Ralph Waldo Emerson
Ralph Waldo Emerson

Ralph Waldo Emerson nasceu em Boston, Massachusetts, em 25 de maio de 1803, e morreu em Concord, Massachusetts, em 27 de abril de 1882. Estudou em Harvard, formando-se em 1821, e tornou-se pastor unitarista da Second Church de Boston. Em 1832 renunciou ao cargo, por divergir da prática da Ceia do Senhor, e a partir de então viveu como conferencista e escritor, estabelecendo-se em Concord. Tornou-se a figura mais conhecida do transcendentalismo, movimento intelectual da Nova Inglaterra que se reuniu em torno do Transcendental Club (1836) e da revista The Dial, e que reunia nomes como Margaret Fuller, Henry David Thoreau e Bronson Alcott.

Seu primeiro livro, Nature (1836), publicado anonimamente, expõe uma visão da natureza como símbolo do espírito e inclui a célebre imagem do “olho transparente” (transparent eye-ball), em que o indivíduo, em comunhão com a natureza, sente-se parte de um todo espiritual. Em The American Scholar (1837), conferência pronunciada perante a Phi Beta Kappa em Harvard, defendeu a independência intelectual americana em relação à tradição europeia. No Divinity School Address (1838), criticou o cristianismo institucional e o apego à autoridade, o que lhe valeu forte reação dos meios unitaristas. Sua obra madura concentra-se nos ensaios: Essays: First Series (1841), com “Self-Reliance” e “The Over-Soul”, e Essays: Second Series (1844), com “The Poet” e “Experience”.

Conceitos-chave

  • Autoconfiança (self-reliance) — o ensaio “Self-Reliance” (1841) afirma a primazia da intuição individual e do juízo próprio diante do conformismo, das convenções e da autoridade das instituições e da tradição. O ensaio é uma das formulações clássicas do individualismo na cultura americana. Emerson compreende a confiança em si como confiança na razão universal que se manifesta em cada indivíduo.
  • Alma Suprema (Over-Soul) — a ideia de uma unidade espiritual que subjaz a todos os indivíduos e à natureza, com afinidades com o platonismo e o neoplatonismo.
  • Natureza como símbolo — a natureza é lida como linguagem do espírito, e a poesia, como a atividade que revela essa correspondência.
  • Idealismo e transcendentalismo — Emerson recebeu, em parte por mediação de Coleridge e Carlyle, a distinção kantiana entre Entendimento e Razão, e dela fez a base de uma epistemologia intuicionista que contrasta com o empirismo lockiano dominante na Nova Inglaterra.
  • Ceticismo e experiência — em “Experience” (1844), escrito após a morte de seu filho Waldo, Emerson reconhece os limites do conhecimento e do controle humano, matizando o otimismo de seus primeiros textos.

Influenciado por

  • Platão e o neoplatonismo — a ideia de uma realidade espiritual subjacente
  • Immanuel Kant — via Coleridge e Carlyle, a distinção entre Entendimento e Razão
  • Samuel Taylor Coleridge e Thomas Carlyle — mediadores do idealismo alemão e do romantismo
  • Michel de Montaigne e Goethe — o ensaio pessoal, a atenção à experiência e à formação do indivíduo
  • Emanuel Swedenborg e textos orientais — fontes do simbolismo e de sua imagem do divino

Influenciou

  • Henry David Thoreau — amigo e discípulo, com quem Emerson dividiu o círculo de Concord
  • Walt Whitman — reconheceu em Emerson uma influência decisiva na poesia
  • Friedrich Nietzsche — leitor de Emerson, cuja influência na obra nietzschiana é documentada
  • William James e John Dewey — a tradição pragmatista reconhece afinidades com seu pensamento
  • Stanley Cavell — filósofo contemporâneo que escreveu extensamente sobre Emerson e retomou sua obra como filosofia

Obras

Nature (1836); The American Scholar (1837); Divinity School Address (1838); Essays: First Series (1841); Essays: Second Series (1844); Representative Men (1850); English Traits (1856); The Conduct of Life (1860); Society and Solitude (1870).

Ver também

Henry David Thoreau, Kant, Platão, Nietzsche, William James, John Dewey