Donald Davidson

Donald Davidson foi um dos filósofos analíticos mais originais da segunda metade do século XX. Professor na Universidade da Califórnia em Berkeley a partir de 1981, após passagens por Stanford, Princeton e Rockefeller, Davidson construiu um sistema filosófico notável pela coerência interna: sua filosofia da mente, sua teoria da ação, sua semântica e sua epistemologia estão intimamente conectadas, articuladas em torno de temas como eventos, causalidade, verdade e interpretação. Conceitos-chave Monismo Anômalo (Mental Events, publicado em Experience and Theory, 1970): Davidson defende que eventos mentais são idênticos a eventos físicos, mas que essa identidade não implica a existência de leis psicofísicas estritas. O argumento central distingue três teses: (1) há interação causal entre eventos mentais e físicos; (2) eventos causalmente relacionados são cobertos por leis determinísticas; (3) não há leis estritas que conectem descrições mentais e físicas. A solução de Davidson é afirmar que um único evento pode ser descrito tanto em termos mentais quanto em termos físicos — mas que as propriedades mentais são anômalas: não há leis psicofísicas que permitam reduzir o mental ao físico. Trata-se de uma forma de monismo (física é o único domínio causal) e ao mesmo tempo de anomalia (o mental não é redutível a leis físicas). ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Friedrich Schleiermacher

Friedrich Schleiermacher Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher nasceu em Breslau (atual Wrocław, Polônia) em 21 de novembro de 1768 e faleceu em Berlim em 12 de fevereiro de 1834. Filho de um capelão reformado, estudou no seminário morávia de Barby e depois em Halle. Tornou-se pregador em Berlim, professor em Halle (1804–1807) e, a partir de 1810, professor de teologia e filosofia na recém-fundada Universidade de Berlim — da qual foi um dos principais articuladores intelectuais, ao lado de Wilhelm von Humboldt e Fichte. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Giorgio Agamben

Giorgio Agamben Giorgio Agamben é um filósofo italiano nascido em Roma em 1942, professor nas universidades de Verona e Veneza (IUAV), bem como em diversas instituições europeias e americanas. Seu trabalho articula análise histórico-filológica, filosofia política, ontologia e teoria da linguagem em torno de um projeto genealógico sobre o paradigma biopolítico do Ocidente. É um dos pensadores contemporâneos mais traduzidos e debatidos. Conceitos-chave Homo Sacer (Homo sacer: il potere sovrano e la nuda vita, 1995): Retomando uma figura do direito romano arcaico, Agamben descreve o homo sacer como aquele que pode ser morto por qualquer um sem que isso constitua homicídio (occidi), mas que não pode ser sacrificado (immolari). Esta figura articula a vida nua (nuda vita / zōē) — o mero fato biológico de viver — excluída da vida politicamente qualificada (bíos). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Gottlob Frege

Gottlob Frege Matemático alemão nascido em 1848, Gottlob Frege passou quase toda a carreira como professor em Jena, em relativa obscuridade — seu gênio só seria plenamente reconhecido após a morte, em 1925, sobretudo graças a Russell, Wittgenstein e ao Círculo de Viena. Hoje é considerado o fundador da lógica moderna e um dos pais da filosofia analítica. Sua primeira grande realização foi a criação, no Begriffsschrift (1879), de uma lógica de predicados que aposentou a velha silogística aristotélica: com quantificadores (“para todo”, “existe”), variáveis e funções, Frege deu à lógica a precisão e o poder expressivo de que ela precisava para analisar a matemática. Seu objetivo maior era o logicismo — demonstrar que a aritmética se reduz à lógica pura. O projeto, exposto nas Leis Básicas da Aritmética, foi atingido em cheio por uma carta de Russell (1902), que revelou uma contradição no sistema; Frege jamais se recuperou inteiramente do golpe. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer Filósofo alemão; principal representante da hermenêutica filosófica do séc. XX. Discípulo de Heidegger; sua obra Verdade e Método (1960) reformulou o problema da compreensão como questão filosófica fundamental. Conceitos-chave Hermenêutica filosófica: a compreensão não é um método científico — é o modo de ser do Dasein histórico; não algo que fazemos, mas algo que nos acontece Círculo hermenêutico: compreender um texto exige pré-compreensão (do todo), que é revista pelas partes, que são iluminadas pelo todo revisto — espiral ascendente, não círculo vicioso Preconceito (Vorurteil): reabilita os preconceitos (pré-julgamentos) como condição de toda compreensão — não são obstáculos a superar, mas estruturas de abertura ao mundo; a Aufklärung errou ao denunciar todo preconceito Tradição e autoridade: a tradição transmite verdades sedimentadas que a razão crítica não pode simplesmente descartar — ela é condição de nossa situação hermenêutica Fusão de horizontes (Horizontverschmelzung): ao compreender um texto do passado, o horizonte do intérprete e o do texto se fundem; não há acesso “puro” ao sentido original (contra o historicismo de Dilthey) Linguagem como medium universal: “O ser que pode ser compreendido é linguagem”; toda experiência humana é mediada pela linguagem — a hermenêutica é a dimensão universal da filosofia Diálogo: a conversa autêntica é modelo da compreensão — o parceiro nos diz algo que não sabíamos; a pergunta abre o horizonte Influenciado por Heidegger — ser-no-mundo, historicidade, linguagem Hegel — dialética e mediação histórica Platão — diálogo socrático como modelo Friedrich Schleiermacher — hermenêutica romântica (ponto de partida crítico) Wilhelm Dilthey — hermenêutica das ciências humanas (supera) Influenciou Paul Ricoeur — hermenêutica do texto e da narrativa Habermas — debate famoso sobre tradição vs. crítica (Gadamer-Habermas) Teoria literária (recepção: Jauss, Iser) Filosofia do direito e bioética Obras Verdade e Método (1960); A Razão na Época da Ciência (1976); O Elogio da Teoria (1983); A Herança da Europa (1989). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Hilary Putnam

