Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo e o Feminismo Existencialista

Durante décadas, manuais de filosofia trataram Simone de Beauvoir como um apêndice de Jean-Paul Sartre — a companheira talentosa que aplicou ao “problema feminino” ideias que, supostamente, não eram suas. Essa leitura é tão tenaz quanto equivocada. Beauvoir foi uma filósofa original, cujas contribuições à ética existencialista e à teoria da opressão antecedem, em pontos decisivos, formulações que mais tarde se atribuíram a Sartre. E foi ela, não ele, quem produziu a obra que fundaria filosoficamente o feminismo do século XX. Ler Beauvoir como pensadora por direito próprio não é um gesto de cortesia historiográfica: é uma exigência de rigor. ...

29 maio 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Achille Mbembe

Achille Mbembe Joseph-Achille Mbembe nasceu em 1957 em Otélé, Camarões. Formou-se em história e filosofia na Sorbonne (Paris I) e obteve o doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). É atualmente professor sênior do Wits Institute for Social and Economic Research (WISER), na Universidade de Witwatersrand, Johannesburg, África do Sul. Mbembe é considerado um dos intelectuais africanos mais influentes da atualidade, com trabalho que articula história africana, teoria pós-colonial, filosofia política e crítica cultural. Escreve em francês; suas obras principais foram traduzidas para o inglês, português, alemão e outras línguas. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Albert Camus

Albert Camus Nascido em 1913 na Argélia francesa, em uma família pobre de colonos (pieds-noirs), Albert Camus perdeu o pai ainda bebê, na Primeira Guerra, e foi criado pela mãe analfabeta e parcialmente surda, num bairro humilde de Argel. A tuberculose marcaria toda a sua vida. Jornalista e escritor, dirigiu o jornal Combat na Resistência francesa e recebeu o Nobel de Literatura em 1957, aos 44 anos. Próximo do existencialismo — embora rejeitasse o rótulo —, rompeu com Sartre em razão de divergências sobre a violência revolucionária. Morreu em 1960, num acidente de carro, aos 46 anos. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Bertrand Russell

Bertrand Russell Nascido em 1872 numa influente família aristocrática britânica — era neto de um primeiro-ministro —, Bertrand Russell teve uma das trajetórias mais longas e variadas da filosofia: foi lógico, matemático, ensaísta, educador e ativista político, atravessando quase um século de história. Estudou em Cambridge, recebeu o Nobel de Literatura em 1950 e, fiel ao seu pacifismo, foi preso durante a Primeira Guerra e liderou, já nonagenário, a campanha contra as armas nucleares (Manifesto Russell-Einstein, 1955). É, com Frege e Wittgenstein, um dos fundadores da filosofia analítica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Claude Lévi-Strauss

Claude Lévi-Strauss Antropólogo e filósofo francês; fundador do estruturalismo nas ciências humanas. Aplicou o modelo da linguística de Saussure à antropologia, transformando o estudo dos mitos, parentesco e culturas “primitivas”. Conceitos-chave Estruturalismo: por trás da diversidade dos fenômenos culturais há estruturas inconscientes universais do espírito humano — binárias, relacionais, transformacionais Mito: os mitos não são narrativas caóticas mas sistemas de oposições binárias (cru/cozido, natureza/cultura, alto/baixo) que resolvem contradições existenciais da sociedade Mitemas: as unidades mínimas de um mito (análogos aos fonemas na linguística); o sentido emerge das relações entre mitemas, não dos elementos isolados O Cru e o Cozido (1964): o cozido é natureza transformada por cultura — a culinária é um sistema simbólico universal que codifica a distinção natureza/cultura Pensamento selvagem (La Pensée sauvage, 1962): o pensamento das sociedades “primitivas” não é inferior — é uma ciência do concreto, do sensível, tão rigorosa quanto o pensamento científico moderno Bricolagem vs. engenharia: o bricoleur usa elementos à mão para novos fins; o engenheiro parte de conceitos abstratos — o mito é forma de bricolagem intelectual Parentesco e troca: as estruturas de parentesco (proibição do incesto, exogamia) são o fundamento de toda sociedade — a mulher como signo na troca entre grupos (crítica feminista depois) Influenciado por Ferdinand de Saussure — linguística estrutural Marcel Mauss — antropologia do dom e da troca Marx — estruturas profundas sob a superfície dos fenômenos Freud — inconsciente e estrutura Influenciou Foucault — episteme como estrutura inconsciente Derrida — desconstrução do estruturalismo Lacan — psicanálise estruturalista Semiologia e teoria da comunicação Narratologia (Greimas, Genette) Obras As Estruturas Elementares do Parentesco (1949); Tristes Trópicos (1955); Antropologia Estrutural (1958); O Pensamento Selvagem (1962); Mitológicas (4 vols., 1964–1971). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Edmund Husserl

