
Romano Guardini nasceu em Verona em 17 de fevereiro de 1885 e morreu em Munique em 1º de outubro de 1968. Filho de pais italianos, cresceu em Mainz, na Alemanha, e naturalizou-se alemão. Estudou química, economia e teologia, foi ordenado sacerdote em 1910 e obteve a habilitação em 1922 com um trabalho sobre a doutrina da redenção em Boaventura. Em 1923 recebeu em Berlim uma cátedra de filosofia da religião e visão de mundo católica, que ocupou até 1939, quando o regime nacional-socialista o afastou do ensino. Depois da guerra, lecionou em Tübingen (1945–1948) e, a partir de 1948, em Munique, até 1962. Foi também figura importante do movimento juvenil católico, especialmente no Burg Rothenfels, e do movimento litúrgico alemão.
Seu pensamento é dirigido à interpretação do cristianismo e da cultura moderna, e não à construção de um sistema. Escreveu ensaios sobre Dante, Pascal, Dostoiévski, Hölderlin e Rilke, nos quais se vale da leitura de obras literárias e filosóficas para pensar a existência cristã.
Conceitos-chave
- O contraste (Gegensatz) — em Der Gegensatz. Versuche zu einer Philosophie des Lebendig-Konkreten (1925), propõe que o vivo e concreto só pode ser pensado como tensão de polos opostos que não se reduzem um ao outro nem se fundem (por exemplo, unidade e multiplicidade, identidade e alteridade, forma e plenitude); a vida seria a manutenção desses contrastes.
- Liturgia como jogo e forma — em Vom Geist der Liturgie (1918), apresenta a liturgia como ação simbólica em que a comunidade se forma e a pessoa se educa; a obra foi decisiva para o movimento litúrgico do século XX.
- Crítica da modernidade e do poder — em Das Ende der Neuzeit (1950) e Die Macht (1951), interpreta a época moderna como em esgotamento e examina a questão do poder técnico, que exige, segundo Guardini, uma nova responsabilidade moral. O primeiro livro é citado na encíclica Laudato si’ (2015) do papa Francisco.
- Pessoa e mundo — em Welt und Person (1939), elabora uma antropologia cristã em que a pessoa é irredutível ao mundo e a Deus ao mesmo tempo.
- Cristologia — em Der Herr (1937), meditações sobre a figura de Cristo a partir dos Evangelhos.
Influenciado por
- Boaventura, tema de sua habilitação
- Santo Agostinho e Blaise Pascal, a quem dedicou estudos (Christliches Bewußtsein. Versuche über Pascal, 1935)
- Dostoiévski, objeto de Der Mensch und der Glaube (1932)
Influenciou
- O movimento litúrgico e a reforma da liturgia do Concílio Vaticano II
- A teologia e a filosofia católicas de língua alemã do século XX, com leitores como Joseph Ratzinger, que reconheceu sua influência
- A reflexão católica sobre técnica, poder e ecologia, na linha de Laudato si'
Obras
Vom Geist der Liturgie (1918); Vom Sinn der Kirche (1922); Der Gegensatz (1925); Briefe vom Comer See (1927); Der Mensch und der Glaube (1932); Christliches Bewußtsein (1935); Der Herr (1937); Welt und Person (1939); Das Ende der Neuzeit (1950); Die Macht (1951).
Ver também
Max Scheler, Josef Pieper, Edith Stein, Karl Jaspers, Blaise Pascal