Filosofia da História: Sentido, Progresso e a Crítica ao Historicismo
Existe um sentido na história? Um fio condutor, uma direção, talvez até uma lei que governe a sucessão dos impérios, das revoluções e das ideias — ou a história é apenas, como dizia Shakespeare por outras palavras, “som e fúria, nada significando”? Essa pergunta, que parece simples, abriga na verdade duas perguntas muito diferentes, e a confusão entre elas é responsável por boa parte dos mal-entendidos que cercam a “filosofia da história”. A primeira pergunta é especulativa: qual é o sentido, o motor ou a lei do processo histórico como um todo? A segunda é crítica ou epistemológica: como se conhece o passado, que tipo de ciência (se é que é uma ciência) é a história, e o que significa “compreender” um acontecimento humano? Este artigo percorre as respostas mais influentes dadas à primeira pergunta — de Agostinho a Fukuyama — e mostra como, no século XX, a segunda pergunta se voltou contra a primeira, num movimento de desconfiança que vai de Dilthey a Popper e Lyotard. ...