Thomas Nagel
Thomas Nagel

Thomas Nagel é um dos filósofos contemporâneos mais respeitados em filosofia da mente, ética e filosofia política. Nascido em 1937, é professor na Universidade de Nova York (NYU). Sua obra retorna obstinadamente a um tema: a dificuldade de conciliar a perspectiva interna e subjetiva de cada ser consciente com a perspectiva externa, impessoal e objetiva que a ciência e a razão buscam. Conhecido pela prosa límpida e pela honestidade intelectual com que expõe os limites das próprias soluções, Nagel resiste tanto às reduções fáceis quanto ao misticismo, defendendo que certos problemas filosóficos são genuínos e não devem ser dissolvidos prematuramente.

Conceitos-chave

  • O caráter subjetivo da experiência (“What Is It Like to Be a Bat?”, The Philosophical Review, 1974): no que talvez seja o artigo mais citado da filosofia da mente do século XX, Nagel argumenta que um organismo tem estados conscientes se e somente se há algo que é como ser esse organismo — um ponto de vista subjetivo. O morcego, que percebe o mundo por ecolocalização, tem uma experiência cujo caráter qualitativo nos é inacessível: por mais que conheçamos sua neurofisiologia, não sabemos como é ser um morcego. A conclusão é que o caráter subjetivo da experiência não pode ser plenamente captado por nenhuma descrição objetiva e física, o que constitui um obstáculo profundo para o reducionismo fisicalista.

  • A perspectiva subjetiva e a perspectiva objetiva (The View from Nowhere, 1986): Nagel desenvolve a tensão central de sua filosofia. Somos capazes de nos distanciar progressivamente de nosso próprio ponto de vista e conceber o mundo de forma cada vez mais impessoal — a “visão de lugar nenhum”. Mas há aspectos da realidade, como a consciência, o valor e o sentido da própria vida, que parecem só existir a partir de um ponto de vista e que se perdem quando tentamos objetivá-los por completo. Conciliar essas duas perspectivas, sem suprimir nenhuma, é para Nagel um dos problemas filosóficos mais fundamentais.

  • Razões objetivas para a ação (The Possibility of Altruism, 1970): Nagel argumenta que o altruísmo é racionalmente fundamentado. Assim como reconhecemos que nossos interesses futuros nos dão razões para agir agora, reconhecer que somos apenas “uma pessoa entre outras” deveria nos levar a admitir razões objetivas — razões válidas independentemente de quem as considera — que tornam os interesses dos outros relevantes para a nossa deliberação. O egoísmo, nessa leitura, repousa sobre uma incoerência análoga à de quem desconsidera o próprio futuro.

  • Crítica ao reducionismo neodarwinista (Mind and Cosmos, 2012): em um livro deliberadamente controverso e amplamente debatido, Nagel argumenta que a concepção materialista neodarwinista da natureza é “quase certamente falsa” como explicação completa do surgimento da consciência, da cognição e do valor. Sem propor uma alternativa teísta — Nagel se declara ateu —, sugere que talvez sejam necessários princípios explicativos não redutivos, possivelmente teleológicos, para dar conta de como a mente surge no cosmos. A obra foi recebida com forte resistência por parte de muitos filósofos e cientistas.

  • Ética e filosofia política: nos ensaios reunidos em Mortal Questions (1979), Nagel trata de temas como a morte, a sorte moral, o absurdo e os conflitos entre obrigações pessoais e impessoais. Em Equality and Partiality (1991), examina a tensão entre as exigências imparciais da justiça e os apegos pessoais legítimos de cada indivíduo, tema recorrente em seu pensamento moral.

Influenciado por

  • A tradição cartesiana e kantiana sobre a relação entre sujeito e objeto
  • John Rawls — teoria política e a questão da imparcialidade
  • O debate analítico sobre fisicalismo e funcionalismo
  • Ludwig Wittgenstein — limites da linguagem e da expressão da experiência

Influenciou

  • David Chalmers e o debate sobre o “problema difícil” da consciência
  • As discussões contemporâneas sobre qualia e consciência
  • A filosofia moral sobre sorte moral, ao lado de Bernard Williams
  • Debates em ética normativa e filosofia política

Obras

The Possibility of Altruism (1970); Mortal Questions (1979); The View from Nowhere (1986); Equality and Partiality (1991); The Last Word (1997); Mind and Cosmos (2012). O artigo “What Is It Like to Be a Bat?” (1974) permanece sua contribuição mais influente.

Ver também

David Chalmers Bernard Williams John Searle