Edmund Husserl Nascido em 1859 em Proßnitz, na Morávia (então Império Austríaco), Edmund Husserl formou-se em matemática antes de se voltar para a filosofia sob a influência de Franz Brentano, de quem herdou a noção de intencionalidade. Insatisfeito com o psicologismo que reduzia a lógica a leis da mente, propôs-se a refundar a filosofia como ciência rigorosa, capaz de descrever com exatidão a experiência. Foi professor em Göttingen e Freiburg, onde teve Heidegger como assistente e sucessor. Judeu, foi despojado de seus direitos pelo nazismo e morreu isolado em 1938; seus milhares de manuscritos só se salvaram porque um monge franciscano os contrabandeou para a Bélgica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Frantz Fanon

Frantz Fanon Frantz Omar Fanon nasceu em 20 de julho de 1925 em Fort-de-France, Martinica (então colônia francesa). Psiquiatra, ensaísta e militante político, é a figura mais influente da filosofia anticolonial africana e caribenha. Formado em medicina e psiquiatria na França (Lyon), trabalhou como chefe de serviço de psiquiatria no Hospital de Blida-Joinville, na Argélia, a partir de 1953. Diante das atrocidades da Guerra de Independência da Argélia (1954–1962), aderiu ao FLN (Frente de Libertação Nacional) e tornou-se um dos principais porta-vozes intelectuais da causa anticolonial. Morreu de leucemia em Washington D.C. em 6 de dezembro de 1961, com 36 anos, dias após a publicação de Les damnés de la terre. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Gilles Deleuze

Gilles Deleuze Filósofo francês; criou uma filosofia da diferença e da multiplicidade que subverte a tradição metafísica centrada na identidade. Produziu obras solitárias e em colaboração com Félix Guattari. Conceitos-chave Diferença em si mesma (Diferença e Repetição, 1968): a diferença não é derivada da identidade — ela é originária; a identidade é secundária em relação à diferença. Crítica à tradição que sempre subordinou a diferença ao Mesmo Rizoma (com Guattari): contra o modelo arborescente (raiz única, hierarquia, centro), o rizoma é multiplicidade horizontal sem ponto de origem ou destino — conecta qualquer ponto com qualquer outro. Metáfora para o pensamento, a política e a cultura Linhas de fuga (lignes de fuite): todo sistema social e subjetivo contém forças de desterritorialização que escapam às estruturas dominantes — criação do novo, resistência ao controle Plano de imanência: a realidade não tem transcendência; tudo é imanente a um plano único de forças e intensidades — contra o dualismo platônico e a transcendência teológica Desejo como produção (Guattari): contra Freud (desejo como falta) — o desejo é força produtiva, afirmativa; o capitalismo captura a produção desejante mas esta sempre transborda Corpo sem órgãos: superfície de intensidades sem organização prévia — contra o organismo como modelo normativo do corpo Conceito de conceito: a filosofia cria conceitos — não representa, não contempla, não comunica; criar conceitos é a tarefa específica do filósofo Influenciado por Bergson — duração, multiplicidade, criação (Bergsonismo, 1966) Nietzsche — vontade de potência, eterno retorno, afirmação (Nietzsche e a Filosofia, 1962) Spinoza — imanência e potência (Spinoza: Filosofia Prática, 1970) Hume — empirismo radical e associacionismo Influenciou Estudos culturais e teoria queer Ciências cognitivas e biologia (auto-organização) Arquitetura, arte contemporânea Teoria política pós-marxista Obras Nietzsche e a Filosofia (1962); Bergsonismo (1966); Diferença e Repetição (1968); A Lógica do Sentido (1969); O Anti-Édipo (1972, com Guattari); Mil Platôs (1980, com Guattari); O que é a Filosofia? (1991, com Guattari). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

