Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer Nascido em Dança (Danzig) em 1788, em uma abastada família de comerciantes, Arthur Schopenhauer pôde dedicar-se à filosofia com independência financeira. Doutorou-se com Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente (1813) e publicou aos trinta anos sua obra capital, O Mundo como Vontade e Representação (1818) — que, no entanto, foi quase totalmente ignorada durante décadas. Hostil a Hegel, então dominante, chegou a marcar suas aulas no mesmo horário que as do rival, em Berlim, sem público. O reconhecimento só veio no fim da vida, nos anos 1850. Foi também o primeiro grande filósofo ocidental a incorporar seriamente o pensamento indiano (Upanixades e budismo). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Auguste Comte

Auguste Comte Filósofo francês; fundador do positivismo e pai da sociologia como disciplina científica. Discípulo de Saint-Simon; propôs reorganizar a sociedade sobre bases científicas após a dupla revolução (francesa e industrial). Conceitos-chave Lei dos três estados: cada ciência e cada sociedade passa por três estágios históricos: Teológico: explicação por agentes sobrenaturais (fetichismo → politeísmo → monoteísmo) Metafísico: explicação por forças e essências abstratas Positivo (científico): explicação por leis observáveis e mensuráveis — o único estágio válido Positivismo: só o conhecimento baseado em fatos observáveis e relações verificáveis é legítimo; rejeição da metafísica e da teologia como imaturas Hierarquia das ciências: matemática → astronomia → física → química → biologia → sociologia (a mais complexa e a mais recente) Sociologia: ciência positiva da sociedade — Física Social; divide-se em estática (ordem, estrutura) e dinâmica (progresso, mudança) Religião da Humanidade: fase tardia — Comte propôs substituir Deus pela Humanidade como objeto de culto, com rituais e calendário positivistas (Politique Positive) Influenciado por Saint-Simon — reorganização social pela ciência e industrialismo Condorcet — progresso histórico e perfectibilidade humana Montesquieu — leis na história social Iluminismo francês — razão e ciência Influenciou Émile Durkheim — sociologia científica John Stuart Mill — metodologia e positivismo (com reservas) Positivismo lógico do séc. XX (leitura distante) Brasil — lema “Ordem e Progresso” da bandeira é diretamente comtiano Obras Curso de Filosofia Positiva (6 vols., 1830–1842); Discurso sobre o Espírito Positivo (1844); Sistema de Política Positiva (4 vols., 1851–1854). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche Filho de um pastor luterano, Friedrich Nietzsche nasceu em Röcken, na Prússia, em 1844. Filólogo clássico precocíssimo, tornou-se professor na Universidade da Basileia aos 24 anos — antes mesmo de concluir o doutorado. A admiração e depois a ruptura com o compositor Richard Wagner, somadas à saúde frágil, levaram-no a abandonar a cátedra em 1879 e a viver como andarilho solitário pela Suíça e pela Itália, escrevendo seus livros mais importantes. Em janeiro de 1889, em Turim, sofreu um colapso mental do qual nunca se recuperou: passou os últimos onze anos incapacitado, e sua obra inédita acabou em parte deturpada pela irmã Elisabeth — apesar de o próprio Nietzsche ter rejeitado com veemência o nacionalismo e o antissemitismo alemães. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Friedrich Schleiermacher

Friedrich Schleiermacher Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher nasceu em Breslau (atual Wrocław, Polônia) em 21 de novembro de 1768 e faleceu em Berlim em 12 de fevereiro de 1834. Filho de um capelão reformado, estudou no seminário morávia de Barby e depois em Halle. Tornou-se pregador em Berlim, professor em Halle (1804–1807) e, a partir de 1810, professor de teologia e filosofia na recém-fundada Universidade de Berlim — da qual foi um dos principais articuladores intelectuais, ao lado de Wilhelm von Humboldt e Fichte. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Gottlob Frege

