
Max Scheler nasceu em Munique em 22 de agosto de 1874 e morreu em Frankfurt em 19 de maio de 1928. Estudou em Munique, Berlim e Jena, onde se doutorou sob a orientação de Rudolf Eucken. Conheceu Edmund Husserl em 1901 e tornou-se uma das figuras do movimento fenomenológico, atuando em Munique e no círculo de Göttingen. Convertido ao catolicismo, foi professor em Colônia a partir de 1919, onde deveria ser o pensador católico do novo instituto de pesquisa em ciências sociais, e, em 1927, assumiu uma cátedra em Frankfurt. Sua obra é uma das mais influentes da filosofia alemã da primeira metade do século XX, embora tenha ficado inacabada.
Fases do pensamento
Os comentadores costumam distinguir três períodos, cujas datações variam. Na fase inicial, em Jena, Scheler dialoga com o neokantismo e com a filosofia da vida de Eucken. Na fase fenomenológica e católica (aproximadamente 1912–1921), publica suas obras mais conhecidas sobre ética, sentimentos e religião, entre elas Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik (1913–1916) e Vom Ewigen im Menschen (1921). Na fase tardia, a partir dos anos 1920, afasta-se da Igreja e do teísmo cristão tradicional; nela, Deus é concebido como um devir que se realiza por meio dos seres espirituais, e Scheler desenvolve uma sociologia do saber e uma antropologia filosófica, expostas em Die Wissensformen und die Gesellschaft (1926) e Die Stellung des Menschen im Kosmos (1928).
Conceitos-chave
- Ética material dos valores — contra o formalismo ético de Kant, sustenta que a ética se funda em valores materiais dados a priori numa intuição emocional (a “percepção do valor”), e não em meras formas do dever.
- Hierarquia dos valores — ordenação objetiva e não relativa dos valores, do agradável e do útil aos valores vitais, espirituais e, no topo, ao santo; a ordem hierárquica é apreendida intuitivamente e não depende de épocas ou culturas.
- Pessoa — unidade concreta dos atos, nunca reduzível a nenhum ato particular nem a um objeto; é captada pelo amor e pela compreensão do valor, e é o único sujeito de responsabilidade ética.
- Simpatia e amor — em Wesen und Formen der Sympathie (1913; reelaborada em 1923), analisa o contágio afetivo, a simpatia e o amor, criticando as teorias que explicam o conhecimento do outro por analogia ou projeção.
- Ressentimento — a análise do ressentimento como fonte de certas formações morais, a partir de Nietzsche, no ensaio sobre o ressentimento na construção das morais (1912; reelaborado em 1915).
- Antropologia filosófica — em Die Stellung des Menschen im Kosmos (1928), o ser humano resulta do encontro entre o impulso vital (Drang) e o espírito (Geist); o espírito é objetivante e aberto ao mundo, mas, segundo Scheler, dependente da energia do impulso para realizar-se.
Influenciado por
- Edmund Husserl, de quem recebeu o impulso fenomenológico, embora tenha aplicado o método a conteúdos de valor que Husserl não tematizou do mesmo modo
- Rudolf Eucken, seu orientador, e Friedrich Nietzsche, em temas como a vida e o ressentimento
- Blaise Pascal e Santo Agostinho, cujas ideias sobre a “ordem do coração” e a ordem do amor retoma
- Immanuel Kant e Henri Bergson, como interlocutores críticos
Influenciou
- Edith Stein, cuja análise da empatia dialoga com a de Scheler
- Nicolai Hartmann e Dietrich von Hildebrand, na ética dos valores
- A antropologia filosófica alemã, com Helmuth Plessner e Arnold Gehlen
- Martin Heidegger, que dedicou a Scheler, após sua morte, o livro Kant e o Problema da Metafísica (1929)
- Karol Wojtyła, que analisou criticamente a ética de Scheler em sua tese de habilitação (anos 1950), antes de se tornar João Paulo II
Obras
Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik (1913–1916); Wesen und Formen der Sympathie (1913); Der Genius des Krieges und der Deutsche Krieg (1915); Vom Ewigen im Menschen (1921); Die Wissensformen und die Gesellschaft (1926); Die Stellung des Menschen im Kosmos (1928).
Ver também
Edmund Husserl, Edith Stein, Martin Heidegger, Romano Guardini, Nietzsche