Lévinas — A Ética do Outro: Rosto, Alteridade e Responsabilidade

Imagine que toda a filosofia ocidental, de Parmênides a Heidegger, tenha cometido o mesmo gesto fundamental: reduzir o que é diferente ao que é idêntico, absorver o estranho no familiar, converter o Outro em um objeto do meu saber. Essa é a acusação que percorre a obra de Emmanuel Lévinas (1906–1995). Contra uma tradição que fez da pergunta pelo ser a sua questão maior, Lévinas afirma algo aparentemente simples e radicalmente subversivo: antes da ontologia há a ética. Antes de eu compreender o mundo, já estou obrigado por um rosto que me olha e diz “não matarás”. ...

29 maio 2026 · 13 minutos · Resumidor de Filosofia

A Fenomenologia como Movimento: De Husserl a Merleau-Ponty

O Que é a Fenomenologia? “De volta às coisas mesmas!” — este princípio metodológico, associado a Edmund Husserl, resume a motivação fundamental do movimento fenomenológico: abandonar construções teóricas abstratas, hipóteses metafísicas não-verificadas e o pressuposto do naturalismo científico, para voltar a uma descrição rigorosa da experiência tal como ela se apresenta à consciência. O nome “fenomenologia” é literalmente o estudo (lógos) dos fenômenos (phainómena) — daquilo que se manifesta, que aparece. Mas o que aparece não é algo por trás do qual estaria a “coisa-em-si” oculta: o fenômeno, para Husserl, é precisamente aquilo que se dá à consciência em sua aparição, e é sobre essa aparição que a fenomenologia reflete. ...

22 maio 2026 · 5 minutos · Resumidor de Filosofia

Heidegger — Ser e Tempo, Dasein e a Questão do Ser

A história da filosofia ocidental pode ser lida, sem exagero, como a história do esquecimento do ser. Essa é a tese que atravessa toda a obra de Martin Heidegger (1889–1976) — possivelmente o filósofo mais influente e mais controverso do século XX. Ser e Tempo (1927), sua obra principal, não propôs mais uma teoria sobre o mundo, a mente ou a moral: propôs que a filosofia inteira — de Platão a Nietzsche — havia deixado impensada a sua questão mais fundamental: o que significa ser? ...

10 maio 2026 · 12 minutos · Resumidor de Filosofia

Epoché (ἐποχή): A Suspensão do Juízo dos Céticos Antigos à Fenomenologia

Poucos gestos filosóficos são tão radicais — e tão fecundos — quanto a decisão de parar de julgar. A epoché (ἐποχή), a suspensão deliberada do juízo, atravessa a história da filosofia ocidental como um fio condutor que liga o ceticismo antigo à fenomenologia contemporânea, passando pela dúvida cartesiana e pelo empirismo britânico. Nascida como prática de vida entre os céticos pirrônicos, que nela buscavam a tranquilidade da alma, a epoché foi reapropriada vinte e três séculos depois por Edmund Husserl como método fundante da fenomenologia — o caminho de acesso às “coisas mesmas”. ...

8 maio 2026 · 19 minutos · Resumidor de Filosofia

A Estrutura da Realidade: O Que Existe, Segundo Todas as Correntes Filosóficas

Qual é a estrutura da realidade? O que existe de verdade — e o que é ilusão, aparência ou construção da nossa mente? Essa é a pergunta mais antiga, mais persistente e mais vertiginosa de toda a filosofia. De Tales de Mileto, que no século VI a.C. declarou que tudo é água, até os físicos quânticos que hoje debatem se o universo é feito de cordas vibrantes em onze dimensões, a humanidade nunca parou de perguntar: o que é isso que chamamos de realidade? ...

6 maio 2026 · 23 minutos · Resumidor de Filosofia

Byung-Chul Han

Byung-Chul Han Byung-Chul Han (한병철, n. 1959, Seul) é um filósofo sul-coreano radicado na Alemanha. Estudou metalurgia em Seul antes de migrar para a Alemanha, onde concluiu seus estudos de filosofia em Freiburg e Munique, com doutorado sobre Heidegger. Foi professor na Universidade das Artes de Berlim e tornou-se uma das vozes mais traduzidas da crítica cultural contemporânea graças a uma série de livros curtos, aforísticos e densamente fenomenológicos. Sua tese central é que a sociedade contemporânea passou da “sociedade disciplinar” descrita por Foucault para uma Leistungsgesellschaft — sociedade do desempenho — em que o sujeito, dispensado da coerção externa, exerce sobre si mesmo uma violência tão mais eficaz quanto mais voluntária. Han mobiliza Heidegger, Hegel, Hannah Arendt e o pensamento extremo-oriental (sobretudo o budismo zen) para diagnosticar nossa época. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Edmund Husserl

