Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo e o Feminismo Existencialista

Durante décadas, manuais de filosofia trataram Simone de Beauvoir como um apêndice de Jean-Paul Sartre — a companheira talentosa que aplicou ao “problema feminino” ideias que, supostamente, não eram suas. Essa leitura é tão tenaz quanto equivocada. Beauvoir foi uma filósofa original, cujas contribuições à ética existencialista e à teoria da opressão antecedem, em pontos decisivos, formulações que mais tarde se atribuíram a Sartre. E foi ela, não ele, quem produziu a obra que fundaria filosoficamente o feminismo do século XX. Ler Beauvoir como pensadora por direito próprio não é um gesto de cortesia historiográfica: é uma exigência de rigor. ...

29 maio 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Achille Mbembe

Achille Mbembe Joseph-Achille Mbembe nasceu em 1957 em Otélé, Camarões. Formou-se em história e filosofia na Sorbonne (Paris I) e obteve o doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). É atualmente professor sênior do Wits Institute for Social and Economic Research (WISER), na Universidade de Witwatersrand, Johannesburg, África do Sul. Mbembe é considerado um dos intelectuais africanos mais influentes da atualidade, com trabalho que articula história africana, teoria pós-colonial, filosofia política e crítica cultural. Escreve em francês; suas obras principais foram traduzidas para o inglês, português, alemão e outras línguas. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Albert Camus

Albert Camus Nascido em 1913 na Argélia francesa, em uma família pobre de colonos (pieds-noirs), Albert Camus perdeu o pai ainda bebê, na Primeira Guerra, e foi criado pela mãe analfabeta e parcialmente surda, num bairro humilde de Argel. A tuberculose marcaria toda a sua vida. Jornalista e escritor, dirigiu o jornal Combat na Resistência francesa e recebeu o Nobel de Literatura em 1957, aos 44 anos. Próximo do existencialismo — embora rejeitasse o rótulo —, rompeu com Sartre em razão de divergências sobre a violência revolucionária. Morreu em 1960, num acidente de carro, aos 46 anos. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Bertrand Russell

Bertrand Russell Nascido em 1872 numa influente família aristocrática britânica — era neto de um primeiro-ministro —, Bertrand Russell teve uma das trajetórias mais longas e variadas da filosofia: foi lógico, matemático, ensaísta, educador e ativista político, atravessando quase um século de história. Estudou em Cambridge, recebeu o Nobel de Literatura em 1950 e, fiel ao seu pacifismo, foi preso durante a Primeira Guerra e liderou, já nonagenário, a campanha contra as armas nucleares (Manifesto Russell-Einstein, 1955). É, com Frege e Wittgenstein, um dos fundadores da filosofia analítica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Claude Lévi-Strauss

Claude Lévi-Strauss Antropólogo e filósofo francês; fundador do estruturalismo nas ciências humanas. Aplicou o modelo da linguística de Saussure à antropologia, transformando o estudo dos mitos, parentesco e culturas “primitivas”. Nascido em Bruxelas em 1908 e falecido em Paris em 2009, Lévi-Strauss estudou filosofia e direito antes de se tornar professor no Brasil — lecionou na Universidade de São Paulo entre 1935 e 1939, período em que realizou trabalho de campo entre povos indígenas do Mato Grosso e da Amazônia. Essa experiência direta com sociedades ameríndias foi decisiva: em vez de confirmar o evolucionismo dominante, ela o levou a questionar radicalmente a hierarquia entre “pensamento primitivo” e “pensamento científico”. De volta à Europa e depois exilado em Nova York durante a Segunda Guerra Mundial, frequentou o linguista Roman Jakobson, cujo formalismo fonológico forneceu a Lévi-Strauss o instrumento metodológico central: a análise das oposições binárias como chave para decifrar sistemas culturais. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Edmund Husserl

Edmund Husserl Nascido em 1859 em Proßnitz, na Morávia (então Império Austríaco), Edmund Husserl formou-se em matemática antes de se voltar para a filosofia sob a influência de Franz Brentano, de quem herdou a noção de intencionalidade. Insatisfeito com o psicologismo que reduzia a lógica a leis da mente, propôs-se a refundar a filosofia como ciência rigorosa, capaz de descrever com exatidão a experiência. Foi professor em Göttingen e Freiburg, onde teve Heidegger como assistente e sucessor. Judeu, foi despojado de seus direitos pelo nazismo e morreu isolado em 1938; seus milhares de manuscritos só se salvaram porque um monge franciscano os contrabandeou para a Bélgica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Frantz Fanon

