María Zambrano
María Zambrano

María Zambrano Alarcón nasceu em Vélez-Málaga, em 22 de abril de 1904, e morreu em Madri, em 6 de fevereiro de 1991. Estudou filosofia na Universidade Central de Madri, onde foi discípula de José Ortega y Gasset, de Xavier Zubiri e de Manuel García Morente, e atuou como docente antes da Guerra Civil. Comprometida com a causa republicana, deixou a Espanha em 1939 e viveu quase meio século no exílio, em lugares como México, Cuba, Porto Rico, Roma, França e Suíça, regressando a Madri em 1984. Recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades em 1981 e o Prêmio Cervantes em 1988, tendo sido a primeira mulher a obtê-lo.

Sua obra procura um modo de pensar que não renuncie nem ao rigor filosófico nem à força da palavra poética. Partindo do raciovitalismo de Ortega y Gasset, que ela amplia e tensiona, formulou a razão poética: uma forma de razão capaz de acolher aquilo que o pensamento sistemático costuma deixar de fora, como o sonho, o sagrado, as “entranhas” e a experiência da dor. Em Filosofía y poesía (1939), interpreta a história do pensamento ocidental como um conflito, cuja origem remonta a Platão, entre a busca filosófica da unidade e a palavra poética que abraça a multiplicidade e o concreto.

Em El hombre y lo divino (1955), examina as formas históricas do sagrado e a relação do ser humano com o divino, e em Persona y democracia (1958) volta-se à reflexão política, em diálogo com a experiência do exílio e da violência do século XX. Claros del bosque (1977) e De la aurora (1986) desenvolvem uma prosa em que filosofia e poesia se interpenetram; em Notas de un método (1989), reflete sobre sua própria maneira de filosofar. Sua obra dialoga com Nietzsche, com os místicos espanhóis e com Heidegger, mas mantém linguagem e itinerário próprios, o que dificulta sua inclusão em qualquer escola.

Conceitos-chave

  • Razão poética — forma de conhecimento que integra a palavra poética ao pensamento, para dar conta do que escapa à razão sistemática.
  • Razão mediadora — razão que se coloca a serviço da vida e da realidade concreta, como mediação entre o humano e o que o excede.
  • Filosofia e poesia — relação conflituosa e complementar entre duas formas de busca da verdade (Filosofía y poesía, 1939).
  • Sagrado e divino — análise das formas históricas do sagrado (El hombre y lo divino, 1955).
  • Claros do bosque — título e imagem central de Claros del bosque (1977), para um saber que se abre em clareiras, e não em sistema.
  • Aurora — conceito que dá título a De la aurora (1986), em que a autora reflete sobre o nascer da razão e do pensamento.

Influenciado por

  • José Ortega y Gasset — mestre e ponto de partida do raciovitalismo, que ela amplia na razão poética
  • Xavier Zubiri — professor e interlocutor em Madri
  • Miguel de Unamuno — a tensão entre pensamento e vida, tema que ela retoma em suas reflexões sobre o pensamento espanhol
  • Platão — com quem discute a separação entre filosofia e poesia
  • Nietzsche e Heidegger — interlocutores da crítica à razão sistemática

Influenciou

  • A recepção contemporânea da filosofia hispânica, em que a razão poética é um dos conceitos mais discutidos
  • Estudos sobre as relações entre filosofia, poesia e exílio em língua espanhola

Obras

Horizonte del liberalismo (1930); Filosofía y poesía (1939); Pensamiento y poesía en la vida española (1939); El hombre y lo divino (1955); Persona y democracia (1958); España, sueño y verdad (1965); Claros del bosque (1977); De la aurora (1986); Notas de un método (1989); Delirio y destino (1989).

Ver também

José Ortega y Gasset, Miguel de Unamuno, Xavier Zubiri, Platão, Simone Weil