Edmund Husserl Nascido em 1859 em Proßnitz, na Morávia (então Império Austríaco), Edmund Husserl formou-se em matemática antes de se voltar para a filosofia sob a influência de Franz Brentano, de quem herdou a noção de intencionalidade. Insatisfeito com o psicologismo que reduzia a lógica a leis da mente, propôs-se a refundar a filosofia como ciência rigorosa, capaz de descrever com exatidão a experiência. Foi professor em Göttingen e Freiburg, onde teve Heidegger como assistente e sucessor. Judeu, foi despojado de seus direitos pelo nazismo e morreu isolado em 1938; seus milhares de manuscritos só se salvaram porque um monge franciscano os contrabandeou para a Bélgica. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Emmanuel Lévinas

Emmanuel Lévinas Filósofo lituano-francês, um dos pensadores mais importantes do século XX. Introduziu Husserl e Heidegger na França, mas depois os superou criticamente. Sobrevivente do Holocausto, desenvolveu uma filosofia onde a ética é a filosofia primeira — anterior à ontologia. Conceitos-chave O Rosto (le visage): a manifestação do Outro que me interpela e exige resposta — não é uma face física, mas uma presença ética que diz “não matarás”; o ponto de onde emerge toda responsabilidade moral Ética como filosofia primeira: contra Heidegger, para quem a ontologia (ser) é fundamento de tudo — para Lévinas, a relação ética com o Outro precede e funda toda ontologia Alteridade radical (autrui): o Outro não é redutível ao mesmo, não pode ser totalmente compreendido ou assimilado — sua irredutibilidade é o fato ético fundamental Totalidade e Infinito: a filosofia ocidental tende à “totalização” — englobar o diferente no mesmo. O Infinito irrompe nessa totalidade pelo rosto do Outro, resistindo à captura Responsabilidade infinita: sou responsável pelo Outro de modo assimétrico e sem reciprocidade — “sou responsável mesmo pelo que não fiz”; a responsabilidade precede a liberdade Il y a (há): experiência do ser anônimo, impessoal, ameaçador — o rumor do ser antes de qualquer existente; a noite em que o ser se torna insuportável Dizer e Dito (le Dire / le Dit): o “Dizer” é a exposição ética ao Outro, o ato de endereçamento; o “Dito” é o conteúdo proposicional — a ética está no Dizer, que o Dito sempre trai Influenciado por Husserl — fenomenologia (foi seu aluno e tradutor) Heidegger — ontologia fundamental (depois criticamente superado) Bergson — filosofia da duração e vida Tradição judaica (Talmude, Rosenzweig, Buber) Influenciou Derrida — desconstrução e ética (debate sobre violência e metafísica) Habermas — ética e reconhecimento do outro Judith Butler — vulnerabilidade e responsabilidade ética Teologia cristã e judaica contemporânea Estudos pós-coloniais e teoria do reconhecimento Obras Da Existência ao Existente (1947); Totalidade e Infinito (1961); De Outra Forma que Ser (1974); Ética e Infinito (1982). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Franz Brentano

Franz Brentano Franz Brentano (1838–1917) foi um filósofo austríaco-alemão cuja obra constitui um dos pontos de inflexão silenciosos da filosofia moderna. Nascido em Marienberg am Rhein, em uma família católica de origem italiana — era sobrinho-neto do poeta romântico Clemens Brentano —, doutorou-se em 1862 em Tübingen com a tese Von der mannigfachen Bedeutung des Seienden nach Aristoteles (“Dos múltiplos sentidos do ente em Aristóteles”), trabalho que, lido na adolescência por Martin Heidegger, marcaria toda uma linhagem de retorno a Aristóteles no século XX. Ordenado sacerdote católico em 1864, habilitou-se em Würzburg em 1866 e renunciou ao sacerdócio em 1873, em meio à crise aberta pelo dogma da infalibilidade papal (Vaticano I, 1870). Em Viena, onde lecionou de 1874 a 1895, formou uma constelação de discípulos — Husserl, Meinong, Twardowski, Stumpf, Ehrenfels, Marty — que dariam origem à fenomenologia, à teoria do objeto e à Escola de Lvov-Varsóvia. Perdeu a cátedra em 1880 por casar-se (a lei austríaca tratava ex-padres como ainda vinculados ao celibato) e foi reduzido a Privatdozent. Aposentado em 1895, viveu em Florença e depois em Zurique, onde morreu cego em 1917. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Gerd Bornheim

