Imre Lakatos

Imre Lakatos Imre Lakatos foi um filósofo da ciência e da matemática húngaro-britânico, professor na London School of Economics e uma das figuras centrais do debate sobre racionalidade científica nas décadas de 1960 e 1970. Sua obra busca uma posição intermediária entre o falsificacionismo de Popper e a visão histórica de Kuhn: contra a ideia de que uma única refutação derruba uma teoria, mas também contra a ideia de que mudanças científicas seriam meras “conversões” irracionais. Lakatos propôs que a unidade de avaliação científica não é a teoria isolada, mas o programa de pesquisa, julgado ao longo do tempo por sua capacidade de antecipar fatos novos. Foi também um filósofo da matemática original, mostrando em Provas e Refutações que o conhecimento matemático cresce por um processo dinâmico de conjecturas, demonstrações e contraexemplos, e não por dedução pura e acabada. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Karl Popper

Karl Popper Filósofo austríaco-britânico. Propôs o falsificacionismo como critério de demarcação científica e defendeu a sociedade aberta contra o totalitarismo. Crítico agudo do marxismo e do historicismo. Conceitos-chave Falsificabilidade (Lógica da Descoberta Científica, 1934): uma teoria científica não é aquela que pode ser verificada (indução — problema de Hume), mas a que pode ser falsificada — que admite a possibilidade de ser refutada por experimentos. Psicanálise e marxismo não são ciências: são imunes à refutação Problema da indução (solução assimétrica): nenhum número de observações confirma uma lei universal; um único contra-exemplo a falsifica. Ciência progride pela sobrevivência das teorias mais audazes ao escrutínio severo Racionalismo crítico: a razão avança por conjecturas ousadas e refutações rigorosas — não por acumulação indutiva segura Epistemologia evolucionista: o crescimento do conhecimento é análogo à evolução biológica — variações (conjecturas) eliminadas por seleção (refutação) Sociedade Aberta (A Sociedade Aberta e seus Inimigos, 1945): sociedades que permitem crítica, reforma e mudança pacífica das instituições; crítica a Platão, Hegel e Marx como “inimigos” — historicismos que acreditam em leis inevitáveis da história e justificam autoritarismo Historicismo: a crença de que existem leis históricas que permitem prever o futuro — Popper argumenta que é uma falácia perigosa; o futuro é aberto Influenciado por Kant — limites do conhecimento e papel ativo do sujeito Hume — problema da indução (ponto de partida) Einstein — ciência como ousadia conjectural refutável Influenciou Filosofia da ciência contemporânea (Lakatos, Feyerabend — discípulos e críticos) Thomas Kuhn (debate sobre progresso científico) Liberalismo político contemporâneo George Soros — aplicou a “sociedade aberta” como projeto político e filantrópico Obras A Lógica da Descoberta Científica (1934); A Miséria do Historicismo (1944); A Sociedade Aberta e seus Inimigos (1945); Conjecturas e Refutações (1963); Conhecimento Objetivo (1972). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Paul Feyerabend

Paul Feyerabend Paul Feyerabend foi um filósofo da ciência austríaco, uma das vozes mais provocadoras do século XX. Formado em Viena e radicado por décadas em Berkeley, começou próximo do empirismo lógico e do racionalismo crítico de Popper — chegou a estudar com Popper na London School of Economics — para depois se tornar um de seus críticos mais incisivos. Sua obra mais célebre, Contra o Método (1975), defende o anarquismo epistemológico: a tese de que não existe um método científico único, universal e a-histórico capaz de explicar o sucesso da ciência. Examinando episódios reais da história da ciência, sobretudo o caso de Galileu, Feyerabend argumenta que o progresso frequentemente exigiu violar as regras metodológicas então vigentes. Sua provocação tornou-se sinônimo de uma defesa radical do pluralismo e da liberdade intelectual contra qualquer dogmatismo, inclusive o científico. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Thomas Kuhn

Thomas Kuhn Historiador e filósofo da ciência americano. A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) transformou completamente a compreensão do progresso científico e introduziu o conceito de paradigma no vocabulário intelectual global. Conceitos-chave Paradigma: conjunto de teorias, métodos, problemas exemplares e valores partilhados por uma comunidade científica; determina o que conta como problema legítimo e solução aceitável Ciência normal: período de trabalho rotineiro de “resolução de enigmas” (puzzle-solving) dentro de um paradigma estabelecido; não questiona os fundamentos Anomalia: resultado experimental ou teórico que não se encaixa no paradigma; inicialmente ignorada ou neutralizada Crise: acumulação de anomalias resistentes que abalam a confiança no paradigma Revolução científica: substituição de um paradigma por outro incompatível — não por acumulação gradual, mas por conversão da comunidade científica; exemplos: Copérnico, Lavoisier, Einstein Incomensurabilidade: paradigmas rivais são incomensuráveis — não há linguagem neutra para compará-los diretamente; cientistas vivem em “mundos diferentes” Ciência como prática social: o progresso científico é determinado por fatores sociológicos e históricos, não apenas lógicos — desafio ao modelo racionalista de Popper Influenciado por Karl Popper — filosofia da ciência (ponto de debate) Alexandre Koyré — história das ideias científicas Ludwik Fleck — coletivos de pensamento e estilos de pensamento (precursor) Wittgenstein — jogos de linguagem e formas de vida Influenciou Popper — debate Kuhn-Popper sobre racionalidade científica Paul Feyerabend — anarquismo epistemológico (Against Method) Imre Lakatos — programas de pesquisa científica Sociologia do conhecimento (escola de Edimburgo) Humanidades em geral — “paradigma” tornou-se termo universal Obras A Estrutura das Revoluções Científicas (1962); A Tensão Essencial (1977); A Teoria do Corpo Negro e a Descontinuidade Quântica (1978). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia
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