G.E. Moore

G.E. Moore Filósofo britânico, cofundador — junto com Russell e Frege — da filosofia analítica. Sua crítica ao idealismo britânico e seu trabalho em ética influenciaram decisivamente toda a tradição analítica do século XX. Conceitos-chave Falácia naturalista (naturalistic fallacy): o erro de definir o bem em termos de propriedades naturais (prazer, evolução, desejo). O bem (good) é simples, indefinível e não-natural — não pode ser reduzido a nenhuma propriedade empírica. Crítica central ao utilitarismo e ao naturalismo ético Questão aberta (open question argument): para qualquer propriedade natural X, sempre faz sentido perguntar “X é bom?” — se o bem fosse idêntico a X, a questão seria absurda. Isso prova que bem ≠ X Intuicionismo moral: os valores morais fundamentais são conhecidos por intuição direta, não por inferência ou definição. Ética é uma ciência autônoma, não redutível às ciências naturais Realismo do senso comum: contra o idealismo de Berkeley e Hegel — o mundo externo existe independentemente da mente. Defesa do realismo do senso comum como ponto de partida filosófico Prova do mundo externo: “aqui está uma mão, aqui está outra” — argumenta que podemos provar a existência do mundo externo com mais certeza do que qualquer premissa filosófica abstrata que a negue Análise dos conceitos: a tarefa central da filosofia é a análise — decompor conceitos complexos em seus componentes mais simples e precisos; programa que define a filosofia analítica Bens intrínsecos: certos estados são bons por si mesmos (amizade, beleza, conhecimento) — independentemente de qualquer consequência. Crítica ao hedonismo utilitarista Influenciado por Kant — ética deontológica e autonomia da moral Russell — programa analítico (influência mútua) Sidgwick — intuicionismo moral britânico Influenciou Russell e Wittgenstein — filosofia analítica Grupo de Bloomsbury (Virginia Woolf, Keynes) — ética e estética Metaética contemporânea (intuicionismo, realismo moral) Karl Popper — teoria do conhecimento Obras Principia Ethica (1903); Ética (1912); Estudos Filosóficos (1922); Alguns Problemas Fundamentais da Filosofia (1953). ...

Harry Frankfurt

Harry Frankfurt Harry Gordon Frankfurt (29 de maio de 1929, Langhorne, Pensilvânia — 16 de julho de 2023, Santa Mônica, Califórnia) foi um filósofo norte-americano, professor emérito da Universidade de Princeton, um dos nomes mais influentes da filosofia da ação e do livre-arbítrio no século XX. Começou como estudioso de Descartes (Demons, Dreamers, and Madmen, 1970) e construiu, a seguir, uma obra concisa e incisiva sobre a vontade, a pessoa e o amor — além de um pequeno ensaio que o tornaria, tardiamente, um autor de best-seller. ...

Immanuel Kant

Immanuel Kant Nascido em Königsberg, na Prússia Oriental, em 1724, e jamais tendo se afastado de sua cidade natal, Immanuel Kant levou a vida metódica de um professor universitário — tão regular, diz a tradição, que os vizinhos acertavam o relógio por seu passeio diário. Foi, segundo sua própria expressão, a leitura de Hume que o “despertou do sono dogmático” e o levou a uma longa década de silêncio, ao fim da qual publicou, já com 57 anos, a monumental Crítica da Razão Pura (1781). Sua obra encerra e ao mesmo tempo refunda a Modernidade, mediando a disputa entre o racionalismo de Descartes e o empirismo de Hume. ...

