Santo Agostinho — Confissões, o Tempo, o Livre-Arbítrio e a Cidade de Deus
Quando, no ano de 410, os godos de Alarico saquearam Roma — a cidade que por oito séculos se julgara eterna —, o mundo antigo sentiu ruir o chão sob os pés. Foi nesse clima de desorientação que um bispo do norte da África empreendeu, entre a meditação íntima e a teologia da história, a obra que faria dele a maior figura intelectual da Antiguidade tardia. Aurélio Agostinho de Hipona (354–430) viveu sobre a fronteira de duas eras: educado na retórica clássica greco-romana, converteu-se ao cristianismo e transformou a herança de Platão e Plotino no idioma filosófico do Ocidente medieval. Nele, a busca da verdade deixou de ser apenas contemplação do cosmos e passou a ser exploração do interior da alma. ...