Spinoza e o Panteísmo Racional: Deus sive Natura, Monismo e Conatus
Existe um filósofo que, escrevendo em latim em uma pequena casa em Haia no século XVII, formulou uma das visões de mundo mais radicais que a filosofia ocidental jamais produziu — e o fez sob a forma improvável de um tratado de geometria. Esse filósofo é Baruch (Bento) de Spinoza (1632–1677), e o tratado é a Ética demonstrada segundo a ordem geométrica, publicada postumamente no ano de sua morte. Em pouco mais de duzentas páginas, organizadas em definições, axiomas, proposições e demonstrações, Spinoza propõe simultaneamente uma metafísica do absoluto, uma teoria dos afetos humanos, uma psicologia do conhecimento e uma ética da liberdade. Sua influência atravessa três séculos — Lessing, Goethe, Hegel, Marx, Nietzsche, Deleuze, Antonio Damasio — e seu nome ainda funciona, na história da filosofia, como cifra de uma decisão intelectual: pensar Deus, a natureza e o ser humano como expressões de uma única realidade. ...