H.L.A. Hart

H.L.A. Hart Filósofo do direito britânico, professor de Jurisprudência em Oxford (1952–1968); The Concept of Law (1961) é a obra mais influente do positivismo jurídico do século XX e redefiniu os termos do debate sobre a natureza, a validade e a obrigatoriedade do direito. Conceitos-chave Regras primárias e secundárias: distinção central de The Concept of Law. Regras primárias impõem deveres de conduta (não matar, cumprir contratos). Regras secundárias são meta-regras sobre as regras primárias, subdivididas em: (a) regra de reconhecimento — critério que identifica quais normas pertencem ao sistema jurídico; (b) regras de mudança — procedimentos para criar, alterar e revogar regras primárias; (c) regras de adjudicação — conferem competência a autoridades para decidir litígios Regra de reconhecimento (rule of recognition): a norma que define os critérios de validade jurídica num dado sistema — ela própria não é válida ou inválida, apenas existe como fato social, aceita pelos funcionários do sistema a partir do “ponto de vista interno”. Responde à questão “o que é direito?” sem recorrer à moral Ponto de vista interno (internal point of view): quem aceita uma regra como padrão de conduta e de crítica — e não apenas a obedece por temor de sanção — adota o ponto de vista interno. A análise do direito exige compreender este ponto de vista, não apenas descrever comportamentos externos (como fazia o behaviorismo austiniano) Textura aberta (open texture): toda linguagem geral possui casos claros de aplicação e uma zona de penumbra inevitável onde a norma não determina a solução. Nos casos difíceis, os juízes exercem discricionariedade — escolhem, dentro de limites, qual interpretação adotar. Hart recusa a ideia de que o direito sempre tem uma resposta pronta (a crítica que Dworkin lhe dirigirá) Separação conceitual entre direito e moral: ao contrário do jusnaturalismo, a validade jurídica de uma norma depende de critérios formais (pertença ao sistema), não de seu conteúdo moral. Uma norma injusta pode ser válida; uma norma moralmente correta pode não ser direito. Isso não implica que o direito não deva ser criticado moralmente — apenas que tal crítica pertence a um plano distinto Conteúdo mínimo de direito natural: apesar da separação, Hart admite que qualquer sistema jurídico que aspire à subsistência deve incorporar um núcleo de normas (proteção da vida, propriedade, cumprimento de promessas) impostas pelas contingências da natureza humana — o “conteúdo mínimo de direito natural” Debate Hart-Fuller (1958): no Harvard Law Review, Hart e Lon Fuller travaram o debate mais célebre da filosofia do direito anglofônica do séc. XX. Contra a tese de Fuller de que o direito possui uma “moralidade interna”, Hart insiste que validade e moralidade são conceitualmente distintas Influenciado por Jeremy Bentham — precursor do positivismo jurídico, crítico do direito natural John Austin — command theory e a ideia de que o direito é o comando do soberano (Hart critica e supera Austin) Ludwig Wittgenstein — filosofia da linguagem, significado como uso, textura aberta J.L. Austin — filosofia da linguagem ordinária de Oxford Hans Kelsen — positivismo normativista (Hart dialoga criticamente com a Grundnorm) Influenciou Ronald Dworkin — Taking Rights Seriously (1977) e Law’s Empire (1986) são a principal resposta filosófica a Hart Joseph Raz — The Concept of a Legal System (1970) e a tese da autoridade do direito Neil MacCormick — positivismo institucional Toda a tradição da jurisprudência analítica anglofônica Obras Causation in the Law (1959, com Tony Honoré); The Concept of Law (1961; 2.ª ed. póstumo 1994, com “Postscript”); Law, Liberty, and Morality (1963); The Morality of the Criminal Law (1964); Punishment and Responsibility (1968); Essays on Bentham (1982); Essays in Jurisprudence and Philosophy (1983). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Hannah Arendt

