Saul Kripke

Saul Kripke Saul Aaron Kripke foi provavelmente o filósofo analítico mais dotado tecnicamente de sua geração. Nascido em Omaha, Nebraska, revelou aptidão extraordinária desde a adolescência: publicou seu primeiro artigo lógico de maturidade — uma prova de completude para lógica modal — com dezoito anos, e correspondeu-se com profissionais de lógica enquanto ainda cursava o ensino médio. Professor em Princeton e depois no CUNY Graduate Center, Kripke transformou a metafísica, a filosofia da linguagem e a lógica modal de modo que praticamente toda filosofia analítica posterior ao debate em torno de Naming and Necessity é, em algum grau, uma resposta a ele. ...

W.V.O. Quine

W.V.O. Quine Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. Holismo Epistêmico (Tese Duhem-Quine): As crenças não enfrentam o tribunal da experiência individualmente, mas em conjunto (web of beliefs). Quando a experiência contradiz uma crença, podemos ajustar qualquer parte do sistema — inclusive leis lógicas. Esta visão é radicalmente diferente do verificacionismo sentença-por-sentença do positivismo. Indeterminação da Tradução (Word and Object, 1960): O famoso exemplo de “gavagai”: diante de um nativo que profere “gavagai” ao ver um coelho, o tradutor radical pode traduzir como “coelho”, “parte não-separada de coelho” ou “instanciação de coelho” — todas as hipóteses são empiricamente equivalentes, mas mutuamente incompatíveis. Não há fato da matéria que determine a tradução correta. Tese radical sobre os limites do significado. Ontological Relativity (“Ontological Relativity”, 1968; em Ontological Relativity and Other Essays, 1969): O que existe é relativo ao esquema conceitual adotado. O critério de compromisso ontológico de Quine: uma teoria se compromete com a existência de X se e somente se precisa quantificar sobre X para ser verdadeira — “to be is to be the value of a bound variable”. Epistemologia Naturalizada (“Epistemology Naturalized”, em Ontological Relativity, 1969): A epistemologia tradicional buscava fundamentos a priori para o conhecimento. Quine propõe abandonar este projeto: a epistemologia deve ser naturalizada — tornar-se um capítulo da psicologia e neurociência, investigando empiricamente como os humanos chegam à ciência a partir de inputs sensoriais. Comportamentalismo Semântico: O significado de termos deve ser explicado em termos de disposições verbais observáveis — sem apelo a entidades mentais misteriosas. Esta posição é coerente com o naturalismo de Quine mas gera tensão com a fenomenologia da linguagem. ...

Zenão de Cítio

Zenão de Cítio Fundador do Estoicismo. Lecionava no Stoa Poikilê (Pórtico Pintado) de Atenas — daí o nome da escola. Após ouvir a história de Sócrates por meio do cinismo de Crates, abandonou o comércio para se dedicar à filosofia. Ensinou que a virtude é o único bem real; tudo o mais (riqueza, saúde, fama) é indiferente (adiaphora). O universo é perpassado pelo Lógos divino (fogo racional) e cada evento acontece por necessidade racional. ...

Zenão de Eleia

Zenão de Eleia Natural de Eleia, no sul da Itália, e ativo em meados do século V a.C., Zenão foi o mais célebre discípulo de Parmênides — segundo Platão, acompanhou o mestre a Atenas, onde ambos teriam dialogado com o jovem Sócrates. A tradição também lhe atribui um fim heroico: torturado por um tirano cuja derrubada conspirava, teria preferido a morte à delação. É lembrado sobretudo como um mestre da argumentação. ...

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