Kwame Anthony Appiah

Kwame Anthony Appiah Kwame Anthony Appiah nasceu em 8 de maio de 1954 em Londres, de pai ganês (Joe Appiah, advogado e político) e mãe britânica (Peggy Cripps). Cresceu em Kumasi, Gana, e estudou filosofia em Cambridge (BA e PhD). Lecionou em Yale, Cornell, Duke, Harvard e Princeton; atualmente é professor na New York University. Appiah é um dos filósofos mais versáteis e influentes do mundo anglófono contemporâneo, com contribuições à ética, à filosofia da linguagem, à filosofia da mente, à teoria racial e à filosofia política. É um dos pensadores que mais sistematicamente questionou os pressupostos do “racialismo” — a crença de que existem raças biológicas humanas dotadas de essências morais e intelectuais. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Kwame Nkrumah

Kwame Nkrumah Kwame Nkrumah (21 de setembro de 1909 – 27 de abril de 1972) nasceu em Nkroful, na Costa do Ouro (atual Gana). Estudou nos EUA (Lincoln University e University of Pennsylvania) e no Reino Unido (London School of Economics), onde desenvolveu suas ideias pan-africanistas em contato com figuras como C.L.R. James e George Padmore. Retornou à Costa do Ouro em 1947, liderou o movimento de independência e tornou-se o primeiro presidente de Gana em 1957 — o primeiro país africano subsaariano a obter independência no período pós-guerra. Foi deposto por um golpe militar em 1966, enquanto estava em Pequim, a caminho de Hanói. Viveu o restante de sua vida no exílio, na Guiné-Conakri, onde morreu em 1972. Nkrumah é considerado um dos pais fundadores do pan-africanismo moderno e figura central da Organização da Unidade Africana (fundada em 1963). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Léopold Sédar Senghor

Léopold Sédar Senghor Léopold Sédar Senghor (9 de outubro de 1906, Joal, Senegal — 20 de dezembro de 2001, Verson, França) foi poeta, filósofo da cultura e estadista. Primeiro presidente do Senegal independente (1960–1980) e primeiro africano eleito para a Académie française (1983), foi também, ao lado de Aimé Césaire e Léon-Gontran Damas, um dos fundadores da Négritude nos anos 1930 em Paris. Enquanto Césaire deu ao movimento sua força poética, Senghor empenhou-se em conferir-lhe uma elaboração filosófica e estética sistemática, fazendo dele uma teoria geral da contribuição africana à civilização humana. Sua obra é hoje objeto tanto de reconhecimento quanto de viva controvérsia. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein Nascido em Viena em 1889, no seio de uma das famílias mais ricas e cultas do Império Austro-Húngaro, Ludwig Wittgenstein começou estudando engenharia aeronáutica, mas a reflexão sobre os fundamentos da matemática o levou à lógica e, daí, a Cambridge, para estudar com Bertrand Russell. Sua biografia é tão singular quanto seu pensamento: combateu na Primeira Guerra, doou a fortuna herdada, foi professor primário numa aldeia, jardineiro e até arquiteto, antes de retornar à filosofia acadêmica. É a figura mais influente da filosofia analítica do século XX — e, raríssimo, autor de duas filosofias distintas e igualmente decisivas, ambas centradas na linguagem. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Martha Nussbaum