Hannah Arendt Filósofa política alemã-americana, judia, discípula de Heidegger e Jaspers. Pensadora do totalitarismo, da liberdade política e da ação humana. Uma das vozes mais originais do séc. XX. Conceitos-chave Origens do Totalitarismo (1951): o totalitarismo (nazismo e stalinismo) é um fenômeno radicalmente novo — não é tirania clássica; baseia-se no terror total, na ideologia e na destruição do espaço público e da singularidade humana A Condição Humana (vita activa, 1958): três atividades fundamentais: Labor: metabolismo com a natureza, produção do necessário (animal laborans) Trabalho: fabricação de objetos duráveis, mundo artificial (homo faber) Ação: o início do genuinamente novo entre os homens — única atividade diretamente política; revela quem se é (não o quê) Banalidade do Mal (Eichmann em Jerusalém, 1963): Adolf Eichmann não era um monstro, mas um burocrata sem pensamento; o mal radical não exige perversidade — basta a ausência de reflexão (thoughtlessness) Espaço público: a política como espaço de aparência entre iguais, onde palavras e ações revelam identidade — contra a privatização da vida política Natalidade (contrapartida à mortalidade heideggeriana): cada ser humano é um novo começo — a capacidade de iniciar algo radicalmente novo é a base da liberdade política Influenciado por Heidegger — ontologia fundamental, análise da existência (mas critica o engajamento nazista dele) Karl Jaspers — existencialismo e comunicação Aristóteles — vita activa, política como o mais alto modo de vida Kant — juízo, sensus communis, filosofia política Influenciou Filosofia política contemporânea Estudos sobre totalitarismo e democracia Teoria do julgamento moral Judith Butler — precariedade e vida política Obras Origens do Totalitarismo (1951); A Condição Humana (1958); Entre o Passado e o Futuro (1961); Eichmann em Jerusalém (1963); Sobre a Revolução (1963); A Vida do Espírito (póstumo, 1978). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer Filósofo alemão; principal representante da hermenêutica filosófica do séc. XX. Discípulo de Heidegger; sua obra Verdade e Método (1960) reformulou o problema da compreensão como questão filosófica fundamental. Conceitos-chave Hermenêutica filosófica: a compreensão não é um método científico — é o modo de ser do Dasein histórico; não algo que fazemos, mas algo que nos acontece Círculo hermenêutico: compreender um texto exige pré-compreensão (do todo), que é revista pelas partes, que são iluminadas pelo todo revisto — espiral ascendente, não círculo vicioso Preconceito (Vorurteil): reabilita os preconceitos (pré-julgamentos) como condição de toda compreensão — não são obstáculos a superar, mas estruturas de abertura ao mundo; a Aufklärung errou ao denunciar todo preconceito Tradição e autoridade: a tradição transmite verdades sedimentadas que a razão crítica não pode simplesmente descartar — ela é condição de nossa situação hermenêutica Fusão de horizontes (Horizontverschmelzung): ao compreender um texto do passado, o horizonte do intérprete e o do texto se fundem; não há acesso “puro” ao sentido original (contra o historicismo de Dilthey) Linguagem como medium universal: “O ser que pode ser compreendido é linguagem”; toda experiência humana é mediada pela linguagem — a hermenêutica é a dimensão universal da filosofia Diálogo: a conversa autêntica é modelo da compreensão — o parceiro nos diz algo que não sabíamos; a pergunta abre o horizonte Influenciado por Heidegger — ser-no-mundo, historicidade, linguagem Hegel — dialética e mediação histórica Platão — diálogo socrático como modelo Friedrich Schleiermacher — hermenêutica romântica (ponto de partida crítico) Wilhelm Dilthey — hermenêutica das ciências humanas (supera) Influenciou Paul Ricoeur — hermenêutica do texto e da narrativa Habermas — debate famoso sobre tradição vs. crítica (Gadamer-Habermas) Teoria literária (recepção: Jauss, Iser) Filosofia do direito e bioética Obras Verdade e Método (1960); A Razão na Época da Ciência (1976); O Elogio da Teoria (1983); A Herança da Europa (1989). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Henri Bergson