Jeremy Bentham

Jeremy Bentham Fundador do Utilitarismo. Jurista e filósofo inglês; reformador social radical. Seu esqueleto (Auto-Ícone) está exposto no University College London, conforme seu testamento. Formado para a advocacia, Bentham logo abandonou a prática do direito para dedicar-se à sua crítica. O alvo inicial foi a common law inglesa e, em particular, os Comentários sobre as Leis da Inglaterra de William Blackstone, que ele acusava de mascarar privilégios e arbitrariedades sob uma linguagem solene. Contra essa tradição, Bentham propôs um critério único, claro e mensurável para avaliar leis e instituições: o princípio da utilidade, segundo o qual o valor de qualquer ação, lei ou política se mede pela quantidade de felicidade — entendida como prazer e ausência de dor — que ela produz para os afetados. A moral e a legislação deixariam assim de repousar sobre tradição, intuição ou supostos direitos naturais (que ele rejeitava como “absurdos sobre pernas de pau”) para tornar-se objeto de um cálculo racional e secular, ancorado na observação empírica das motivações humanas. ...

John Stuart Mill

John Stuart Mill Nascido em Londres em 1806, John Stuart Mill foi submetido pelo pai, James Mill, a uma educação extraordinariamente precoce e rigorosa — concebida pelo círculo de Bentham para formar um pensador utilitarista: aprendeu grego aos três anos e devorava clássicos e economia na infância. Aos vinte, sofreu uma profunda crise existencial, da qual se recuperou em parte pela poesia romântica — experiência que o levou a corrigir o utilitarismo árido em que fora criado. Foi também economista, deputado e companheiro intelectual de Harriet Taylor. Tornou-se o mais influente liberal do século XIX. ...

Joshua Greene

Joshua Greene Joshua Greene (n. 1974) é professor de psicologia e diretor do Laboratório de Cognição Moral (Moral Cognition Lab) da Universidade de Harvard. Sua obra situa-se na confluência da filosofia moral, da psicologia experimental e das neurociências cognitivas, e representa um dos esforços mais influentes da virada empírica na ética contemporânea. Greene não se limita a descrever como as pessoas raciocinam sobre questões morais: usa esses dados para defender uma tese normativa explícita — que o utilitarismo, ou mais precisamente o consequencialismo profundo (“deep pragmatic utilitarianism”), é a teoria moral mais justificada para arbitrar conflitos entre grupos com sistemas de valores distintos. ...

Judith Jarvis Thomson

Judith Jarvis Thomson Judith Jarvis Thomson (1929–2020) foi professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e uma das vozes mais rigorosas da ética analítica norte-americana da segunda metade do século XX. Seu trabalho se caracteriza pela análise minuciosa de casos concretos e pelo emprego de experimentos mentais como instrumentos de teste para princípios morais gerais. Formada na Columbia University e em Cambridge (UK), dedicou décadas ao exame sistemático de conceitos como direitos, permissibilidade moral, causalidade e responsabilidade — com atenção especial às situações em que intuições fortes entram em conflito com teorias normativas coerentes. ...

Kwame Anthony Appiah

Kwame Anthony Appiah Kwame Anthony Appiah nasceu em 8 de maio de 1954 em Londres, de pai ganês (Joe Appiah, advogado e político) e mãe britânica (Peggy Cripps). Cresceu em Kumasi, Gana, e estudou filosofia em Cambridge (BA e PhD). Lecionou em Yale, Cornell, Duke, Harvard e Princeton; atualmente é professor na New York University. Appiah é um dos filósofos mais versáteis e influentes do mundo anglófono contemporâneo, com contribuições à ética, à filosofia da linguagem, à filosofia da mente, à teoria racial e à filosofia política. É um dos pensadores que mais sistematicamente questionou os pressupostos do “racialismo” — a crença de que existem raças biológicas humanas dotadas de essências morais e intelectuais. ...

Marco Aurélio

Marco Aurélio Marco Aurélio Antonino governou Roma de 161 a 180 d.C. e é lembrado como o último dos “cinco bons imperadores” e como o exemplo mais célebre da antiga ideia do rei-filósofo. Adotado na linha de sucessão por Antonino Pio, recebeu educação esmerada e converteu-se cedo ao estoicismo, sobretudo pela leitura de Epiteto, a quem foi apresentado por seu mestre Júnio Rústico. Seu reinado, longe de tranquilo, foi atravessado por guerras nas fronteiras do Danúbio, por revoltas e pela devastadora peste antonina — circunstâncias em que sua filosofia se mostrou menos doutrina e mais disciplina de sobrevivência interior. ...

