Secularização e A Era Secular: Charles Taylor e o Quadro Imanente

Por que, por volta de 1500, era praticamente impossível não crer em Deus na sociedade ocidental, ao passo que, por volta de 2000, a descrença tornou-se não apenas possível, mas, para muitos, a posição mais natural — às vezes a única concebível? Essa é a pergunta que move A Era Secular (A Secular Age, 2007), a obra mais ambiciosa do filósofo canadense Charles Taylor (n. 1931). O livro — quase novecentas páginas que nasceram de suas conferências Gifford de 1998–99, em Edimburgo, e lhe valeram o Prêmio Templeton de 2007 — recusa as explicações fáceis da secularização e propõe, em seu lugar, uma reconstrução histórica e filosófica de como mudaram, ao longo de cinco séculos, as próprias condições de crença no Ocidente. ...

Alasdair MacIntyre

Alasdair MacIntyre Alasdair MacIntyre (1929–2025) foi um filósofo moral escocês-americano, autor de uma das obras mais influentes da filosofia moral do século XX, After Virtue (1981; Depois da Virtude). Sua trajetória intelectual foi marcada por uma longa peregrinação: partiu do marxismo na juventude, atravessou diferentes posições e acabou por converter-se ao catolicismo e ao tomismo aristotélico em sua maturidade. Faleceu em maio de 2025. MacIntyre diagnosticou que a linguagem moral moderna se encontra em estado de grave desordem — composta de fragmentos descontextualizados de tradições que se perderam — e sustentou que o “projeto iluminista” de fornecer uma justificação racional autônoma para a moral fracassou, abrindo caminho ao emotivismo. Sua proposta foi a recuperação de uma ética das virtudes de raiz aristotélico-tomista, ancorada na vida comunitária e nas tradições de investigação. ...

Charles Taylor

Charles Taylor Charles Taylor (n. 1931, Montreal) é um filósofo canadense, professor emérito da Universidade McGill, considerado uma das vozes mais influentes da filosofia política e moral contemporânea. Formado em Oxford, onde fez doutorado sob orientação de Isaiah Berlin, Taylor articula uma síntese rara entre a tradição hermenêutica continental — sobretudo Hegel, Heidegger e Gadamer — e o debate analítico anglo-americano. Católico convertido, é frequentemente associado ao comunitarismo, embora rejeite rótulos rígidos. Sua obra investiga as condições históricas da identidade moderna, os limites do naturalismo nas ciências humanas e o lugar do religioso em sociedades secularizadas. Recebeu o Templeton Prize em 2007 e o Kyoto Prize em 2008. ...

Michael Sandel

Michael Sandel Michael Sandel (n. 1953, Minneapolis) é um filósofo político americano, professor de governo em Harvard desde 1980, conhecido tanto pelo rigor acadêmico de sua crítica ao liberalismo rawlsiano quanto pelo enorme alcance público de seu curso “Justice”, uma das aulas mais populares da história de Harvard. Sandel é uma das figuras centrais do chamado debate liberalismo–comunitarismo dos anos 1980, embora também recuse o rótulo. Sua tese de doutorado, publicada como Liberalism and the Limits of Justice (1982), ofereceu uma das mais incisivas críticas filosóficas a Uma Teoria da Justiça de John Rawls. Em décadas seguintes, ampliou seu escopo para a crítica da mercantilização da vida social e da ideologia meritocrática. ...

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