Vladímir Soloviov
Vladímir Soloviov

Vladímir Sergueievitch Soloviov (28 de janeiro de 1853, Moscou — 13 de agosto de 1900, propriedade de Uzkoie, perto de Moscou) foi filósofo, teólogo, poeta e crítico — o primeiro pensador russo a edificar um sistema metafísico abrangente e o fundador da tradição da filosofia religiosa russa. Filho do grande historiador Serguei Soloviov, foi amigo de Dostoiévski e figura central da vida intelectual de seu tempo. Sua obra projetou-se sobre toda a geração seguinte — de Berdiáev e Bulgákov ao simbolismo poético russo.

Conceitos-chave

  • Todo-unidade (vseiedinstvo): o conceito fundamental de seu sistema. Toda a realidade constitui um todo orgânico unificado no Absoluto, em que a multiplicidade dos seres não se opõe à unidade, mas a realiza. Contra o que via como o caráter fragmentário e abstrato da filosofia ocidental moderna, Soloviov busca uma síntese viva de ser, conhecimento e valor.
  • Conhecimento integral (tselnoe znanie): a verdade não se alcança pela razão isolada, mas pela reunificação de razão, experiência e fé (intuição mística). Empirismo, racionalismo e revelação são momentos parciais a integrar — tese que retoma criticamente Kireievski e os eslavófilos.
  • Sofia / Sofiologia: a Sophia, ou Sabedoria Divina, é o princípio pelo qual o mundo é unificado e contido em Deus — a “humanidade ideal” ou alma do mundo. Soloviov relatou em verso (o poema Três Encontros, 1898) experiências visionárias da Sofia; o tema tornar-se-ia central na teologia ortodoxa posterior (Florenski, Bulgákov).
  • Divino-humanidade (bogotchelovetchestvo): a história universal é o processo de progressiva união do divino e do humano, cujo eixo é a Encarnação de Cristo. O homem é chamado a colaborar nessa divinização. Tema das Leituras sobre a Divino-humanidade (1878–81).
  • Teocracia livre e ecumenismo: Soloviov defendeu por um período a reunificação das Igrejas (ortodoxa e católica) sob uma teocracia universal que harmonizasse autoridade espiritual, poder temporal e liberdade profética — projeto exposto em A Rússia e a Igreja Universal (1889, escrito em francês).
  • Ética da Todo-unidade: em A Justificação do Bem (1897), funda a moral em três sentimentos primários — a vergonha (diante da natureza inferior), a compaixão (diante dos outros) e a reverência (diante do superior) —, construindo a partir deles uma das grandes éticas da tradição russa.

Influenciado por

  • Platão e Plotino — a participação e o Uno; o neoplatonismo
  • Schelling e Hegel — o idealismo da identidade e a totalidade
  • Spinoza — a unidade substancial do real (admitida na juventude)
  • Kant — confrontado criticamente quanto aos limites da razão
  • Os eslavófilos (Kireievski) — o “conhecimento integral”

Influenciou

  • Nikolai Berdiáev — a filosofia religiosa da liberdade
  • Pável Florenski e Serguei Bulgákov — a sofiologia ortodoxa
  • Semion Frank — a metafísica da Todo-unidade
  • Os irmãos Trubetskói (Serguei e Evguêni)
  • O simbolismo russo (Aleksandr Blok, Andrei Biéli)

Obras

A Crise da Filosofia Ocidental — Contra os Positivistas (1874); Leituras sobre a Divino-humanidade (1878–81); A Crítica dos Princípios Abstratos (1880); A Rússia e a Igreja Universal (1889); O Sentido do Amor (1892–94); A Justificação do Bem (1897); Três Diálogos sobre a Guerra, o Progresso e o Fim da História, com o “Breve Relato sobre o Anticristo” (1900).

Ver também

Nikolai Berdiáev, Mikhail Bakhtin