Sigmund Freud

Sigmund Freud Neurologista e fundador da psicanálise. Embora não seja estritamente filósofo, sua teoria do inconsciente, das pulsões e da repressão tornou-se uma das matrizes filosóficas mais influentes do séc. XX, especialmente para a Escola de Frankfurt, o existencialismo e o pós-estruturalismo. Conceitos-chave Inconsciente: a maior parte da vida mental escapa à consciência; desejos, traumas e conflitos reprimidos determinam o comportamento. O inconsciente não obedece à lógica ou ao tempo linear Topografia psíquica: 1.ª tópica: Inconsciente / Pré-consciente / Consciente 2.ª tópica: Id (pulsões primitivas) / Ego (mediação com a realidade) / Superego (interiorização das normas sociais) Pulsões: Eros (pulsão de vida, amor, criatividade) e Tânatos (pulsão de morte, agressão, repetição) — conflito fundamental da psique Repressão e recalque: a civilização exige a repressão das pulsões; o custo é a neurose. Tema central de O Mal-Estar na Civilização (1930) Complexo de Édipo: desejo pelo pai/mãe do sexo oposto e rivalidade com o do mesmo sexo; estrutura da entrada na cultura e formação do superego Sonhos, lapsos e sintomas: “Via régia para o inconsciente” — linguagem cifrada dos desejos reprimidos Critica da religião: O Futuro de uma Ilusão (1927) — a religião é ilusão infantil de um pai protetor; Totem e Tabu — origem da religião no parricídio primordial Influenciado por Charles Darwin — pulsões e evolução biológica Nietzsche — crítica da moral, forças inconscientes (paralelismos notáveis) Franz Brentano — filosofia da mente e intencionalidade Influenciou Marcuse — Eros e Civilização: liberdade vs. mais-repressão capitalista Adorno e Horkheimer — inconsciente social, autoritarismo Walter Benjamin — sonho, imagem dialética Sartre — critica a psicanálise mas dialoga com ela (má-fé vs. repressão) Simone de Beauvoir — psicanálise e construção do feminino Derrida — rastro, différance e o inconsciente como escrita Foucault — critica o dispositivo da sexualidade em História da Sexualidade Jacques Lacan — releitura estruturalista de Freud Obras A Interpretação dos Sonhos (1900); Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905); Totem e Tabu (1913); Introdução à Psicanálise (1916–17); O Ego e o Id (1923); O Futuro de uma Ilusão (1927); O Mal-Estar na Civilização (1930); Moisés e o Monoteísmo (1939). ...

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir Filósofa francesa; companheira intelectual de Sartre. Fundadora do feminismo existencialista. O Segundo Sexo é um dos livros mais influentes do séc. XX. Nascida em Paris em 1908, Simone de Beauvoir formou-se em filosofia pela Sorbonne e pelo agrégation em 1929, tornando-se uma das primeiras mulheres a conquistar esse título na França. Inserida no círculo existencialista parisiense do pós-guerra, participou ativamente da revista Les Temps Modernes e engajou-se nos grandes debates políticos e morais de sua época, do anticolonialismo à crítica ao stalinismo. Seu projeto filosófico central consiste em aplicar as categorias do existencialismo sartriano — facticidade, situação, projeto — à condição concreta da mulher, mostrando que a opressão feminina não decorre da natureza, mas de estruturas históricas e sociais que podem e devem ser transformadas. ...

Simone Weil

Simone Weil Filósofa, mística e ativista francesa. Aluna de Alain (Émile Chartier) na École Normale Supérieure, militou junto a operários e combateu na Guerra Civil Espanhola. Sua obra, quase inteiramente póstuma, cruza filosofia, mística cristã (sem adesão formal à Igreja), crítica social e reflexão sobre o trabalho. Morreu aos 34 anos em Londres, debilitada pela tuberculose e pela recusa de se alimentar mais do que os racionados na França ocupada. Pensadora inclassificável que fascinou Camus, que editou seus primeiros livros. ...

