Ronald Dworkin

Ronald Dworkin Filósofo do direito e da moral americano, professor em Yale, Oxford e New York University; a obra de Dworkin constitui a mais influente crítica ao positivismo jurídico do século XX e uma teoria normativa abrangente que integra direito, moralidade política e ética. Conceitos-chave Princípios vs. regras: contra Hart, Dworkin argumenta que os sistemas jurídicos incluem não apenas regras (que se aplicam tudo-ou-nada) mas também princípios e políticas. Princípios como “ninguém deve se beneficiar de seu próprio ilícito” têm peso e dimensão; não derivam de nenhuma regra de reconhecimento — o que prova que o positivismo é insuficiente como teoria descritiva do direito Crítica à discricionariedade: Hart admite que nos “casos difíceis” os juízes exercem discricionariedade, criando direito novo. Dworkin rejeita isso: mesmo nos casos difíceis existe uma resposta correta (one right answer thesis) — o juiz descobre o direito existente, não o cria Direitos como trunfos (rights as trumps): em Taking Rights Seriously (1977), os direitos individuais são “trunfos” que se sobrepõem a argumentos de utilidade coletiva ou política — nenhum objetivo social pode justificar violá-los. Dworkin defende um liberalismo igualitário fundado em igual consideração e respeito Direito como integridade (law as integrity): em Law’s Empire (1986), o direito não é um conjunto de fatos brutos (positivismo) nem uma lista de valores naturais (jusnaturalismo), mas uma prática interpretativa. O direito como integridade exige que os juízes tratem o sistema como expressão de um conjunto coerente de princípios morais Romance em cadeia (chain novel): metáfora do processo interpretativo — o juiz que decide um caso difícil é como um escritor que continua um romance escrito por vários autores; deve ser fiel aos capítulos anteriores e, ao mesmo tempo, tornar a obra a melhor possível Juiz Hércules: personagem ideal (não real) dotado de capacidade sobre-humana de encontrar a decisão que melhor se ajusta aos princípios do sistema e o torna moralmente mais coerente. Crítica implícita: decisões judiciais reais devem se aproximar deste ideal Igualdade de recursos (equality of resources): em Sovereign Virtue (2000), a distribuição justa exige que os recursos sejam divididos de modo que ninguém inveje a cota do outro, corrigindo desvantagens impostas pela fortuna bruta (doenças, deficiências) mas respeitando as escolhas pessoais Unidade do valor: em Justice for Hedgehogs (2011) — título evocando Isaiah Berlin e o ouriço que sabe “uma grande coisa” —, Dworkin defende que os valores éticos e morais formam um sistema coerente: viver bem e tratar os outros com justiça não são exigências em tensão, mas mutuamente dependentes Religião sem Deus: Religion without God (2013, póstumo) expande a tese da unidade do valor a uma atitude religiosa secular que reconhece valor e beleza intrínsecos no universo sem pressupor um Deus pessoal Influenciado por H.L.A. Hart — positivismo que Dworkin critica em profundidade Lon Fuller — “moralidade interna do direito” e a função integrativa dos princípios John Rawls — liberalismo igualitário, debate sobre igualdade Ronald Dworkin foi leitor atento de Isaiah Berlin, Kant e da tradição liberal americana Influenciou Toda a filosofia do direito contemporânea (ponto de referência obrigatório) Nino, Alexy e os debates sobre ponderação de princípios Jurisprudência constitucional americana e europeia Debates sobre controle de constitucionalidade e interpretação da Constituição Obras Taking Rights Seriously (1977); A Matter of Principle (1985); Law’s Empire (1986); Life’s Dominion (1993); Freedom’s Law (1996); Sovereign Virtue (2000); Justice in Robes (2006); Is Democracy Possible Here? (2006); Justice for Hedgehogs (2011); Religion without God (2013, póstumo). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Thomas More (Thomas Morus)

Thomas More (Thomas Morus) Humanista, jurista e estadista inglês. Lord Chanceler de Henrique VIII; recusou reconhecer o rei como chefe supremo da Igreja e foi decapitado. Canonizado pela Igreja Católica (1935). Autor do conceito de utopia. Conceitos-chave Utopia (Utopia, 1516): descrição de uma ilha imaginária com sociedade comunal, sem propriedade privada, tolerância religiosa, trabalho para todos, igualdade. O nome é um trocadilho grego: ou-topos (lugar nenhum) / eu-topos (lugar bom) Crítica social implícita: a Utopia funciona como espelho crítico da Inglaterra Tudor — a propriedade privada, a nobreza ociosa e a execução de ladrões famintos são o verdadeiro absurdo Humanismo cristão: amigo de Erasmo (que lhe dedicou Elogio da Loucura); a reforma da sociedade deve vir da educação moral e religiosa, não da revolução Mártir da consciência: recusou comprometer a fé por conveniência política — “Sou o bom servidor do rei, mas de Deus primeiro” Influenciado por Platão — República (cidade ideal) e diálogos Erasmo — humanismo cristão e amizade intelectual Luciano de Samósata — diálogos satíricos Influenciou Tradição utópica: Campanella (Cidade do Sol), Francis Bacon (Nova Atlântida) Filosofia política e socialismo utópico do séc. XIX Marx — crítica da propriedade privada (precursor distante) Pensamento político cristão-social Obras Utopia (1516); História de Ricardo III (c. 1513); Diálogo do Conforto na Tribulação (1534, escrito na Torre de Londres). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

W. E. B. Du Bois

W. E. B. Du Bois William Edward Burghardt Du Bois (1868–1963) foi sociólogo, historiador, filósofo e ativista afro-americano nascido em Great Barrington, Massachusetts. Tornou-se, em 1895, o primeiro afro-americano a obter o título de PhD em Harvard, com uma tese de história sobre a supressão do tráfico atlântico de escravos; estudou também em Berlim, onde absorveu o métier das ciências sociais alemãs. Sua obra inaugurou a sociologia urbana afro-americana com The Philadelphia Negro (1899) e instaurou, com The Souls of Black Folk (1903), um vocabulário filosófico para pensar a experiência negra moderna. Foi um dos fundadores da NAACP (1909) e figura central do pan-africanismo. Em 1961, filiou-se ao Partido Comunista; mudou-se para Gana, onde adquiriu cidadania e onde morreu, em 1963. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Xunzi

Xunzi Xunzi (荀子 Xún Zǐ, “Mestre Xun”; nome pessoal Kuàng 況), que viveu por volta de c. 310–c. 235 a.C., é, ao lado de Confúcio e Mêncio, um dos três grandes pensadores do confucionismo clássico. Atuou no período dos Reinos Combatentes e foi figura de prestígio na academia Jixia, no Estado de Qi. Sua filosofia destaca-se pelo rigor argumentativo e pelo naturalismo: enquanto outros confucianos fundamentavam a moral em uma ordem celestial moralmente engajada, Xunzi a fundamenta na cultura humana, no ritual e na educação deliberada. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia
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