Frantz Fanon Frantz Omar Fanon nasceu em 20 de julho de 1925 em Fort-de-France, Martinica (então colônia francesa). Psiquiatra, ensaísta e militante político, é a figura mais influente da filosofia anticolonial africana e caribenha. Formado em medicina e psiquiatria na França (Lyon), trabalhou como chefe de serviço de psiquiatria no Hospital de Blida-Joinville, na Argélia, a partir de 1953. Diante das atrocidades da Guerra de Independência da Argélia (1954–1962), aderiu ao FLN (Frente de Libertação Nacional) e tornou-se um dos principais porta-vozes intelectuais da causa anticolonial. Morreu de leucemia em Bethesda, Maryland, em 6 de dezembro de 1961, com 36 anos, dias após a publicação de Les damnés de la terre. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Gilles Deleuze

Gilles Deleuze Filósofo francês; criou uma filosofia da diferença e da multiplicidade que subverte a tradição metafísica centrada na identidade. Produziu obras solitárias e em colaboração com Félix Guattari. Conceitos-chave Diferença em si mesma (Diferença e Repetição, 1968): a diferença não é derivada da identidade — ela é originária; a identidade é secundária em relação à diferença. Crítica à tradição que sempre subordinou a diferença ao Mesmo Rizoma (com Guattari): contra o modelo arborescente (raiz única, hierarquia, centro), o rizoma é multiplicidade horizontal sem ponto de origem ou destino — conecta qualquer ponto com qualquer outro. Metáfora para o pensamento, a política e a cultura Linhas de fuga (lignes de fuite): todo sistema social e subjetivo contém forças de desterritorialização que escapam às estruturas dominantes — criação do novo, resistência ao controle Plano de imanência: a realidade não tem transcendência; tudo é imanente a um plano único de forças e intensidades — contra o dualismo platônico e a transcendência teológica Desejo como produção (Guattari): contra Freud (desejo como falta) — o desejo é força produtiva, afirmativa; o capitalismo captura a produção desejante mas esta sempre transborda Corpo sem órgãos: superfície de intensidades sem organização prévia — contra o organismo como modelo normativo do corpo Conceito de conceito: a filosofia cria conceitos — não representa, não contempla, não comunica; criar conceitos é a tarefa específica do filósofo Influenciado por Bergson — duração, multiplicidade, criação (Bergsonismo, 1966) Nietzsche — vontade de potência, eterno retorno, afirmação (Nietzsche e a Filosofia, 1962) Spinoza — imanência e potência (Spinoza: Filosofia Prática, 1970) Hume — empirismo radical e associacionismo Influenciou Estudos culturais e teoria queer Ciências cognitivas e biologia (auto-organização) Arquitetura, arte contemporânea Teoria política pós-marxista Obras Nietzsche e a Filosofia (1962); Bergsonismo (1966); Diferença e Repetição (1968); A Lógica do Sentido (1969); O Anti-Édipo (1972, com Guattari); Mil Platôs (1980, com Guattari); O que é a Filosofia? (1991, com Guattari). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

