Buda

Buda Nota sobre fontes e datação: As datas de Sidarta Gautama (Siddhārtha Gautama; também chamado Śākyamuni, “o sábio dos Śākya”) são objeto de controvérsia acadêmica. A cronologia tradicional o situa em c. 563–483 a.C., mas a pesquisa revisada das últimas décadas tende a uma “datação curta”, colocando sua morte por volta de 400 a.C. (vida aproximada c. 480–400 a.C.). Igualmente importante: os ensinamentos do Buda foram transmitidos oralmente por gerações e só foram fixados por escrito séculos depois, sobretudo no Cânone Páli (Tipiṭaka, em sânscrito Tripiṭaka). Esses textos não são, portanto, escritos do próprio Buda, mas registros posteriores da comunidade monástica, e a reconstrução do que ele historicamente ensinou é tarefa filológica delicada. ...

David Chalmers

David Chalmers David John Chalmers é um dos filósofos da mente mais influentes das últimas três décadas. Nascido em Sydney, Austrália, e com formação em matemática antes de migrar para a filosofia, Chalmers tornou-se professor na Universidade do Arizona e depois em Nova York (NYU), onde co-dirige o Centro para Mente, Cérebro e Consciência. Seu livro de estreia, The Conscious Mind (1996), redefiniu os termos do debate sobre a consciência e colocou o que ele nomeou como “problema difícil” no centro da agenda filosófica e científica. ...

David Lewis

David Lewis David Kellogg Lewis nasceu em Oberlin, Ohio, em 28 de setembro de 1941, e morreu em Princeton, Nova Jersey, em 14 de outubro de 2001. Durante um ano de estudos em Oxford, como graduando, assistiu aos últimos cursos de J. L. Austin e teve Iris Murdoch como tutora. Doutorou-se em Harvard (1967), sob orientação de W. V. O. Quine; a tese tornou-se seu primeiro livro, Convention (1969). Lecionou na UCLA a partir de 1966 e, desde 1970 até o fim da vida, na Universidade de Princeton. Não deve ser confundido com C. I. Lewis (1883–1964), outro filósofo norte-americano, nem com homônimos de outras áreas. Seu pensamento é uma das construções sistemáticas mais influentes da metafísica analítica da segunda metade do século XX, distinguindo-se por defender teses ontológicas ousadas com argumentação rigorosa e por mostrar o poder explicativo da noção de mundo possível. ...

Farias Brito

Farias Brito Raimundo de Farias Brito (1862–1917), nascido no Ceará, é considerado um dos pensadores mais originais da filosofia brasileira de seu período. Em uma época marcada pela hegemonia do positivismo e do materialismo de inspiração científica, Farias Brito desenvolveu um espiritualismo de tom próprio, no qual a consciência é tomada como a realidade fundamental e como verdadeiro ponto de partida da reflexão filosófica. Sua obra, de forte acento metafísico, dirige-se contra a redução do real ao mero mecanismo material e busca recolocar o problema do espírito no centro da filosofia. Embora menos lido fora dos círculos especializados, exerceu influência duradoura sobre o pensamento católico e espiritualista brasileiro das gerações seguintes. ...

Francisco Suárez

Francisco Suárez Francisco Suárez nasceu em Granada, em 5 de janeiro de 1548, e morreu em Lisboa, em 25 de setembro de 1617. Ingressou na Companhia de Jesus em 1564, estudou em Salamanca e ensinou filosofia e teologia em Segóvia, Valladolid, Roma (Colégio Romano), Alcalá, Salamanca e, a partir de 1597, em Coimbra, onde permaneceu até pouco antes de sua morte. É a figura mais influente da chamada Segunda Escolástica, o renascimento do pensamento escolástico nos séculos XVI e XVII, em especial na Península Ibérica, em que o tomismo e outras correntes medievais foram reelaborados em diálogo com as questões da época. ...

