
Martin Buber nasceu em Viena em 8 de fevereiro de 1878 e morreu em Jerusalém em 13 de junho de 1965. Criado em Lemberg (Lviv) na casa do avô, o erudito Salomon Buber, estudou filosofia, história da arte e germanística em Viena, Leipzig, Berlim e Zurique. Envolveu-se cedo com o movimento sionista cultural e dedicou-se ao estudo do hassidismo, tradição mística judaica do Leste europeu, que divulgou em obras como As Histórias de Rabi Nachman (1906) e A Lenda do Baal-Shem (1908). Entre 1925 e a conclusão da obra, em 1961, traduziu a Bíblia hebraica para o alemão em colaboração com Franz Rosenzweig, e depois sozinho, após a morte deste, em 1929. Lecionou em Frankfurt (1924–1933); com a ascensão do nazismo, emigrou em 1938 para a Palestina, onde ensinou filosofia social na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Sua obra mais influente é Ich und Du (1923; Eu e Tu), texto de estilo aforístico que propõe uma ontologia da relação. Buber distingue duas “palavras-princípio”: Eu-Tu, em que o outro é encontrado como presença total, em reciprocidade e sem mediação de objetivos, e Eu-Isso, em que o outro é tratado como objeto de experiência e de uso. As duas atitudes são necessárias à vida humana, mas o encontro autêntico só ocorre na primeira, e para ele o “Tu eterno”, Deus, é o Tu que nunca se torna Isso. O espaço da relação é descrito como o “entre” (das Zwischen), que não pertence nem ao sujeito nem ao objeto isoladamente. Em obras posteriores, como Dialogisches Leben (1947), Das Problem des Menschen (1948) e Eclipse de Deus (Gottesfinsternis), desenvolveu essa perspectiva em antropologia filosófica, pedagogia e filosofia da religião. Em 1957 manteve um célebre diálogo público com o psicólogo Carl Rogers.
Conceitos-chave
- Eu-Tu e Eu-Isso — as duas atitudes fundamentais do ser humano diante do mundo e dos outros.
- O entre (das Zwischen) — o âmbito da relação dialógica, lugar em que o sentido acontece.
- Diálogo — encontro genuíno entre pessoas, que exige presença, reciprocidade e abertura.
- O Tu eterno — Deus como o interlocutor absoluto, concebido na relação, e não como objeto de conhecimento.
- Hassidismo — espiritualidade que busca o sagrado na vida cotidiana, reinterpretada por Buber como modelo de vida dialógica.
- Eclipse de Deus — expressão para a perda da relação com o divino na cultura moderna.
- Utopia e comunidade — em Caminhos da Utopia (1ª ed. em hebraico, 1947; ed. inglesa, 1949; ed. alemã, Pfade in Utopia, 1950), defesa de um socialismo comunitário e descentralizado.
Influenciado por
- Hassidismo e a tradição judaica
- Søren Kierkegaard — a noção do indivíduo diante de Deus
- Friedrich Nietzsche — influência marcante em sua juventude
- Ludwig Feuerbach — a ideia do Eu e Tu como fundamento do humano
- Wilhelm Dilthey e Georg Simmel, com quem teve contato nos anos de estudo
Influenciou
- Emmanuel Levinas — que dialogou criticamente com a filosofia de Buber
- Franz Rosenzweig — com quem manteve interlocução e colaboração na tradução da Bíblia
- A psicologia humanista e a psicoterapia de orientação dialógica, a exemplo de Carl Rogers
- A pedagogia dialógica e a teologia do diálogo inter-religioso
Obras
Daniel (1913); Ich und Du (1923); Zwiesprache (1932); Dialogisches Leben (1947); Das Problem des Menschen (1948); Pfade in Utopia (1950; 1ª ed. em hebraico, 1947); Gottesfinsternis (1953; ed. inglesa Eclipse of God, 1952).
Ver também
Emmanuel Levinas, Søren Kierkegaard, Gabriel Marcel, Filosofia Judaica, Filosofia do Diálogo