O Núcleo da Filosofia de Nietzsche: Vontade de Potência, Eterno Retorno e Genealogia da Moral

Poucos filósofos foram tão lidos e tão mal lidos quanto Friedrich Nietzsche. Reduzido, em certas vulgatas, a um profeta do “vale tudo” ou, pior, sequestrado pela propaganda nazista que sua própria irmã ajudou a fabricar, Nietzsche construiu na verdade um dos edifícios filosóficos mais rigorosos e mais afirmativos do século XIX — um pensamento que não se contenta em diagnosticar a crise dos valores ocidentais, mas propõe, a partir dela, uma tarefa: criar valores novos, dizer sim à vida tal como ela é, com seu sofrimento e sua alegria, sem o consolo de mundos metafísicos ou de além-vidas compensatórias. Já tratamos em outro artigo do diagnóstico niilista de Nietzsche e de sua ressonância com a sociedade contemporânea — Nietzsche e o Niilismo. Este texto percorre o outro lado da mesma moeda: o núcleo positivo de sua filosofia, dos primeiros escritos sobre a tragédia grega às noções mais discutidas (e mais deturpadas) de seu pensamento — vontade de potência, eterno retorno e além-do-homem. ...

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