Roland Barthes
Roland Barthes

Roland Barthes (12 de novembro de 1915, Cherbourg — 26 de março de 1980, Paris) foi um crítico literário, semiólogo e ensaísta francês, uma das figuras centrais do estruturalismo e da virada pós-estruturalista. Marcado na juventude pela tuberculose, que o afastou da carreira universitária regular, construiu uma obra inclassificável, a meio caminho entre a crítica, a filosofia e a literatura. Em 1977 foi eleito para uma cátedra de semiologia literária no Collège de France. Morreu em 1980, semanas depois de ser atropelado por uma camionete em Paris.

Sua trajetória costuma ser dividida em fases: um momento inicial marxista e sartreano (O Grau Zero da Escrita, 1953); a fase semiológica e estruturalista (Mitologias, 1957; Elementos de Semiologia, 1964); e a virada textualista e pós-estruturalista a partir de S/Z (1970), culminando nos ensaios sobre o prazer e nas obras tardias, mais íntimas e fragmentárias.

Conceitos-chave

  • Mito como sistema semiológico segundo (Mitologias, 1957): Barthes aplica o signo de Ferdinand de Saussure à cultura de massa. O mito é uma conotação: toma um signo já completo (uma capa de revista, um prato de comida) e o sobrecarrega com um sentido ideológico, que se faz passar por natural. A função do mito é transformar a história em natureza — naturalizar o que é construído.
  • A morte do autor (A Morte do Autor, 1967/68): o sentido de um texto não está na intenção de quem o escreveu. “O nascimento do leitor deve pagar-se com a morte do Autor.” O texto é um tecido de citações sem origem fixa; quem o unifica é o leitor, não o autor entendido como divindade explicativa.
  • Legível e escrevível (lisible / scriptible, em S/Z, 1970): o texto legível é o clássico, consumível, de sentido fechado; o escrevível é aquele que torna o leitor produtor, plural e aberto. Em S/Z, Barthes disseca uma novela de Balzac em cinco “códigos” que tecem a narrativa.
  • Studium e punctum (A Câmara Clara, 1980): na fotografia, o studium é o interesse cultural, codificado, que se pode comentar; o punctum é o detalhe pungente que fere o observador, escapando ao código — a marca do afeto e da perda.
  • Prazer e fruição do texto (O Prazer do Texto, 1973): distinção entre o prazer (confortável, ligado à cultura) e a fruição (jouissance, gozo que abala o sujeito e suas certezas).
  • Efeito de real e a crítica da doxa: a literatura realista produz a ilusão de referência por meio de detalhes “inúteis”; e a tarefa crítica é desnaturalizar a doxa, a opinião dominante que se apresenta como óbvia.

Influenciado por

  • Ferdinand de Saussure — o signo e o projeto semiológico
  • Karl Marx e Bertolt Brecht — a crítica da ideologia (fase inicial)
  • Sartre — a noção de escrita engajada, depois superada
  • Louis Hjelmslev — a teoria da conotação

Influenciou

  • A teoria literária e a narratologia contemporâneas
  • O pós-estruturalismo e a teoria do texto (Jacques Derrida, Julia Kristeva)
  • Os estudos culturais e a crítica da cultura de massa
  • A teoria da recepção e da leitura

Obras

O Grau Zero da Escrita (1953); Mitologias (1957); Elementos de Semiologia (1964); S/Z (1970); O Império dos Signos (1970); O Prazer do Texto (1973); Fragmentos de um Discurso Amoroso (1977); A Câmara Clara (1980).

Ver também

Ferdinand de Saussure, Lévi Strauss, Jacques Derrida