Martha Nussbaum Filósofa americana, professora na Universidade de Chicago. Uma das mais influentes pensadoras contemporâneas, trabalha na interseção entre ética, filosofia política, direito e literatura. Formada na tradição aristotélica, desenvolveu com Amartya Sen a abordagem das capacidades (capabilities approach) como alternativa ao utilitarismo e ao contratualismo na teoria da justiça. Defende que as emoções têm conteúdo cognitivo e são essenciais para o julgamento ético. Conceitos-chave Abordagem das capacidades (capabilities approach): a justiça não se mede pelo PIB ou pela utilidade agregada, mas pelas capacidades reais que cada pessoa tem de ser e fazer — viver, ter saúde, pensar, participar politicamente, etc.; lista de 10 capacidades centrais como limiar mínimo de dignidade humana Fragilidade do bem (The Fragility of Goodness): a vida boa depende de condições externas (sorte, relações, corpo) que escapam ao controle — contra a autossuficiência estoica e platônica; a vulnerabilidade é constitutiva da excelência moral Emoções e razão: as emoções não são impulsos irracionais, mas juízos avaliativos (appraisals) — medo, compaixão, indignação contêm avaliações cognitivas sobre o que importa; uma ética sem emoções é cega Justiça cosmopolita: obrigações de justiça não param nas fronteiras nacionais — deveres para com a humanidade inteira, inspirada nos estoicos e em Kant Educação humanística: as humanidades (filosofia, literatura, artes) são indispensáveis para formar cidadãos democráticos capazes de imaginação empática e pensamento crítico Capacidades animais: estende a abordagem das capacidades para incluir os direitos dos animais não humanos Influenciado por Aristóteles — ética das virtudes, phronesis, a boa vida humana John Rawls — justiça como equidade (mas critica os limites do contratualismo) Amartya Sen — desenvolvimento como liberdade; abordagem das capacidades Kant — cosmopolitismo e dignidade Estoicos — cosmopolitismo antigo Influenciou Teoria do desenvolvimento humano (Índice de Desenvolvimento Humano da ONU) Filosofia do direito e direitos humanos Ética animal contemporânea Filosofia da educação Obras The Fragility of Goodness (1986); The Therapy of Desire (1994); Cultivating Humanity (1997); Women and Human Development (2000); Upheavals of Thought: The Intelligence of Emotions (2001); Frontiers of Justice (2006); Creating Capabilities (2011); The Monarchy of Fear (2018). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Martin Heidegger

Martin Heidegger Martin Heidegger nasceu em Meßkirch, no sul da Alemanha, em 1889, em família católica modesta, e chegou à filosofia pela teologia. Assistente e depois sucessor de Husserl em Freiburg, publicou em 1927 Ser e Tempo, obra que o consagrou como um dos filósofos mais influentes — e mais controversos — do século XX. A controvérsia é inseparável de sua biografia: em 1933 assumiu a reitoria de Freiburg e filiou-se ao partido nazista, comprometimento que nunca renegou publicamente e que os Cadernos Negros, publicados décadas depois, revelaram atravessado por antissemitismo. O peso moral e filosófico desse engajamento permanece um debate em aberto. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Maurice Merleau-Ponty

Maurice Merleau-Ponty Nascido em 1908, na França, Maurice Merleau-Ponty formou-se na École Normale Supérieure ao lado de Sartre e Simone de Beauvoir, com quem fundaria a revista Les Temps Modernes antes de uma ruptura política. Em 1952 tornou-se o mais jovem catedrático de filosofia do Collège de France. Morreu subitamente em 1961, deixando inacabada sua última obra. É o grande fenomenólogo do corpo. Sua originalidade está em deslocar o centro da fenomenologia. Onde Husserl e o primeiro Sartre situavam a subjetividade na consciência, Merleau-Ponty a situa no corpo próprio (corps propre). O corpo não é um objeto que a mente habita, nem uma máquina movida pela alma: eu sou meu corpo. É por ele, e não por uma consciência desencarnada, que tenho um mundo — donde o primado da percepção, anterior a toda reflexão e a toda separação entre sujeito e objeto. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Max Horkheimer

Max Horkheimer Nascido em Stuttgart em 1895, Max Horkheimer foi a alma organizadora da Escola de Frankfurt: em 1930 assumiu a direção do Instituto de Pesquisa Social e reuniu em torno de si pensadores como Adorno, Marcuse e Walter Benjamin. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo e, no pós-guerra, retornou a Frankfurt, onde foi reitor. Morreu em 1973. Foi Horkheimer quem definiu o programa da Teoria Crítica, em um ensaio de 1937. Ele distingue a teoria tradicional — descritiva, especializada, que aceita o mundo como dado — da teoria crítica, que se sabe parte da sociedade que estuda, recusa-se a separar fato e valor e se orienta para a emancipação humana. A teoria, aqui, não é contemplação neutra, mas instrumento de transformação. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Michel Foucault

