a análise sociológica da técnica moderna e a reflexão teológica cristã. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou da Resistência francesa; em 2001, sete anos após sua morte, foi reconhecido pelo instituto Yad Vashem como “Justo entre as Nações” por ter ajudado judeus a escapar da perseguição nazista. ...

Jacques Lacan

Jacques Lacan Jacques Lacan (13 de abril de 1901, Paris — 9 de setembro de 1981, Paris) foi um psicanalista e psiquiatra francês, a figura mais influente da psicanálise depois de Freud e um elo decisivo entre a psicanálise e o estruturalismo. Sob a bandeira do “retorno a Freud”, propôs reler a descoberta freudiana à luz da linguística de Ferdinand de Saussure e da antropologia de Lévi Strauss, depurando-a do biologismo e do psicologismo do ego. Seu Seminário, ministrado a partir de 1953, e os Escritos (1966) tornaram-se referência incontornável — e notoriamente difícil. Rompido com a Associação Psicanalítica Internacional em 1963, fundou no ano seguinte a École freudienne de Paris, que ele próprio dissolveria em 1980. ...

Jean Baudrillard

Jean Baudrillard Jean Baudrillard (27 de julho de 1929, Reims — 6 de março de 2007, Paris) foi um sociólogo, filósofo e teórico da cultura francês, conhecido sobretudo por sua teoria do simulacro e do hiper-real. Formado em germanística, começou a carreira como professor de alemão e tradutor — verteu para o francês, entre outros, textos de Bertolt Brecht e Peter Weiss. A partir de 1966 ensinou sociologia em Nanterre (Paris X), epicentro das agitações de Maio de 1968, sob a influência de Henri Lefebvre e de Roland Barthes. ...

Jean-François Lyotard

Jean-François Lyotard Jean-François Lyotard (10 de agosto de 1924, Versalhes — 21 de abril de 1998, Paris) foi um filósofo francês, uma das vozes centrais do debate sobre a pós-modernidade. Formado em filosofia pela Sorbonne, ensinou no liceu de Constantine, na Argélia colonial, experiência que marcou seu engajamento político. Ao longo da carreira lecionou em Nanterre, na universidade experimental de Vincennes (Paris VIII) e, mais tarde, em universidades norte-americanas; esteve ligado ao Collège international de philosophie (fundado em 1983 por Derrida, Châtelet, Faye e Lecourt), que viria a dirigir de 1984 a 1986. ...

Jean-Jacques Rousseau

Jean-Jacques Rousseau Nascido em Genebra em 1712 e órfão de mãe desde o nascimento, Jean-Jacques Rousseau foi em grande parte autodidata e levou uma vida errante antes de despontar em Paris, onde conviveu com os enciclopedistas — de quem viria a se afastar com estrépito. A consagração veio em 1750, ao vencer o concurso da Academia de Dijon com um discurso que já anunciava sua tese mais provocadora: a de que as artes e as ciências, longe de aperfeiçoarem o homem, corrompem os costumes. Perseguido após a publicação do Emílio, condenado e forçado ao exílio, terminou a vida atormentado, em 1778, deixando as Confissões. É o grande crítico do Iluminismo dentro do próprio Iluminismo. ...

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre Filósofo, romancista e dramaturgo, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e formou-se na École Normale Supérieure, onde conheceu Simone de Beauvoir, sua companheira intelectual e afetiva por toda a vida. Uma temporada em Berlim, nos anos 1930, pô-lo em contato direto com a fenomenologia de Husserl e Heidegger, que se tornaria a base de seu pensamento. Prisioneiro de guerra em 1940-41 e depois figura central da intelectualidade parisiense do pós-guerra, fez da filosofia um exercício público e engajado: fundou a revista Les Temps Modernes, aproximou-se do marxismo e, fiel à sua recusa de honrarias institucionais, declinou o Prêmio Nobel de Literatura em 1964. Sua morte, em 1980, levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Paris. ...

Jeremy Bentham

Jeremy Bentham Fundador do Utilitarismo. Jurista e filósofo inglês; reformador social radical. Seu esqueleto (Auto-Ícone) está exposto no University College London, conforme seu testamento. Formado para a advocacia, Bentham logo abandonou a prática do direito para dedicar-se à sua crítica. O alvo inicial foi a common law inglesa e, em particular, os Comentários sobre as Leis da Inglaterra de William Blackstone, que ele acusava de mascarar privilégios e arbitrariedades sob uma linguagem solene. Contra essa tradição, Bentham propôs um critério único, claro e mensurável para avaliar leis e instituições: o princípio da utilidade, segundo o qual o valor de qualquer ação, lei ou política se mede pela quantidade de felicidade — entendida como prazer e ausência de dor — que ela produz para os afetados. A moral e a legislação deixariam assim de repousar sobre tradição, intuição ou supostos direitos naturais (que ele rejeitava como “absurdos sobre pernas de pau”) para tornar-se objeto de um cálculo racional e secular, ancorado na observação empírica das motivações humanas. ...

