Estética do Século XX: Benjamin, Adorno, Heidegger, Danto e a Arte Contemporânea

A estética filosófica do século XX não tem um único centro. Ela se bifurca em pelo menos duas grandes tradições — a continental e a analítica —, cada uma com problemáticas próprias, mas convergindo, por caminhos distintos, numa questão comum: o que é arte? E, associada a ela: o que acontece com a arte quando a reprodução técnica dissolve a singularidade da obra, quando o mercado transforma a cultura em mercadoria, quando um urinol assinado é exposto num museu? ...

O Belo na Filosofia: Da Forma Platônica ao Sublime Kantiano — Uma História da Estética Filosófica

O que é o belo? A pergunta atravessa toda a história da filosofia ocidental — de Platão, que o identificou com uma Forma eterna, a Kant, que o situou no juízo do sujeito, até Nietzsche, que o devolveu ao corpo e à embriaguez da vida. A estética filosófica não é uma disciplina periférica: ela toca o coração da metafísica, da epistemologia e da ética, porque perguntar pelo belo é perguntar o que nos comove, o que vale e, em última instância, o que é real. ...

Schopenhauer e a Filosofia da Vontade — O Mundo como Vontade e Representação

Em 1818, um jovem filósofo de trinta anos publicou em Dresden uma obra que o mundo recebeu com indiferença quase absoluta: O Mundo como Vontade e Representação (Die Welt als Wille und Vorstellung). Arthur Schopenhauer estava convicto de ter decifrado o enigma do mundo — e não se enganava quanto à importância do que havia escrito, apenas quanto à paciência que precisaria ter. Décadas de obscuridade se passariam antes que a Europa reconhecesse nele um dos pensadores mais originais do século XIX: o filósofo que ousou afirmar que a essência da realidade não é razão, progresso ou espírito — mas um impulso cego, irracional e insaciável chamado Vontade. ...

A Estética de Schopenhauer: a Hierarquia das Artes e a Música como Espelho da Vontade

Existe uma experiência que quase todos nós já tivemos e que pouquíssimos conseguem explicar: ouvir uma peça musical — uma sinfonia de Beethoven, um adágio de Mozart, um acorde inesperado numa canção qualquer — e sentir algo que não se traduz em palavras. Não é alegria, não é tristeza, não é nenhum sentimento nomeável. É como se a música tocasse uma camada da nossa existência que fica abaixo da linguagem, abaixo do pensamento, abaixo de tudo o que chamamos de “eu”. Por que isso acontece? Por que a música nos comove de um modo que a pintura, a poesia e a escultura — por mais belas que sejam — nunca conseguem replicar exatamente? ...

Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer Nascido em Dança (Danzig) em 1788, em uma abastada família de comerciantes, Arthur Schopenhauer pôde dedicar-se à filosofia com independência financeira. Doutorou-se com Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente (1813) e publicou aos trinta anos sua obra capital, O Mundo como Vontade e Representação (1818) — que, no entanto, foi quase totalmente ignorada durante décadas. Hostil a Hegel, então dominante, chegou a marcar suas aulas no mesmo horário que as do rival, em Berlim, sem público. O reconhecimento só veio no fim da vida, nos anos 1850. Foi também o primeiro grande filósofo ocidental a incorporar seriamente o pensamento indiano (Upanixades e budismo). ...

Georg Lukács

Georg Lukács Georg (György) Lukács (13 de abril de 1885, Budapeste — 4 de junho de 1971, Budapeste) foi um filósofo e crítico literário húngaro, fundador, com sua obra de 1923, daquilo que se chamaria marxismo ocidental. Nascido em família judaica abastada e assimilada, formou-se na cultura neokantiana alemã — foi próximo de Georg Simmel e Max Weber — antes de aderir ao comunismo em 1918. Foi comissário do povo para a educação e a cultura na efêmera República Soviética Húngara de 1919 e, décadas depois, ministro da cultura no governo de Imre Nagy durante a Revolução Húngara de 1956. Sua trajetória, atravessada por sucessivas autocríticas e por uma relação tensa com o stalinismo, vai da estética pré-marxista ao marxismo hegeliano e, por fim, a uma vasta Ontologia do Ser Social. ...

Immanuel Kant

Immanuel Kant Nascido em Königsberg, na Prússia Oriental, em 1724, e jamais tendo se afastado de sua cidade natal, Immanuel Kant levou a vida metódica de um professor universitário — tão regular, diz a tradição, que os vizinhos acertavam o relógio por seu passeio diário. Foi, segundo sua própria expressão, a leitura de Hume que o “despertou do sono dogmático” e o levou a uma longa década de silêncio, ao fim da qual publicou, já com 57 anos, a monumental Crítica da Razão Pura (1781). Sua obra encerra e ao mesmo tempo refunda a Modernidade, mediando a disputa entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume. ...

Léopold Sédar Senghor

Léopold Sédar Senghor Léopold Sédar Senghor (9 de outubro de 1906, Joal, Senegal — 20 de dezembro de 2001, Verson, França) foi poeta, filósofo da cultura e estadista. Primeiro presidente do Senegal independente (1960–1980) e primeiro africano eleito para a Académie française (1983), foi também, ao lado de Aimé Césaire e Léon-Gontran Damas, um dos fundadores da Négritude nos anos 1930 em Paris. Enquanto Césaire deu ao movimento sua força poética, Senghor empenhou-se em conferir-lhe uma elaboração filosófica e estética sistemática, fazendo dele uma teoria geral da contribuição africana à civilização humana. Sua obra é hoje objeto tanto de reconhecimento quanto de viva controvérsia. ...

Mikhail Bakhtin

Mikhail Bakhtin Mikhail Mikháilovitch Bakhtin (16 de novembro de 1895, Oriol — 7 de março de 1975, Moscou) foi filósofo da linguagem, teórico da literatura e da cultura. Marginalizado e quase desconhecido em vida na União Soviética — preso e enviado ao exílio em 1929, lecionou por décadas em universidades provincianas —, foi redescoberto a partir dos anos 1960 e tornou-se um dos pensadores russos mais influentes do mundo nas ciências humanas. Foi o centro do chamado Círculo de Bakhtin, que reunia também Valentin Volóchinov e Pável Medviédev (a autoria de algumas obras assinadas por eles é objeto de debate acadêmico). ...

Theodor W. Adorno

Theodor W. Adorno Nascido em Frankfurt em 1903, Theodor W. Adorno foi, ao lado de Horkheimer, o nome mais rigoroso da primeira geração da Escola de Frankfurt. Formado também em música — estudou composição em Viena —, uniu filosofia, sociologia e estética numa crítica radical da sociedade moderna. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo, onde observou de perto a cultura de massas; retornou a Frankfurt após a guerra e ali morreu em 1969. ...

Walter Benjamin

Walter Benjamin Nascido em Berlim em 1892, Walter Benjamin foi uma das figuras mais originais e inclassificáveis do pensamento do século XX — filósofo, crítico literário, tradutor e ensaísta, ligado de modo periférico à Escola de Frankfurt e amigo de Adorno. Sua carreira acadêmica fracassou (sua tese de habilitação foi recusada), e ele viveu da escrita, sempre em dificuldades. Em 1940, fugindo dos nazistas, viu-se bloqueado na fronteira franco-espanhola, em Portbou, e tirou a própria vida — um dos destinos mais trágicos da intelectualidade europeia. ...

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