Donald Davidson

Donald Davidson Donald Davidson foi um dos filósofos analíticos mais originais da segunda metade do século XX. Professor na Universidade da Califórnia em Berkeley a partir de 1981, após passagens por Stanford, Princeton e Rockefeller, Davidson construiu um sistema filosófico notável pela coerência interna: sua filosofia da mente, sua teoria da ação, sua semântica e sua epistemologia estão intimamente conectadas, articuladas em torno de temas como eventos, causalidade, verdade e interpretação. ...

G.E. Moore

G.E. Moore Filósofo britânico, cofundador — junto com Russell e Frege — da filosofia analítica. Sua crítica ao idealismo britânico e seu trabalho em ética influenciaram decisivamente toda a tradição analítica do século XX. Conceitos-chave Falácia naturalista (naturalistic fallacy): o erro de definir o bem em termos de propriedades naturais (prazer, evolução, desejo). O bem (good) é simples, indefinível e não-natural — não pode ser reduzido a nenhuma propriedade empírica. Crítica central ao utilitarismo e ao naturalismo ético Questão aberta (open question argument): para qualquer propriedade natural X, sempre faz sentido perguntar “X é bom?” — se o bem fosse idêntico a X, a questão seria absurda. Isso prova que bem ≠ X Intuicionismo moral: os valores morais fundamentais são conhecidos por intuição direta, não por inferência ou definição. Ética é uma ciência autônoma, não redutível às ciências naturais Realismo do senso comum: contra o idealismo de Berkeley e Hegel — o mundo externo existe independentemente da mente. Defesa do realismo do senso comum como ponto de partida filosófico Prova do mundo externo: “aqui está uma mão, aqui está outra” — argumenta que podemos provar a existência do mundo externo com mais certeza do que qualquer premissa filosófica abstrata que a negue Análise dos conceitos: a tarefa central da filosofia é a análise — decompor conceitos complexos em seus componentes mais simples e precisos; programa que define a filosofia analítica Bens intrínsecos: certos estados são bons por si mesmos (amizade, beleza, conhecimento) — independentemente de qualquer consequência. Crítica ao hedonismo utilitarista Influenciado por Kant — ética deontológica e autonomia da moral Russell — programa analítico (influência mútua) Sidgwick — intuicionismo moral britânico Influenciou Russell e Wittgenstein — filosofia analítica Grupo de Bloomsbury (Virginia Woolf, Keynes) — ética e estética Metaética contemporânea (intuicionismo, realismo moral) Karl Popper — teoria do conhecimento Obras Principia Ethica (1903); Ética (1912); Estudos Filosóficos (1922); Alguns Problemas Fundamentais da Filosofia (1953). ...

Gaston Bachelard

Gaston Bachelard Gaston Bachelard nasceu em Bar-sur-Aube, na França, em 27 de junho de 1884, e morreu em Paris em 16 de outubro de 1962. De origem modesta, trabalhou nos correios antes de se dedicar aos estudos de ciências e, depois, de filosofia. Lecionou física e química no colégio de Bar-sur-Aube a partir de 1919, doutorou-se em 1927 e foi professor na Universidade de Dijon de 1930 a 1940. Nesse ano assumiu, na Sorbonne, a cátedra de história e filosofia das ciências, que ocupou até 1954, sucedendo Abel Rey. Georges Canguilhem foi seu discípulo e seu sucessor na Sorbonne. ...

Hilary Putnam

Hilary Putnam Hilary Whitehall Putnam foi um dos filósofos mais versáteis e intelectualmente honestos do século XX. Ao longo de uma carreira de seis décadas, na maior parte em Harvard, Putnam percorreu um itinerário filosófico incomum: defendeu posições que depois criticou com a mesma energia com que as havia estabelecido. Foi funcionalista e depois rejeitou o funcionalismo; foi realista científico e depois propôs o “realismo interno”; foi simpatizante do positivismo lógico e depois seu crítico. Esta disposição para a autocrítica é uma das marcas de seu estilo filosófico. ...

