Stuart Hall

Stuart Hall Stuart Henry McPhail Hall (3 de fevereiro de 1932, Kingston, Jamaica — 10 de fevereiro de 2014, Londres) foi um teórico cultural e sociólogo britânico, nascido na Jamaica, considerado uma das figuras fundadoras dos Estudos Culturais britânicos. Chegou à Inglaterra em 1951 como bolsista Rhodes em Oxford. Foi o primeiro editor da New Left Review (1960), peça central da Nova Esquerda inglesa, e dirigiu, de fins dos anos 1960 a 1979, o Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) da Universidade de Birmingham, sucedendo a Richard Hoggart; em seguida tornou-se professor de sociologia na Open University. Hall fez da cultura — entendida não como entretenimento, mas como o terreno onde se disputam o sentido e o poder — um objeto legítimo de análise política, num marxismo aberto, anti-reducionista, que ele dizia praticar “sem garantias”. ...

Tales de Mileto

Tales de Mileto Filósofo de Mileto, na Jônia (atual Turquia), que viveu por volta de 624–546 a.C., Tales é considerado o primeiro filósofo da tradição ocidental e era contado entre os lendários Sete Sábios da Grécia. Não deixou escritos; o que sabemos vem de relatos posteriores, sobretudo de Aristóteles, que o saudou como o fundador desse tipo de investigação (Metafísica I, 3). Em torno de seu nome reuniram-se muitas histórias: teria previsto um eclipse solar, medido a altura das pirâmides pela sombra e, segundo Aristóteles, demonstrado o valor prático da filosofia ao prever uma boa safra e monopolizar as prensas de azeite. ...

Theodor W. Adorno

Theodor W. Adorno Nascido em Frankfurt em 1903, Theodor W. Adorno foi, ao lado de Horkheimer, o nome mais rigoroso da primeira geração da Escola de Frankfurt. Formado também em música — estudou composição em Viena —, uniu filosofia, sociologia e estética numa crítica radical da sociedade moderna. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo, onde observou de perto a cultura de massas; retornou a Frankfurt após a guerra e ali morreu em 1969. ...

Thomas Hobbes

Thomas Hobbes Nascido na Inglaterra em 1588 — segundo a tradição, prematuramente, em meio ao pânico da ameaça da Armada espanhola, o que o levou a dizer que “o medo e ele eram irmãos gêmeos” —, Thomas Hobbes formou-se em Oxford e tornou-se preceptor da nobre família Cavendish. Em suas viagens pela Europa, conviveu com a nova ciência de Galileu e com os grandes filósofos do continente. Testemunha da sangrenta Guerra Civil Inglesa, exilou-se em Paris por mais de uma década; foi aí que amadureceu sua teoria política, publicada no Leviatã (1651). É o fundador da teoria moderna do Estado. ...

Thomas Kuhn

Thomas Kuhn Historiador e filósofo da ciência americano. A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) transformou completamente a compreensão do progresso científico e introduziu o conceito de paradigma no vocabulário intelectual global. Nascido em Cincinnati (Ohio) em 1922, Kuhn formou-se em física pela Universidade Harvard e, ao preparar um curso de história da ciência para estudantes de humanidades, deparou-se com as teorias aristotélicas do movimento. A dificuldade de entender por que Aristóteles — um pensador notavelmente perspicaz — havia cometido erros tão evidentes do ponto de vista newtoniano fez Kuhn perceber que os critérios de racionalidade científica mudam de época para época. Essa revelação orientou toda a sua carreira posterior: em vez de perguntar “quem estava certo?”, passou a perguntar “como uma comunidade científica chega a enxergar o mundo de determinada maneira?”. Desse questionamento nasceria, anos mais tarde, o livro que mudaria o modo como filósofos, historiadores e cientistas compreendem a própria ciência. ...

