Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo e o Feminismo Existencialista

Durante décadas, manuais de filosofia trataram Simone de Beauvoir como um apêndice de Jean-Paul Sartre — a companheira talentosa que aplicou ao “problema feminino” ideias que, supostamente, não eram suas. Essa leitura é tão tenaz quanto equivocada. Beauvoir foi uma filósofa original, cujas contribuições à ética existencialista e à teoria da opressão antecedem, em pontos decisivos, formulações que mais tarde se atribuíram a Sartre. E foi ela, não ele, quem produziu a obra que fundaria filosoficamente o feminismo do século XX. Ler Beauvoir como pensadora por direito próprio não é um gesto de cortesia historiográfica: é uma exigência de rigor. ...

Judith Butler: Gênero, Performatividade e os Limites de Sua Teoria

Poucos filósofos contemporâneos dividem tanto a opinião quanto Judith Butler. Para uns, ela é uma das pensadoras mais importantes do século XX — alguém que revolucionou a compreensão do gênero, da sexualidade e do poder. Para outros, é o símbolo máximo de uma filosofia que se perdeu no labirinto da própria linguagem, produzindo textos deliberadamente obscuros para mascarar ideias rasas. Para entender por que Butler provoca reações tão extremas, é preciso primeiro compreender o que ela realmente diz — e, depois, ter a honestidade intelectual de identificar onde o argumento vacila. ...

Gayatri Spivak

Gayatri Spivak Gayatri Chakravorty Spivak (n. 1942, Calcutá) é uma teórica indiana e professora de literatura comparada na Universidade Columbia. Sua tradução para o inglês de De la grammatologie (1976) tornou Derrida acessível ao mundo anglófono e marcou o início de uma das obras mais influentes — e dificultosamente sintética — da teoria contemporânea. Spivak combina desconstrução, marxismo, feminismo e crítica pós-colonial. Foi associada ao Subaltern Studies Group, coletivo de historiadores sul-asiáticos que, a partir de Gramsci e de Ranajit Guha, propunha reescrever a história colonial e nacional a partir das classes subalternas. Seu ensaio “Can the Subaltern Speak?” (1988; Pode o subalterno falar?) tornou-se referência canônica do campo. Em obras posteriores, Spivak ampliou sua reflexão para a globalização, a pedagogia e a literatura-mundo. ...

Judith Butler

Judith Butler Filósofa americana; figura central da teoria queer e dos estudos de gênero. Problemas de Gênero (1990) transformou as humanidades ao propor que o gênero não é identidade fixa, mas performance. Nascida em Cleveland, Ohio, em 1956, Butler doutorou-se em filosofia pela Universidade Yale em 1984 com uma dissertação sobre a recepção hegeliana na França. Sua formação atravessa o existencialismo francês, a fenomenologia e o pós-estruturalismo, combinação que lhe permitiu interrogar categorias consideradas naturais — como “sexo”, “gênero” e “sujeito” — a partir de seus processos históricos de produção. O problema central que guia sua obra é: de que modo as normas culturais fabricam corpos e identidades que passam por naturais? Essa questão a situa no cruzamento entre filosofia continental, teoria feminista e política das minorias. ...

Mary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft Mary Wollstonecraft foi uma escritora, filósofa e defensora dos direitos das mulheres britânica, cujo A Vindication of the Rights of Woman (1792) é considerado um dos textos fundadores do feminismo filosófico moderno. Contemporânea das revoluções americana e francesa, Wollstonecraft aplicou os princípios iluministas de razão e igualdade às relações entre os sexos, desafiando a divisão entre esferas pública e privada que excluía as mulheres da cidadania plena. Conceitos-chave Igualdade Racional (A Vindication of the Rights of Woman, 1792): Argumento central — mulheres e homens compartilham a mesma natureza racional. Se a razão é o fundamento da dignidade e dos direitos, como sustentam os iluministas, então as mulheres têm os mesmos títulos aos direitos políticos e educativos que os homens. A exclusão das mulheres da esfera racional é inconsistente com os próprios princípios do Iluminismo. ...

Nancy Fraser

Nancy Fraser Nancy Fraser (n. 20 de maio de 1947, Baltimore) é uma teórica crítica e filósofa feminista norte-americana, professora emérita da cátedra Henry A. and Louise Loeb na New School for Social Research, em Nova York. Herdeira da tradição da Escola de Frankfurt, é uma das vozes mais influentes da teoria crítica contemporânea. Sua contribuição mais célebre foi reformular a questão da justiça em torno da tensão entre redistribuição (a dimensão econômica) e reconhecimento (a dimensão cultural), alertando para o risco de que as lutas por identidade e visibilidade eclipsem as lutas por igualdade material. Nas últimas décadas, ampliou esse diagnóstico numa crítica abrangente do capitalismo e de suas relações com o feminismo, a ecologia e a democracia. ...

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir Filósofa francesa; companheira intelectual de Sartre. Fundadora do feminismo existencialista. O Segundo Sexo é um dos livros mais influentes do séc. XX. Nascida em Paris em 1908, Simone de Beauvoir formou-se em filosofia pela Sorbonne e pelo agrégation em 1929, tornando-se uma das primeiras mulheres a conquistar esse título na França. Inserida no círculo existencialista parisiense do pós-guerra, participou ativamente da revista Les Temps Modernes e engajou-se nos grandes debates políticos e morais de sua época, do anticolonialismo à crítica ao stalinismo. Seu projeto filosófico central consiste em aplicar as categorias do existencialismo sartriano — facticidade, situação, projeto — à condição concreta da mulher, mostrando que a opressão feminina não decorre da natureza, mas de estruturas históricas e sociais que podem e devem ser transformadas. ...

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