Conservadorismo: Burke, Tocqueville, Oakeshott, Scruton e a Filosofia da Tradição

Disposição, doutrina ou ideologia? O conservadorismo é uma tradição de pensamento político que se define, em grande medida, por uma atitude diante da mudança social: prudência diante de reformas amplas, valorização de instituições e costumes herdados, ceticismo quanto à capacidade da razão abstrata de redesenhar a sociedade. Há uma controvérsia de fundo sobre seu estatuto. Para alguns autores, é uma disposição ou temperamento, que não se reduz a um programa (é a tese de Oakeshott). Para outros, é uma ideologia com conteúdo próprio (autoridade, hierarquia, ordem transcendente, propriedade), como em Russell Kirk e Roger Scruton. Samuel Huntington, em “Conservatism as an Ideology” (1957), propôs ainda uma leitura situacional: o conservadorismo seria a defesa de qualquer ordem estabelecida quando ela é ameaçada, e não um conjunto fixo de crenças. As três leituras serão úteis ao longo do texto. ...

Edmund Burke

Edmund Burke Edmund Burke nasceu em Dublin, em 12 de janeiro de 1729, e morreu em Beaconsfield, Inglaterra, em 9 de julho de 1797. Formado no Trinity College de Dublin e estudante de direito em Londres, tornou-se escritor e, a partir de 1766, deputado na Câmara dos Comuns pelo partido whig, onde permaneceu por quase três décadas. Sua obra não é um sistema filosófico, mas um conjunto de ensaios, discursos e panfletos escritos a propósito de questões políticas concretas: a relação entre a Coroa e o Parlamento, o conflito com as colônias americanas, a administração da Índia pela Companhia das Índias Orientais e a Revolução Francesa. É justamente nessa articulação entre princípios e circunstâncias que reside sua contribuição à filosofia política. ...

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