Mestre Eckhart
Mestre Eckhart

Eckhart de Hochheim, conhecido como Mestre Eckhart, nasceu por volta de 1260 em Tambach, na Turíngia, e morreu por volta de 1328, provavelmente em Avignon, antes de 30 de abril de 1328, data em que um documento papal já o menciona como falecido. Ingressou na Ordem dos Pregadores (dominicanos), estudou em Colônia e Paris e obteve o título de magister, de onde o nome “Mestre”. Ocupou a cátedra de teologia dos dominicanos em Paris em dois períodos (1302–1303 e 1311–1313), foi provincial da Saxônia a partir de 1303 e vigário-geral da Boêmia, e atuou como pregador e orientador espiritual em Estrasburgo e Colônia.

Eckhart escreveu em latim e em alemão médio. Em latim, planejou um vasto Opus tripartitum, que ficou incompleto, além de comentários bíblicos e das Questões Parisienses. Em alemão, deixou sermões, o Livro da Consolação Divina e tratados como Reden der underscheidunge e Von abegescheidenheit, que tornaram acessíveis à pregação e à espiritualidade leiga temas da escolástica e do neoplatonismo. Sua doutrina combina a metafísica de Tomás de Aquino e de Alberto Magno com a tradição neoplatônica e a teologia negativa do Pseudo-Dionísio.

Entre seus temas, destacam-se o nascimento do Verbo na alma, o “fundo da alma”, ponto em que o ser humano toca o divino, a distinção entre Deus, enquanto Trindade, e a Deidade, fundo indiferenciado e inefável, e o desapego (Abgeschiedenheit), disposição de liberdade interior diante de imagens, vontades e coisas. Em 1326 foi aberto contra ele um processo de heresia em Colônia; Eckhart apelou ao papa e, segundo registros do processo, declarou submeter suas obras ao juízo da Igreja. Em 27 de março de 1329, o papa João XXII publicou a bula In agro dominico, que condenou 28 proposições extraídas de seus escritos, 17 como heréticas e 11 como suspeitas de heresia ou temerárias.

Conceitos-chave

  • Nascimento de Deus na alma (Gottesgeburt) — o Filho é gerado continuamente no fundo da alma que se abre a Deus.
  • Fundo da alma (Seelengrund) — instância mais íntima do ser humano, em que há uma proximidade essencial com o divino.
  • Deidade (Gottheit) — o fundo divino anterior à distinção das pessoas trinitárias, além de qualquer nome.
  • Desapego (Abgeschiedenheit) — liberdade interior em relação às criaturas e à vontade própria, condição da união com Deus.
  • Serenidade (Gelassenheit) — entrega de si e deixar-ser, tema que marcou a recepção posterior.
  • Analogia e teologia negativa — articulação entre o discurso tomista sobre o ser e a negação dionisiana.
  • Intelecto e ser — nas Questões Parisienses, a tese de que a perfeição divina é antes entendimento que ser.

Influenciado por

  • Tomás de Aquino e Alberto Magno
  • Pseudo-Dionísio Areopagita
  • Santo Agostinho
  • Neoplatonismo, em especial Proclo, pelo Liber de causis
  • Maimônides

Influenciou

  • Johannes Tauler e Heinrich Seuse (Henrique Suso), seus discípulos dominicanos
  • Nicolau de Cusa, leitor de Eckhart
  • Martin Heidegger, que retomou o conceito de Gelassenheit em obra de 1959
  • A mística renana e a recepção moderna da mística alemã

Obras

Opus tripartitum (inacabado); Questões Parisienses; Reden der underscheidunge; Buch der göttlichen Tröstung; Von abegescheidenheit; Sermões alemães.

Ver também

Tomás de Aquino, Alberto Magno, Nicolau de Cusa, Plotino, Martin Heidegger