Henri Bergson Filósofo francês; Nobel de Literatura (1927). Criticou o mecanicismo científico e o intelectualismo, propondo a intuição como método filosófico superior e a duração como o tempo real da consciência. Influência enorme no início do séc. XX. Conceitos-chave Duração (durée): o tempo vivido pela consciência é radicalmente diferente do tempo mensurável da ciência — é fluxo contínuo e heterogêneo, não sucessão de instantes discretos. O relógio espacializa o tempo, falsificando-o Intuição: o método filosófico por excelência — simpatia intelectual que se insere no interior do objeto, apreendendo-o em seu devir; superior à inteligência analítica, que fragmenta e espacializa Inteligência vs. intuição: a inteligência evoluiu para agir sobre a matéria (recortar, medir, fabricar); só a intuição capta o vivente em sua duração. A filosofia deve superar a inteligência por si mesma Élan vital (A Evolução Criadora, 1907): força vital imanente que impulsiona a evolução — não teleológica nem mecanicista, mas criativa e imprevisível; a vida é invenção contínua de formas novas Memória (Matéria e Memória, 1896): distinção entre memória-hábito (motora, corporal) e memória-pura (imagem do passado tal como foi); o presente é ponta do passado — não existe presente puro Riso (O Riso, 1900): rimos do que é mecânico superposto ao vivo — rigidez onde esperamos flexibilidade. A comédia é diagnóstico social Influenciado por Kant — criticismo e limites do conhecimento (mas supera o idealismo) Herbert Spencer — evolução (ponto de partida para crítica) William James — pragmatismo e experiência do tempo Influenciou Merleau Ponty — corpo e percepção Deleuze — Bergsonismo (1966): o conceito de duração e multiplicidade como base de sua ontologia da diferença William James — troca mútua Modernismo literário (Proust, o tempo da memória) Husserl — paralelismos na crítica ao tempo objetivo Obras Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência (1889); Matéria e Memória (1896); O Riso (1900); A Evolução Criadora (1907); Introdução à Metafísica (1903); As Duas Fontes da Moral e da Religião (1932). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse Nascido em Berlim em 1898, Herbert Marcuse combateu na Primeira Guerra, estudou filosofia com Heidegger e Husserl em Freiburg e integrou o Instituto de Pesquisa Social. Exilado nos Estados Unidos durante o nazismo — onde nunca mais deixaria de viver —, tornou-se professor universitário e, nos anos 1960, o “guru da Nova Esquerda”: suas ideias inspiraram diretamente os movimentos estudantis de 1968, e Angela Davis foi sua aluna. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jacques Derrida

Jacques Derrida Filósofo argelino-francês; fundador da desconstrução. Subverteu a tradição metafísica ocidental mostrando que ela é estruturada por oposições binárias hierárquicas e pela metafísica da presença. Conceitos-chave Desconstrução: não é destruição, mas leitura atenta que revela as tensões internas de um texto — como os conceitos que ele exclui ou suprime retornam para desestabilizá-lo Metafísica da presença: a filosofia ocidental privilegia presença, fala, origem, identidade — Derrida mostra que toda presença é mediada por diferença e ausência Différance (neologismo): jogo de diferir (distinção espacial) e deferência (adiamento temporal); o significado nunca está plenamente presente — é sempre postergado Suplemento: o elemento considerado “externo” ou “secundário” (escrita em relação à fala, em Rousseau) revela-se constitutivo do “original” Texto: “Não há nada fora do texto” — não quer dizer que só existem livros, mas que toda experiência é mediada por estruturas de significação Pharmakon (análise de Platão): a escrita é ao mesmo tempo remédio e veneno — ambivalência irredutível que a filosofia tenta, sem sucesso, resolver Influenciado por Husserl — fenomenologia (primeiro livro: A Voz e o Fenômeno) Heidegger — destruição da metafísica (radicaliza a Destruktion) Nietzsche — crítica da metafísica e jogo de interpretação Ferdinand de Saussure — linguística estrutural (crítica) Sigmund Freud — rastro, inconsciente, diferença Influenciou Teoria literária (desconstrução nos EUA: Paul de Man) Estudos pós-coloniais (Spivak, tradutora de Da Gramatologia) Teoria queer Filosofia do direito (Força de Lei) Obras Da Gramatologia (1967); A Escritura e a Diferença (1967); A Voz e o Fenômeno (1967); Margens da Filosofia (1972); Força de Lei (1994); Espectros de Marx (1993). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre Filósofo, romancista e dramaturgo, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e formou-se na École Normale Supérieure, onde conheceu Simone de Beauvoir, sua companheira intelectual e afetiva por toda a vida. Uma temporada em Berlim, nos anos 1930, pô-lo em contato direto com a fenomenologia de Husserl e Heidegger, que se tornaria a base de seu pensamento. Prisioneiro de guerra em 1940-41 e depois figura central da intelectualidade parisiense do pós-guerra, fez da filosofia um exercício público e engajado: fundou a revista Les Temps Modernes, aproximou-se do marxismo e, fiel à sua recusa de honrarias institucionais, declinou o Prêmio Nobel de Literatura em 1964. Sua morte, em 1980, levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Paris. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