Thomas More (Thomas Morus)

Thomas More (Thomas Morus) Humanista, jurista e estadista inglês. Lord Chanceler de Henrique VIII; recusou reconhecer o rei como chefe supremo da Igreja e foi decapitado. Canonizado pela Igreja Católica (1935). Autor do conceito de utopia. Thomas More nasceu em Londres em 1478, filho de um advogado bem-sucedido, e recebeu formação clássica rigorosa — estudou em Oxford e nos Inns of Court, tornando-se um dos juristas mais respeitados da Inglaterra Tudor. Sua amizade com Erasmo, selada ainda no início do século XVI, definiu sua orientação intelectual: o humanismo cristão, que acreditava ser possível reformar a sociedade através do aprofundamento moral e da renovação das letras, sem ruptura com a tradição católica. Nesse contexto, Utopia (1516) não é apenas uma fantasia literária, mas uma obra de filosofia política rigorosa, que combina o gênero do diálogo platônico com a sátira lucianesca para radiografar os males da Europa de sua época — a concentração fundiária, a corrupção da nobreza, as guerras dinásticas e a desumanidade das penas capitais. ...

Thomas Nagel

Thomas Nagel Thomas Nagel é um dos filósofos contemporâneos mais respeitados em filosofia da mente, ética e filosofia política. Nascido em 1937, é professor na Universidade de Nova York (NYU). Sua obra retorna obstinadamente a um tema: a dificuldade de conciliar a perspectiva interna e subjetiva de cada ser consciente com a perspectiva externa, impessoal e objetiva que a ciência e a razão buscam. Conhecido pela prosa límpida e pela honestidade intelectual com que expõe os limites das próprias soluções, Nagel resiste tanto às reduções fáceis quanto ao misticismo, defendendo que certos problemas filosóficos são genuínos e não devem ser dissolvidos prematuramente. ...

Tito Lucrécio Caro

Tito Lucrécio Caro Poeta e filósofo romano, autor de De Rerum Natura (Da Natureza das Coisas), o maior poema filosófico da Antiguidade. Sistematizou em versos latinos a física e a ética de Epicuro, tornando-se a principal fonte para o conhecimento do epicurismo antigo. Defendeu o atomismo como explicação do universo, a mortalidade da alma e a libertação do medo dos deuses e da morte pela compreensão racional da natureza. ...

Tobias Barreto

Tobias Barreto Tobias Barreto de Menezes (1839–1889), nascido em Sergipe, foi jurista, filósofo, crítico e poeta, reconhecido como uma das figuras centrais da chamada Escola do Recife. Em um cenário intelectual brasileiro dominado pelo ecletismo de inspiração espiritualista, Tobias Barreto promoveu a introdução do “germanismo” — isto é, da cultura, da ciência e da filosofia alemãs — como alternativa renovadora ao pensamento então hegemônico. Aproximou-se do monismo e do evolucionismo, dialogando criticamente com autores como Haeckel, e voltou-se contra o espiritualismo dominante. Sua contribuição mais duradoura situa-se na filosofia do direito, na qual defendeu uma concepção do direito como fenômeno cultural e histórico, e não como expressão de uma ordem natural. ...

Tomás de Aquino

Tomás de Aquino Nascido por volta de 1225 em Roccasecca, perto de Aquino, no sul da Itália, Tomás pertencia à alta nobreza, que se opôs com firmeza ao seu ingresso na ordem mendicante dos dominicanos — chegando a mantê-lo confinado por cerca de um ano. Estudou com Alberto Magno em Paris e Colônia e tornou-se mestre de teologia na Universidade de Paris. Apesar do apelido de “boi mudo”, revelou-se o maior gênio da Escolástica. Após uma intensa experiência em 1273, deixou de escrever, dizendo que tudo o que produzira lhe parecia “palha”; morreu no ano seguinte, a caminho do Concílio de Lyon. Canonizado em 1323, é o “Doutor Angélico”, e o tomismo permanece referência oficial da filosofia católica. ...

