
Mary Wollstonecraft foi uma escritora, filósofa e defensora dos direitos das mulheres britânica, cujo A Vindication of the Rights of Woman (1792) é considerado um dos textos fundadores do feminismo filosófico moderno. Contemporânea das revoluções americana e francesa, Wollstonecraft aplicou os princípios iluministas de razão e igualdade às relações entre os sexos, desafiando a divisão entre esferas pública e privada que excluía as mulheres da cidadania plena.
Conceitos-chave
Igualdade Racional (A Vindication of the Rights of Woman, 1792): Argumento central — mulheres e homens compartilham a mesma natureza racional. Se a razão é o fundamento da dignidade e dos direitos, como sustentam os iluministas, então as mulheres têm os mesmos títulos aos direitos políticos e educativos que os homens. A exclusão das mulheres da esfera racional é inconsistente com os próprios princípios do Iluminismo.
Crítica à Educação Feminina: A educação convencional das mulheres cultivava ornamento, passividade e sedução ao invés de razão e virtude. Wollstonecraft argumenta que essa educação não educa — corrompe. Mulheres treinadas para agradar são reduzidas a uma infantilidade permanente, tornando-se incapazes de exercer responsabilidades morais e cívicas.
Crítica a Rousseau: Émile (1762) prescreve para Sophie — a mulher ideal — uma educação radicalmente diferente da de Émile, orientada à submissão e ao agrado masculino. Wollstonecraft vê nisso uma contradição interna: Rousseau condena o despotismo político e ao mesmo tempo prescreve despotismo doméstico. Uma mulher educada na dependência será má esposa, má mãe e má cidadã.
Virtude e Moralidade: Wollstonecraft sustenta uma ética de orientação kantiana avant la lettre: a virtude é a mesma para homens e mulheres — implica o exercício da razão, a autonomia moral e o cumprimento dos deveres. A virtude não é feminina ou masculina, mas humana. A “feminilidade” cultivada pela educação contemporânea é incompatível com a virtude genuína.
Cidadania e Esfera Pública: As mulheres não deveriam ser confinadas ao lar — deveriam participar da vida pública como cidadãs. Wollstonecraft pede acesso feminino à educação, às profissões e, implicitamente, ao voto (questão que ela não desenvolve sistematicamente, mas que suas premissas implicam).
A Vindication of the Rights of Men (1790): Primeira resposta publicada às Reflexões sobre a Revolução na França de Edmund Burke, antes mesmo da Vindication of the Rights of Woman. Wollstonecraft defende os princípios da Revolução Francesa e ataca o conservadorismo de Burke.
Influenciado por
- Locke — teoria dos direitos naturais
- Rousseau — apropriado e criticado; o igualitarismo do Discurso sobre a Desigualdade é voltado contra Émile
- Richard Price (1723–1791) — Presbiterianismo Radical e defesa da Revolução Francesa
- Iluminismo escocês (Burgh, Fordyce) — criticamente
Influenciou
- Feminismo do século XIX: Elizabeth Cady Stanton, Harriet Taylor Mill
- Simone de Beauvoir — argumento da construção social do feminino
- Filosofia política liberal e feminismo liberal contemporâneo
- John Stuart Mill, A Sujeição das Mulheres (1869)
Obras
Thoughts on the Education of Daughters (1787); Mary: A Fiction (1788); A Vindication of the Rights of Men (1790); A Vindication of the Rights of Woman (1792); An Historical and Moral View of the French Revolution (1794); Letters Written During a Short Residence in Sweden, Norway, and Denmark (1796); Maria: or, The Wrongs of Woman (1798, póstumo).
Ver também
Contratualismo e Iluminismo Filosofia do Século XIX
Livros indicados:
A Vindication of the Rights of Woman — Mary Wollstonecraft
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