Michel Foucault Michel Foucault nasceu em Poitiers em 1926 e formou-se na École Normale Supérieure, onde teve entre seus mestres Jean Hyppolite e Louis Althusser. Psicólogo de formação além de filósofo, ocupou a partir de 1970 a cátedra de “História dos Sistemas de Pensamento” no Collège de France e foi um intelectual politicamente engajado — sobretudo na luta pela reforma das prisões. Tornou-se uma das figuras mais citadas das ciências humanas em todo o mundo. Morreu em Paris, em 1984, de doença relacionada à aids. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Mikhail Bakhtin

Mikhail Bakhtin Mikhail Mikháilovitch Bakhtin (16 de novembro de 1895, Oriol — 7 de março de 1975, Moscou) foi filósofo da linguagem, teórico da literatura e da cultura. Marginalizado e quase desconhecido em vida na União Soviética — preso e enviado ao exílio em 1929, lecionou por décadas em universidades provincianas —, foi redescoberto a partir dos anos 1960 e tornou-se um dos pensadores russos mais influentes do mundo nas ciências humanas. Foi o centro do chamado Círculo de Bakhtin, que reunia também Valentin Volóchinov e Pável Medviédev (a autoria de algumas obras assinadas por eles é objeto de debate acadêmico). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Nikolai Berdiáev

Nikolai Berdiáev Nikolai Aleksándrovitch Berdiáev (18 de março de 1874, Kiev — 24 de março de 1948, Clamart, França) foi filósofo religioso e político russo, frequentemente descrito como um “existencialista cristão”. De origem aristocrática, começou marxista — chegou a ser exilado internamente sob o tsarismo por suas atividades —, mas rompeu cedo com o materialismo rumo ao idealismo e à Ortodoxia. Participou da coletânea crítica Vekhi (1909). Expulso da Rússia soviética em 1922, no episódio dos “navios dos filósofos”, viveu em Berlim e depois em Clamart, perto de Paris, onde dirigiu a revista Put e se tornou a voz mais conhecida do pensamento russo no exílio. Foi indicado várias vezes ao Prêmio Nobel. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Peter Singer

Peter Singer Filósofo australiano, professor na Universidade de Princeton. É o mais influente filósofo utilitarista vivo e um dos fundadores do movimento contemporâneo pelos direitos dos animais. Sua obra Libertação Animal (1975) introduziu o conceito de especismo e transformou o debate ético sobre o tratamento dos animais. Defende um utilitarismo de preferências (posteriormente revisado para utilitarismo hedonista) e aplica a filosofia moral a questões práticas: pobreza global, eutanásia, aborto, meio ambiente e altruísmo eficaz. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Ronald Dworkin

