David Hume: Empirismo, Causalidade, Indução e a Lei de Hume

Imagine que você solta uma pedra mil vezes e mil vezes ela cai. Você está absolutamente seguro de que ela cairá na milésima primeira. Mas pare e pergunte: o que, exatamente, justifica essa certeza? Você nunca viu a “necessidade” de a pedra cair — viu apenas pedras caindo. A passagem do que aconteceu para o que vai acontecer parece óbvia, e no entanto, quando a examinamos, nenhuma prova lógica a sustenta. Este pequeno abismo, aberto por David Hume no século XVIII, ainda não foi fechado. Ele engole a causalidade, a indução, o eu e boa parte da metafísica — e é o melhor lugar para começar a entender por que Hume é, talvez, o mais perturbador dos filósofos modernos. ...

29 maio 2026 · 13 minutos · Resumidor de Filosofia

Francis Bacon — O Método Empírico e os Ídolos da Mente

Poucos filósofos podem reivindicar ter mudado, de forma tão deliberada e programática, a própria finalidade do conhecimento humano. Francis Bacon (1561–1626) não se limitou a propor uma teoria filosófica entre outras: concebeu uma reforma total do saber, um projeto que pretendia substituir a tradição aristotélica por um novo método capaz de gerar conhecimento útil, verificável e progressivo. O título da sua obra magna — Novum Organum (1620) — anuncia, já na capa, a ambição: um novo instrumento do pensamento, destinado a tomar o lugar do antigo Organon de Aristóteles que governava a lógica ocidental havia quase dois milênios. ...

13 maio 2026 · 17 minutos · Resumidor de Filosofia

Maréchal e o Ponto de Partida da Metafísica — Caderno II: Racionalismo e Empirismo antes de Kant

Este é o segundo de cinco artigos dedicados à obra Le point de départ de la métaphysique de Joseph Maréchal (1878–1944). No artigo anterior, acompanhamos o Caderno I, em que Maréchal inventariou as conquistas e os limites da tradição clássica — dos pré-socráticos a Tomás de Aquino — no que diz respeito ao problema da validade objetiva do conhecimento. A tradição escolástica havia articulado um realismo epistemológico robusto, mas sem oferecer a justificação reflexiva que o interlocutor moderno viria a exigir. O Caderno II entra agora nesse mundo moderno: analisa o grande conflito entre Racionalismo e Empirismo como a tentativa da filosofia dos séculos XVII e XVIII de resolver, cada uma à sua maneira, o problema do fundamento do conhecimento humano. Veremos que ambas as tradições fracassam, e que é o cético David Hume quem, ao radicalizar o empirismo, abre o abismo que Kant se sentirá obrigado a atravessar. ...

27 abril 2026 · 10 minutos · Resumidor de Filosofia

David Hume

David Hume Figura central do Iluminismo escocês, David Hume nasceu em Edimburgo em 1711. Publicou ainda muito jovem seu Tratado da Natureza Humana (1739-40), obra que, em suas próprias palavras, “caiu natimorta do prelo” e só seria reconhecida muito depois. Sua fama de cético em matéria de religião custou-lhe as cátedras universitárias a que aspirava; ganhou a vida como bibliotecário, secretário diplomático e, sobretudo, como ensaísta e historiador de grande êxito. Homem de temperamento sereno e afável — o “bom David” —, morreu em 1776 enfrentando a morte com a tranquilidade de um sábio. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

Francis Bacon

Francis Bacon “Pai do Empirismo” e da ciência experimental moderna. Lorde Chanceler da Inglaterra; caiu em desgraça por corrupção. Seu projeto era renovar o saber substituindo o Organon de Aristóteles por um novo método indutivo-experimental. Conceitos-chave Ídolos (obstáculos ao conhecimento): da tribo (defeitos humanos gerais), da caverna (preconceitos individuais), do foro (enganos da linguagem), do teatro (doutrinas filosóficas falsas) Novo método indutivo: três tábuas (presença, ausência, graus) + eliminação de hipóteses falsas → “primeira vindima” “Saber é poder”: ciência e domínio da natureza coincidem Antecipações vs. interpretações da natureza: só as interpretações (via método correto) são saber legítimo Influenciado por Guilherme de Ockham — nominalismo, eliminação de entes supérfluos Aristóteles — mas o critica e supera Influenciou Locke — tábula rasa e empirismo Hume — indução como base do conhecimento Newton — regras do filosofar Fundação da Royal Society (1660) — programa baconiano Obras Novum Organum (1620); Nova Atlântida (1627, utopia científica); Avanço do Conhecimento (1605). ...

1 janeiro 2026 · 1 minuto · Resumidor de Filosofia

George Berkeley

George Berkeley Filósofo irlandês nascido em 1685 e mais tarde bispo anglicano de Cloyne, George Berkeley produziu suas obras filosóficas mais importantes ainda muito jovem, antes dos trinta anos. Homem de fé e de ação, chegou a atravessar o Atlântico com o projeto de fundar um colégio nas Bermudas para as colônias americanas. É lembrado como o segundo grande nome do empirismo britânico, entre Locke e Hume — e o mais surpreendente dos três, por levar o empirismo a uma conclusão radical: a de que a matéria não existe. ...

1 janeiro 2026 · 3 minutos · Resumidor de Filosofia

John Locke

John Locke John Locke nasceu em Wrington, na Inglaterra, em 1632, formou-se em Oxford e exerceu a medicina antes de se tornar secretário e médico do conde de Shaftesbury, o que o aproximou da alta política inglesa. Envolvido nas disputas que opunham o Parlamento à coroa absolutista dos Stuart, exilou-se na Holanda durante o reinado de Jaime II e só voltou em 1689, com a Revolução Gloriosa, que consagrava o regime parlamentar que ele ajudaria a justificar filosoficamente. É considerado o pai do liberalismo clássico e uma das maiores influências do empirismo e do pensamento político moderno. ...

1 janeiro 2026 · 2 minutos · Resumidor de Filosofia
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