Mencio

Mencio Nota sobre fontes: As datas de Mêncio (孟子 Mèngzǐ, “Mestre Meng”; nome pessoal Kē 軻) são estimativas convencionais — c. 372–289 a.C. — baseadas em cronologias históricas tradicionais. O texto Mèngzǐ (孟子), compilado em 7 livros (piān), é considerado uma obra mais unitária do que os Analectos de Confúcio, embora também envolva contribuições de discípulos na redação final. Mêncio é considerado na tradição confuciana o “Segundo Sábio” (Yàshèng 亞聖), imediatamente abaixo de Confúcio. ...

Philippa Foot

Philippa Foot Philippa Foot (1920–2010) foi uma das mais influentes filósofas morais britânicas do século XX e figura central no renascimento da ética da virtude. Formada e por muito tempo radicada em Oxford, ensinou também por longos períodos nos Estados Unidos. Sua trajetória intelectual representa um desafio sistemático ao não-cognitivismo e ao emotivismo que dominavam a metaética anglófona do pós-guerra: contra a tese de uma separação radical entre fato e valor, Foot procurou mostrar que os juízos morais têm conteúdo cognitivo e estão enraizados em fatos sobre a vida humana. Sua obra culmina no naturalismo ético neoaristotélico de Natural Goodness (2001). Foi também figura de consciência cívica: ajudou a fundar a Oxfam, organização de combate à fome e à pobreza. ...

Robert Nozick

Robert Nozick Robert Nozick foi um filósofo político americano, professor em Harvard, cujo Anarchy, State, and Utopia (1974) se tornou a resposta libertária mais sistemática e rigorosa à teoria da justiça de John Rawls, reorientando o debate político-filosófico anglofônico por décadas. Além da filosofia política, contribuiu de modo original à epistemologia, à metafísica e à ética. Conceitos-chave Teoria do Direito como Restrição Lateral (Anarchy, State, and Utopia, 1974): Nozick sustenta que os direitos individuais são restrições laterais (side constraints) à ação — não fatores a serem maximizados dentro de um cálculo, mas limites que não podem ser violados mesmo quando a violação produziria resultados melhores para o maior número. A dignidade individual proíbe usar pessoas como meros meios para fins alheios. ...

Sêneca

Sêneca Lúcio Aneu Sêneca nasceu em Córduba, na Hispânia, por volta de 4 a.C., filho de Sêneca, o Velho, célebre mestre de retórica. Foi o mais influente e também o mais controverso dos estoicos romanos: senador rico e poderoso, conheceu o exílio na Córsega sob o imperador Cláudio e, de volta a Roma, tornou-se preceptor e depois conselheiro do jovem Nero, a quem buscou moderar nos primeiros anos de governo. Acusado de participar da conspiração de Pisão, foi obrigado por Nero a tirar a própria vida em 65 d.C. — morte que, segundo o relato de Tácito, enfrentou com a serenidade que sua filosofia pregava. ...

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir Filósofa francesa; companheira intelectual de Sartre. Fundadora do feminismo existencialista. O Segundo Sexo é um dos livros mais influentes do séc. XX. Nascida em Paris em 1908, Simone de Beauvoir formou-se em filosofia pela Sorbonne e pelo agrégation em 1929, tornando-se uma das primeiras mulheres a conquistar esse título na França. Inserida no círculo existencialista parisiense do pós-guerra, participou ativamente da revista Les Temps Modernes e engajou-se nos grandes debates políticos e morais de sua época, do anticolonialismo à crítica ao stalinismo. Seu projeto filosófico central consiste em aplicar as categorias do existencialismo sartriano — facticidade, situação, projeto — à condição concreta da mulher, mostrando que a opressão feminina não decorre da natureza, mas de estruturas históricas e sociais que podem e devem ser transformadas. ...

