Contrato Social: Hobbes, Locke e Rousseau e a Fundação da Política Moderna

Por que devemos obedecer ao Estado? O que torna uma lei legítima e não uma simples ordem imposta pela força? Essas perguntas, na história da filosofia ocidental, encontram sua primeira formulação sistematicamente moderna nos séculos XVII e XVIII, com três pensadores que mudaram para sempre o vocabulário da política: Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Os três respondem de modos radicalmente diferentes, mas compartilham um mesmo método: o contratualismo — a ideia de que a legitimidade política deve ser pensada a partir de um pacto hipotético entre indivíduos livres. ...

Denis Diderot

Denis Diderot Denis Diderot (1713–1784) é uma das figuras mais complexas e produtivas do Iluminismo francês. Filho de um cuteleiro de Langres, estudou em Paris, percorreu décadas de vida intelectual tumultuada e foi o principal responsável pela concepção e execução da Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (1751–1772), que co-editou com Jean le Rond d’Alembert. O projeto reuniu as maiores inteligências do século — Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Turgot — com o objetivo de recolher, sistematizar e difundir o saber humano, colocando-o a serviço da razão e da crítica às superstições. A empresa, perseguida pela censura real e pela Igreja, é o monumento maior do espírito enciclopedista e da crença iluminista no poder transformador do conhecimento. ...

Mary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft Mary Wollstonecraft foi uma escritora, filósofa e defensora dos direitos das mulheres britânica, cujo A Vindication of the Rights of Woman (1792) é considerado um dos textos fundadores do feminismo filosófico moderno. Contemporânea das revoluções americana e francesa, Wollstonecraft aplicou os princípios iluministas de razão e igualdade às relações entre os sexos, desafiando a divisão entre esferas pública e privada que excluía as mulheres da cidadania plena. Conceitos-chave Igualdade Racional (A Vindication of the Rights of Woman, 1792): Argumento central — mulheres e homens compartilham a mesma natureza racional. Se a razão é o fundamento da dignidade e dos direitos, como sustentam os iluministas, então as mulheres têm os mesmos títulos aos direitos políticos e educativos que os homens. A exclusão das mulheres da esfera racional é inconsistente com os próprios princípios do Iluminismo. ...

Montesquieu

Montesquieu Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, nasceu em 1689 perto de Bordéus, em família da nobreza de toga. Magistrado e presidente do Parlamento de Bordéus, ganhou fama literária com as Cartas Persas (1721), sátira anônima e espirituosa que critica os costumes e as instituições francesas pelos olhos de viajantes persas fictícios. Depois de viajar pela Europa — admirando sobretudo a constituição inglesa —, dedicou cerca de vinte anos à sua obra-prima, O Espírito das Leis (1748), em que funda a moderna ciência política comparada. ...

Voltaire

Voltaire François-Marie Arouet (1694-1778), que adotaria o nome de Voltaire, foi a figura mais célebre e combativa do Iluminismo francês. Espirituoso e provocador, foi preso na Bastilha e exilou-se na Inglaterra (1726-1728), onde admirou a liberdade política, o empirismo de Locke e a ciência de Newton — experiência que relataria nas Cartas Filosóficas. Frequentou a corte de Frederico, o Grande, da Prússia, e instalou-se por fim em Ferney, perto da fronteira suíça, de onde dirigiu campanhas públicas contra a injustiça. Escritor prolífico, deixou peças, poemas, obras históricas, contos filosóficos e um vasto Dicionário Filosófico. ...

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