Gilles Deleuze

Gilles Deleuze Filósofo francês; criou uma filosofia da diferença e da multiplicidade que subverte a tradição metafísica centrada na identidade. Produziu obras solitárias e em colaboração com Félix Guattari. Conceitos-chave Diferença em si mesma (Diferença e Repetição, 1968): a diferença não é derivada da identidade — ela é originária; a identidade é secundária em relação à diferença. Crítica à tradição que sempre subordinou a diferença ao Mesmo Rizoma (com Guattari): contra o modelo arborescente (raiz única, hierarquia, centro), o rizoma é multiplicidade horizontal sem ponto de origem ou destino — conecta qualquer ponto com qualquer outro. Metáfora para o pensamento, a política e a cultura Linhas de fuga (lignes de fuite): todo sistema social e subjetivo contém forças de desterritorialização que escapam às estruturas dominantes — criação do novo, resistência ao controle Plano de imanência: a realidade não tem transcendência; tudo é imanente a um plano único de forças e intensidades — contra o dualismo platônico e a transcendência teológica Desejo como produção (Guattari): contra Freud (desejo como falta) — o desejo é força produtiva, afirmativa; o capitalismo captura a produção desejante mas esta sempre transborda Corpo sem órgãos: superfície de intensidades sem organização prévia — contra o organismo como modelo normativo do corpo Conceito de conceito: a filosofia cria conceitos — não representa, não contempla, não comunica; criar conceitos é a tarefa específica do filósofo Influenciado por Bergson — duração, multiplicidade, criação (Bergsonismo, 1966) Nietzsche — vontade de potência, eterno retorno, afirmação (Nietzsche e a Filosofia, 1962) Spinoza — imanência e potência (Spinoza: Filosofia Prática, 1970) Hume — empirismo radical e associacionismo Influenciou Estudos culturais e teoria queer Ciências cognitivas e biologia (auto-organização) Arquitetura, arte contemporânea Teoria política pós-marxista Obras Nietzsche e a Filosofia (1962); Bergsonismo (1966); Diferença e Repetição (1968); A Lógica do Sentido (1969); O Anti-Édipo (1972, com Guattari); Mil Platôs (1980, com Guattari); O que é a Filosofia? (1991, com Guattari). ...

Giorgio Agamben

Giorgio Agamben Giorgio Agamben é um filósofo italiano nascido em Roma em 1942, professor nas universidades de Verona e Veneza (IUAV), bem como em diversas instituições europeias e americanas. Seu trabalho articula análise histórico-filológica, filosofia política, ontologia e teoria da linguagem em torno de um projeto genealógico sobre o paradigma biopolítico do Ocidente. É um dos pensadores contemporâneos mais traduzidos e debatidos. Conceitos-chave Homo Sacer (Homo sacer: il potere sovrano e la nuda vita, 1995): Retomando uma figura do direito romano arcaico, Agamben descreve o homo sacer como aquele que pode ser morto por qualquer um sem que isso constitua homicídio (occidi), mas que não pode ser sacrificado (immolari). Esta figura articula a vida nua (nuda vita / zōē) — o mero fato biológico de viver — excluída da vida politicamente qualificada (bíos). Vida Nua (Zōē / Bíos): Agamben retoma e estende a distinção aristotélica entre zōē (a vida comum a todos os viventes) e bíos (a forma ou modo de vida de um indivíduo ou grupo). O poder soberano moderno opera capturando a vida nua — excluindo-a da polis mas incluindo-a como objeto de gestão biopolítica. Desenvolve e critica Foucault neste ponto. Estado de Exceção (Stato di eccezione, 2003): Retomando Carl Schmitt e Walter Benjamin, Agamben argumenta que o estado de exceção — a suspensão do ordenamento jurídico pelo soberano em situação de emergência — não é exceção mas tornou-se a regra normal de governo nas democracias contemporâneas. O campo de concentração é o nomos do espaço político moderno — onde a exceção se tornou permanente. Potencialidade e Impotencialidade: Desenvolvendo Aristóteles (Metafísica IX), Agamben propõe que toda potencialidade é também potencialidade de não-ser (impotencialidade). A soberania opera subtraindo a impotencialidade; a emancipação passa por recuperá-la. Explorado em Bartleby, or On Contingency (1993) a propósito do personagem de Melville. Tempo Messiânico (Il tempo che resta, 2000): Leitura filosófica das Cartas de Paulo de Tarso. O tempo messiânico não é o futuro nem o instante da parousia, mas o tempo que “resta” — o presente contraído sobre si mesmo. Agamben dialoga com Benjamin (o Jetztzeit) e com Heidegger. Aparato (Che cos’è un dispositivo?, 2006): Desenvolve o conceito foucaultiano de dispositif: qualquer coisa que tenha capacidade de capturar, orientar, determinar, interceptar, modelar, controlar e assegurar os gestos, condutas, opiniões e discursos dos viventes. ...