John Rawls

John Rawls Filósofo político americano; Uma Teoria da Justiça (1971) relançou a filosofia política normativa após décadas de domínio do positivismo e do utilitarismo. A obra mais influente da filosofia política do séc. XX. Conceitos-chave Véu da ignorância (veil of ignorance): para determinar princípios de justiça, imagine uma “posição original” onde as partes não sabem seu lugar na sociedade (classe, raça, gênero, talentos) — o véu garante imparcialidade Posição original: experimento mental hipotético-contratualista — o que princípios racionais escolheríamos por trás do véu? Atualização de Kant e Rousseau contra o utilitarismo Dois princípios de justiça: Princípio da liberdade: cada pessoa tem igual direito às liberdades básicas compatíveis com as de todos Princípio da diferença: desigualdades socioeconômicas só são justas se: a) ligadas a cargos abertos a todos e b) beneficiam os membros mais desfavorecidos da sociedade Prioridade léxica: o princípio da liberdade precede o da diferença — não se sacrifica liberdade por ganho econômico Justiça como equidade (Justice as Fairness): a sociedade como sistema de cooperação equitativa entre pessoas livres e iguais Liberalismo político (Political Liberalism, 1993): revisão — os princípios de justiça não precisam de fundamento filosófico abrangente, mas de “consenso por sobreposição” entre diferentes doutrinas razoáveis numa democracia plural Influenciado por Kant — razão prática, autonomia, imperativo categórico Rousseau — contrato social e vontade geral Locke — direitos naturais e governo limitado John Stuart Mill — liberalismo (mas critica o utilitarismo) Influenciou Toda a filosofia política contemporânea (ponto de referência obrigatório) Robert Nozick — Anarquia, Estado e Utopia (crítica libertária a Rawls) Habermas — debate Rawls-Habermas sobre razão pública Teoria do direito internacional e justiça global Obras Uma Teoria da Justiça (1971); Liberalismo Político (1993); O Direito dos Povos (1999); Justiça como Equidade: Uma Reformulação (2001). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Judith Butler

Judith Butler Filósofa americana; figura central da teoria queer e dos estudos de gênero. Problemas de Gênero (1990) transformou as humanidades ao propor que o gênero não é identidade fixa, mas performance. Conceitos-chave Performatividade do gênero: o gênero não é o que somos (substância), mas o que fazemos — conjunto de atos repetidos, citações de normas, gestos e discursos que produzem o efeito de uma essência natural. Não há identidade de gênero por trás dos atos de gênero Citacionalidade: performatividade não é performance teatral consciente — é citação compulsória de normas que preexistem ao sujeito; o sujeito não escolhe livremente seu gênero (contra a leitura vulgar) Matriz heterossexual: sistema de normas que prescreve sexo-gênero-desejo como coerentes e alinhados; o queer e o trans são os corpos que a norma exclui para se constituir — os “abjetos” Precariedade (Quadros de Guerra, 2009): as vidas não são igualmente enlutáveis — a política determina quais vidas contam como vidas; as vidas precárias (racializadas, queer, migrantes) são aquelas cujo luto é negado Crítica ao feminismo essencialista: não há “mulher” como sujeito político estável antes da política — a identidade “mulher” é produzida pela própria política feminista; isso não invalida o feminismo, mas o complexifica Influenciado por Simone de Beauvoir — “não se nasce mulher, torna-se” (ponto de partida) Foucault — poder, discurso, produção do sujeito Derrida — performatividade e citacionalidade J.L. Austin — teoria dos atos de fala (speech acts) Hegel — reconhecimento e desejo intersubjetivo Influenciou Teoria queer (Eve Sedgwick, Lee Edelman) Estudos trans e não-binaridade Filosofia política da precariedade Feminismos contemporâneos (interseccional, queer, decolonial) Obras Problemas de Gênero (1990); Corpos que Importam (1993); A Vida Psíquica do Poder (1997); Excitable Speech (1997); Quadros de Guerra (2009); Notas para uma Teoria Performativa da Assembleia (2015). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jürgen Habermas

