
Xavier Zubiri Apalategui nasceu em San Sebastián, em 4 de dezembro de 1898, e morreu em Madri, em 21 de setembro de 1983. De formação filosófica e teológica em Madri, Lovaina e Roma, ordenou-se sacerdote e, em 1926, obteve por concurso a cátedra de História da Filosofia da Universidade Central de Madri, onde foi discípulo de Ortega y Gasset e de Manuel García Morente. Em 1929–1930 estudou em Friburgo, com Husserl e Heidegger, e em seguida em Berlim, onde se dedicou também à física, à filologia e à biologia. Deixou o estado clerical na década de 1930 e casou-se com Carmen Castro, filha do historiador Américo Castro. Depois da Guerra Civil, grande parte de sua obra foi exposta em cursos privados e conferências, e só nas décadas finais de sua vida chegou à forma de livros.
Sua obra procura uma filosofia primeira que não seja nem idealismo nem simples fenomenologia, e rejeita o que chama de logificação da inteligência (reduzir o inteligir a julgar e a “ser”) e a entificação da realidade (reduzir a realidade a “ente”), tendências que atribui a uma longa tradição da filosofia ocidental, da qual inclui, nesse ponto, o próprio Heidegger. Para Zubiri, a categoria primária não é o ser, mas a realidade, entendida como “formalidade”: o modo como as coisas se apresentam na apreensão como sendo “de suyo”, isto é, com um conteúdo que lhes pertence previamente ao ato de apreendê-las.
Em Sobre la esencia (1962), expõe uma teoria da essência como estrutura de “notas” que formam sistemas (substantividade) e da realidade como “respectividade” entre coisas. Na trilogia Inteligencia sentiente (Inteligencia y realidad, 1980; Inteligencia y logos, 1982; Inteligencia y razón, 1983), defende que sentir e inteligir não são duas faculdades justapostas, mas dois momentos de um único ato: a apreensão primordial de realidade, a partir da qual se desdobram o logos e a razão como formas de inteligência. Em Naturaleza, Historia, Dios (1944) e em textos póstumos como El hombre y Dios (1984), desenvolve a ideia de religação (religación): a pessoa humana encontra-se, na realização de sua vida, vinculada ao “poder do real”, dimensão em que Zubiri situa o problema de Deus, sem partir de provas demonstrativas tradicionais.
Conceitos-chave
- Inteligência senciente — unidade do sentir e do inteligir em um só ato de apreensão (Inteligencia sentiente, 1980–1983).
- Apreensão primordial de realidade — modo primário e irredutível em que a realidade se apresenta, anterior ao juízo.
- Formalidade de realidade / “de suyo” — a realidade como modo de alteridade em que o apreendido é “de seu”.
- Substantividade — sistema de notas que constitui a realidade de uma coisa (Sobre la esencia, 1962).
- Religação — vinculação do homem ao poder do real, base do problema de Deus.
- Logificação da inteligência e entificação da realidade — críticas a uma tradição que subordina inteligência a juízo e realidade a ser.
Influenciado por
- José Ortega y Gasset — mestre em Madri, de quem se afastou ao desenvolver um sistema próprio
- Husserl — método fenomenológico e análise da apreensão
- Heidegger — interlocutor direto, de quem discorda ao priorizar “realidade” sobre “ser”
- Aristóteles e Tomás de Aquino — tradição metafísica que discute criticamente
- Ciências da época (física, biologia), que acompanhou em Berlim
Influenciou
- Ignacio Ellacuría — filósofo e teólogo, que desenvolveu a filosofia zubiriana na América Central
- Diego Gracia, Antonio Pintor-Ramos e outros estudiosos de língua espanhola
- Estudos de filosofia da religião e de metafísica na tradição hispânica
Obras
Naturaleza, Historia, Dios (1944); Sobre la esencia (1962); Cinco lecciones de filosofía (1963); Inteligencia sentiente: Inteligencia y realidad (1980), Inteligencia y logos (1982), Inteligencia y razón (1983); póstumas: El hombre y Dios (1984), Sobre el hombre (1986), Estructura dinámica de la realidad (1989).