
Nascido por volta de 1225 em Roccasecca, perto de Aquino, no sul da Itália, Tomás pertencia à alta nobreza, que se opôs com firmeza ao seu ingresso na ordem mendicante dos dominicanos — chegando a mantê-lo confinado por cerca de um ano. Estudou com Alberto Magno em Paris e Colônia e tornou-se mestre de teologia na Universidade de Paris. Apesar do apelido de “boi mudo”, revelou-se o maior gênio da Escolástica. Após uma intensa experiência em 1273, deixou de escrever, dizendo que tudo o que produzira lhe parecia “palha”; morreu no ano seguinte, a caminho do Concílio de Lyon. Canonizado em 1323, é o “Doutor Angélico”, e o tomismo permanece referência oficial da filosofia católica.
O coração de sua obra é a conciliação entre fé e razão. Contra os que viam oposição entre a filosofia (sobretudo a de Aristóteles, recém-reintroduzida no Ocidente pelos árabes) e a revelação cristã, Tomás sustenta que ambas, vindas de Deus, não podem contradizer-se: a razão prepara e esclarece o caminho da fé, sem jamais substituí-la. Realizou assim a mais ambiciosa síntese entre o aristotelismo e o cristianismo, exposta sobretudo na monumental Suma Teológica.
Em metafísica, distingue essência e existência: em todas as criaturas a existência é recebida, ao passo que somente em Deus essência e existência coincidem — Deus é o próprio ato de ser. Para demonstrar racionalmente sua existência, propõe as célebres cinco vias (pelo movimento, pela causa eficiente, pela contingência, pelos graus de perfeição e pela finalidade do mundo). Na ética e no direito, articula uma hierarquia de leis — eterna, natural, humana e divina — em que a lei natural é a participação da criatura racional na lei eterna. Sua influência atravessa toda a tradição tomista e neotomista até hoje.
Conceitos-chave
- Ente e essência: só em Deus essência = existência (Deus é ato puro); nas criaturas a existência é recebida por participação
- 5 Vias para a existência de Deus: movimento, causa eficiente, contingência, graus de perfeição, finalismo
- Analogia do ser: o conceito de ser é analógico (nem unívoco nem equívoco) — diz-se de Deus e criaturas de modo proporcionalmente semelhante
- Teoria do Direito: lei eterna → lei natural → lei humana (ius gentium + ius civile) → lei divina
- Intelecto agente: ilumina as espécies inteligíveis abstraídas dos dados sensíveis
- Fé e razão são conciliáveis; a razão prepara o caminho para a fé
Influenciado por
- Aristóteles — estrutura completa do sistema
- Santo Agostinho — teologia, graça
- Avicena — ente e essência
- Averróis — lê e critica sistematicamente
- Alberto Magno (mestre)
Influenciou
- Toda a tradição tomista e neotomista
- Duns Scotus — debate sobre a univocidade do ente
- Francisco Suárez — metafísica escolástica renascentista
- Filosofia política cristã
Obras
Suma Teológica (Summa Theologiae, 3 partes); Suma Contra os Gentios; Sobre o Ente e a Essência; comentários a Aristóteles.
Ver também
Filosofia Medieval
Livros indicados:
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