Jürgen Habermas Nascido em 1929, na Alemanha, e marcado na juventude pela experiência do nazismo e do pós-guerra, Jürgen Habermas tornou-se o principal nome da segunda geração da Escola de Frankfurt e um dos mais influentes filósofos vivos. Assistente de Adorno, herdou a tradição da Teoria Crítica, mas recusou seu pessimismo: onde Horkheimer e Adorno viam a razão moderna degenerar em pura dominação, Habermas procurou resgatar um potencial emancipatório da própria razão. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Jaspers

Karl Jaspers Psiquiatra e filósofo alemão, uma das figuras centrais da filosofia da existência ao lado de Heidegger e Kierkegaard. Partiu da psiquiatria (Psicopatologia Geral, 1913) para a filosofia, desenvolvendo uma reflexão sobre a existência humana centrada nas situações-limite, na comunicação existencial e na transcendência. Foi mentor de Hannah Arendt em Heidelberg. Após a Segunda Guerra, tornou-se voz influente sobre a questão da culpa alemã e sobre os fundamentos éticos da política. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Popper

Karl Popper Filósofo austríaco-britânico. Propôs o falsificacionismo como critério de demarcação científica e defendeu a sociedade aberta contra o totalitarismo. Crítico agudo do marxismo e do historicismo. Conceitos-chave Falsificabilidade (Lógica da Descoberta Científica, 1934): uma teoria científica não é aquela que pode ser verificada (indução — problema de Hume), mas a que pode ser falsificada — que admite a possibilidade de ser refutada por experimentos. Psicanálise e marxismo não são ciências: são imunes à refutação Problema da indução (solução assimétrica): nenhum número de observações confirma uma lei universal; um único contra-exemplo a falsifica. Ciência progride pela sobrevivência das teorias mais audazes ao escrutínio severo Racionalismo crítico: a razão avança por conjecturas ousadas e refutações rigorosas — não por acumulação indutiva segura Epistemologia evolucionista: o crescimento do conhecimento é análogo à evolução biológica — variações (conjecturas) eliminadas por seleção (refutação) Sociedade Aberta (A Sociedade Aberta e seus Inimigos, 1945): sociedades que permitem crítica, reforma e mudança pacífica das instituições; crítica a Platão, Hegel e Marx como “inimigos” — historicismos que acreditam em leis inevitáveis da história e justificam autoritarismo Historicismo: a crença de que existem leis históricas que permitem prever o futuro — Popper argumenta que é uma falácia perigosa; o futuro é aberto Influenciado por Kant — limites do conhecimento e papel ativo do sujeito Hume — problema da indução (ponto de partida) Einstein — ciência como ousadia conjectural refutável Influenciou Filosofia da ciência contemporânea (Lakatos, Feyerabend — discípulos e críticos) Thomas Kuhn (debate sobre progresso científico) Liberalismo político contemporâneo George Soros — aplicou a “sociedade aberta” como projeto político e filantrópico Obras A Lógica da Descoberta Científica (1934); A Miséria do Historicismo (1944); A Sociedade Aberta e seus Inimigos (1945); Conjecturas e Refutações (1963); Conhecimento Objetivo (1972). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia
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