Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno V: O Tomismo Diante da Filosofia Crítica

Este é o quinto e último artigo da série sobre Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal (1878–1944). Nos artigos anteriores, percorremos o percurso histórico da obra: a tradição clássica do conhecimento (Caderno I), o conflito entre Racionalismo e Empirismo (Caderno II), a filosofia crítica de Kant (Caderno III) e o sistema idealista pós-kantiano de Fichte, Schelling e Hegel (Caderno IV). Chegamos agora ao Caderno V — Le thomisme devant la philosophie critique —, o coração de toda a obra e a contribuição filosófica mais original de Maréchal. É aqui que ele realiza a comparação sistemática entre o tomismo e a filosofia crítica, e apresenta sua síntese: o argumento de que o dinamismo do intelecto humano em direção ao Ser Absoluto é uma estrutura transcendental — uma condição de possibilidade de todo ato de conhecimento — e que, portanto, uma metafísica do ser é não apenas possível, mas inevitável a qualquer análise honesta do conhecimento humano. ...

27 abril 2026 · 13 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno IV: O Sistema Idealista em Kant e nos Pós-Kantianos

Este é o quarto de cinco artigos sobre Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal. Nos artigos anteriores, percorremos a tradição clássica do conhecimento, de Aristóteles a Tomás de Aquino (Caderno I), o conflito entre Racionalismo e Empirismo que culmina no ceticismo de Hume (Caderno II) e a análise detalhada da filosofia crítica de Kant — a Estética, a Analítica e a Dialética Transcendentais (Caderno III). Agora, no Caderno IV — intitulado Le système idéaliste chez Kant et les postkantiens e publicado postumamente em 1947, três anos após a morte de Maréchal — examinamos como o idealismo pós-kantiano desenvolveu o giro transcendental iniciado por Kant, levando-o a consequências que o próprio Kant não havia previsto nem autorizado. ...

27 abril 2026 · 13 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno III: A Crítica de Kant

Este é o terceiro de cinco artigos sobre Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal. Nos artigos anteriores, percorremos o Caderno I — a tradição clássica do conhecimento, de Aristóteles a Tomás de Aquino — e o Caderno II — o conflito entre Racionalismo e Empirismo que culmina no ceticismo de Hume. Agora chegamos ao Caderno III, o mais extenso e tecnicamente denso de toda a obra: a análise da filosofia crítica de Immanuel Kant (1724–1804). Para Maréchal, Kant é o interlocutor inevitável — não um adversário a ser descartado, mas um pensador que colocou o problema do conhecimento com uma profundidade sem precedentes. Acompanhamos aqui como Maréchal expõe a arquitetura da Crítica da Razão Pura e onde, em sua leitura, Kant avançou decisivamente — e onde parou aquém do que sua própria análise tornava possível. ...

27 abril 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno II: Racionalismo e Empirismo antes de Kant

Este é o segundo de cinco artigos dedicados à obra Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal (1878–1944). No artigo anterior, acompanhamos o Caderno I, em que Maréchal inventariou as conquistas e os limites da tradição clássica — dos pré-socráticos a Tomás de Aquino — no que diz respeito ao problema da validade objetiva do conhecimento. A tradição escolástica havia articulado um realismo epistemológico robusto, mas sem oferecer a justificação reflexiva que o interlocutor moderno viria a exigir. O Caderno II entra agora nesse mundo moderno: analisa o grande conflito entre Racionalismo e Empirismo como a tentativa da filosofia dos séculos XVII e XVIII de resolver, cada uma à sua maneira, o problema do fundamento do conhecimento humano. Veremos que ambas as tradições fracassam, e que é o cético David Hume quem, ao radicalizar o empirismo, abre o abismo que Kant se sentirá obrigado a atravessar. ...

