Filosofia do tempo: McTaggart, presentismo, eternalismo e a duração de Bergson
Há perguntas que a filosofia herda de cada geração sem jamais devolvê-las resolvidas. A questão do tempo é, talvez, a mais resistente de todas. Santo Agostinho, nas Confissões (livro XI), enunciou o paradoxo com uma clareza que nenhum filósofo posterior conseguiu superar: “O que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicar a quem me pergunta, não sei.” A dificuldade não é retórica. O tempo é a condição de tudo o que existe — mudança, causalidade, memória, esperança — e, precisamente por ser tão onipresente, escapa a qualquer tentativa de defini-lo de fora, como se fosse um objeto entre outros. Este artigo percorre os principais nós da metafísica contemporânea do tempo: o argumento de McTaggart sobre a irrealidade do tempo, o debate entre presentismo e eternalismo, a teoria da passagem temporal, a durée de Bergson e a assimetria entre passado e futuro. ...