Immanuel Kant

Immanuel Kant Nascido em Königsberg, na Prússia Oriental, em 1724, e jamais tendo se afastado de sua cidade natal, Immanuel Kant levou a vida metódica de um professor universitário — tão regular, diz a tradição, que os vizinhos acertavam o relógio por seu passeio diário. Foi, segundo sua própria expressão, a leitura de Hume que o “despertou do sono dogmático” e o levou a uma longa década de silêncio, ao fim da qual publicou, já com 57 anos, a monumental Crítica da Razão Pura (1781). Sua obra encerra e ao mesmo tempo refunda a Modernidade, mediando a disputa entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume. ...

Imre Lakatos

Imre Lakatos Imre Lakatos foi um filósofo da ciência e da matemática húngaro-britânico, professor na London School of Economics e uma das figuras centrais do debate sobre racionalidade científica nas décadas de 1960 e 1970. Sua obra busca uma posição intermediária entre o falsificacionismo de Popper e a visão histórica de Kuhn: contra a ideia de que uma única refutação derruba uma teoria, mas também contra a ideia de que mudanças científicas seriam meras “conversões” irracionais. Lakatos propôs que a unidade de avaliação científica não é a teoria isolada, mas o programa de pesquisa, julgado ao longo do tempo por sua capacidade de antecipar fatos novos. Foi também um filósofo da matemática original, mostrando em Provas e Refutações que o conhecimento matemático cresce por um processo dinâmico de conjecturas, demonstrações e contraexemplos, e não por dedução pura e acabada. ...

Joseph Maréchal

Joseph Maréchal foi um filósofo e psicólogo jesuíta belga, fundador do Tomismo Transcendental — corrente que empreendeu uma síntese entre a metafísica tomista e a filosofia crítica de Kant. Sua obra marca um momento decisivo na renovação da escolástica no séc. XX e exerceu influência profunda sobre figuras como Karl Rahner e Bernard Lonergan. Conceitos-chave Ponto de Partida da Metafísica (Le Point de départ de la Métaphysique, 5 cadernos, 1922–1947): Obra capital. Maréchal percorre a história da epistemologia — da filosofia grega ao kantismo — para fundamentar a metafísica tomista diante da crítica kantiana. O Caderno V (“O Tomismo diante da Filosofia Crítica”) é o mais discutido. Finalidade Dinâmica do Intelecto: O argumento central de Maréchal: o intelecto humano, ao conhecer objetos finitos, orienta-se necessariamente em direção ao Ser absoluto como horizonte implícito de todo julgamento afirmativo. Todo ato de conhecimento envolve uma afirmação que ultrapassa o dado fenomênico e aponta para o Ser em sentido pleno. Esta dinâmica não é apenas psicológica — é ontológica: revela a abertura constitutiva do espírito para o Absoluto. Tomismo Transcendental: Maréchal aceita o método transcendental kantiano (perguntar pelas condições de possibilidade do conhecimento), mas conclui que as condições de possibilidade do julgamento envolvem uma afirmação implícita do Ser necessário — o que Kant excluía como ilegítimo. A metafísica é assim “salva” não apesar de Kant, mas através da análise kantiana. Psicologia Experimental: Além da filosofia, Maréchal contribuiu para a psicologia e a mística, investigando os fenômenos de consciência religiosa e contemplativa em Études sur la psychologie des mystiques (2 vol., 1924–1937). ...

Paul Feyerabend

Paul Feyerabend Paul Feyerabend foi um filósofo da ciência austríaco, uma das vozes mais provocadoras do século XX. Formado em Viena e radicado por décadas em Berkeley, começou próximo do empirismo lógico e do racionalismo crítico de Popper — chegou a estudar com Popper na London School of Economics — para depois se tornar um de seus críticos mais incisivos. Sua obra mais célebre, Contra o Método (1975), defende o anarquismo epistemológico: a tese de que não existe um método científico único, universal e a-histórico capaz de explicar o sucesso da ciência. Examinando episódios reais da história da ciência, sobretudo o caso de Galileu, Feyerabend argumenta que o progresso frequentemente exigiu violar as regras metodológicas então vigentes. Sua provocação tornou-se sinônimo de uma defesa radical do pluralismo e da liberdade intelectual contra qualquer dogmatismo, inclusive o científico. ...