27 abril 2026 · 10 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno I: A Crítica Antiga do Conhecimento

Este é o primeiro de cinco artigos dedicados à obra Le point de départ de la métaphysique (“O Ponto de Partida da Metafísica”) do filósofo jesuíta belga Joseph Maréchal (1878–1944). Publicada em cinco cadernos — quatro deles (I, II, III e V) entre 1922 e 1926, e o Caderno IV postumamente em 1947 —, a obra representa uma das tentativas mais ambiciosas do século XX de colocar o tomismo em diálogo com a filosofia crítica kantiana. Ao longo desta série, percorreremos cada um dos cinco cadernos: do inventário histórico da tradição clássica até a síntese original de Maréchal, que influenciou profundamente pensadores como Karl Rahner, Bernard Lonergan e Emerich Coreth. Neste primeiro artigo, acompanhamos o Caderno I, que faz um percurso histórico-crítico desde os pré-socráticos até o fim da Escolástica. ...

27 abril 2026 · 10 minutos · Resumidor de Filosofia

Adi Shankara

Adi Shankara Nota sobre a datação: As datas de Ādi Śaṅkara (também grafado Shankara; honoríficamente Śaṅkarācārya, “o mestre Śaṅkara”) são disputadas. A tradição o situa em 788–820 d.C., mas muitos estudiosos modernos preferem uma datação anterior, em torno de c. 700–750 d.C. Sua biografia foi entrelaçada com material hagiográfico, de modo que muitos episódios de sua vida pertencem mais à lenda do que ao registro histórico verificável. Śaṅkara é o sistematizador mais influente do Advaita Vedānta, a corrente “não-dualista” da filosofia hindu. Sua obra consiste sobretudo em comentários rigorosos aos textos canônicos, nos quais defende uma metafísica em que a multiplicidade do mundo é, em última análise, redutível a uma única realidade. Sua influência sobre o pensamento indiano posterior — e sobre a recepção ocidental do hinduísmo — é enorme. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Al-Farabi

Al-Farabi Abū Naṣr Muḥammad ibn Muḥammad al-Fārābī (c. 872–c. 950) foi um dos maiores filósofos do mundo islâmico medieval, chamado pela tradição de “o Segundo Professor” (al-Muʿallim al-Thānī) — sendo o primeiro Aristóteles. Nascido na região de Farab (atual Cazaquistão/Uzbequistão), trabalhou principalmente em Bagdá e Aleppo, sob o patronato da corte hamdânida. Sua obra abrange lógica, filosofia política, metafísica, filosofia da música e teoria das ciências. Conceitos-chave A Cidade Virtuosa (Al-Madīna al-Fāḍila, “As Opiniões dos Habitantes da Cidade Virtuosa”): Obra política modelada na República e nas Leis de Platão, integrada à cosmologia neoplatônica e ao pensamento islâmico. A cidade virtuosa é aquela cujos cidadãos compartilham as opiniões e ações corretas que conduzem à felicidade verdadeira. O governante ideal é simultaneamente filósofo e profeta — une perfeição intelectual e capacidade de comunicar a verdade à maioria por meio de imagens e símbolos (função da religião). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Aristóteles

Aristóteles Nascido em Estagira, na Macedônia, por volta de 384 a.C., filho de Nicômaco — médico da corte macedônia —, Aristóteles ingressou aos dezessete anos na Academia de Platão, onde permaneceu cerca de vinte anos, até a morte do mestre. Mais tarde foi preceptor de Alexandre Magno e, em 335 a.C., fundou em Atenas o Liceu, escola cujos membros ficaram conhecidos como peripatéticos (do hábito de discutir caminhando). Com a morte de Alexandre e a onda antimacedônica, deixou Atenas em 323 a.C. — para que a cidade, segundo a tradição antiga, “não pecasse duas vezes contra a filosofia” — e morreu no ano seguinte em Cálcis. O conjunto de textos que herdamos dele é o maior e mais sistemático da Antiguidade, abrangendo lógica, física, biologia, psicologia, metafísica, ética, política, retórica e poética. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Avicena (Ibn Sīnā)

Avicena (Ibn Sīnā) Nascido em 980 perto de Bukhara, na Ásia Central de língua persa, Abu Ali Ibn Sīnā — latinizado como Avicena — foi um prodígio: dizem que aos dezoito anos já dominava a medicina de seu tempo. Levou uma vida agitada, entre cortes, prisões e cargos de vizir, mas deixou mais de duzentas obras. Seu Cânon da Medicina foi o principal manual médico do Ocidente por séculos, e seu Livro da Cura é uma vasta enciclopédia filosófica. É o maior filósofo do mundo islâmico medieval, e seu nome ficou ligado a uma distinção que mudaria a metafísica ocidental. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Buda

