Hegel: A Dialética, a Fenomenologia do Espírito e a Dialética do Senhor e do Escravo

Poucos filósofos foram tão decisivos e, ao mesmo tempo, tão mal compreendidos quanto Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Seu nome evoca de imediato uma fórmula — “tese, antítese, síntese” — que ele praticamente nunca usou, e um vocabulário tão denso que gerações de leitores recuaram diante da primeira página. No entanto, por trás da dificuldade está uma das ideias mais ambiciosas da história do pensamento: a de que a realidade, a história e o próprio pensamento obedecem a um único movimento, e que esse movimento pode ser compreendido. Entender Hegel é entender o que significa pensar dialeticamente — e por que, dois séculos depois, marxistas, existencialistas, teóricos críticos e filósofos políticos continuam a discutir com ele. ...

Idealismo Filosófico: de Platão a Hegel — As Principais Vertentes e Críticas

Poucas tradições filosóficas atravessam a história do pensamento ocidental com tanta persistência quanto o idealismo. Desde a Teoria das Formas de Platão até o sistema absoluto de Hegel, passando pelo imaterialismo de Berkeley e pelo criticismo kantiano, a tese de que a realidade é, em última instância, constituída ou condicionada pelo pensamento, pela mente ou pelo espírito reaparece sob formas radicalmente diversas. Este artigo examina as principais vertentes do idealismo filosófico — suas premissas, seus argumentos, suas diferenças internas — e as críticas decisivas que lhe foram dirigidas por Marx, Russell e Moore. ...

A Estrutura da Realidade: O Que Existe, Segundo Todas as Correntes Filosóficas

Qual é a estrutura da realidade? O que existe de verdade — e o que é ilusão, aparência ou construção da nossa mente? Essa é a pergunta mais antiga, mais persistente e mais vertiginosa de toda a filosofia. De Tales de Mileto, que no século VI a.C. declarou que tudo é água, até os físicos quânticos que hoje debatem se o universo é feito de cordas vibrantes em onze dimensões, a humanidade nunca parou de perguntar: o que é isso que chamamos de realidade? ...

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno IV: O Sistema Idealista em Kant e nos Pós-Kantianos

Este é o quarto de cinco artigos sobre Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal. Nos artigos anteriores, percorremos a tradição clássica do conhecimento, de Aristóteles a Tomás de Aquino (Caderno I), o conflito entre Racionalismo e Empirismo que culmina no ceticismo de Hume (Caderno II) e a análise detalhada da filosofia crítica de Kant — a Estética, a Analítica e a Dialética Transcendentais (Caderno III). Agora, no Caderno IV — intitulado Le système idéaliste chez Kant et les postkantiens e publicado postumamente em 1947, três anos após a morte de Maréchal — examinamos como o idealismo pós-kantiano desenvolveu o giro transcendental iniciado por Kant, levando-o a consequências que o próprio Kant não havia previsto nem autorizado. ...

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling O mais versátil dos idealistas alemães; seu pensamento passou por múltiplas fases radicalmente distintas. Influenciou diretamente o Romantismo e antecipou o Existencialismo. Nascido em Leonberg, Württemberg, em 1775, Schelling estudou no Stift de Tübingen ao lado de Hegel e Hölderlin, onde o entusiasmo pela Revolução Francesa e pela filosofia kantiana moldou sua geração. Aos vinte anos já publicava textos de notável originalidade, e em 1798 assumiu uma cátedra em Jena — então epicentro intelectual do idealismo e do Romantismo alemão. Esse ambiente fez dele interlocutor direto de Fichte, Goethe e dos irmãos Schlegel, consolidando sua reputação como o mais promissor filósofo de sua época. ...

Georg Wilhelm Friedrich Hegel

Georg Wilhelm Friedrich Hegel Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart em 1770 e estudou no seminário de Tübingen ao lado de Hölderlin e de Schelling. Jovem entusiasta da Revolução Francesa, viu em Napoleão — que avistou a cavalo em Jena, em 1806 — a “alma do mundo” em marcha. Depois de anos como preceptor, jornalista e diretor de ginásio, chegou às cátedras de Heidelberg e, sobretudo, Berlim, onde se tornou o filósofo mais influente da Alemanha de seu tempo, até morrer em 1831. Sua obra é o sistema mais ambicioso da história da filosofia: lógica, natureza, espírito, história, arte e religião articulados como momentos de um único processo. ...

George Berkeley

George Berkeley Filósofo irlandês nascido em 1685 e mais tarde bispo anglicano de Cloyne, George Berkeley produziu suas obras filosóficas mais importantes ainda muito jovem, antes dos trinta anos. Homem de fé e de ação, chegou a atravessar o Atlântico com o projeto de fundar um colégio nas Bermudas para as colônias americanas. É lembrado como o segundo grande nome do empirismo britânico, entre Locke e Hume — e o mais surpreendente dos três, por levar o empirismo a uma conclusão radical: a de que a matéria não existe. ...

Johann Gottlieb Fichte

Johann Gottlieb Fichte Primeiro pós-kantiano a superar a coisa-em-si. Fundador do idealismo alemão; primeiro reitor da Universidade de Berlim (1811). Os Discursos à Nação Alemã (1808) tornaram-no símbolo do nacionalismo cultural alemão. De origem humilde, Fichte chegou à filosofia pela leitura de Kant, que descreveu como uma libertação intelectual. Seu primeiro escrito, publicado anonimamente em 1792, foi tomado pelo público por uma obra do próprio Kant; quando o equívoco foi desfeito, sua reputação estava feita, e em 1794 assumiu a cátedra de filosofia em Jena, então o centro mais efervescente do pensamento alemão. Ali desenvolveu a Doutrina da Ciência (Wissenschaftslehre), tentativa de refundar toda a filosofia crítica a partir de um único princípio incondicionado — o Eu — e de eliminar o resíduo dogmático que, a seu ver, a coisa-em-si kantiana ainda conservava. ...

Vladímir Soloviov

Vladímir Soloviov Vladímir Sergueievitch Soloviov (28 de janeiro de 1853, Moscou — 13 de agosto de 1900, propriedade de Uzkoie, perto de Moscou) foi filósofo, teólogo, poeta e crítico — o primeiro pensador russo a edificar um sistema metafísico abrangente e o fundador da tradição da filosofia religiosa russa. Filho do grande historiador Serguei Soloviov, foi amigo de Dostoiévski e figura central da vida intelectual de seu tempo. Sua obra projetou-se sobre toda a geração seguinte — de Berdiáev e Bulgákov ao simbolismo poético russo. ...

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