Platão

Platão Discípulo de Sócrates e o mais influente filósofo da Antiguidade, Platão nasceu em uma família aristocrática ateniense por volta de 428 a.C. A condenação do mestre, em 399 a.C., marcou-o profundamente e afastou-o da carreira política que sua origem lhe reservava. Após anos de viagens — que a tradição associa a contatos com os pitagóricos do sul da Itália e às frustradas tentativas de educar os tiranos de Siracusa —, fundou por volta de 387 a.C. a Academia, a primeira instituição de ensino superior do Ocidente, que funcionaria por mais de novecentos anos. Sua obra chegou quase íntegra até nós, quase toda em forma de diálogo, com Sócrates como personagem central. ...

René Descartes

René Descartes Frequentemente chamado de “pai da filosofia moderna”, René Descartes nasceu em 1596 em La Haye, na Touraine francesa, e formou-se no rigoroso colégio jesuíta de La Flèche. Insatisfeito com o saber livresco, alistou-se como voluntário nos exércitos da Guerra dos Trinta Anos; foi nesse período, segundo seu relato, que teve em 1619 a intuição de um método universal capaz de dar à filosofia a mesma certeza da matemática. Viveu a maior parte da vida produtiva na Holanda e morreu em 1650 em Estocolmo, para onde fora convidado a instruir a rainha Cristina da Suécia. Foi também grande matemático: a geometria analítica e o sistema de coordenadas que leva seu nome são criações suas. ...

Richard Rorty

Richard Rorty Richard McKay Rorty foi um filósofo americano que lecionou em Princeton, na Universidade da Virgínia e em Stanford. Começou como filósofo analítico formado na tradição Wittgenstein-Sellars, mas Philosophy and the Mirror of Nature (1979) o projetou como um dos críticos mais radicais da tradição epistemológica ocidental. Rorty é o principal representante do neopragmatismo, que combina a herança pragmatista americana (Dewey, James) com elementos da filosofia continental (Heidegger, Derrida) e da filosofia analítica tardia (Wittgenstein, Quine, Sellars). ...

Sexto Empírico

Sexto Empírico Médico e filósofo grego, principal sistematizador do ceticismo pirrônico. Suas obras são a fonte mais completa sobre a tradição cética antiga fundada por Pirro. Enquanto os dogmáticos (estoicos, epicuristas, platônicos) pretendiam alcançar a verdade definitiva, Sexto defende a suspensão do juízo (epoché) como caminho para a tranquilidade (ataraxia). Sua influência foi decisiva na filosofia moderna, especialmente em Montaigne, Descartes e Hume. Sexto Empírico viveu e escreveu provavelmente entre os séculos II e III d.C., num período em que o ceticismo pirrônico havia sido revivido por Enesidemo cerca de dois séculos após Pirro de Élis. O cognome “Empírico” indica sua filiação à escola médica empírica, que rejeitava teorias causais ocultas e se atinha à experiência observável — postura metodológica que ressoa diretamente em sua filosofia. Embora pouquíssimo se saiba de sua biografia, sua produção textual é excepcional: as Hipotiposes Pirrônicas oferecem uma apresentação pedagógica do método cético em três livros, enquanto os onze livros de Adversus Mathematicos desmontam sistematicamente as pretensões de gramáticos, retóricos, geômetras, aritméticos, astrólogos, músicos, lógicos, físicos e éticos. Essa amplitude mostra que o ceticismo de Sexto não era uma posição de niilismo intelectual, mas um programa filosófico rigoroso: ao demonstrar que para cada afirmação dogmática existe um argumento contrário de igual força (isostenia), ele visa produzir a suspensão do juízo e, por consequência, a paz de espírito. ...