Gottlob Frege Matemático alemão nascido em 1848, Gottlob Frege passou quase toda a carreira como professor em Jena, em relativa obscuridade — seu gênio só seria plenamente reconhecido após a morte, em 1925, sobretudo graças a Russell, Wittgenstein e ao Círculo de Viena. Hoje é considerado o fundador da lógica moderna e um dos pais da filosofia analítica. Sua primeira grande realização foi a criação, no Begriffsschrift (1879), de uma lógica de predicados que aposentou a velha silogística aristotélica: com quantificadores (“para todo”, “existe”), variáveis e funções, Frege deu à lógica a precisão e o poder expressivo de que ela precisava para analisar a matemática. Seu objetivo maior era o logicismo — demonstrar que a aritmética se reduz à lógica pura. O projeto, exposto nas Leis Básicas da Aritmética, foi atingido em cheio por uma carta de Russell (1902), que revelou uma contradição no sistema; Frege jamais se recuperou inteiramente do golpe. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Jeremy Bentham

Jeremy Bentham Fundador do Utilitarismo. Jurista e filósofo inglês; reformador social radical. Seu esqueleto (Auto-Ícone) está exposto no University College London, conforme seu testamento. Conceitos-chave Princípio da Utilidade: toda ação deve ser julgada pelo resultado — a maior felicidade para o maior número Hedonismo psicológico: a natureza colocou a humanidade sob dois mestres soberanos — prazer e dor Cálculo da Felicidade (felicific calculus): mensurar prazeres e dores por intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade, pureza, extensão Panopticon: prisão circular onde um guarda pode observar todos sem ser visto — modelo de controle social por vigilância Reforma da legislação: as leis devem ser calculadas para maximizar a utilidade pública Influenciado por Hume — sentimentos de prazer/dor como critério Helvétius — felicidade social como fim da legislação Locke — empirismo Influenciou John Stuart Mill — discípulo que qualificou o utilitarismo Foucault — análise do Panopticon em Vigiar e Punir Direito e política contemporâneos Obras Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação (1789); escritos sobre o Panopticon. ...

1 janeiro 2026 · 1 minuto · Resumidor de Filosofia

John Stuart Mill

John Stuart Mill Nascido em Londres em 1806, John Stuart Mill foi submetido pelo pai, James Mill, a uma educação extraordinariamente precoce e rigorosa — concebida pelo círculo de Bentham para formar um pensador utilitarista: aprendeu grego aos três anos e devorava clássicos e economia na infância. Aos vinte, sofreu uma profunda crise existencial, da qual se recuperou em parte pela poesia romântica — experiência que o levou a corrigir o utilitarismo árido em que fora criado. Foi também economista, deputado e companheiro intelectual de Harriet Taylor. Tornou-se o mais influente liberal do século XIX. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Marx

Karl Marx Nascido em Trier, na Renânia prussiana, em 1818, Karl Marx estudou direito e filosofia em Bonn e Berlim, onde se aproximou dos jovens hegelianos. Impedido na carreira acadêmica por suas posições radicais, dedicou-se ao jornalismo e, perseguido pela censura, exilou-se em Paris, Bruxelas e, por fim, Londres, onde viveu décadas de pobreza, amparado pelo amigo e colaborador Friedrich Engels e debruçado sobre os economistas na sala de leitura do Museu Britânico. Mais do que interpretar o mundo, queria transformá-lo: “os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa, porém, é transformá-lo” (Tese 11 sobre Feuerbach). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Ludwig Feuerbach