Gottfried Wilhelm Leibniz

Gottfried Wilhelm Leibniz Nascido em Leipzig em 1646, Gottfried Wilhelm Leibniz foi o último grande sábio universal: ao mesmo tempo filósofo, matemático, lógico, físico, jurista, historiador e diplomata. Inventou — independentemente de Newton — o cálculo infinitesimal, cuja notação ainda usamos, concebeu a aritmética binária que está na base da computação e projetou máquinas de calcular. Passou boa parte da vida a serviço da casa de Hanôver e morreu em 1716, deixando uma obra dispersa em milhares de cartas e poucos livros publicados. Filosoficamente, buscou a grande conciliação entre a ciência moderna, a tradição metafísica e a fé. ...

Hilary Putnam

Hilary Putnam Hilary Whitehall Putnam foi um dos filósofos mais versáteis e intelectualmente honestos do século XX. Ao longo de uma carreira de seis décadas, na maior parte em Harvard, Putnam percorreu um itinerário filosófico incomum: defendeu posições que depois criticou com a mesma energia com que as havia estabelecido. Foi funcionalista e depois rejeitou o funcionalismo; foi realista científico e depois propôs o “realismo interno”; foi simpatizante do positivismo lógico e depois seu crítico. Esta disposição para a autocrítica é uma das marcas de seu estilo filosófico. ...

Joseph Maréchal

Joseph Maréchal foi um filósofo e psicólogo jesuíta belga, fundador do Tomismo Transcendental — corrente que empreendeu uma síntese entre a metafísica tomista e a filosofia crítica de Kant. Sua obra marca um momento decisivo na renovação da escolástica no séc. XX e exerceu influência profunda sobre figuras como Karl Rahner e Bernard Lonergan. Conceitos-chave Ponto de Partida da Metafísica (Le Point de départ de la Métaphysique, 5 cadernos, 1922–1947): Obra capital. Maréchal percorre a história da epistemologia — da filosofia grega ao kantismo — para fundamentar a metafísica tomista diante da crítica kantiana. O Caderno V (“O Tomismo diante da Filosofia Crítica”) é o mais discutido. Finalidade Dinâmica do Intelecto: O argumento central de Maréchal: o intelecto humano, ao conhecer objetos finitos, orienta-se necessariamente em direção ao Ser absoluto como horizonte implícito de todo julgamento afirmativo. Todo ato de conhecimento envolve uma afirmação que ultrapassa o dado fenomênico e aponta para o Ser em sentido pleno. Esta dinâmica não é apenas psicológica — é ontológica: revela a abertura constitutiva do espírito para o Absoluto. Tomismo Transcendental: Maréchal aceita o método transcendental kantiano (perguntar pelas condições de possibilidade do conhecimento), mas conclui que as condições de possibilidade do julgamento envolvem uma afirmação implícita do Ser necessário — o que Kant excluía como ilegítimo. A metafísica é assim “salva” não apesar de Kant, mas através da análise kantiana. Psicologia Experimental: Além da filosofia, Maréchal contribuiu para a psicologia e a mística, investigando os fenômenos de consciência religiosa e contemplativa em Études sur la psychologie des mystiques (2 vol., 1924–1937). ...