W.V.O. Quine

W.V.O. Quine Willard Van Orman Quine foi um dos mais influentes filósofos analíticos do século XX. Professor em Harvard por décadas, seu trabalho revolucionou a epistemologia, a filosofia da linguagem e a ontologia, ao mesmo tempo em que destruiu os fundamentos do positivismo lógico do Círculo de Viena. Quine é o principal elo entre o pragmatismo americano (Dewey, James) e a filosofia analítica contemporânea. Conceitos-chave Crítica à Distinção Analítico/Sintético (“Two Dogmas of Empiricism”, 1951, Philosophical Review; republicado em From a Logical Point of View, 1953): Quine ataca dois dogmas do empirismo: (1) a crença numa distinção nítida entre proposições analíticas (verdadeiras por significado, ex.: “todo solteiro é não-casado”) e sintéticas (verdadeiras por fato empírico); e (2) o reducionismo (cada enunciado tem um conteúdo empírico isolado). Quine argumenta que a noção de “analiticidade” é circular — pressupõe “sinonímia”, que pressupõe “analiticidade”. Holismo Epistêmico (Tese Duhem-Quine): As crenças não enfrentam o tribunal da experiência individualmente, mas em conjunto (web of beliefs). Quando a experiência contradiz uma crença, podemos ajustar qualquer parte do sistema — inclusive leis lógicas. Esta visão é radicalmente diferente do verificacionismo sentença-por-sentença do positivismo. Indeterminação da Tradução (Word and Object, 1960): O famoso exemplo de “gavagai”: diante de um nativo que profere “gavagai” ao ver um coelho, o tradutor radical pode traduzir como “coelho”, “parte não-separada de coelho” ou “instanciação de coelho” — todas as hipóteses são empiricamente equivalentes, mas mutuamente incompatíveis. Não há fato da matéria que determine a tradução correta. Tese radical sobre os limites do significado. Ontological Relativity (“Ontological Relativity”, 1968; em Ontological Relativity and Other Essays, 1969): O que existe é relativo ao esquema conceitual adotado. O critério de compromisso ontológico de Quine: uma teoria se compromete com a existência de X se e somente se precisa quantificar sobre X para ser verdadeira — “to be is to be the value of a bound variable”. Epistemologia Naturalizada (“Epistemology Naturalized”, em Ontological Relativity, 1969): A epistemologia tradicional buscava fundamentos a priori para o conhecimento. Quine propõe abandonar este projeto: a epistemologia deve ser naturalizada — tornar-se um capítulo da psicologia e neurociência, investigando empiricamente como os humanos chegam à ciência a partir de inputs sensoriais. Comportamentalismo Semântico: O significado de termos deve ser explicado em termos de disposições verbais observáveis — sem apelo a entidades mentais misteriosas. Esta posição é coerente com o naturalismo de Quine mas gera tensão com a fenomenologia da linguagem. ...

Wilfrid Sellars

Wilfrid Sellars Wilfrid Sellars foi um dos filósofos analíticos americanos mais profundos e originais do século XX, embora menos lido pelo grande público do que sua influência justificaria. Formado em uma tradição que combinava o rigor analítico com o conhecimento da história da filosofia, dedicou-se a articular o que chamou de objetivo final da filosofia: “entender como as coisas, no sentido mais amplo do termo, se conectam, no sentido mais amplo do termo”. Sua obra busca conciliar o compromisso com a ciência e o naturalismo com o reconhecimento da dimensão normativa do pensamento e do conhecimento. Lecionou sobretudo na Universidade de Pittsburgh, onde formou uma linhagem influente de discípulos. ...

Wilhelm Dilthey

Wilhelm Dilthey Wilhelm Dilthey nasceu em Biebrich am Rhein (atual Wiesbaden, Alemanha) em 19 de novembro de 1833 e faleceu em Seis am Schlern (atual norte da Itália) em 1 de outubro de 1911. Professor em Basileia, Kiel e, a partir de 1882, em Berlim — onde ocupou a cátedra de Hegel —, Dilthey dedicou sua vida a um projeto inacabado mas monumentalmente influente: fornecer às ciências humanas (Geisteswissenschaften) um fundamento filosófico próprio, equivalente ao que Kant havia dado às ciências naturais na Crítica da Razão Pura. ...

✉ [email protected]
Sobre · Contato · Política de Privacidade · Termos de Uso