Ludwig Feuerbach Filósofo alemão; discípulo dissidente de Hegel. Sua crítica materialista e antropológica da religião foi o elo fundamental entre o idealismo hegeliano e o materialismo histórico de Marx. Inverteu Hegel ao dissolver a teologia em antropologia: o sujeito real da filosofia não é o Espírito, mas o homem sensível. Conceitos-chave Crítica da religião como alienação: Deus não cria o homem — o homem cria Deus à sua imagem; a religião é a projeção das melhores qualidades humanas (amor, sabedoria, poder) num ser fictício separado e superior. O homem empobrece a si mesmo ao enriquecer Deus Antropologia como teologia: a teologia deve ser dissolvida em antropologia; o sujeito real da religião é o homem, não Deus. “Homo homini Deus” — o homem é o deus do homem Sensualismo materialista: contra o idealismo de Hegel, a realidade começa no sensível, no corporal, no natural; a consciência é função da matéria, não o contrário Intersubjetividade: o “eu” só existe em relação ao “tu”; a essência humana é fundamentalmente social e dialógica — precursor do personalismo e da ética do reconhecimento Crítica a Hegel: o Espírito Absoluto é mistificação — é o homem real abstraído e invertido; a filosofia deve descer do céu à terra Influenciado por Hegel — dialética (mas inverte: matéria precede espírito) Spinoza — monismo e imanência Sensualismo iluminista (Condillac, La Mettrie) Influenciou Marx — Teses sobre Feuerbach (1845): Marx supera Feuerbach; a crítica da alienação religiosa deve tornar-se crítica da alienação material Engels — materialismo dialético Bruno Bauer, Max Stirner — Jovens Hegelianos Ateísmo humanista do séc. XIX Obras A Essência do Cristianismo (1841); Princípios da Filosofia do Futuro (1843); A Essência da Religião (1845); Preleções sobre a Essência da Religião (1851). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Søren Kierkegaard

Søren Kierkegaard Filósofo dinamarquês; o “pai do existencialismo”. Escreveu frequentemente sob pseudônimos para apresentar perspectivas opostas. Sua filosofia é uma reação ao sistema especulativo de Hegel e ao conforto burguês do Cristianismo institucional. Conceitos-chave Três estádios da existência: Estético: vida orientada pelo prazer, novidade, estética — o desespero do enfado inevitável Ético: comprometimento com o dever, universal moral, casamento — o desespero da culpa que não se perdoa Religioso: suspensão do ético pelo singular diante de Deus — o “salto de fé” além da razão Angústia (Begrebet Angest, 1844): a liberdade humana como “vertigem da possibilidade”; a angústia não tem objeto determinado (diferente do medo) — é a tontura diante do abismo do possível Desespero (A Doença para a Morte, 1849): não querer ser si mesmo, ou querer ser outro que si mesmo — a condição universal do humano sem relação com Deus Subjetividade (“A subjetividade é a verdade”): a verdade existencial não se alcança pela especulação objetiva de Hegel, mas pelo comprometimento subjetivo e apaixonado Salto de fé: Abraão que vai sacrificar Isaque — ato que suspende o ético e só tem sentido diante do singular de Deus; Camus o critica como “suicídio filosófico” Pseudônimos: Victor Eremita, Johannes Climacus, Anti-Climacus, Constantine Constantius — cada um representa um estádio ou perspectiva Influenciado por Hegel — ponto de partida e adversário principal; rejeita o sistema especulativo Sócrates — ironia e método indireto; identificou-se com ele Platão — diálogos e posição socrática Lutero — fé individual contra a instituição Influenciou Heidegger — angústia, autenticidade, ser-para-a-morte Sartre — liberdade radical, má-fé, projeto existencial Camus — absurdo (mas recusa o salto de fé de Kierkegaard) Simone de Beauvoir — situação existencial concreta Teologia existencial (Karl Barth, Paul Tillich) Obras Ou-Ou (1843); Temor e Tremor (1843); O Conceito de Angústia (1844); Estágios no Caminho da Vida (1845); Migalhas Filosóficas (1844); A Doença para a Morte (1849); Ponto de Vista sobre Minha Obra como Escritor (1859, póstumo). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Wilhelm Dilthey

Wilhelm Dilthey Wilhelm Dilthey nasceu em Biebrich am Rhein (atual Wiesbaden, Alemanha) em 19 de novembro de 1833 e faleceu em Seis am Schlern (atual norte da Itália) em 1 de outubro de 1911. Professor em Basileia, Kiel e, a partir de 1882, em Berlim — onde ocupou a cátedra de Hegel —, Dilthey dedicou sua vida a um projeto inacabado mas monumentalmente influente: fornecer às ciências humanas (Geisteswissenschaften) um fundamento filosófico próprio, equivalente ao que Kant havia dado às ciências naturais na Crítica da Razão Pura. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia
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