Laozi (老子)

Laozi (老子) Nota histórica fundamental: A existência de Laozi como personagem histórico individual é debatida entre os especialistas. O historiador Sima Qian (c. 145–86 a.C.), em Shiji, registra várias tradições sobre Laozi sem poder decidir entre elas — indicativo de que a incerteza é antiga. O texto a ele atribuído, o Dàodéjīng (道德經, “Clássico do Caminho e da Virtude”, também chamado Laozi), pode ser uma compilação de materiais de diferentes origens; a erudição moderna situa a forma atual do texto no século IV ou III a.C. A figura de Laozi como sábio ancião que teria encontrado Confúcio e depois deixado a China pelo Ocidente é provavelmente lendária. ...

Mário Ferreira dos Santos

Mário Ferreira dos Santos Mário Ferreira dos Santos foi o filósofo brasileiro mais prolífico do século XX, autor de mais de cinquenta obras que buscam construir um sistema filosófico compreensivo — a chamada Filosofia Concreta — sintetizando a tradição clássica ocidental (especialmente o pitagorismo, Aristóteles e a escolástica) com contribuições originais em ontologia, matemática, simbólica e teoria do conhecimento. Conceitos-chave Filosofia Concreta: Denominação dada por Ferreira dos Santos ao seu projeto sistemático. Opõe-se tanto ao abstrato logicismo dos analíticos quanto ao subjetivismo existencialista. O concreto é o real considerado na plenitude de suas determinações — não o dado empírico bruto, nem a abstração pura, mas a síntese dialética de ambos. Tensão dos Tensionais: Conceito central da ontologia de Ferreira dos Santos. A realidade é estruturada por tensões (tensionais) que se dinamizam mutuamente sem se anularem. Todo ente é uma composição de opostos em tensão dinâmica — eco da dialética e do pitagorismo. Esta tensão não é contradição lógica, mas princípio dinâmico constitutivo do real. Universal Concreto: Influenciado por Hegel, mas de modo original: o universal não é abstrato (válido para todos, mas esvaziado de conteúdo), nem apenas particular (singular e irrepetível). O universal concreto mantém a riqueza das determinações individuais enquanto revela a estrutura ontológica comum. Matemática e Ontologia: Ferreira dos Santos vê na matemática — especialmente na teoria dos números e na proporção pitagórica — uma chave para compreender a estrutura do real. A relação entre unidade e multiplicidade, finito e infinito, é abordada tanto matematicamente quanto ontologicamente em obras como Tratado de Simbólica e Filosofia e Cosmovisão. Enciclopédia das Ciências Filosóficas e Sociais: Projeto enciclopédico em múltiplos volumes que abarca lógica, ontologia, epistemologia, filosofia da natureza, filosofia da cultura, sociologia e psicologia filosófica. Testemunha da ambição sistemática do autor. ...

McTaggart

McTaggart John McTaggart Ellis McTaggart nasceu em Londres em 3 de setembro de 1866 e passou quase toda a sua carreira como fellow e lecturer de filosofia no Trinity College, Cambridge; aposentou-se em 1923 e morreu em Londres em 18 de janeiro de 1925. Formado no idealismo britânico da virada do século — ao lado de Francis Herbert Bradley e influenciado decisivamente por Hegel —, McTaggart desenvolveu uma metafísica de alcance sistemático e original que destoa tanto do monismo absoluto de Bradley quanto do naturalismo emergente que marcaria o século XX. Sua obra maior, The Nature of Existence (2 vols., 1921–1927), constitui um dos últimos grandes sistemas metafísicos da filosofia de língua inglesa, construído com rigor lógico comparável ao das Ciências da Lógica hegeliana. No campo da filosofia do tempo, sua distinção entre Série A e Série B, publicada no artigo “The Unreality of Time” (Mind, 1908), tornou-se o ponto de partida obrigatório de todo debate posterior sobre a ontologia temporal. ...

Nāgārjuna

Nāgārjuna Nāgārjuna (c. 150–c. 250 d.C.) é o fundador da escola Mādhyamaka do Budismo Mahāyāna e é considerado, em muitas tradições budistas, como o segundo Buda. Sua obra exerceu influência decisiva sobre o Budismo tibetano, chinês (e daí japonês e coreano), bem como sobre a filosofia indiana posterior. Sua principal obra, a Mūlamadhyamakakārikā (MMK — Versos Fundamentais sobre o Caminho do Meio), é um dos textos mais comentados e discutidos da história da filosofia. ...