Hilary Putnam Hilary Whitehall Putnam foi um dos filósofos mais versáteis e intelectualmente honestos do século XX. Ao longo de uma carreira de seis décadas, na maior parte em Harvard, Putnam percorreu um itinerário filosófico incomum: defendeu posições que depois criticou com a mesma energia com que as havia estabelecido. Foi funcionalista e depois rejeitou o funcionalismo; foi realista científico e depois propôs o “realismo interno”; foi simpatizante do positivismo lógico e depois seu crítico. Esta disposição para a autocrítica é uma das marcas de seu estilo filosófico. ...

1 janeiro 2026 · 5 minutos · Resumidor de Filosofia

Jacques Derrida

Jacques Derrida Filósofo argelino-francês; fundador da desconstrução. Subverteu a tradição metafísica ocidental mostrando que ela é estruturada por oposições binárias hierárquicas e pela metafísica da presença. Conceitos-chave Desconstrução: não é destruição, mas leitura atenta que revela as tensões internas de um texto — como os conceitos que ele exclui ou suprime retornam para desestabilizá-lo Metafísica da presença: a filosofia ocidental privilegia presença, fala, origem, identidade — Derrida mostra que toda presença é mediada por diferença e ausência Différance (neologismo): jogo de diferir (distinção espacial) e deferência (adiamento temporal); o significado nunca está plenamente presente — é sempre postergado Suplemento: o elemento considerado “externo” ou “secundário” (escrita em relação à fala, em Rousseau) revela-se constitutivo do “original” Texto: “Não há nada fora do texto” — não quer dizer que só existem livros, mas que toda experiência é mediada por estruturas de significação Pharmakon (análise de Platão): a escrita é ao mesmo tempo remédio e veneno — ambivalência irredutível que a filosofia tenta, sem sucesso, resolver Influenciado por Husserl — fenomenologia (primeiro livro: A Voz e o Fenômeno) Heidegger — destruição da metafísica (radicaliza a Destruktion) Nietzsche — crítica da metafísica e jogo de interpretação Ferdinand de Saussure — linguística estrutural (crítica) Sigmund Freud — rastro, inconsciente, diferença Influenciou Teoria literária (desconstrução nos EUA: Paul de Man) Estudos pós-coloniais (Spivak, tradutora de Da Gramatologia) Teoria queer Filosofia do direito (Força de Lei) Obras Da Gramatologia (1967); A Escritura e a Diferença (1967); A Voz e o Fenômeno (1967); Margens da Filosofia (1972); Força de Lei (1994); Espectros de Marx (1993). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

John Searle

John Rogers Searle, nascido em Denver (Colorado) em 1932, é professor emérito da Universidade da Califórnia, Berkeley. Suas contribuições abrangem filosofia da linguagem (teoria dos atos de fala), filosofia da mente (o argumento do Quarto Chinês, naturalismo biológico) e ontologia social (a construção da realidade institucional). É um dos filósofos analíticos mais lidos e debatidos do séc. XX e início do XXI. Conceitos-chave Teoria dos Atos de Fala (Speech Acts, 1969): Desenvolvendo J.L. Austin, Searle sistematiza a teoria. Todo ato de fala envolve: ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Jürgen Habermas

Jürgen Habermas Nascido em 1929, na Alemanha, e marcado na juventude pela experiência do nazismo e do pós-guerra, Jürgen Habermas tornou-se o principal nome da segunda geração da Escola de Frankfurt e um dos mais influentes filósofos vivos. Assistente de Adorno, herdou a tradição da Teoria Crítica, mas recusou seu pessimismo: onde Horkheimer e Adorno viam a razão moderna degenerar em pura dominação, Habermas procurou resgatar um potencial emancipatório da própria razão. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein Nascido em Viena em 1889, no seio de uma das famílias mais ricas e cultas do Império Austro-Húngaro, Ludwig Wittgenstein começou estudando engenharia aeronáutica, mas a reflexão sobre os fundamentos da matemática o levou à lógica e, daí, a Cambridge, para estudar com Bertrand Russell. Sua biografia é tão singular quanto seu pensamento: combateu na Primeira Guerra, doou a fortuna herdada, foi professor primário numa aldeia, jardineiro e até arquiteto, antes de retornar à filosofia acadêmica. É a figura mais influente da filosofia analítica do século XX — e, raríssimo, autor de duas filosofias distintas e igualmente decisivas, ambas centradas na linguagem. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Saul Kripke

Saul Kripke Saul Aaron Kripke foi provavelmente o filósofo analítico mais dotado tecnicamente de sua geração. Nascido em Omaha, Nebraska, revelou aptidão extraordinária desde a adolescência: publicou seu primeiro artigo lógico de maturidade — uma prova de completude para lógica modal — com dezessete anos, e correspondeu-se com profissionais de lógica enquanto ainda cursava o ensino médio. Professor em Princeton e depois no CUNY Graduate Center, Kripke transformou a metafísica, a filosofia da linguagem e a lógica modal de modo que praticamente toda filosofia analítica posterior ao debate em torno de Naming and Necessity é, em algum grau, uma resposta a ele. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

W.V.O. Quine

Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
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