Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho

Olavo Luiz Pimentel de Carvalho nasceu em Campinas (SP), em 29 de abril de 1947, e morreu em Richmond, Virgínia (EUA), em 24 de janeiro de 2022, dias depois de testar positivo para covid-19. Autodidata, sem diploma universitário, construiu fora da academia uma obra extensa — mais de quarenta livros, além de milhares de artigos e aulas — e tornou-se o pensador brasileiro de maior influência pública das últimas décadas.

Trajetória

Trabalhou como jornalista desde a juventude. Nos anos 1980 dedicou-se à astrologia e ao estudo do esoterismo tradicionalista de René Guénon e Frithjof Schuon, tendo integrado por algum tempo a confraria sufi (tariqa) ligada a Schuon; depois rompeu com essa corrente e passou a criticá-la. Nos anos 1990 publicou a trilogia formada por A Nova Era e a Revolução Cultural (1994), O Jardim das Aflições (1995) e O Imbecil Coletivo (1996), e o ensaio Aristóteles em Nova Perspectiva (1996). Foi colunista de grandes jornais brasileiros. Em 2005 mudou-se para os Estados Unidos e, a partir de 2009, ministrou o Seminário de Filosofia online, que reuniu milhares de alunos e formou boa parte dos quadros intelectuais da nova direita brasileira. Recomendou nomes que chegaram a ministérios do governo Bolsonaro, como Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodríguez (Educação).

Conceitos-chave

  • Teoria dos quatro discursos — em Aristóteles em Nova Perspectiva, sustenta que poética, retórica, dialética e analítica não são disciplinas estanques, mas graus de uma escala única do discurso humano, ordenada pela credibilidade das premissas: do possível ao verossímil, ao provável e ao certo.
  • Paralaxe cognitiva — o deslocamento entre o eixo da construção teórica de um pensador e o eixo de sua experiência real; uma filosofia que não poderia ser vivida pelo próprio autor que a formula revelaria, por isso, um defeito de origem. Usou o conceito como critério crítico contra Maquiavel, Descartes, Marx e outros modernos.
  • Consciência e responsabilidade intelectual — a filosofia como busca da “unidade do conhecimento na unidade da consciência”, e não como especialização acadêmica; o filósofo deve responder pessoalmente pelo que afirma.
  • Crítica da revolução cultural — leitura de Gramsci e da Escola de Frankfurt como estratégia de conquista da hegemonia na cultura, na imprensa e na universidade, tema de A Nova Era e a Revolução Cultural e O Imbecil Coletivo.
  • Filosofia da história — em O Jardim das Aflições, a partir de um episódio aparentemente menor, reconstrói a formação do projeto de poder secular moderno, de Epicuro ao Estado contemporâneo.

Recepção e críticas

A recepção de sua obra é fortemente dividida. Seus leitores o veem como o grande renovador da alta cultura no Brasil, responsável por reintroduzir autores como Voegelin, Lavelle e Mário Ferreira dos Santos no debate nacional. A filosofia acadêmica, em geral, não o trata como interlocutor e aponta o caráter polêmico e pouco sistemático de parte de seus escritos; críticos destacam ainda posições conspiratórias e anticientíficas que sustentou em temas públicos, como vacinas e a pandemia de covid-19. Sua tese sobre Aristóteles, por outro lado, tem precedentes reconhecidos na tradição comentarista árabe (Al-Farabi, Averróis) e é a parte de sua obra mais discutida em termos estritamente filosóficos.

Influenciado por

  • Aristóteles e Platão
  • Eric Voegelin e Louis Lavelle
  • Mário Ferreira dos Santos
  • René Guénon e Frithjof Schuon (fase tradicionalista, depois criticada)

Influenciou

  • A nova direita e o conservadorismo brasileiro do século XXI
  • A reedição e a recepção de Mário Ferreira dos Santos e de autores conservadores no Brasil
  • Milhares de alunos do Seminário de Filosofia, entre eles escritores, editores e professores

Obras

A Nova Era e a Revolução Cultural (1994); O Jardim das Aflições (1995); O Imbecil Coletivo (1996); Aristóteles em Nova Perspectiva: introdução à teoria dos quatro discursos (1996); O Futuro do Pensamento Brasileiro (1997); Maquiavel, ou a confusão demoníaca (2011); O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota (2013, org. Felipe Moura Brasil).

Ver também

Mário Ferreira dos Santos, Aristóteles, Eric Voegelin, Antonio Gramsci