Parmênides

Parmênides Natural de Eleia, colônia grega no sul da Itália, e ativo na primeira metade do século V a.C., Parmênides é o fundador da ontologia — a investigação sobre o ser enquanto ser — e a maior figura da chamada escola eleática. Expôs seu pensamento num poema filosófico, Sobre a Natureza, do qual restam fragmentos: nele, um jovem é conduzido em um carro até uma deusa que lhe revela a verdade. ...

Platão

Platão Discípulo de Sócrates e o mais influente filósofo da Antiguidade, Platão nasceu em uma família aristocrática ateniense por volta de 428 a.C. A condenação do mestre, em 399 a.C., marcou-o profundamente e afastou-o da carreira política que sua origem lhe reservava. Após anos de viagens — que a tradição associa a contatos com os pitagóricos do sul da Itália e às frustradas tentativas de educar os tiranos de Siracusa —, fundou por volta de 387 a.C. a Academia, a primeira instituição de ensino superior do Ocidente, que funcionaria por mais de novecentos anos. Sua obra chegou quase íntegra até nós, quase toda em forma de diálogo, com Sócrates como personagem central. ...

Plotino

Plotino Nascido por volta de 205 d.C., provavelmente no Egito romano, Plotino estudou por anos em Alexandria com o enigmático mestre Amônio Sacas e, mais tarde, fixou-se em Roma, onde fundou uma escola e levou uma vida de notável ascese. Suas lições foram reunidas e organizadas por seu discípulo Porfírio nas Enéadas. É o fundador do neoplatonismo e o maior filósofo da Antiguidade tardia, fazendo de Platão o ponto de partida de uma das mais grandiosas metafísicas já concebidas. ...

Proclo

Proclo Proclo Lício Diádoco (em grego Próklos Lýkios Diádokhos, “Proclo o Lício, o Sucessor”) nasceu em Constantinopla em 412 d.C. e morreu em Atenas em 17 de abril de 485 d.C. Atenção: não deve ser confundido com Proclo Procópio (orador do séc. V) nem com outros homônimos da Antiguidade tardia. Filho de família abastada da Lícia (sul da atual Turquia), formou-se em Alexandria e logo migrou para Atenas, onde estudou com Plutarco de Atenas (não confundir com o ensaísta de Queroneia) e com Siriano, a quem sucedeu como escolarca da Academia — daí o título Diádokhos, “o Sucessor”. Foi o último grande sistematizador do neoplatonismo pagão antes do fechamento da Academia pelo imperador Justiniano em 529 d.C. Sua obra organiza a herança plotiniana em uma rede rigorosa de proposições e tríades, num projeto comparável, em ambição, à Suma tomista — mas em sentido inteiramente pagão. ...

Rodolfo Kusch

Rodolfo Kusch Nascido em Buenos Aires em 1922, em família de origem alemã, Rodolfo Kusch uniu filosofia e antropologia de um modo raro: em vez de pensar a América a partir dos livros europeus, percorreu o noroeste argentino e o altiplano boliviano em extenso trabalho de campo, ouvindo o pensamento quéchua e aimará. Dessa experiência nasceu uma pergunta radical: a ontologia europeia seria mesmo capaz de compreender a maior parte da experiência humana? ...

Saul Kripke

Saul Kripke Saul Aaron Kripke foi provavelmente o filósofo analítico mais dotado tecnicamente de sua geração. Nascido em Omaha, Nebraska, revelou aptidão extraordinária desde a adolescência: publicou seu primeiro artigo lógico de maturidade — uma prova de completude para lógica modal — com dezoito anos, e correspondeu-se com profissionais de lógica enquanto ainda cursava o ensino médio. Professor em Princeton e depois no CUNY Graduate Center, Kripke transformou a metafísica, a filosofia da linguagem e a lógica modal de modo que praticamente toda filosofia analítica posterior ao debate em torno de Naming and Necessity é, em algum grau, uma resposta a ele. ...

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