H.L.A. Hart

H.L.A. Hart Filósofo do direito britânico, professor de Jurisprudência em Oxford (1952–1968); The Concept of Law (1961) é a obra mais influente do positivismo jurídico do século XX e redefiniu os termos do debate sobre a natureza, a validade e a obrigatoriedade do direito. Conceitos-chave Regras primárias e secundárias: distinção central de The Concept of Law. Regras primárias impõem deveres de conduta (não matar, cumprir contratos). Regras secundárias são meta-regras sobre as regras primárias, subdivididas em: (a) regra de reconhecimento — critério que identifica quais normas pertencem ao sistema jurídico; (b) regras de mudança — procedimentos para criar, alterar e revogar regras primárias; (c) regras de adjudicação — conferem competência a autoridades para decidir litígios Regra de reconhecimento (rule of recognition): a norma que define os critérios de validade jurídica num dado sistema — ela própria não é válida ou inválida, apenas existe como fato social, aceita pelos funcionários do sistema a partir do “ponto de vista interno”. Responde à questão “o que é direito?” sem recorrer à moral Ponto de vista interno (internal point of view): quem aceita uma regra como padrão de conduta e de crítica — e não apenas a obedece por temor de sanção — adota o ponto de vista interno. A análise do direito exige compreender este ponto de vista, não apenas descrever comportamentos externos (como fazia o behaviorismo austiniano) Textura aberta (open texture): toda linguagem geral possui casos claros de aplicação e uma zona de penumbra inevitável onde a norma não determina a solução. Nos casos difíceis, os juízes exercem discricionariedade — escolhem, dentro de limites, qual interpretação adotar. Hart recusa a ideia de que o direito sempre tem uma resposta pronta (a crítica que Dworkin lhe dirigirá) Separação conceitual entre direito e moral: ao contrário do jusnaturalismo, a validade jurídica de uma norma depende de critérios formais (pertença ao sistema), não de seu conteúdo moral. Uma norma injusta pode ser válida; uma norma moralmente correta pode não ser direito. Isso não implica que o direito não deva ser criticado moralmente — apenas que tal crítica pertence a um plano distinto Conteúdo mínimo de direito natural: apesar da separação, Hart admite que qualquer sistema jurídico que aspire à subsistência deve incorporar um núcleo de normas (proteção da vida, propriedade, cumprimento de promessas) impostas pelas contingências da natureza humana — o “conteúdo mínimo de direito natural” Debate Hart-Fuller (1958): no Harvard Law Review, Hart e Lon Fuller travaram o debate mais célebre da filosofia do direito anglofônica do séc. XX. Contra a tese de Fuller de que o direito possui uma “moralidade interna”, Hart insiste que validade e moralidade são conceitualmente distintas Influenciado por Jeremy Bentham — precursor do positivismo jurídico, crítico do direito natural John Austin — command theory e a ideia de que o direito é o comando do soberano (Hart critica e supera Austin) Ludwig Wittgenstein — filosofia da linguagem, significado como uso, textura aberta J.L. Austin — filosofia da linguagem ordinária de Oxford Hans Kelsen — positivismo normativista (Hart dialoga criticamente com a Grundnorm) Influenciou Ronald Dworkin — Taking Rights Seriously (1977) e Law’s Empire (1986) são a principal resposta filosófica a Hart Joseph Raz — The Concept of a Legal System (1970) e a tese da autoridade do direito Neil MacCormick — positivismo institucional Toda a tradição da jurisprudência analítica anglofônica Obras Causation in the Law (1959, com Tony Honoré); The Concept of Law (1961; 2.ª ed. póstumo 1994, com “Postscript”); Law, Liberty, and Morality (1963); The Morality of the Criminal Law (1964); Punishment and Responsibility (1968); Essays on Bentham (1982); Essays in Jurisprudence and Philosophy (1983). ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Hannah Arendt

Hannah Arendt Filósofa política alemã-americana, judia, discípula de Heidegger e Jaspers. Pensadora do totalitarismo, da liberdade política e da ação humana. Uma das vozes mais originais do séc. XX. Formada na tradição fenomenológica e existencial alemã, Arendt escreveu sua tese de doutorado sobre o conceito de amor em Santo Agostinho, sob a orientação de Jaspers. A ascensão do nazismo interrompeu radicalmente sua trajetória: judia, viu-se forçada a fugir da Alemanha em 1933 e, depois de anos como apátrida na França, emigrou para os Estados Unidos, onde se naturalizou cidadã norte-americana. A experiência do desenraizamento, da perseguição e da perda do mundo comum tornou-se o solo vivido a partir do qual sua obra interroga o que significa, no século dos campos de concentração e do refúgio em massa, conservar um lugar para a dignidade e a pluralidade humanas. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer Filósofo alemão; principal representante da hermenêutica filosófica do séc. XX. Discípulo de Heidegger; sua obra Verdade e Método (1960) reformulou o problema da compreensão como questão filosófica fundamental. Formado em Marburgo no clima do neokantismo, Gadamer encontrou em Heidegger a virada decisiva de sua trajetória: a analítica da existência mostrava que compreender não é uma operação intelectual entre outras, mas o próprio modo de ser do homem no mundo. Seus primeiros trabalhos voltaram-se sobretudo ao diálogo platônico e à ética dialética de Platão, e foi apenas na maturidade — quando já ocupava a cátedra de Heidelberg — que publicou a obra que o consagraria, escrita já aos sessenta anos. Atravessando os anos do nazismo sem se filiar ao Partido — ainda que, como muitos acadêmicos, tenha assinado em 1933 o juramento de fidelidade dos professores ao novo regime — e sobrevivendo a duas guerras, Gadamer só alcançaria reconhecimento internacional na segunda metade do século, tornando-se uma das vozes filosóficas mais longevas e respeitadas da Europa. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Henri Bergson