Slavoj Žižek

Slavoj Žižek Filósofo e teórico cultural esloveno, pesquisador na Universidade de Liubliana. Combina a psicanálise de Jacques Lacan com a dialética de Hegel e a crítica da ideologia de tradição marxista. Prolífico e provocador, é conhecido por analisar fenômenos da cultura pop (cinema, piadas, publicidade) como ilustrações de estruturas ideológicas profundas. Crítico tanto do capitalismo liberal quanto da esquerda identitária, defende um universalismo emancipatório. Conceitos-chave Ideologia como fantasia: a ideologia não é falsa consciência (ilusão que se desfaz com o saber), mas uma fantasia estruturante — “eles sabem o que fazem, mas mesmo assim o fazem” (cinismo como forma ideológica dominante) O Real, o Simbólico e o Imaginário: retoma a tríade lacaniana — o Real é o que resiste à simbolização; irrupções do Real desestabilizam a ordem simbólica (trauma, antagonismo social) Gozo (jouissance): o sujeito está preso a modos de satisfação paradoxais que sustentam a ordem ideológica — a ideologia funciona não pela crença, mas pelo gozo investido nas práticas sociais Paralaxe (parallax view): mudança de perspectiva que revela que o objeto é constituído pelo próprio deslocamento do olhar — não há ponto de vista neutro; o antagonismo é irredutível Grande Outro (grand Autre): a ordem simbólica (linguagem, lei, normas sociais) — o sujeito se constitui em relação ao Outro, mas o Outro é inconsistente, barrado Sujeito barrado: o sujeito não é uma identidade plena, mas uma falta constitutiva — é o que emerge na falha da ordem simbólica Cultura pop como filosofia: filmes (Matrix, Hitchcock), piadas e anedotas são lidos como encenações de estruturas lacanianas e hegelianas Influenciado por Hegel — dialética, negatividade, contradição como motor do pensamento Jacques Lacan — psicanálise estrutural; Real, Simbólico, Imaginário Marx — crítica da ideologia e fetichismo da mercadoria Kant — sujeito transcendental e antinomias Schelling — liberdade e o abismo do fundamento Influenciou Teoria crítica contemporânea Estudos culturais e análise ideológica do cinema Esquerda pós-marxista e debate político contemporâneo Alain Badiou — interlocução sobre sujeito e evento Obras O Sublime Objeto da Ideologia (The Sublime Object of Ideology, 1989); Eles Não Sabem o que Fazem (For They Know Not What They Do, 1991); A Visão em Paralaxe (The Parallax View, 2006); Vivendo no Fim dos Tempos (Living in the End Times, 2010); Menos que Nada: Hegel e a Sombra do Materialismo Dialético (Less Than Nothing, 2012); Como Ler Lacan (How to Read Lacan, 2006). ...

Sócrates

Sócrates Sócrates é o pivô da filosofia grega: sua figura divide a tradição entre os pré-socráticos, voltados à investigação da natureza (physis), e os socráticos, que deslocam o foco para o ser humano, a alma e a ética. Ateniense do século V a.C., filho do escultor Sofronisco e da parteira Fenáreta, atravessou os anos da Guerra do Peloponeso — serviu como hoplita em Potideia, Delos e Anfípolis — e fez das ruas e ginásios de Atenas o espaço de uma filosofia inteiramente oral. Não deixou nenhum escrito: tudo o que sabemos vem de terceiros, sobretudo dos diálogos de Platão e dos escritos de Xenofonte, além da caricatura cômica de Aristófanes (As Nuvens). A dificuldade de separar o Sócrates histórico do personagem literário é o que os estudiosos chamam de “problema socrático”. ...

