Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo e o Feminismo Existencialista

Durante décadas, manuais de filosofia trataram Simone de Beauvoir como um apêndice de Jean-Paul Sartre — a companheira talentosa que aplicou ao “problema feminino” ideias que, supostamente, não eram suas. Essa leitura é tão tenaz quanto equivocada. Beauvoir foi uma filósofa original, cujas contribuições à ética existencialista e à teoria da opressão antecedem, em pontos decisivos, formulações que mais tarde se atribuíram a Sartre. E foi ela, não ele, quem produziu a obra que fundaria filosoficamente o feminismo do século XX. Ler Beauvoir como pensadora por direito próprio não é um gesto de cortesia historiográfica: é uma exigência de rigor. ...

29 maio 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Judith Butler: Gênero, Performatividade e os Limites de Sua Teoria

Poucos filósofos contemporâneos dividem tanto a opinião quanto Judith Butler. Para uns, ela é uma das pensadoras mais importantes do século XX — alguém que revolucionou a compreensão do gênero, da sexualidade e do poder. Para outros, é o símbolo máximo de uma filosofia que se perdeu no labirinto da própria linguagem, produzindo textos deliberadamente obscuros para mascarar ideias rasas. Para entender por que Butler provoca reações tão extremas, é preciso primeiro compreender o que ela realmente diz — e, depois, ter a honestidade intelectual de identificar onde o argumento vacila. ...

28 abril 2026 · 11 minutos · Resumidor de Filosofia

Gayatri Spivak

Gayatri Spivak Gayatri Chakravorty Spivak (n. 1942, Calcutá) é uma teórica indiana e professora de literatura comparada na Universidade Columbia. Sua tradução para o inglês de De la grammatologie (1976) tornou Derrida acessível ao mundo anglófono e marcou o início de uma das obras mais influentes — e dificultosamente sintética — da teoria contemporânea. Spivak combina desconstrução, marxismo, feminismo e crítica pós-colonial. Foi associada ao Subaltern Studies Group, coletivo de historiadores sul-asiáticos que, a partir de Gramsci e de Ranajit Guha, propunha reescrever a história colonial e nacional a partir das classes subalternas. Seu ensaio “Can the Subaltern Speak?” (1988; Pode o subalterno falar?) tornou-se referência canônica do campo. Em obras posteriores, Spivak ampliou sua reflexão para a globalização, a pedagogia e a literatura-mundo. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Judith Butler

Judith Butler Filósofa americana; figura central da teoria queer e dos estudos de gênero. Problemas de Gênero (1990) transformou as humanidades ao propor que o gênero não é identidade fixa, mas performance. Conceitos-chave Performatividade do gênero: o gênero não é o que somos (substância), mas o que fazemos — conjunto de atos repetidos, citações de normas, gestos e discursos que produzem o efeito de uma essência natural. Não há identidade de gênero por trás dos atos de gênero Citacionalidade: performatividade não é performance teatral consciente — é citação compulsória de normas que preexistem ao sujeito; o sujeito não escolhe livremente seu gênero (contra a leitura vulgar) Matriz heterossexual: sistema de normas que prescreve sexo-gênero-desejo como coerentes e alinhados; o queer e o trans são os corpos que a norma exclui para se constituir — os “abjetos” Precariedade (Quadros de Guerra, 2009): as vidas não são igualmente enlutáveis — a política determina quais vidas contam como vidas; as vidas precárias (racializadas, queer, migrantes) são aquelas cujo luto é negado Crítica ao feminismo essencialista: não há “mulher” como sujeito político estável antes da política — a identidade “mulher” é produzida pela própria política feminista; isso não invalida o feminismo, mas o complexifica Influenciado por Simone de Beauvoir — “não se nasce mulher, torna-se” (ponto de partida) Foucault — poder, discurso, produção do sujeito Derrida — performatividade e citacionalidade J.L. Austin — teoria dos atos de fala (speech acts) Hegel — reconhecimento e desejo intersubjetivo Influenciou Teoria queer (Eve Sedgwick, Lee Edelman) Estudos trans e não-binaridade Filosofia política da precariedade Feminismos contemporâneos (interseccional, queer, decolonial) Obras Problemas de Gênero (1990); Corpos que Importam (1993); A Vida Psíquica do Poder (1997); Excitable Speech (1997); Quadros de Guerra (2009); Notas para uma Teoria Performativa da Assembleia (2015). ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia

Mary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft Mary Wollstonecraft foi uma escritora, filósofa e defensora dos direitos das mulheres britânica, cujo A Vindication of the Rights of Woman (1792) é considerado um dos textos fundadores do feminismo filosófico moderno. Contemporânea das revoluções americana e francesa, Wollstonecraft aplicou os princípios iluministas de razão e igualdade às relações entre os sexos, desafiando a divisão entre esferas pública e privada que excluía as mulheres da cidadania plena. Conceitos-chave Igualdade Racional (A Vindication of the Rights of Woman, 1792): Argumento central — mulheres e homens compartilham a mesma natureza racional. Se a razão é o fundamento da dignidade e dos direitos, como sustentam os iluministas, então as mulheres têm os mesmos títulos aos direitos políticos e educativos que os homens. A exclusão das mulheres da esfera racional é inconsistente com os próprios princípios do Iluminismo. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir Filósofa francesa; companheira intelectual de Sartre. Fundadora do feminismo existencialista. O Segundo Sexo é um dos livros mais influentes do séc. XX. Conceitos-chave “Não se nasce mulher, torna-se”: o feminino é uma construção social e histórica, não um dado biológico A mulher é o Outro na relação com o homem como sujeito universal — estrutura de alteridade opressiva Liberdade existencialista aplicada ao gênero: a mulher deve se reconhecer como sujeito livre, não como objeto ou complemento do homem Ética da ambiguidade: a liberdade humana é ambígua — somos livres e situados; a ética exige assumir essa ambiguidade e agir em solidariedade Influenciado por Sartre — existencialismo; liberdade radical Hegel — dialética senhor/escravo (aplica ao gênero) Husserl e Heidegger — fenomenologia da situação Influenciou Feminismo de segunda onda (Betty Friedan, Kate Millett) Judith Butler — performatividade de gênero Teoria queer Obras O Segundo Sexo (1949); A Ética da Ambiguidade (1947); Os Mandarins (romance, 1954, Prix Goncourt). ...

1 janeiro 2026 · 1 minuto · Resumidor de Filosofia
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