Ronald Dworkin Filósofo do direito e da moral americano, professor em Yale, Oxford e New York University; a obra de Dworkin constitui a mais influente crítica ao positivismo jurídico do século XX e uma teoria normativa abrangente que integra direito, moralidade política e ética. Conceitos-chave Princípios vs. regras: contra Hart, Dworkin argumenta que os sistemas jurídicos incluem não apenas regras (que se aplicam tudo-ou-nada) mas também princípios e políticas. Princípios como “ninguém deve se beneficiar de seu próprio ilícito” têm peso e dimensão; não derivam de nenhuma regra de reconhecimento — o que prova que o positivismo é insuficiente como teoria descritiva do direito Crítica à discricionariedade: Hart admite que nos “casos difíceis” os juízes exercem discricionariedade, criando direito novo. Dworkin rejeita isso: mesmo nos casos difíceis existe uma resposta correta (one right answer thesis) — o juiz descobre o direito existente, não o cria Direitos como trunfos (rights as trumps): em Taking Rights Seriously (1977), os direitos individuais são “trunfos” que se sobrepõem a argumentos de utilidade coletiva ou política — nenhum objetivo social pode justificar violá-los. Dworkin defende um liberalismo igualitário fundado em igual consideração e respeito Direito como integridade (law as integrity): em Law’s Empire (1986), o direito não é um conjunto de fatos brutos (positivismo) nem uma lista de valores naturais (jusnaturalismo), mas uma prática interpretativa. O direito como integridade exige que os juízes tratem o sistema como expressão de um conjunto coerente de princípios morais Romance em cadeia (chain novel): metáfora do processo interpretativo — o juiz que decide um caso difícil é como um escritor que continua um romance escrito por vários autores; deve ser fiel aos capítulos anteriores e, ao mesmo tempo, tornar a obra a melhor possível Juiz Hércules: personagem ideal (não real) dotado de capacidade sobre-humana de encontrar a decisão que melhor se ajusta aos princípios do sistema e o torna moralmente mais coerente. Crítica implícita: decisões judiciais reais devem se aproximar deste ideal Igualdade de recursos (equality of resources): em Sovereign Virtue (2000), a distribuição justa exige que os recursos sejam divididos de modo que ninguém inveje a cota do outro, corrigindo desvantagens impostas pela fortuna bruta (doenças, deficiências) mas respeitando as escolhas pessoais Unidade do valor: em Justice for Hedgehogs (2011) — título evocando Isaiah Berlin e o ouriço que sabe “uma grande coisa” —, Dworkin defende que os valores éticos e morais formam um sistema coerente: viver bem e tratar os outros com justiça não são exigências em tensão, mas mutuamente dependentes Religião sem Deus: Religion without God (2013, póstumo) expande a tese da unidade do valor a uma atitude religiosa secular que reconhece valor e beleza intrínsecos no universo sem pressupor um Deus pessoal Influenciado por H.L.A. Hart — positivismo que Dworkin critica em profundidade Lon Fuller — “moralidade interna do direito” e a função integrativa dos princípios John Rawls — liberalismo igualitário, debate sobre igualdade Ronald Dworkin foi leitor atento de Isaiah Berlin, Kant e da tradição liberal americana Influenciou Toda a filosofia do direito contemporânea (ponto de referência obrigatório) Nino, Alexy e os debates sobre ponderação de princípios Jurisprudência constitucional americana e europeia Debates sobre controle de constitucionalidade e interpretação da Constituição Obras Taking Rights Seriously (1977); A Matter of Principle (1985); Law’s Empire (1986); Life’s Dominion (1993); Freedom’s Law (1996); Sovereign Virtue (2000); Justice in Robes (2006); Is Democracy Possible Here? (2006); Justice for Hedgehogs (2011); Religion without God (2013, póstumo). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Sigmund Freud