Buda Nota sobre fontes e datação: As datas de Sidarta Gautama (Siddhārtha Gautama; também chamado Śākyamuni, “o sábio dos Śākya”) são objeto de controvérsia acadêmica. A cronologia tradicional o situa em c. 563–483 a.C., mas a pesquisa revisada das últimas décadas tende a uma “datação curta”, colocando sua morte por volta de 400 a.C. (vida aproximada c. 480–400 a.C.). Igualmente importante: os ensinamentos do Buda foram transmitidos oralmente por gerações e só foram fixados por escrito séculos depois, sobretudo no Cânone Páli (Tipiṭaka, em sânscrito Tripiṭaka). Esses textos não são, portanto, escritos do próprio Buda, mas registros posteriores da comunidade monástica, e a reconstrução do que ele historicamente ensinou é tarefa filológica delicada. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

David Chalmers

David Chalmers David John Chalmers é um dos filósofos da mente mais influentes das últimas três décadas. Nascido em Sydney, Austrália, e com formação em matemática antes de migrar para a filosofia, Chalmers tornou-se professor na Universidade do Arizona e depois em Nova York (NYU), onde co-dirige o Centro para Mente, Cérebro e Consciência. Seu livro de estreia, The Conscious Mind (1996), redefiniu os termos do debate sobre a consciência e colocou o que ele nomeou como “problema difícil” no centro da agenda filosófica e científica. ...

1 janeiro 2026 · 5 minutos · Resumidor de Filosofia

Farias Brito

Farias Brito Raimundo de Farias Brito (1862–1917), nascido no Ceará, é considerado um dos pensadores mais originais da filosofia brasileira de seu período. Em uma época marcada pela hegemonia do positivismo e do materialismo de inspiração científica, Farias Brito desenvolveu um espiritualismo de tom próprio, no qual a consciência é tomada como a realidade fundamental e como verdadeiro ponto de partida da reflexão filosófica. Sua obra, de forte acento metafísico, dirige-se contra a redução do real ao mero mecanismo material e busca recolocar o problema do espírito no centro da filosofia. Embora menos lido fora dos círculos especializados, exerceu influência duradoura sobre o pensamento católico e espiritualista brasileiro das gerações seguintes. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Gottfried Wilhelm Leibniz

Gottfried Wilhelm Leibniz Nascido em Leipzig em 1646, Gottfried Wilhelm Leibniz foi o último grande sábio universal: ao mesmo tempo filósofo, matemático, lógico, físico, jurista, historiador e diplomata. Inventou — independentemente de Newton — o cálculo infinitesimal, cuja notação ainda usamos, concebeu a aritmética binária que está na base da computação e projetou máquinas de calcular. Passou boa parte da vida a serviço da casa de Hanôver e morreu em 1716, deixando uma obra dispersa em milhares de cartas e poucos livros publicados. Filosoficamente, buscou a grande conciliação entre a ciência moderna, a tradição metafísica e a fé. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Hilary Putnam

Hilary Putnam Hilary Whitehall Putnam foi um dos filósofos mais versáteis e intelectualmente honestos do século XX. Ao longo de uma carreira de seis décadas, na maior parte em Harvard, Putnam percorreu um itinerário filosófico incomum: defendeu posições que depois criticou com a mesma energia com que as havia estabelecido. Foi funcionalista e depois rejeitou o funcionalismo; foi realista científico e depois propôs o “realismo interno”; foi simpatizante do positivismo lógico e depois seu crítico. Esta disposição para a autocrítica é uma das marcas de seu estilo filosófico. ...