Søren Kierkegaard

Søren Kierkegaard Filósofo dinamarquês; o “pai do existencialismo”. Escreveu frequentemente sob pseudônimos para apresentar perspectivas opostas. Sua filosofia é uma reação ao sistema especulativo de Hegel e ao conforto burguês do Cristianismo institucional. Conceitos-chave Três estádios da existência: Estético: vida orientada pelo prazer, novidade, estética — o desespero do enfado inevitável Ético: comprometimento com o dever, universal moral, casamento — o desespero da culpa que não se perdoa Religioso: suspensão do ético pelo singular diante de Deus — o “salto de fé” além da razão Angústia (Begrebet Angest, 1844): a liberdade humana como “vertigem da possibilidade”; a angústia não tem objeto determinado (diferente do medo) — é a tontura diante do abismo do possível Desespero (A Doença para a Morte, 1849): não querer ser si mesmo, ou querer ser outro que si mesmo — a condição universal do humano sem relação com Deus Subjetividade (“A subjetividade é a verdade”): a verdade existencial não se alcança pela especulação objetiva de Hegel, mas pelo comprometimento subjetivo e apaixonado Salto de fé: Abraão que vai sacrificar Isaque — ato que suspende o ético e só tem sentido diante do singular de Deus; Camus o critica como “suicídio filosófico” Pseudônimos: Victor Eremita, Johannes Climacus, Anti-Climacus, Constantine Constantius — cada um representa um estádio ou perspectiva Influenciado por Hegel — ponto de partida e adversário principal; rejeita o sistema especulativo Sócrates — ironia e método indireto; identificou-se com ele Platão — diálogos e posição socrática Lutero — fé individual contra a instituição Influenciou Heidegger — angústia, autenticidade, ser-para-a-morte Sartre — liberdade radical, má-fé, projeto existencial Camus — absurdo (mas recusa o salto de fé de Kierkegaard) Simone de Beauvoir — situação existencial concreta Teologia existencial (Karl Barth, Paul Tillich) Obras Ou-Ou (1843); Temor e Tremor (1843); O Conceito de Angústia (1844); Estágios no Caminho da Vida (1845); Migalhas Filosóficas (1844); A Doença para a Morte (1849); Ponto de Vista sobre Minha Obra como Escritor (1859, póstumo). ...

Stuart Hall

Stuart Hall Stuart Henry McPhail Hall (3 de fevereiro de 1932, Kingston, Jamaica — 10 de fevereiro de 2014, Londres) foi um teórico cultural e sociólogo britânico, nascido na Jamaica, considerado uma das figuras fundadoras dos Estudos Culturais britânicos. Chegou à Inglaterra em 1951 como bolsista Rhodes em Oxford. Foi o primeiro editor da New Left Review (1960), peça central da Nova Esquerda inglesa, e dirigiu, de fins dos anos 1960 a 1979, o Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS) da Universidade de Birmingham, sucedendo a Richard Hoggart; em seguida tornou-se professor de sociologia na Open University. Hall fez da cultura — entendida não como entretenimento, mas como o terreno onde se disputam o sentido e o poder — um objeto legítimo de análise política, num marxismo aberto, anti-reducionista, que ele dizia praticar “sem garantias”. ...

Tales de Mileto

Tales de Mileto Filósofo de Mileto, na Jônia (atual Turquia), que viveu por volta de 624–546 a.C., Tales é considerado o primeiro filósofo da tradição ocidental e era contado entre os lendários Sete Sábios da Grécia. Não deixou escritos; o que sabemos vem de relatos posteriores, sobretudo de Aristóteles, que o saudou como o fundador desse tipo de investigação (Metafísica I, 3). Em torno de seu nome reuniram-se muitas histórias: teria previsto um eclipse solar, medido a altura das pirâmides pela sombra e, segundo Aristóteles, demonstrado o valor prático da filosofia ao prever uma boa safra e monopolizar as prensas de azeite. ...

Theodor W. Adorno

Theodor W. Adorno Nascido em Frankfurt em 1903, Theodor W. Adorno foi, ao lado de Horkheimer, o nome mais rigoroso da primeira geração da Escola de Frankfurt. Formado também em música — estudou composição em Viena —, uniu filosofia, sociologia e estética numa crítica radical da sociedade moderna. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo, onde observou de perto a cultura de massas; retornou a Frankfurt após a guerra e ali morreu em 1969. ...