Johann Gottfried Herder

Johann Gottfried Herder Johann Gottfried Herder (1744–1803) nasceu em Mohrungen, na Prússia Oriental, filho de um professor e cantor luterano, em ambiente pietista que marcaria sua sensibilidade religiosa e seu interesse pela linguagem e pela cultura populares. Em 1762 ingressou na Universidade de Königsberg, onde assistiu às aulas de Kant — então um jovem Privatdozent (docente ainda sem cátedra), distante da filosofia crítica que o consagraria — e travou amizade decisiva com Johann Georg Hamann, que lhe transmitiu uma desconfiança profunda do racionalismo abstrato e um interesse duradouro pela relação entre linguagem, pensamento e fé. Entre 1764 e 1769 trabalhou como professor e pastor em Riga, cidade cosmopolita do Báltico que aguçou seu interesse pela diversidade de línguas e costumes populares. Uma viagem marítima à França em 1769, registrada no Journal meiner Reise im Jahre 1769, e o encontro com o jovem Goethe em Estrasburgo, em 1770, aproximaram-no do movimento então nascente do Sturm und Drang. Em 1776, a convite do próprio Goethe, assumiu o cargo de superintendente-geral (pregador da corte) em Weimar, onde permaneceu até a morte, em 1803, convivendo com Goethe, Schiller e Wieland no círculo que ficaria conhecido como o classicismo de Weimar. ...

Johann Gottlieb Fichte

Johann Gottlieb Fichte Primeiro pós-kantiano a superar a coisa-em-si. Fundador do idealismo alemão; primeiro reitor da Universidade de Berlim (1811). Os Discursos à Nação Alemã (1808) tornaram-no símbolo do nacionalismo cultural alemão. De origem humilde, Fichte chegou à filosofia pela leitura de Kant, que descreveu como uma libertação intelectual. Seu primeiro escrito, publicado anonimamente em 1792, foi tomado pelo público por uma obra do próprio Kant; quando o equívoco foi desfeito, sua reputação estava feita, e em 1794 assumiu a cátedra de filosofia em Jena, então o centro mais efervescente do pensamento alemão. Ali desenvolveu a Doutrina da Ciência (Wissenschaftslehre), tentativa de refundar toda a filosofia crítica a partir de um único princípio incondicionado — o Eu — e de eliminar o resíduo dogmático que, a seu ver, a coisa-em-si kantiana ainda conservava. ...

Johannes Kepler

Johannes Kepler Nascido em Weil der Stadt, na Alemanha, em 1571, Johannes Kepler foi um espírito de transição fascinante: protestante devoto, estudou teologia em Tübingen, mas dedicou a vida à astronomia, convencido de que decifrar a ordem dos céus era ler a mente de Deus. Trabalhou como assistente do grande observador Tycho Brahe em Praga e, ao herdar seus dados de altíssima precisão — sobretudo sobre Marte —, dispôs do material que tornaria possíveis suas descobertas. ...

John Dewey

John Dewey Filósofo americano, o maior expoente do pragmatismo no século XX. Reformulou o pragmatismo como instrumentalismo: o conhecimento é um instrumento para resolver problemas práticos. Filósofo da democracia e da educação, exerceu influência monumental sobre a pedagogia moderna. Formado na atmosfera do idealismo hegeliano que dominava a filosofia acadêmica norte-americana no fim do século XIX, Dewey afastou-se gradualmente desse ponto de partida ao incorporar o naturalismo evolutivo de Darwin e o método experimental das ciências da natureza. A virada decisiva ocorreu durante seus anos na Universidade de Chicago, onde fundou uma escola-laboratório destinada a testar, na prática educativa, suas ideias sobre a continuidade entre pensamento e ação. Dessa experiência nasceu a convicção central de toda a sua obra: a de que a separação entre teoria e prática, entre o conhecer e o fazer, é um equívoco herdado da tradição filosófica que privilegiou a contemplação em detrimento da experiência viva. Para Dewey, pensar não é refletir um mundo já pronto, mas intervir nele para reorganizá-lo diante de situações que se tornaram problemáticas. ...

John Locke

John Locke John Locke nasceu em Wrington, na Inglaterra, em 1632, formou-se em Oxford e exerceu a medicina antes de se tornar secretário e médico do conde de Shaftesbury, o que o aproximou da alta política inglesa. Envolvido nas disputas que opunham o Parlamento à coroa absolutista dos Stuart, exilou-se na Holanda durante o reinado de Jaime II e só voltou em 1689, com a Revolução Gloriosa, que consagrava o regime parlamentar que ele ajudaria a justificar filosoficamente. É considerado o pai do liberalismo clássico e uma das maiores influências do empirismo e do pensamento político moderno. ...

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