Gerd Alberto Bornheim (1929–2002), nascido em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, foi um dos principais introdutores e intérpretes do existencialismo e da fenomenologia no Brasil. Sua atividade intelectual abrangeu um campo amplo: além do existencialismo, dedicou-se à dialética, ao estudo dos filósofos pré-socráticos e à filosofia da arte e do teatro. Professor em diversas instituições, entre as quais a USP, a UFRGS, a UERJ e a PUC, exerceu papel decisivo na formação filosófica de várias gerações. Sua escrita conjuga clareza expositiva e rigor conceitual, o que fez de obras como sua introdução ao filosofar e seu estudo sobre Sartre referências de leitura para estudantes de filosofia no país. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre Filósofo, romancista e dramaturgo, Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e formou-se na École Normale Supérieure, onde conheceu Simone de Beauvoir, sua companheira intelectual e afetiva por toda a vida. Uma temporada em Berlim, nos anos 1930, pô-lo em contato direto com a fenomenologia de Husserl e Heidegger, que se tornaria a base de seu pensamento. Prisioneiro de guerra em 1940-41 e depois figura central da intelectualidade parisiense do pós-guerra, fez da filosofia um exercício público e engajado: fundou a revista Les Temps Modernes, aproximou-se do marxismo e, fiel à sua recusa de honrarias institucionais, declinou o Prêmio Nobel de Literatura em 1964. Sua morte, em 1980, levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Paris. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Marilena Chaui

Marilena Chaui Marilena de Souza Chaui (nascida em 1941, em São Paulo) é uma das mais influentes filósofas brasileiras vivas e professora emérita da Universidade de São Paulo, onde se formou e construiu toda a sua carreira docente. Sua obra articula um conhecimento profundo da filosofia de Espinosa e da fenomenologia de Merleau-Ponty com uma reflexão crítica e engajada sobre a sociedade brasileira. Defensora da universidade pública e intelectual de esquerda, Chaui tornou-se também figura pública de grande projeção, sem abrir mão do rigor acadêmico. Seu manual Convite à Filosofia (1994) é um dos textos introdutórios mais lidos no Brasil, e sua leitura de Espinosa, consolidada na obra A Nervura do Real, é referência internacional sobre o filósofo holandês. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Martin Heidegger

Martin Heidegger Martin Heidegger nasceu em Meßkirch, no sul da Alemanha, em 1889, em família católica modesta, e chegou à filosofia pela teologia. Assistente e depois sucessor de Husserl em Freiburg, publicou em 1927 Ser e Tempo, obra que o consagrou como um dos filósofos mais influentes — e mais controversos — do século XX. A controvérsia é inseparável de sua biografia: em 1933 assumiu a reitoria de Freiburg e filiou-se ao partido nazista, comprometimento que nunca renegou publicamente e que os Cadernos Negros, publicados décadas depois, revelaram atravessado por antissemitismo. O peso moral e filosófico desse engajamento permanece um debate em aberto. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Maurice Merleau-Ponty

Maurice Merleau-Ponty Nascido em 1908, na França, Maurice Merleau-Ponty formou-se na École Normale Supérieure ao lado de Sartre e Simone de Beauvoir, com quem fundaria a revista Les Temps Modernes antes de uma ruptura política. Em 1952 tornou-se o mais jovem catedrático de filosofia do Collège de France. Morreu subitamente em 1961, deixando inacabada sua última obra. É o grande fenomenólogo do corpo. Sua originalidade está em deslocar o centro da fenomenologia. Onde Husserl e o primeiro Sartre situavam a subjetividade na consciência, Merleau-Ponty a situa no corpo próprio (corps propre). O corpo não é um objeto que a mente habita, nem uma máquina movida pela alma: eu sou meu corpo. É por ele, e não por uma consciência desencarnada, que tenho um mundo — donde o primado da percepção, anterior a toda reflexão e a toda separação entre sujeito e objeto. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Nishida Kitaro

Nishida Kitaro Nota sobre romanização: os nomes japoneses são apresentados em romanização Hepburn, com caracteres originais entre parênteses na primeira ocorrência. Mācrons (ō, ū) indicam vogal longa. Na convenção japonesa o sobrenome (Nishida) precede o nome próprio (Kitarō); usa-se aqui a ordem japonesa, conforme prática editorial corrente para filósofos modernos do Japão. Nishida Kitarō (西田 幾多郎) é o fundador da Escola de Kyoto e o filósofo japonês moderno mais influente do século XX. Praticante de Zen Rinzai desde a juventude — sob orientação dos mestres Setsumon e Kōshū —, formou-se em filosofia na Universidade Imperial de Tóquio e lecionou na Universidade Imperial de Kyoto, onde reuniu em torno de si a geração que daria corpo à dita “Escola”. Seu projeto pode ser descrito como a tentativa, sem precedente comparável no Japão moderno, de articular a experiência meditativa budista com o vocabulário e o rigor da filosofia europeia (sobretudo alemã) — sem, contudo, reduzir uma à outra. ...