Thomas Hobbes

Thomas Hobbes Nascido na Inglaterra em 1588 — segundo a tradição, prematuramente, em meio ao pânico da ameaça da Armada espanhola, o que o levou a dizer que “o medo e ele eram irmãos gêmeos” —, Thomas Hobbes formou-se em Oxford e tornou-se preceptor da nobre família Cavendish. Em suas viagens pela Europa, conviveu com a nova ciência de Galileu e com os grandes filósofos do continente. Testemunha da sangrenta Guerra Civil Inglesa, exilou-se em Paris por mais de uma década; foi aí que amadureceu sua teoria política, publicada no Leviatã (1651). É o fundador da teoria moderna do Estado. ...

Thomas Kuhn

Thomas Kuhn Historiador e filósofo da ciência americano. A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) transformou completamente a compreensão do progresso científico e introduziu o conceito de paradigma no vocabulário intelectual global. Nascido em Cincinnati (Ohio) em 1922, Kuhn formou-se em física pela Universidade Harvard e, ao preparar um curso de história da ciência para estudantes de humanidades, deparou-se com as teorias aristotélicas do movimento. A dificuldade de entender por que Aristóteles — um pensador notavelmente perspicaz — havia cometido erros tão evidentes do ponto de vista newtoniano fez Kuhn perceber que os critérios de racionalidade científica mudam de época para época. Essa revelação orientou toda a sua carreira posterior: em vez de perguntar “quem estava certo?”, passou a perguntar “como uma comunidade científica chega a enxergar o mundo de determinada maneira?”. Desse questionamento nasceria, anos mais tarde, o livro que mudaria o modo como filósofos, historiadores e cientistas compreendem a própria ciência. ...

Thomas More (Thomas Morus)

Thomas More (Thomas Morus) Humanista, jurista e estadista inglês. Lord Chanceler de Henrique VIII; recusou reconhecer o rei como chefe supremo da Igreja e foi decapitado. Canonizado pela Igreja Católica (1935). Autor do conceito de utopia. Thomas More nasceu em Londres em 1478, filho de um advogado bem-sucedido, e recebeu formação clássica rigorosa — estudou em Oxford e nos Inns of Court, tornando-se um dos juristas mais respeitados da Inglaterra Tudor. Sua amizade com Erasmo, selada ainda no início do século XVI, definiu sua orientação intelectual: o humanismo cristão, que acreditava ser possível reformar a sociedade através do aprofundamento moral e da renovação das letras, sem ruptura com a tradição católica. Nesse contexto, Utopia (1516) não é apenas uma fantasia literária, mas uma obra de filosofia política rigorosa, que combina o gênero do diálogo platônico com a sátira lucianesca para radiografar os males da Europa de sua época — a concentração fundiária, a corrupção da nobreza, as guerras dinásticas e a desumanidade das penas capitais. ...

Thomas Nagel

Thomas Nagel Thomas Nagel é um dos filósofos contemporâneos mais respeitados em filosofia da mente, ética e filosofia política. Nascido em 1937, é professor na Universidade de Nova York (NYU). Sua obra retorna obstinadamente a um tema: a dificuldade de conciliar a perspectiva interna e subjetiva de cada ser consciente com a perspectiva externa, impessoal e objetiva que a ciência e a razão buscam. Conhecido pela prosa límpida e pela honestidade intelectual com que expõe os limites das próprias soluções, Nagel resiste tanto às reduções fáceis quanto ao misticismo, defendendo que certos problemas filosóficos são genuínos e não devem ser dissolvidos prematuramente. ...

Tito Lucrécio Caro

Tito Lucrécio Caro Poeta e filósofo romano, autor de De Rerum Natura (Da Natureza das Coisas), o maior poema filosófico da Antiguidade. Sistematizou em versos latinos a física e a ética de Epicuro, tornando-se a principal fonte para o conhecimento do epicurismo antigo. Defendeu o atomismo como explicação do universo, a mortalidade da alma e a libertação do medo dos deuses e da morte pela compreensão racional da natureza. ...