Sigmund Freud Neurologista e fundador da psicanálise. Embora não seja estritamente filósofo, sua teoria do inconsciente, das pulsões e da repressão tornou-se uma das matrizes filosóficas mais influentes do séc. XX, especialmente para a Escola de Frankfurt, o existencialismo e o pós-estruturalismo. Conceitos-chave Inconsciente: a maior parte da vida mental escapa à consciência; desejos, traumas e conflitos reprimidos determinam o comportamento. O inconsciente não obedece à lógica ou ao tempo linear Topografia psíquica: 1.ª tópica: Inconsciente / Pré-consciente / Consciente 2.ª tópica: Id (pulsões primitivas) / Ego (mediação com a realidade) / Superego (interiorização das normas sociais) Pulsões: Eros (pulsão de vida, amor, criatividade) e Tânatos (pulsão de morte, agressão, repetição) — conflito fundamental da psique Repressão e recalque: a civilização exige a repressão das pulsões; o custo é a neurose. Tema central de O Mal-Estar na Civilização (1930) Complexo de Édipo: desejo pelo pai/mãe do sexo oposto e rivalidade com o do mesmo sexo; estrutura da entrada na cultura e formação do superego Sonhos, lapsos e sintomas: “Via régia para o inconsciente” — linguagem cifrada dos desejos reprimidos Critica da religião: O Futuro de uma Ilusão (1927) — a religião é ilusão infantil de um pai protetor; Totem e Tabu — origem da religião no parricídio primordial Influenciado por Charles Darwin — pulsões e evolução biológica Nietzsche — crítica da moral, forças inconscientes (paralelismos notáveis) Franz Brentano — filosofia da mente e intencionalidade Influenciou Marcuse — Eros e Civilização: liberdade vs. mais-repressão capitalista Adorno e Horkheimer — inconsciente social, autoritarismo Walter Benjamin — sonho, imagem dialética Sartre — critica a psicanálise mas dialoga com ela (má-fé vs. repressão) Simone de Beauvoir — psicanálise e construção do feminino Derrida — rastro, différance e o inconsciente como escrita Foucault — critica o dispositivo da sexualidade em História da Sexualidade Jacques Lacan — releitura estruturalista de Freud Obras A Interpretação dos Sonhos (1900); Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905); Totem e Tabu (1913); Introdução à Psicanálise (1916–17); O Ego e o Id (1923); O Futuro de uma Ilusão (1927); O Mal-Estar na Civilização (1930); Moisés e o Monoteísmo (1939). ...

1 janeiro 2026 · 5 minutos · Resumidor de Filosofia

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir Filósofa francesa; companheira intelectual de Sartre. Fundadora do feminismo existencialista. O Segundo Sexo é um dos livros mais influentes do séc. XX. Nascida em Paris em 1908, Simone de Beauvoir formou-se em filosofia pela Sorbonne e pelo agrégation em 1929, tornando-se uma das primeiras mulheres a conquistar esse título na França. Inserida no círculo existencialista parisiense do pós-guerra, participou ativamente da revista Les Temps Modernes e engajou-se nos grandes debates políticos e morais de sua época, do anticolonialismo à crítica ao stalinismo. Seu projeto filosófico central consiste em aplicar as categorias do existencialismo sartriano — facticidade, situação, projeto — à condição concreta da mulher, mostrando que a opressão feminina não decorre da natureza, mas de estruturas históricas e sociais que podem e devem ser transformadas. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Simone Weil

Simone Weil Filósofa, mística e ativista francesa. Aluna de Alain (Émile Chartier) na École Normale Supérieure, militou junto a operários e combateu na Guerra Civil Espanhola. Sua obra, quase inteiramente póstuma, cruza filosofia, mística cristã (sem adesão formal à Igreja), crítica social e reflexão sobre o trabalho. Morreu aos 34 anos em Londres, debilitada pela tuberculose e pela recusa de se alimentar mais do que os racionados na França ocupada. Pensadora inclassificável que fascinou Camus, que editou seus primeiros livros. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Slavoj Žižek