Henri Bergson Filósofo francês; Nobel de Literatura (1927). Criticou o mecanicismo científico e o intelectualismo, propondo a intuição como método filosófico superior e a duração como o tempo real da consciência. Influência enorme no início do séc. XX. Conceitos-chave Duração (durée): o tempo vivido pela consciência é radicalmente diferente do tempo mensurável da ciência — é fluxo contínuo e heterogêneo, não sucessão de instantes discretos. O relógio espacializa o tempo, falsificando-o Intuição: o método filosófico por excelência — simpatia intelectual que se insere no interior do objeto, apreendendo-o em seu devir; superior à inteligência analítica, que fragmenta e espacializa Inteligência vs. intuição: a inteligência evoluiu para agir sobre a matéria (recortar, medir, fabricar); só a intuição capta o vivente em sua duração. A filosofia deve superar a inteligência por si mesma Élan vital (A Evolução Criadora, 1907): força vital imanente que impulsiona a evolução — não teleológica nem mecanicista, mas criativa e imprevisível; a vida é invenção contínua de formas novas Memória (Matéria e Memória, 1896): distinção entre memória-hábito (motora, corporal) e memória-pura (imagem do passado tal como foi); o presente é ponta do passado — não existe presente puro Riso (O Riso, 1900): rimos do que é mecânico superposto ao vivo — rigidez onde esperamos flexibilidade. A comédia é diagnóstico social Influenciado por Kant — criticismo e limites do conhecimento (mas supera o idealismo) Herbert Spencer — evolução (ponto de partida para crítica) William James — pragmatismo e experiência do tempo Influenciou Merleau Ponty — corpo e percepção Deleuze — Bergsonismo (1966): o conceito de duração e multiplicidade como base de sua ontologia da diferença William James — troca mútua Modernismo literário (Proust, o tempo da memória) Husserl — paralelismos na crítica ao tempo objetivo Obras Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência (1889); Matéria e Memória (1896); O Riso (1900); A Evolução Criadora (1907); Introdução à Metafísica (1903); As Duas Fontes da Moral e da Religião (1932). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse Nascido em Berlim em 1898, Herbert Marcuse combateu na Primeira Guerra, estudou filosofia com Heidegger e Husserl em Freiburg e integrou o Instituto de Pesquisa Social. Exilado nos Estados Unidos durante o nazismo — onde nunca mais deixaria de viver —, tornou-se professor universitário e, nos anos 1960, o “guru da Nova Esquerda”: suas ideias inspiraram diretamente os movimentos estudantis de 1968, e Angela Davis foi sua aluna. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jacques Derrida

Jacques Derrida Filósofo argelino-francês; fundador da desconstrução. Subverteu a tradição metafísica ocidental mostrando que ela é estruturada por oposições binárias hierárquicas e pela metafísica da presença. Nascido em El-Biar, nos arredores de Argel, numa família judaica, Derrida formou-se na École normale supérieure de Paris e iniciou seu percurso a partir de uma leitura minuciosa da fenomenologia de Husserl. Sua entrada explosiva no debate intelectual deu-se em 1966, com a conferência apresentada na Universidade Johns Hopkins, na qual questionava a noção de estrutura como algo organizado em torno de um centro estável — gesto que o afastou do estruturalismo então dominante e abriu o que se chamaria de pós-estruturalismo. No ano seguinte publicou simultaneamente três obras que fixaram seu vocabulário e seu método, consolidando a desconstrução não como uma doutrina, mas como uma prática de leitura atenta às tensões que cada texto não consegue dominar. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre Filósofo, romancista e dramaturgo, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e formou-se na École Normale Supérieure, onde conheceu Simone de Beauvoir, sua companheira intelectual e afetiva por toda a vida. Uma temporada em Berlim, nos anos 1930, pô-lo em contato direto com a fenomenologia de Husserl e Heidegger, que se tornaria a base de seu pensamento. Prisioneiro de guerra em 1940-41 e depois figura central da intelectualidade parisiense do pós-guerra, fez da filosofia um exercício público e engajado: fundou a revista Les Temps Modernes, aproximou-se do marxismo e, fiel à sua recusa de honrarias institucionais, declinou o Prêmio Nobel de Literatura em 1964. Sua morte, em 1980, levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Paris. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