Vicente Ferreira da Silva

Vicente Ferreira da Silva Vicente Ferreira da Silva nasceu em São Paulo em 10 de janeiro de 1916 e morreu na mesma cidade em 19 de julho de 1963, aos 47 anos, num acidente de automóvel. Formou-se em direito na Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, mas nunca exerceu a advocacia, dedicando-se por inteiro à filosofia. Embora sua vida acadêmica formal tenha sido discreta, atuou como organizador cultural e foi um dos filósofos brasileiros mais originais de meados do século XX. ...

Vilém Flusser

Vilém Flusser Vilém Flusser nasceu em Praga, então Tchecoslováquia, em 12 de maio de 1920, e morreu em 27 de novembro de 1991, num acidente de automóvel perto da fronteira entre a República Tcheca e a Alemanha, quando viajava para uma conferência em Praga. De família judaica, iniciou os estudos em Praga em 1938; com a ocupação nazista, deixou a cidade em 1939 para Londres e, em 1940, emigrou para o Brasil, onde se tornou cidadão brasileiro. Parte significativa de sua família foi vitimada pela perseguição nazista, experiência que marcou sua reflexão sobre exílio, língua e pertencimento. ...

Vladímir Soloviov

Vladímir Soloviov Vladímir Sergueievitch Soloviov (28 de janeiro de 1853, Moscou — 13 de agosto de 1900, propriedade de Uzkoie, perto de Moscou) foi filósofo, teólogo, poeta e crítico — o primeiro pensador russo a edificar um sistema metafísico abrangente e o fundador da tradição da filosofia religiosa russa. Filho do grande historiador Serguei Soloviov, foi amigo de Dostoiévski e figura central da vida intelectual de seu tempo. Sua obra projetou-se sobre toda a geração seguinte — de Berdiáev e Bulgákov ao simbolismo poético russo. ...

Voltaire

Voltaire François-Marie Arouet (1694-1778), que adotaria o nome de Voltaire, foi a figura mais célebre e combativa do Iluminismo francês. Espirituoso e provocador, foi preso na Bastilha e exilou-se na Inglaterra (1726-1728), onde admirou a liberdade política, o empirismo de Locke e a ciência de Newton — experiência que relataria nas Cartas Filosóficas. Frequentou a corte de Frederico, o Grande, da Prússia, e instalou-se por fim em Ferney, perto da fronteira suíça, de onde dirigiu campanhas públicas contra a injustiça. Escritor prolífico, deixou peças, poemas, obras históricas, contos filosóficos e um vasto Dicionário Filosófico. ...

W. E. B. Du Bois

W. E. B. Du Bois William Edward Burghardt Du Bois (1868–1963) foi sociólogo, historiador, filósofo e ativista afro-americano nascido em Great Barrington, Massachusetts. Tornou-se, em 1895, o primeiro afro-americano a obter o título de PhD em Harvard, com uma tese de história sobre a supressão do tráfico atlântico de escravos; estudou também em Berlim, onde absorveu o métier das ciências sociais alemãs. Sua obra inaugurou a sociologia urbana afro-americana com The Philadelphia Negro (1899) e instaurou, com The Souls of Black Folk (1903), um vocabulário filosófico para pensar a experiência negra moderna. Foi um dos fundadores da NAACP (1909) e figura central do pan-africanismo. Em 1961, filiou-se ao Partido Comunista; mudou-se para Gana, onde adquiriu cidadania e onde morreu, em 1963. ...