Sócrates

Sócrates Sócrates é o pivô da filosofia grega: sua figura divide a tradição entre os pré-socráticos, voltados à investigação da natureza (physis), e os socráticos, que deslocam o foco para o ser humano, a alma e a ética. Ateniense do século V a.C., filho do escultor Sofronisco e da parteira Fenáreta, atravessou os anos da Guerra do Peloponeso — serviu como hoplita em Potideia, Delos e Anfípolis — e fez das ruas e ginásios de Atenas o espaço de uma filosofia inteiramente oral. Não deixou nenhum escrito: tudo o que sabemos vem de terceiros, sobretudo dos diálogos de Platão e dos escritos de Xenofonte, além da caricatura cômica de Aristófanes (As Nuvens). A dificuldade de separar o Sócrates histórico do personagem literário é o que os estudiosos chamam de “problema socrático”. ...

Thomas Nagel

Thomas Nagel Thomas Nagel é um dos filósofos contemporâneos mais respeitados em filosofia da mente, ética e filosofia política. Nascido em 1937, é professor na Universidade de Nova York (NYU). Sua obra retorna obstinadamente a um tema: a dificuldade de conciliar a perspectiva interna e subjetiva de cada ser consciente com a perspectiva externa, impessoal e objetiva que a ciência e a razão buscam. Conhecido pela prosa límpida e pela honestidade intelectual com que expõe os limites das próprias soluções, Nagel resiste tanto às reduções fáceis quanto ao misticismo, defendendo que certos problemas filosóficos são genuínos e não devem ser dissolvidos prematuramente. ...

Tomás de Aquino

Tomás de Aquino Nascido por volta de 1225 em Roccasecca, perto de Aquino, no sul da Itália, Tomás pertencia à alta nobreza, que se opôs com firmeza ao seu ingresso na ordem mendicante dos dominicanos — chegando a mantê-lo confinado por cerca de um ano. Estudou com Alberto Magno em Paris e Colônia e tornou-se mestre de teologia na Universidade de Paris. Apesar do apelido de “boi mudo”, revelou-se o maior gênio da Escolástica. Após uma intensa experiência em 1273, deixou de escrever, dizendo que tudo o que produzira lhe parecia “palha”; morreu no ano seguinte, a caminho do Concílio de Lyon. Canonizado em 1323, é o “Doutor Angélico”, e o tomismo permanece referência oficial da filosofia católica. ...

Wang Yangming

Wang Yangming Wang Yangming (王陽明 Wáng Yángmíng, 1472–1529; nome de cortesia Bó’ān, nome pessoal Shǒurén 守仁) é o mais influente pensador neoconfuciano da dinastia Ming e fundador da chamada “escola da mente” (xīnxué 心學). Além de filósofo, foi alto funcionário do Estado e comandante militar bem-sucedido, e sua doutrina nasce em diálogo com essa experiência prática. Seu pensamento constitui a principal alternativa à ortodoxia neoconfuciana de Zhu Xi, a “escola do princípio” (lǐxué 理學), que dominava o sistema de exames imperiais. ...

Xunzi

Xunzi Xunzi (荀子 Xún Zǐ, “Mestre Xun”; nome pessoal Kuàng 況), que viveu por volta de c. 310–c. 235 a.C., é, ao lado de Confúcio e Mêncio, um dos três grandes pensadores do confucionismo clássico. Atuou no período dos Reinos Combatentes e foi figura de prestígio na academia Jixia, no Estado de Qi. Sua filosofia destaca-se pelo rigor argumentativo e pelo naturalismo: enquanto outros confucianos fundamentavam a moral em uma ordem celestial moralmente engajada, Xunzi a fundamenta na cultura humana, no ritual e na educação deliberada. ...

Zenão de Cítio

Zenão de Cítio Fundador do Estoicismo. Lecionava no Stoa Poikilê (Pórtico Pintado) de Atenas — daí o nome da escola. Após ouvir a história de Sócrates por meio do cinismo de Crates, abandonou o comércio para se dedicar à filosofia. Ensinou que a virtude é o único bem real; tudo o mais (riqueza, saúde, fama) é indiferente (adiaphora). O universo é perpassado pelo Lógos divino (fogo racional) e cada evento acontece por necessidade racional. ...

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