Sexto Empírico Médico e filósofo grego, principal sistematizador do ceticismo pirrônico. Suas obras são a fonte mais completa sobre a tradição cética antiga fundada por Pirro. Enquanto os dogmáticos (estoicos, epicuristas, platônicos) pretendiam alcançar a verdade definitiva, Sexto defende a suspensão do juízo (epoché) como caminho para a tranquilidade (ataraxia). Sua influência foi decisiva na filosofia moderna, especialmente em Montaigne, Descartes e Hume.
Sexto Empírico viveu e escreveu provavelmente entre os séculos II e III d.C., num período em que o ceticismo pirrônico havia sido revivido por Enesidemo cerca de dois séculos após Pirro de Élis. O cognome “Empírico” indica sua filiação à escola médica empírica, que rejeitava teorias causais ocultas e se atinha à experiência observável — postura metodológica que ressoa diretamente em sua filosofia. Embora pouquíssimo se saiba de sua biografia, sua produção textual é excepcional: as Hipotiposes Pirrônicas oferecem uma apresentação pedagógica do método cético em três livros, enquanto os onze livros de Adversus Mathematicos desmontam sistematicamente as pretensões de gramáticos, retóricos, geômetras, aritméticos, astrólogos, músicos, lógicos, físicos e éticos. Essa amplitude mostra que o ceticismo de Sexto não era uma posição de niilismo intelectual, mas um programa filosófico rigoroso: ao demonstrar que para cada afirmação dogmática existe um argumento contrário de igual força (isostenia), ele visa produzir a suspensão do juízo e, por consequência, a paz de espírito.
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