Kwame Anthony Appiah

Kwame Anthony Appiah Kwame Anthony Appiah nasceu em 8 de maio de 1954 em Londres, de pai ganês (Joe Appiah, advogado e político) e mãe britânica (Peggy Cripps). Cresceu em Kumasi, Gana, e estudou filosofia em Cambridge (BA e PhD). Lecionou em Yale, Cornell, Duke, Harvard e Princeton; atualmente é professor na New York University. Appiah é um dos filósofos mais versáteis e influentes do mundo anglófono contemporâneo, com contribuições à ética, à filosofia da linguagem, à filosofia da mente, à teoria racial e à filosofia política. É um dos pensadores que mais sistematicamente questionou os pressupostos do “racialismo” — a crença de que existem raças biológicas humanas dotadas de essências morais e intelectuais. ...

Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein Nascido em Viena em 1889, no seio de uma das famílias mais ricas e cultas do Império Austro-Húngaro, Ludwig Wittgenstein começou estudando engenharia aeronáutica, mas a reflexão sobre os fundamentos da matemática o levou à lógica e, daí, a Cambridge, para estudar com Bertrand Russell. Sua biografia é tão singular quanto seu pensamento: combateu na Primeira Guerra, doou a fortuna herdada, foi professor primário numa aldeia, jardineiro e até arquiteto, antes de retornar à filosofia acadêmica. É a figura mais influente da filosofia analítica do século XX — e, raríssimo, autor de duas filosofias distintas e igualmente decisivas, ambas centradas na linguagem. ...

Philippa Foot

Philippa Foot Philippa Foot (1920–2010) foi uma das mais influentes filósofas morais britânicas do século XX e figura central no renascimento da ética da virtude. Formada e por muito tempo radicada em Oxford, ensinou também por longos períodos nos Estados Unidos. Sua trajetória intelectual representa um desafio sistemático ao não-cognitivismo e ao emotivismo que dominavam a metaética anglófona do pós-guerra: contra a tese de uma separação radical entre fato e valor, Foot procurou mostrar que os juízos morais têm conteúdo cognitivo e estão enraizados em fatos sobre a vida humana. Sua obra culmina no naturalismo ético neoaristotélico de Natural Goodness (2001). Foi também figura de consciência cívica: ajudou a fundar a Oxfam, organização de combate à fome e à pobreza. ...

Richard Rorty

Richard Rorty Richard McKay Rorty foi um filósofo americano que lecionou em Princeton, na Universidade da Virgínia e em Stanford. Começou como filósofo analítico formado na tradição Wittgenstein-Sellars, mas Philosophy and the Mirror of Nature (1979) o projetou como um dos críticos mais radicais da tradição epistemológica ocidental. Rorty é o principal representante do neopragmatismo, que combina a herança pragmatista americana (Dewey, James) com elementos da filosofia continental (Heidegger, Derrida) e da filosofia analítica tardia (Wittgenstein, Quine, Sellars). ...

Rudolf Carnap

Rudolf Carnap Rudolf Carnap foi a figura mais sistemática e influente do Círculo de Viena e do empirismo lógico, movimento que buscou refundar a filosofia sobre o rigor da lógica moderna e a fidelidade à experiência. Formado em física, lógica e filosofia na Alemanha, estudou com Gottlob Frege em Jena antes de se associar ao Círculo de Viena nos anos 1920. Com a ascensão do nazismo, emigrou para os Estados Unidos, onde lecionou em Chicago e na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Sua obra atravessa a construção lógica do conhecimento, a sintaxe e a semântica da linguagem, a teoria da confirmação e a lógica indutiva, sempre guiada pelo ideal de clareza conceitual. ...

Saul Kripke

Saul Kripke Saul Aaron Kripke foi provavelmente o filósofo analítico mais dotado tecnicamente de sua geração. Nascido em Omaha, Nebraska, revelou aptidão extraordinária desde a adolescência: publicou seu primeiro artigo lógico de maturidade — uma prova de completude para lógica modal — com dezoito anos, e correspondeu-se com profissionais de lógica enquanto ainda cursava o ensino médio. Professor em Princeton e depois no CUNY Graduate Center, Kripke transformou a metafísica, a filosofia da linguagem e a lógica modal de modo que praticamente toda filosofia analítica posterior ao debate em torno de Naming and Necessity é, em algum grau, uma resposta a ele. ...

Thomas Nagel

Thomas Nagel Thomas Nagel é um dos filósofos contemporâneos mais respeitados em filosofia da mente, ética e filosofia política. Nascido em 1937, é professor na Universidade de Nova York (NYU). Sua obra retorna obstinadamente a um tema: a dificuldade de conciliar a perspectiva interna e subjetiva de cada ser consciente com a perspectiva externa, impessoal e objetiva que a ciência e a razão buscam. Conhecido pela prosa límpida e pela honestidade intelectual com que expõe os limites das próprias soluções, Nagel resiste tanto às reduções fáceis quanto ao misticismo, defendendo que certos problemas filosóficos são genuínos e não devem ser dissolvidos prematuramente. ...

W.V.O. Quine

W.V.O. Quine Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. Holismo Epistêmico (Tese Duhem-Quine): As crenças não enfrentam o tribunal da experiência individualmente, mas em conjunto (web of beliefs). Quando a experiência contradiz uma crença, podemos ajustar qualquer parte do sistema — inclusive leis lógicas. Esta visão é radicalmente diferente do verificacionismo sentença-por-sentença do positivismo. Indeterminação da Tradução (Word and Object, 1960): O famoso exemplo de “gavagai”: diante de um nativo que profere “gavagai” ao ver um coelho, o tradutor radical pode traduzir como “coelho”, “parte não-separada de coelho” ou “instanciação de coelho” — todas as hipóteses são empiricamente equivalentes, mas mutuamente incompatíveis. Não há fato da matéria que determine a tradução correta. Tese radical sobre os limites do significado. Ontological Relativity (“Ontological Relativity”, 1968; em Ontological Relativity and Other Essays, 1969): O que existe é relativo ao esquema conceitual adotado. O critério de compromisso ontológico de Quine: uma teoria se compromete com a existência de X se e somente se precisa quantificar sobre X para ser verdadeira — “to be is to be the value of a bound variable”. Epistemologia Naturalizada (“Epistemology Naturalized”, em Ontological Relativity, 1969): A epistemologia tradicional buscava fundamentos a priori para o conhecimento. Quine propõe abandonar este projeto: a epistemologia deve ser naturalizada — tornar-se um capítulo da psicologia e neurociência, investigando empiricamente como os humanos chegam à ciência a partir de inputs sensoriais. Comportamentalismo Semântico: O significado de termos deve ser explicado em termos de disposições verbais observáveis — sem apelo a entidades mentais misteriosas. Esta posição é coerente com o naturalismo de Quine mas gera tensão com a fenomenologia da linguagem. ...

Wilfrid Sellars

Wilfrid Sellars Wilfrid Sellars foi um dos filósofos analíticos americanos mais profundos e originais do século XX, embora menos lido pelo grande público do que sua influência justificaria. Formado em uma tradição que combinava o rigor analítico com o conhecimento da história da filosofia, dedicou-se a articular o que chamou de objetivo final da filosofia: “entender como as coisas, no sentido mais amplo do termo, se conectam, no sentido mais amplo do termo”. Sua obra busca conciliar o compromisso com a ciência e o naturalismo com o reconhecimento da dimensão normativa do pensamento e do conhecimento. Lecionou sobretudo na Universidade de Pittsburgh, onde formou uma linhagem influente de discípulos. ...

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