W.V.O. Quine

W.V.O. Quine Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. Holismo Epistêmico (Tese Duhem-Quine): As crenças não enfrentam o tribunal da experiência individualmente, mas em conjunto (web of beliefs). Quando a experiência contradiz uma crença, podemos ajustar qualquer parte do sistema — inclusive leis lógicas. Esta visão é radicalmente diferente do verificacionismo sentença-por-sentença do positivismo. Indeterminação da Tradução (Word and Object, 1960): O famoso exemplo de “gavagai”: diante de um nativo que profere “gavagai” ao ver um coelho, o tradutor radical pode traduzir como “coelho”, “parte não-separada de coelho” ou “instanciação de coelho” — todas as hipóteses são empiricamente equivalentes, mas mutuamente incompatíveis. Não há fato da matéria que determine a tradução correta. Tese radical sobre os limites do significado. Ontological Relativity (“Ontological Relativity”, 1968; em Ontological Relativity and Other Essays, 1969): O que existe é relativo ao esquema conceitual adotado. O critério de compromisso ontológico de Quine: uma teoria se compromete com a existência de X se e somente se precisa quantificar sobre X para ser verdadeira — “to be is to be the value of a bound variable”. Epistemologia Naturalizada (“Epistemology Naturalized”, em Ontological Relativity, 1969): A epistemologia tradicional buscava fundamentos a priori para o conhecimento. Quine propõe abandonar este projeto: a epistemologia deve ser naturalizada — tornar-se um capítulo da psicologia e neurociência, investigando empiricamente como os humanos chegam à ciência a partir de inputs sensoriais. Comportamentalismo Semântico: O significado de termos deve ser explicado em termos de disposições verbais observáveis — sem apelo a entidades mentais misteriosas. Esta posição é coerente com o naturalismo de Quine mas gera tensão com a fenomenologia da linguagem. ...

Walter Benjamin

Walter Benjamin Nascido em Berlim em 1892, Walter Benjamin foi uma das figuras mais originais e inclassificáveis do pensamento do século XX — filósofo, crítico literário, tradutor e ensaísta, ligado de modo periférico à Escola de Frankfurt e amigo de Adorno. Sua carreira acadêmica fracassou (sua tese de habilitação foi recusada), e ele viveu da escrita, sempre em dificuldades. Em 1940, fugindo dos nazistas, viu-se bloqueado na fronteira franco-espanhola, em Portbou, e tirou a própria vida — um dos destinos mais trágicos da intelectualidade europeia. ...

Wang Yangming

Wang Yangming Wang Yangming (王陽明 Wáng Yángmíng, 1472–1529; nome de cortesia Bó’ān, nome pessoal Shǒurén 守仁) é o mais influente pensador neoconfuciano da dinastia Ming e fundador da chamada “escola da mente” (xīnxué 心學). Além de filósofo, foi alto funcionário do Estado e comandante militar bem-sucedido, e sua doutrina nasce em diálogo com essa experiência prática. Seu pensamento constitui a principal alternativa à ortodoxia neoconfuciana de Zhu Xi, a “escola do princípio” (lǐxué 理學), que dominava o sistema de exames imperiais. ...

Whitehead

Whitehead Alfred North Whitehead (1861–1947) nasceu em Ramsgate, Kent, e fez carreira nas duas margens do Atlântico: durante décadas foi professor de matemática e lógica no Trinity College de Cambridge e no University College London, antes de aceitar, já aos 63 anos, um convite para lecionar filosofia em Harvard, onde produziu sua obra metafísica de maior fôlego. Essa trajetória bifronte — do rigor matemático à especulação cosmológica — define de modo singular seu pensamento: a filosofia do processo nasce não de uma ruptura com a ciência, mas de uma meditação filosófica prolongada sobre os seus fundamentos. ...

Wilfrid Sellars

Wilfrid Sellars Wilfrid Sellars foi um dos filósofos analíticos americanos mais profundos e originais do século XX, embora menos lido pelo grande público do que sua influência justificaria. Formado em uma tradição que combinava o rigor analítico com o conhecimento da história da filosofia, dedicou-se a articular o que chamou de objetivo final da filosofia: “entender como as coisas, no sentido mais amplo do termo, se conectam, no sentido mais amplo do termo”. Sua obra busca conciliar o compromisso com a ciência e o naturalismo com o reconhecimento da dimensão normativa do pensamento e do conhecimento. Lecionou sobretudo na Universidade de Pittsburgh, onde formou uma linhagem influente de discípulos. ...

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