Secularização e A Era Secular: Charles Taylor e o Quadro Imanente
Por que, por volta de 1500, era praticamente impossível não crer em Deus na sociedade ocidental, ao passo que, por volta de 2000, a descrença tornou-se não apenas possível, mas, para muitos, a posição mais natural — às vezes a única concebível? Essa é a pergunta que move A Era Secular (A Secular Age, 2007), a obra mais ambiciosa do filósofo canadense Charles Taylor (n. 1931). O livro — quase novecentas páginas que nasceram de suas conferências Gifford de 1998–99, em Edimburgo, e lhe valeram o Prêmio Templeton de 2007 — recusa as explicações fáceis da secularização e propõe, em seu lugar, uma reconstrução histórica e filosófica de como mudaram, ao longo de cinco séculos, as próprias condições de crença no Ocidente. ...