Epiteto Ex-escravo frígio; o estoico que mais viveu o que pregou. Sua distinção central estrutura toda a ética estoica: o que depende de nós (eph’ hêmin: pensamentos, impulsos, julgamentos, desejos) vs. o que não depende (ouk eph’ hêmin: corpo, fama, riqueza, saúde). A liberdade interior é absoluta e não pode ser tirada por nenhum senhor. “Suporta e abstém-te” (anékhou kai apékhou).
Nascido em Hierápolis, na Frígia (atual Turquia), Epiteto passou os primeiros anos da vida na condição de escravo em Roma, a serviço de Epafrodito, liberto ligado à corte de Nero. Foi nesse contexto que estudou com o estoico Musônio Rufo, de quem herdou a convicção de que a filosofia só vale na medida em que transforma a conduta. Conta-se que era coxo — tradição que ele próprio teria comentado com serena indiferença, exemplo vivo de sua doutrina de que a deficiência atinge o corpo, não a prohairesis, a vontade que escolhe. Liberto mais tarde, dedicou-se ao ensino em Roma até que o imperador Domiciano expulsou os filósofos da cidade; transferiu-se então para Nicópolis, no Epiro (noroeste da Grécia), onde fundou uma escola que atraiu discípulos de toda parte, inclusive jovens da elite romana.
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