Tobias Barreto

Tobias Barreto Tobias Barreto de Menezes (1839–1889), nascido em Sergipe, foi jurista, filósofo, crítico e poeta, reconhecido como uma das figuras centrais da chamada Escola do Recife. Em um cenário intelectual brasileiro dominado pelo ecletismo de inspiração espiritualista, Tobias Barreto promoveu a introdução do “germanismo” — isto é, da cultura, da ciência e da filosofia alemãs — como alternativa renovadora ao pensamento então hegemônico. Aproximou-se do monismo e do evolucionismo, dialogando criticamente com autores como Haeckel, e voltou-se contra o espiritualismo dominante. Sua contribuição mais duradoura situa-se na filosofia do direito, na qual defendeu uma concepção do direito como fenômeno cultural e histórico, e não como expressão de uma ordem natural. ...

Tomás de Aquino

Tomás de Aquino Nascido por volta de 1225 em Roccasecca, perto de Aquino, no sul da Itália, Tomás pertencia à alta nobreza, que se opôs com firmeza ao seu ingresso na ordem mendicante dos dominicanos — chegando a mantê-lo confinado por cerca de um ano. Estudou com Alberto Magno em Paris e Colônia e tornou-se mestre de teologia na Universidade de Paris. Apesar do apelido de “boi mudo”, revelou-se o maior gênio da Escolástica. Após uma intensa experiência em 1273, deixou de escrever, dizendo que tudo o que produzira lhe parecia “palha”; morreu no ano seguinte, a caminho do Concílio de Lyon. Canonizado em 1323, é o “Doutor Angélico”, e o tomismo permanece referência oficial da filosofia católica. ...

Vladímir Soloviov

Vladímir Soloviov Vladímir Sergueievitch Soloviov (28 de janeiro de 1853, Moscou — 13 de agosto de 1900, propriedade de Uzkoie, perto de Moscou) foi filósofo, teólogo, poeta e crítico — o primeiro pensador russo a edificar um sistema metafísico abrangente e o fundador da tradição da filosofia religiosa russa. Filho do grande historiador Serguei Soloviov, foi amigo de Dostoiévski e figura central da vida intelectual de seu tempo. Sua obra projetou-se sobre toda a geração seguinte — de Berdiáev e Bulgákov ao simbolismo poético russo. ...

Voltaire

Voltaire François-Marie Arouet (1694-1778), que adotaria o nome de Voltaire, foi a figura mais célebre e combativa do Iluminismo francês. Espirituoso e provocador, foi preso na Bastilha e exilou-se na Inglaterra (1726-1728), onde admirou a liberdade política, o empirismo de Locke e a ciência de Newton — experiência que relataria nas Cartas Filosóficas. Frequentou a corte de Frederico, o Grande, da Prússia, e instalou-se por fim em Ferney, perto da fronteira suíça, de onde dirigiu campanhas públicas contra a injustiça. Escritor prolífico, deixou peças, poemas, obras históricas, contos filosóficos e um vasto Dicionário Filosófico. ...

W. E. B. Du Bois

W. E. B. Du Bois William Edward Burghardt Du Bois (1868–1963) foi sociólogo, historiador, filósofo e ativista afro-americano nascido em Great Barrington, Massachusetts. Tornou-se, em 1895, o primeiro afro-americano a obter o título de PhD em Harvard, com uma tese de história sobre a supressão do tráfico atlântico de escravos; estudou também em Berlim, onde absorveu o métier das ciências sociais alemãs. Sua obra inaugurou a sociologia urbana afro-americana com The Philadelphia Negro (1899) e instaurou, com The Souls of Black Folk (1903), um vocabulário filosófico para pensar a experiência negra moderna. Foi um dos fundadores da NAACP (1909) e figura central do pan-africanismo. Em 1961, filiou-se ao Partido Comunista; mudou-se para Gana, onde adquiriu cidadania e onde morreu, em 1963. ...

W.V.O. Quine

W.V.O. Quine Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. ...

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