Walter Benjamin

Walter Benjamin Nascido em Berlim em 1892, Walter Benjamin foi uma das figuras mais originais e inclassificáveis do pensamento do século XX — filósofo, crítico literário, tradutor e ensaísta, ligado de modo periférico à Escola de Frankfurt e amigo de Adorno. Sua carreira acadêmica fracassou (sua tese de habilitação foi recusada), e ele viveu da escrita, sempre em dificuldades. Em 1940, fugindo dos nazistas, viu-se bloqueado na fronteira franco-espanhola, em Portbou, e tirou a própria vida — um dos destinos mais trágicos da intelectualidade europeia. ...

Wang Yangming

Wang Yangming Wang Yangming (王陽明 Wáng Yángmíng, 1472–1529; nome de cortesia Bó’ān, nome pessoal Shǒurén 守仁) é o mais influente pensador neoconfuciano da dinastia Ming e fundador da chamada “escola da mente” (xīnxué 心學). Além de filósofo, foi alto funcionário do Estado e comandante militar bem-sucedido, e sua doutrina nasce em diálogo com essa experiência prática. Seu pensamento constitui a principal alternativa à ortodoxia neoconfuciana de Zhu Xi, a “escola do princípio” (lǐxué 理學), que dominava o sistema de exames imperiais. ...

Whitehead

Whitehead Alfred North Whitehead (1861–1947) nasceu em Ramsgate, Kent, e fez carreira nas duas margens do Atlântico: durante décadas foi professor de matemática e lógica no Trinity College de Cambridge e no University College London, antes de aceitar, já aos 63 anos, um convite para lecionar filosofia em Harvard, onde produziu sua obra metafísica de maior fôlego. Essa trajetória bifronte — do rigor matemático à especulação cosmológica — define de modo singular seu pensamento: a filosofia do processo nasce não de uma ruptura com a ciência, mas de uma meditação filosófica prolongada sobre os seus fundamentos. ...

Wilfrid Sellars

Wilfrid Sellars Wilfrid Sellars foi um dos filósofos analíticos americanos mais profundos e originais do século XX, embora menos lido pelo grande público do que sua influência justificaria. Formado em uma tradição que combinava o rigor analítico com o conhecimento da história da filosofia, dedicou-se a articular o que chamou de objetivo final da filosofia: “entender como as coisas, no sentido mais amplo do termo, se conectam, no sentido mais amplo do termo”. Sua obra busca conciliar o compromisso com a ciência e o naturalismo com o reconhecimento da dimensão normativa do pensamento e do conhecimento. Lecionou sobretudo na Universidade de Pittsburgh, onde formou uma linhagem influente de discípulos. ...

Wilhelm Dilthey

Wilhelm Dilthey Wilhelm Dilthey nasceu em Biebrich am Rhein (atual Wiesbaden, Alemanha) em 19 de novembro de 1833 e faleceu em Seis am Schlern (atual norte da Itália) em 1 de outubro de 1911. Professor em Basileia, Kiel e, a partir de 1882, em Berlim — onde ocupou a cátedra de Hegel —, Dilthey dedicou sua vida a um projeto inacabado mas monumentalmente influente: fornecer às ciências humanas (Geisteswissenschaften) um fundamento filosófico próprio, equivalente ao que Kant havia dado às ciências naturais na Crítica da Razão Pura. ...

William James

William James Filósofo e psicólogo americano, co-fundador do pragmatismo e pioneiro da psicologia moderna. Irmão do escritor Henry James. Popularizou e desenvolveu o pragmatismo de Peirce numa direção mais psicológica e humanista, com influência enorme sobre a filosofia, a psicologia e a teologia do século XX. Conceitos-chave Pragmatismo como método: uma ideia é verdadeira se funciona, se produz consequências satisfatórias para a ação — verdade como valor instrumental, não correspondência estática Verdade como processo: “a verdade acontece a uma ideia; ela se torna verdade, é feita verdadeira pelos eventos” — a verdade é dinâmica e verificável na experiência Empirismo radical: a experiência não inclui apenas coisas, mas também as relações entre elas — crítica ao empirismo clássico que fragmentava a experiência em átomos isolados Fluxo de consciência (stream of consciousness): a consciência não é discreta e estática, mas contínua, pessoal e seletiva — conceito que influenciou profundamente a literatura modernista Vontade de crer (will to believe): diante de questões onde a evidência é insuficiente e a decisão é forçada e importante (como a crença em Deus), é racionalmente legítimo crer com base em razões práticas e emotivas Variedades da experiência religiosa: a religião deve ser avaliada pelos seus efeitos na vida das pessoas, não por sua metafísica; o misticismo tem validade psicológica real Pluralismo: a realidade é múltipla e inacabada — crítica ao monismo absoluto hegeliano Influenciado por Peirce — máxima pragmática original Darwin — evolucionismo e funcionalismo mental Hume — ceticismo e empirismo Kant — teoria do conhecimento (criticamente) Influenciou John Dewey — instrumentalismo e filosofia da educação Bergson — relação mútua entre filosofia da vida e do tempo Wittgenstein — referências explícitas em Investigações Filosóficas Psicologia americana (funcionalismo, behaviorismo) Teologia liberal e movimento modernista religioso Obras Os Princípios da Psicologia (1890); A Vontade de Crer (1897); As Variedades da Experiência Religiosa (1902); Pragmatismo (1907); Empirismo Radical (1912). ...