1 janeiro 2026 · 5 minutos · Resumidor de Filosofia

Joseph Maréchal

Joseph Maréchal foi um filósofo e psicólogo jesuíta belga, fundador do Tomismo Transcendental — corrente que empreendeu uma síntese entre a metafísica tomista e a filosofia crítica de Kant. Sua obra marca um momento decisivo na renovação da escolástica no séc. XX e exerceu influência profunda sobre figuras como Karl Rahner e Bernard Lonergan. Conceitos-chave Ponto de Partida da Metafísica (Le Point de départ de la Métaphysique, 5 cadernos, 1922–1947): Obra capital. Maréchal percorre a história da epistemologia — da filosofia grega ao kantismo — para fundamentar a metafísica tomista diante da crítica kantiana. O Caderno V (“O Tomismo diante da Filosofia Crítica”) é o mais discutido. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Laozi (老子)

Laozi (老子) Nota histórica fundamental: A existência de Laozi como personagem histórico individual é debatida entre os especialistas. O historiador Sima Qian (c. 145–86 a.C.), em Shiji, registra várias tradições sobre Laozi sem poder decidir entre elas — indicativo de que a incerteza é antiga. O texto a ele atribuído, o Dàodéjīng (道德經, “Clássico do Caminho e da Virtude”, também chamado Laozi), pode ser uma compilação de materiais de diferentes origens; a erudição moderna situa a forma atual do texto no século IV ou III a.C. A figura de Laozi como sábio ancião que teria encontrado Confúcio e depois deixado a China pelo Ocidente é provavelmente lendária. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Mário Ferreira dos Santos

Mário Ferreira dos Santos Mário Ferreira dos Santos foi o filósofo brasileiro mais prolífico do século XX, autor de mais de cinquenta obras que buscam construir um sistema filosófico compreensivo — a chamada Filosofia Concreta — sintetizando a tradição clássica ocidental (especialmente o pitagorismo, Aristóteles e a escolástica) com contribuições originais em ontologia, matemática, simbólica e teoria do conhecimento. Conceitos-chave Filosofia Concreta: Denominação dada por Ferreira dos Santos ao seu projeto sistemático. Opõe-se tanto ao abstrato logicismo dos analíticos quanto ao subjetivismo existencialista. O concreto é o real considerado na plenitude de suas determinações — não o dado empírico bruto, nem a abstração pura, mas a síntese dialética de ambos. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Platão

Platão Discípulo de Sócrates e o mais influente filósofo da Antiguidade, Platão nasceu em uma família aristocrática ateniense por volta de 428 a.C. A condenação do mestre, em 399 a.C., marcou-o profundamente e afastou-o da carreira política que sua origem lhe reservava. Após anos de viagens — que a tradição associa a contatos com os pitagóricos do sul da Itália e às frustradas tentativas de educar os tiranos de Siracusa —, fundou por volta de 387 a.C. a Academia, a primeira instituição de ensino superior do Ocidente, que funcionaria por mais de novecentos anos. Sua obra chegou quase íntegra até nós, quase toda em forma de diálogo, com Sócrates como personagem central. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Plotino

Plotino Nascido por volta de 205 d.C., provavelmente no Egito romano, Plotino estudou por anos em Alexandria com o enigmático mestre Amônio Sacas e, mais tarde, fixou-se em Roma, onde fundou uma escola e levou uma vida de notável ascese. Suas lições foram reunidas e organizadas por seu discípulo Porfírio nas Enéadas. É o fundador do neoplatonismo e o maior filósofo da Antiguidade tardia, fazendo de Platão o ponto de partida de uma das mais grandiosas metafísicas já concebidas. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Proclo

Proclo Proclo Lício Diádoco (em grego Próklos Lýkios Diádokhos, “Proclo o Lício, o Sucessor”) nasceu em Constantinopla em 412 d.C. e morreu em Atenas em 17 de abril de 485 d.C. Atenção: não deve ser confundido com Proclo Procópio (orador do séc. V) nem com outros homônimos da Antiguidade tardia. Filho de família abastada da Lícia (sul da atual Turquia), formou-se em Alexandria e logo migrou para Atenas, onde estudou com Plutarco de Atenas (não confundir com o ensaísta de Queroneia) e com Siriano, a quem sucedeu como escolarca da Academia — daí o título Diádokhos, “o Sucessor”. Foi o último grande sistematizador do neoplatonismo pagão antes do fechamento da Academia pelo imperador Justiniano em 529 d.C. Sua obra organiza a herança plotiniana em uma rede rigorosa de proposições e tríades, num projeto comparável, em ambição, à Suma tomista — mas em sentido inteiramente pagão. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
[email protected]
Sobre · Contato · Política de Privacidade · Termos de Uso