Paulo Freire
Paulo Freire

Nascido no Recife em 1921, em meio à pobreza do Nordeste brasileiro, Paulo Freire é o pensador brasileiro mais citado e traduzido no mundo, e o Patrono da Educação Brasileira. Sua filosofia nasceu da prática: em 1963, na experiência pioneira de Angicos, alfabetizou trabalhadores rurais em poucas semanas com um método que unia a leitura da palavra e a leitura do mundo. Visto como ameaça, foi preso e exilado após o golpe de 1964, passando por Bolívia, Chile, Estados Unidos e Suíça; só retornaria ao Brasil em 1980. Articulou fenomenologia, marxismo e existencialismo numa teoria que é, a um só tempo, pedagogia e filosofia política da emancipação.

Sua crítica central dirige-se à “educação bancária”: o modelo em que o professor “deposita” conteúdos num aluno passivo, tratado como recipiente vazio. Esse modelo, diz Freire, é desumanizante e reproduz a opressão, pois nega ao educando a condição de sujeito. A ele opõe a educação problematizadora, que parte da realidade concreta dos educandos e se faz no diálogo — condição, para Freire, da própria humanização.

O conceito que sintetiza seu projeto é o de conscientização: a passagem de uma consciência ingênua, que naturaliza a opressão como destino, para uma consciência crítica, que percebe as causas históricas da desigualdade e se mobiliza para transformá-las. Educar, portanto, nunca é neutro: é um ato político, uma práxis que une reflexão e ação sobre o mundo. Sua obra-prima, Pedagogia do Oprimido (1968), tornou-se uma das mais lidas das ciências humanas, influenciando a pedagogia crítica mundial, a Filosofia da Libertação de Enrique Dussel e os estudos decoloniais.

Conceitos-chave

  • Educação bancária (Pedagogia do Oprimido, 1968/1974): modelo em que o professor deposita conteúdos num aluno passivo — desumanizante e reprodutor da opressão
  • Educação problematizadora: parte da realidade concreta dos educandos, dialógica, transforma consciência e mundo
  • Conscientização: passagem da consciência ingênua (naturaliza a opressão) para a consciência crítica (percebe as mediações históricas e age para transformar)
  • Palavra geradora: método de alfabetização que articula aprendizagem fonética com tomada de consciência da realidade vivida
  • Diálogo: condição ontológica da humanização; a negação do diálogo é negação da humanidade
  • Práxis: unidade indissolúvel de reflexão e ação sobre o mundo

Influenciado por

  • Marx — materialismo histórico e crítica da alienação
  • Hegel — dialética senhor/escravo
  • Sartre — existencialismo e comprometimento político
  • Frantz Fanon — psicologia da colonização
  • Husserl e Merleau Ponty — fenomenologia do mundo vivido
  • Erich Fromm — psicologia humanista

Influenciou

  • Enrique Dussel e a Filosofia da Libertação
  • Pedagogia crítica norte-americana (Giroux, McLaren)
  • Movimentos de educação popular na América Latina e na África
  • Estudos decoloniais

Obras

Educação como prática da liberdade (1967); Pedagogia do Oprimido (1968/1974); Pedagogia da esperança (1992); Pedagogia da autonomia (1996).

Ver também

Filosofia Latino-americana Enrique Dussel

Livros indicados:

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