Xenófanes de Cólofon

Xenófanes de Cólofon Poeta-filósofo grego itinerante, nascido em Cólofon, na Jônia (costa ocidental da Ásia Menor), por volta de 570 a.C. Com a conquista persa da Jônia em meados do século VI a.C., Xenófanes deixou sua cidade natal e passou o restante da vida em movimento pelo mundo helênico, instalando-se por períodos em Zancle e Catânia (Sicília) e, segundo a tradição, em Élea, no sul da Itália. Viveu excepcionalmente longo — fontes antigas sugerem que ultrapassou os noventa anos —, e toda a sua produção chegou até nós apenas em fragmentos citados por autores posteriores como Sexto Empírico, Simplício e Ateneu. ...

Xunzi

Xunzi Xunzi (荀子 Xún Zǐ, “Mestre Xun”; nome pessoal Kuàng 況), que viveu por volta de c. 310–c. 235 a.C., é, ao lado de Confúcio e Mêncio, um dos três grandes pensadores do confucionismo clássico. Atuou no período dos Reinos Combatentes e foi figura de prestígio na academia Jixia, no Estado de Qi. Sua filosofia destaca-se pelo rigor argumentativo e pelo naturalismo: enquanto outros confucianos fundamentavam a moral em uma ordem celestial moralmente engajada, Xunzi a fundamenta na cultura humana, no ritual e na educação deliberada. ...

Zenão de Cítio

Zenão de Cítio Fundador do Estoicismo. Lecionava no Stoa Poikilê (Pórtico Pintado) de Atenas — daí o nome da escola. Após ouvir a história de Sócrates por meio do cinismo de Crates, abandonou o comércio para se dedicar à filosofia. Ensinou que a virtude é o único bem real; tudo o mais (riqueza, saúde, fama) é indiferente (adiaphora). O universo é perpassado pelo Lógos divino (fogo racional) e cada evento acontece por necessidade racional. ...

Zenão de Eleia

Zenão de Eleia Natural de Eleia, no sul da Itália, e ativo em meados do século V a.C., Zenão foi o mais célebre discípulo de Parmênides — segundo Platão, acompanhou o mestre a Atenas, onde ambos teriam dialogado com o jovem Sócrates. A tradição também lhe atribui um fim heroico: torturado por um tirano cuja derrubada conspirava, teria preferido a morte à delação. É lembrado sobretudo como um mestre da argumentação. ...

Zhu Xi

Zhu Xi Nota sobre romanização: os nomes chineses são apresentados em pinyin, com caracteres originais entre parênteses na primeira ocorrência. Os tons não são marcados graficamente, conforme o uso editorial corrente. Zhu Xi (朱熹), filósofo da dinastia Song meridional, é o grande sistematizador do que se convencionou chamar Neoconfucionismo — também conhecido como Lixue (理學, “Estudo do Princípio”) ou escola Cheng-Zhu, em referência aos irmãos Cheng (Cheng Hao e Cheng Yi), cujos escritos Zhu Xi organizou em síntese. Funcionário e mestre, passou a maior parte da vida ensinando em academias privadas e revisando textos clássicos. Sua importância histórica é difícil de exagerar: o currículo educacional fundado em seus comentários aos Sishu (四書, “Quatro Livros”) foi a base dos exames imperiais chineses de 1313 a 1905, e por essa via moldou também o pensamento da Coreia, do Vietnã e do Japão. ...

Zhuangzi

Nota sobre fontes e autoria: As datas de Zhuangzi (莊子, “Mestre Zhuang”; nome pessoal Zhōu 周) são incertas — c. 369–286 a.C. é a estimativa convencional, derivada de menções históricas em textos do período. O texto homônimo Zhuangzi (莊子), tal como chegou até nós, é uma compilação de três seções: os 7 capítulos internos (nèipiān 內篇), geralmente atribuídos ao próprio Zhuangzi pela erudição moderna; os 15 capítulos externos (wàipiān 外篇) e os 11 capítulos mistos (zápiān 雜篇), considerados trabalhos de discípulos e comentadores posteriores. A edição que chegou à modernidade deve-se ao estudioso Guo Xiang (c. 252–312 d.C.). ...

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