1 janeiro 2026 · 4 minutos · Resumidor de Filosofia

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur Filósofo francês, um dos maiores hermeneutas do século XX. Sintetizou a fenomenologia de Husserl com a hermenêutica de Gadamer, a psicanálise de Freud e a filosofia analítica da ação. Sua obra percorre o conflito das interpretações, a teoria da narrativa e a ética do si mesmo. Conceitos-chave Hermenêutica do suspeito vs. da confiança: existem duas grandes tradições interpretativas — a da suspeita (Marx, Nietzsche, Freud — os textos escondem algo) e a da confiança (a tradição religiosa e poética — os textos revelam algo). A hermenêutica madura oscila entre as duas Identidade narrativa (identité narrative): a identidade pessoal não é uma substância fixa, mas é construída narrativamente — somos os personagens das histórias que contamos sobre nós mesmos (idem vs. ipse: identidade como mesmidade vs. ipseidade) Tempo e narrativa: o tempo humano só se torna compreensível quando narrado — a narrativa (historiografia e ficção) configura a experiência temporal e lhe dá sentido (mimesis em três fases: prefiguração, configuração, refiguração) Metáfora viva: a metáfora não é mero ornamento retórico — ela cria novos significados ao aproximar campos semânticos distantes; “redescrevia a realidade” Conflito das interpretações: não há interpretação neutra — toda leitura envolve uma posição; a hermenêutica deve assumir o conflito entre perspectivas em vez de eliminá-lo O si mesmo como um outro (soi-même comme un autre): a ipseidade (quem sou) é sempre mediada pelo outro — a alteridade constitui o si mesmo; proposta de uma ética da solicitude e da justiça Pequena ética: “visar à vida boa, com e para os outros, em instituições justas” — articulação entre perspectiva ética (teleológica) e perspectiva moral (deontológica) Influenciado por Husserl e Heidegger — fenomenologia Gadamer — hermenêutica filosófica Freud — psicanálise e suspeita Marx e Nietzsche — hermenêutica da suspeita Filosofia analítica da ação (Austin, Strawson) Influenciou Teologia narrativa e bíblica Filosofia do direito e hermenêutica jurídica Historiografia e filosofia da história Habermas — ética e comunicação Obras Filosofia da Vontade (1950–60); Da Interpretação: Ensaio sobre Freud (1965); O Conflito das Interpretações (1969); A Metáfora Viva (1975); Tempo e Narrativa (3 vols., 1983–85); O Si-Mesmo Como um Outro (1990); A Memória, a História, o Esquecimento (2000). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Paulo Freire

Paulo Freire Nascido no Recife em 1921, em meio à pobreza do Nordeste brasileiro, Paulo Freire é o pensador brasileiro mais citado e traduzido no mundo, e o Patrono da Educação Brasileira. Sua filosofia nasceu da prática: em 1963, na experiência pioneira de Angicos, alfabetizou trabalhadores rurais em poucas semanas com um método que unia a leitura da palavra e a leitura do mundo. Visto como ameaça, foi preso e exilado após o golpe de 1964, passando por Bolívia, Chile, Estados Unidos e Suíça; só retornaria ao Brasil em 1980. Articulou fenomenologia, marxismo e existencialismo numa teoria que é, a um só tempo, pedagogia e filosofia política da emancipação. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Rodolfo Kusch

Rodolfo Kusch Nascido em Buenos Aires em 1922, em família de origem alemã, Rodolfo Kusch uniu filosofia e antropologia de um modo raro: em vez de pensar a América a partir dos livros europeus, percorreu o noroeste argentino e o altiplano boliviano em extenso trabalho de campo, ouvindo o pensamento quéchua e aimará. Dessa experiência nasceu uma pergunta radical: a ontologia europeia seria mesmo capaz de compreender a maior parte da experiência humana? ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia
[email protected]
Sobre · Contato · Política de Privacidade · Termos de Uso