Slavoj Žižek Filósofo e teórico cultural esloveno, pesquisador na Universidade de Liubliana. Combina a psicanálise de Jacques Lacan com a dialética de Hegel e a crítica da ideologia de tradição marxista. Prolífico e provocador, é conhecido por analisar fenômenos da cultura pop (cinema, piadas, publicidade) como ilustrações de estruturas ideológicas profundas. Crítico tanto do capitalismo liberal quanto da esquerda identitária, defende um universalismo emancipatório. Conceitos-chave Ideologia como fantasia: a ideologia não é falsa consciência (ilusão que se desfaz com o saber), mas uma fantasia estruturante — “eles sabem o que fazem, mas mesmo assim o fazem” (cinismo como forma ideológica dominante) O Real, o Simbólico e o Imaginário: retoma a tríade lacaniana — o Real é o que resiste à simbolização; irrupções do Real desestabilizam a ordem simbólica (trauma, antagonismo social) Gozo (jouissance): o sujeito está preso a modos de satisfação paradoxais que sustentam a ordem ideológica — a ideologia funciona não pela crença, mas pelo gozo investido nas práticas sociais Paralaxe (parallax view): mudança de perspectiva que revela que o objeto é constituído pelo próprio deslocamento do olhar — não há ponto de vista neutro; o antagonismo é irredutível Grande Outro (grand Autre): a ordem simbólica (linguagem, lei, normas sociais) — o sujeito se constitui em relação ao Outro, mas o Outro é inconsistente, barrado Sujeito barrado: o sujeito não é uma identidade plena, mas uma falta constitutiva — é o que emerge na falha da ordem simbólica Cultura pop como filosofia: filmes (Matrix, Hitchcock), piadas e anedotas são lidos como encenações de estruturas lacanianas e hegelianas Influenciado por Hegel — dialética, negatividade, contradição como motor do pensamento Jacques Lacan — psicanálise estrutural; Real, Simbólico, Imaginário Marx — crítica da ideologia e fetichismo da mercadoria Kant — sujeito transcendental e antinomias Schelling — liberdade e o abismo do fundamento Influenciou Teoria crítica contemporânea Estudos culturais e análise ideológica do cinema Esquerda pós-marxista e debate político contemporâneo Alain Badiou — interlocução sobre sujeito e evento Obras O Sublime Objeto da Ideologia (The Sublime Object of Ideology, 1989); Eles Não Sabem o que Fazem (For They Know Not What They Do, 1991); A Visão em Paralaxe (The Parallax View, 2006); Vivendo no Fim dos Tempos (Living in the End Times, 2010); Menos que Nada: Hegel e a Sombra do Materialismo Dialético (Less Than Nothing, 2012); Como Ler Lacan (How to Read Lacan, 2006). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Theodor W. Adorno

Theodor W. Adorno Nascido em Frankfurt em 1903, Theodor W. Adorno foi, ao lado de Horkheimer, o nome mais rigoroso da primeira geração da Escola de Frankfurt. Formado também em música — estudou composição em Viena —, uniu filosofia, sociologia e estética numa crítica radical da sociedade moderna. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo, onde observou de perto a cultura de massas; retornou a Frankfurt após a guerra e ali morreu em 1969. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Thomas Kuhn

Thomas Kuhn Historiador e filósofo da ciência americano. A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) transformou completamente a compreensão do progresso científico e introduziu o conceito de paradigma no vocabulário intelectual global. Nascido em Cincinnati (Ohio) em 1922, Kuhn formou-se em física pela Universidade Harvard e, ao preparar um curso de história da ciência para estudantes de humanidades, deparou-se com as teorias aristotélicas do movimento. A dificuldade de entender por que Aristóteles — um pensador notavelmente perspicaz — havia cometido erros tão evidentes do ponto de vista newtoniano fez Kuhn perceber que os critérios de racionalidade científica mudam de época para época. Essa revelação orientou toda a sua carreira posterior: em vez de perguntar “quem estava certo?”, passou a perguntar “como uma comunidade científica chega a enxergar o mundo de determinada maneira?”. Desse questionamento nasceria, anos mais tarde, o livro que mudaria o modo como filósofos, historiadores e cientistas compreendem a própria ciência. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Walter Benjamin

Walter Benjamin Nascido em Berlim em 1892, Walter Benjamin foi uma das figuras mais originais e inclassificáveis do pensamento do século XX — filósofo, crítico literário, tradutor e ensaísta, ligado de modo periférico à Escola de Frankfurt e amigo de Adorno. Sua carreira acadêmica fracassou (sua tese de habilitação foi recusada), e ele viveu da escrita, sempre em dificuldades. Em 1940, fugindo dos nazistas, viu-se bloqueado na fronteira franco-espanhola, em Portbou, e tirou a própria vida — um dos destinos mais trágicos da intelectualidade europeia. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
[email protected]
Sobre · Contato · Política de Privacidade · Termos de Uso