Emmanuel Lévinas

Emmanuel Lévinas Filósofo lituano-francês, um dos pensadores mais importantes do século XX. Introduziu Husserl e Heidegger na França, mas depois os superou criticamente. Sobrevivente do Holocausto, desenvolveu uma filosofia onde a ética é a filosofia primeira — anterior à ontologia. Conceitos-chave O Rosto (le visage): a manifestação do Outro que me interpela e exige resposta — não é uma face física, mas uma presença ética que diz “não matarás”; o ponto de onde emerge toda responsabilidade moral Ética como filosofia primeira: contra Heidegger, para quem a ontologia (ser) é fundamento de tudo — para Lévinas, a relação ética com o Outro precede e funda toda ontologia Alteridade radical (autrui): o Outro não é redutível ao mesmo, não pode ser totalmente compreendido ou assimilado — sua irredutibilidade é o fato ético fundamental Totalidade e Infinito: a filosofia ocidental tende à “totalização” — englobar o diferente no mesmo. O Infinito irrompe nessa totalidade pelo rosto do Outro, resistindo à captura Responsabilidade infinita: sou responsável pelo Outro de modo assimétrico e sem reciprocidade — “sou responsável mesmo pelo que não fiz”; a responsabilidade precede a liberdade Il y a (há): experiência do ser anônimo, impessoal, ameaçador — o rumor do ser antes de qualquer existente; a noite em que o ser se torna insuportável Dizer e Dito (le Dire / le Dit): o “Dizer” é a exposição ética ao Outro, o ato de endereçamento; o “Dito” é o conteúdo proposicional — a ética está no Dizer, que o Dito sempre trai Influenciado por Husserl — fenomenologia (foi seu aluno e tradutor) Heidegger — ontologia fundamental (depois criticamente superado) Bergson — filosofia da duração e vida Tradição judaica (Talmude, Rosenzweig, Buber) Influenciou Derrida — desconstrução e ética (debate sobre violência e metafísica) Habermas — ética e reconhecimento do outro Judith Butler — vulnerabilidade e responsabilidade ética Teologia cristã e judaica contemporânea Estudos pós-coloniais e teoria do reconhecimento Obras Da Existência ao Existente (1947); Totalidade e Infinito (1961); De Outra Forma que Ser (1974); Ética e Infinito (1982). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur Filósofo francês, um dos maiores hermeneutas do século XX. Sintetizou a fenomenologia de Husserl com a hermenêutica de Gadamer, a psicanálise de Freud e a filosofia analítica da ação. Sua obra percorre o conflito das interpretações, a teoria da narrativa e a ética do si mesmo. Conceitos-chave Hermenêutica do suspeito vs. da confiança: existem duas grandes tradições interpretativas — a da suspeita (Marx, Nietzsche, Freud — os textos escondem algo) e a da confiança (a tradição religiosa e poética — os textos revelam algo). A hermenêutica madura oscila entre as duas Identidade narrativa (identité narrative): a identidade pessoal não é uma substância fixa, mas é construída narrativamente — somos os personagens das histórias que contamos sobre nós mesmos (idem vs. ipse: identidade como mesmidade vs. ipseidade) Tempo e narrativa: o tempo humano só se torna compreensível quando narrado — a narrativa (historiografia e ficção) configura a experiência temporal e lhe dá sentido (mimesis em três fases: prefiguração, configuração, refiguração) Metáfora viva: a metáfora não é mero ornamento retórico — ela cria novos significados ao aproximar campos semânticos distantes; “redescrevia a realidade” Conflito das interpretações: não há interpretação neutra — toda leitura envolve uma posição; a hermenêutica deve assumir o conflito entre perspectivas em vez de eliminá-lo O si mesmo como um outro (soi-même comme un autre): a ipseidade (quem sou) é sempre mediada pelo outro — a alteridade constitui o si mesmo; proposta de uma ética da solicitude e da justiça Pequena ética: “visar à vida boa, com e para os outros, em instituições justas” — articulação entre perspectiva ética (teleológica) e perspectiva moral (deontológica) Influenciado por Husserl e Heidegger — fenomenologia Gadamer — hermenêutica filosófica Freud — psicanálise e suspeita Marx e Nietzsche — hermenêutica da suspeita Filosofia analítica da ação (Austin, Strawson) Influenciou Teologia narrativa e bíblica Filosofia do direito e hermenêutica jurídica Historiografia e filosofia da história Habermas — ética e comunicação Obras Filosofia da Vontade (1950–60); Da Interpretação: Ensaio sobre Freud (1965); O Conflito das Interpretações (1969); A Metáfora Viva (1975); Tempo e Narrativa (3 vols., 1983–85); O Si-Mesmo Como um Outro (1990); A Memória, a História, o Esquecimento (2000). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia
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