John Rawls

John Rawls Filósofo político americano; Uma Teoria da Justiça (1971) relançou a filosofia política normativa após décadas de domínio do positivismo e do utilitarismo. A obra mais influente da filosofia política do séc. XX. Professor em Harvard durante a maior parte de sua carreira, Rawls escreveu num momento em que muitos consideravam a filosofia política morta, reduzida a análise conceitual ou a uma história das doutrinas. Seu problema central era encontrar uma concepção de justiça para as instituições básicas da sociedade — a constituição, a economia, a família — que pudesse ser aceita por cidadãos livres e iguais sem apelar a uma única visão de mundo. Contra o utilitarismo dominante, que estava disposto a sacrificar o bem-estar de alguns em nome da soma agregada, Rawls insistia que cada pessoa possui uma inviolabilidade fundada na justiça que nem o bem-estar geral pode anular. Para articular essa intuição, recuperou a tradição contratualista de Locke, Rousseau e Kant, mas em um nível mais alto de abstração: o acordo não versa sobre um governo concreto, e sim sobre os próprios princípios que devem reger a estrutura básica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Judith Butler

Judith Butler Filósofa americana; figura central da teoria queer e dos estudos de gênero. Problemas de Gênero (1990) transformou as humanidades ao propor que o gênero não é identidade fixa, mas performance. Nascida em Cleveland, Ohio, em 1956, Butler doutorou-se em filosofia pela Universidade Yale em 1984 com uma dissertação sobre a recepção hegeliana na França. Sua formação atravessa o existencialismo francês, a fenomenologia e o pós-estruturalismo, combinação que lhe permitiu interrogar categorias consideradas naturais — como “sexo”, “gênero” e “sujeito” — a partir de seus processos históricos de produção. O problema central que guia sua obra é: de que modo as normas culturais fabricam corpos e identidades que passam por naturais? Essa questão a situa no cruzamento entre filosofia continental, teoria feminista e política das minorias. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Jürgen Habermas

Jürgen Habermas Nascido em 1929, na Alemanha, e marcado na juventude pela experiência do nazismo e do pós-guerra, Jürgen Habermas tornou-se o principal nome da segunda geração da Escola de Frankfurt e um dos filósofos mais influentes das últimas décadas (faleceu em 2026). Assistente de Adorno, herdou a tradição da Teoria Crítica, mas recusou seu pessimismo: onde Horkheimer e Adorno viam a razão moderna degenerar em pura dominação, Habermas procurou resgatar um potencial emancipatório da própria razão. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Jaspers

Karl Jaspers Psiquiatra e filósofo alemão, uma das figuras centrais da filosofia da existência ao lado de Heidegger e Kierkegaard. Partiu da psiquiatria (Psicopatologia Geral, 1913) para a filosofia, desenvolvendo uma reflexão sobre a existência humana centrada nas situações-limite, na comunicação existencial e na transcendência. Foi mentor de Hannah Arendt em Heidelberg. Após a Segunda Guerra, tornou-se voz influente sobre a questão da culpa alemã e sobre os fundamentos éticos da política. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Popper

Karl Popper Filósofo austríaco-britânico. Propôs o falsificacionismo como critério de demarcação científica e defendeu a sociedade aberta contra o totalitarismo. Crítico agudo do marxismo e do historicismo. Nascido em Viena em 1902, Popper formou-se em contato com o Círculo de Viena — o grupo de filósofos e cientistas que buscava fundar o conhecimento em bases estritamente verificacionistas. Em vez de aderir ao verificacionismo, porém, Popper inverteu a questão: o problema central da epistemologia não é como confirmamos teorias, mas como as distinguimos de pseudo-ciências. Sua resposta, o falsificacionismo, estabeleceu que o marco da cientificidade é a refutabilidade: uma teoria é científica se — e somente se — é possível conceber um experimento ou observação capaz de derrubá-la. Essa virada metodológica, apresentada em A Lógica da Descoberta Científica (1934), redefiniu os fundamentos da filosofia da ciência do século XX. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
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